<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314</id><updated>2011-11-27T17:02:46.023-08:00</updated><title type='text'>LITERATURA AFRO SERGIPANA    -    POESIA</title><subtitle type='html'>Este instrumento é um indicador da diversidade do patrimônio afro sergipano que busca contribuir para a visibilidade da nossa exclusão enquanto negros e detentores da mais rica e expressiva manifestação.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>103</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-6686679140349148378</id><published>2010-08-29T14:47:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T14:57:52.753-07:00</updated><title type='text'>A SINDROME DO ARIANISMO  E O CENSO 2010 EM SERGIPE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/THrXa_Q_BAI/AAAAAAAACG0/K1VMFDpD73s/s1600/asd+(17).jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/THrXa_Q_BAI/AAAAAAAACG0/K1VMFDpD73s/s320/asd+(17).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510953952700466178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A  Síndrome do Arianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil busca sempre referenciais americanos (EEUU), para sustentar as teses dos seus projetos e cristaliza o status que se á bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil, que espera sempre por uma ação daquele país para aprovar seus projetos. O mais recente foi  as Ações Afirmativas, mas, não aceita o referencial racial em prática ali naquele País, onde o Negro, são os Pretos, Pardos e Mulatos, enfim os tais 10% de sangue negro, aquele que em nossa Colônia, num passado não tão distante, era exigido para  o serviço público, serviços religiosos, militar, eleitoral etc. Hoje no Brasil o ser negro se torna uma questão de geografia, pois os brancos de Sergipe, são Negros em São Paulo e no Sul do País. Lá o modelo americano  estar em plena prática no cotidiano de grande parte da população, seja engajada politicamente no Movimento Negro ou não. Trata-se de Consciência Política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Sergipe, o Arianismo se amplia para os Pardos  e Mulatos, só os Pretos são Negros, os chamados de “ Tribufu, Macacos, Carvão, Urubu, Diabo,  etc. Aqueles que nunca tem razão e são discriminados pelos próprios negros genéricos, Os Pretos, macumbeiros, Bichos, os suspeitos, malandros, maconheiros, marginais, mal encarados, os que nas delegacias e tribunais, mesmo tendo razão e reconhecidamente vítimas, já chegam  com 50% de  suspeitas e assim recebidos e tratados, onde delegados e juízes se dirigem primeiro aos réu por não serem pretos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, as tal política de Ação Afirmativa, gerenciada por genéricos e Arianista, é um problema de falso negativo e o olhar de governo e estado, um problema de confusão, onde o hiato social está presente nas ações dos gestores públicos por indução do governador. Uma incógnita do delírio explicito da limpeza étnica dos negros induzidos a brancura, a política branqueadora do poder controlador, cristalizando a idiossincrasia racial e  a psicologia do recalque. É Triste Ser Negro em Sergipe se o ser negro no Brasil já é complexo e  um exercício de alta periculosidade em Sergipe o caso é aterrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CENSO 2010 do IBGE, trará os indicadores da limpeza étnico racial com o maior insulto a inteligência, do mais liberal e crédulo dos intelectuais  ditos  ativista dos Direitos Humanos. Vai ser um alivio para os governos ditos socialistas, pois não terão mais as preocupações de arquivar os projetos de políticas publicas para os negros e comemorarão  seus maiores crimes contra a humanidade, a cristalização do racismo institucional através da mal fadada kotas, o inicio da limpeza racial através  sucateamento da educação .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de Sergipe onde os Negros não querem ser negros e odeiam negros no Maranhão politicamente os negros têm orgulho de ser negros, curtem sua raça e esnoba nos manifestos de suas culturas, assinalando em cada referencia a sua raiz ancestral. Assim é na Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, só para citar por onde andei e aprendi a ter orgulho de ser Negro, agora, ser orgulho de ser sergipano é outra história que ainda nestas seis décadas ainda não materializei por varias  questões, talvés de realidade  aumentada onde o ambiente é gerado predominantemente no mundo real, sem distorções do realismo virtual de visão ótica por projeção.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-6686679140349148378?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/6686679140349148378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2010/08/sindrome-do-arianismo-e-o-censo-2010-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6686679140349148378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6686679140349148378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2010/08/sindrome-do-arianismo-e-o-censo-2010-em.html' title='A SINDROME DO ARIANISMO  E O CENSO 2010 EM SERGIPE'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/THrXa_Q_BAI/AAAAAAAACG0/K1VMFDpD73s/s72-c/asd+(17).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-7543049350790448282</id><published>2009-10-23T19:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T19:28:59.331-07:00</updated><title type='text'>SEVERO D'ACELINO E A PRODUÇÃO TEXTUAL AFRO - BRASILEIRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuJmUjlvOeI/AAAAAAAAB_g/9_6F0LIWMUU/s1600-h/severo_pefil_12_boa.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuJmUjlvOeI/AAAAAAAAB_g/9_6F0LIWMUU/s400/severo_pefil_12_boa.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395987806880217570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuJmUhg-r3I/AAAAAAAAB_Y/g5q05oyI8Qk/s1600-h/WPUJOJCA0CNVSACA3MO9B0CAO5VRUOCA0R8PS6CA7QIZ28CA080I17CA0GQ4P5CAZOE4T5CARD7Z4LCAM9BSB1CAMT1MB9CANVKZIBCADX0GWLCAJI6H82CA55UN1HCA1WKCOQCA4UVIHZ.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px; height: 93px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuJmUhg-r3I/AAAAAAAAB_Y/g5q05oyI8Qk/s400/WPUJOJCA0CNVSACA3MO9B0CAO5VRUOCA0R8PS6CA7QIZ28CA080I17CA0GQ4P5CAZOE4T5CARD7Z4LCAM9BSB1CAMT1MB9CANVKZIBCADX0GWLCAJI6H82CA55UN1HCA1WKCOQCA4UVIHZ.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395987806323388274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severo D'Acelino e a produção textual afro - brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosemere Ferreira da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos - Universidade Federal da Bahia&lt;br /&gt;Centro de Estudos Afro-Orientais&lt;br /&gt;E-mail: roserosefr2000@yahoo.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESUMO: O artigo em questão procura discutir, sob o ponto de vista de formação da&lt;br /&gt;literatura afro-brasileira, a produção cultural e textual do intelectual Severo D’Acelino na contemporaneidade. De que maneira, os textos de Severo podem ser lidos e&lt;br /&gt;relacionados às discussões que envolvem a participação de afro -descendentes na&lt;br /&gt;sociedade brasileira? Parte, do perfil biográfico do escritor, foi traçada para que o leitor conheça a sua trajetória de formação intelectual e de intervenções nas atividades culturais em Sergipe. A discussão sobre as atuações do intelectual hoje procura levantar questionamentos, principalmente, sobre: Que papel o intelectual assume na sociedade contemporânea como articulador da cultura? Quais são os dilemas do intelectual na sua política de cultura em relação ao poder hegemônico no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma leitura crítica da poética de Severo D’Acelino busca relações crítico -literárias com outros escritores da&lt;br /&gt;literatura afro-brasileira. E a publicação do jornal Identidades é destacada, com o objetivo de problematizar as discussões em torno das questões sociais, culturais e políticas que envolvem a afro-descendência no Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PALAVRAS-CHAVE: Severo D´Acelino, Afro-Descendência; Literatura Afro-Brasileira;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção cultural do escritor Severo D'Acelino em Sergipe está voltada para a&lt;br /&gt;discussão da afro-descendência como uma das principais formas de questionamento, na&lt;br /&gt;sociedade contemporânea, que envolve a participação direta de afro -descendentes nos&lt;br /&gt;mais diferentes setores sociais do Estado. A poesia escrita por D'Acelino bem como os&lt;br /&gt;artigos publicados e os projetos educacionais coordenados pelo escritor refletem uma&lt;br /&gt;preocupação constante em educar os sergipanos na direção de uma cultura produzida&lt;br /&gt;para marcar a importância da literatura afro-brasileira como um lugar de expressão&lt;br /&gt;significativo que problematiza as hierarquias sociais construídas, as relações de poder&lt;br /&gt;disseminadas socialmente, a formação de identidades, o combate ao preconceito e a&lt;br /&gt;discriminação racial e de gênero e ainda, a valorização da auto -estima como principal&lt;br /&gt;ponto de partida na luta contra a formulação de estereótipos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho de Severo D'Acelino começa em fins da década de 60 do século XX,&lt;br /&gt;mais precisamente em 68, no Estado de Sergipe e na Bah ia com o seu envolvimento na&lt;br /&gt;militância do Movimento Negro e em atividades teatrais, o que acabou rendendo -lhe&lt;br /&gt;participações em dois filmes: Chico Rei e Espelho D'Água e no seriado Teresa Batista&lt;br /&gt;Suas atividades culturais sempre estiveram ligadas à Casa de Cultura Afro-Sergipana,&lt;br /&gt;Instituição comprometida com as representações culturais e sociais da afro -descendência&lt;br /&gt;no Estado. Durante quase 40 anos de trabalho em torno das questões sociais, políticas e&lt;br /&gt;educacionais direcionadas à causa do negro, Severo publ icou em 2002, apenas um livro&lt;br /&gt;de poemas, Panáfrica África Iya N'la e editou de 2001 a 2002 o jornal Identidades,&lt;br /&gt;considerado um dos principais veículos de comunicação pensado para incentivar o&lt;br /&gt;intercâmbio de idéias entre a comunidade e o poder público em S ergipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal tratava de informar a população sobre um conteúdo, cuja abordagem não&lt;br /&gt;observamos nas edições dos jornais convencionais. A leitura da afro -descendência em&lt;br /&gt;Sergipe, associada ao cenário das discussões nacionais sobre as populações&lt;br /&gt;minoritárias, era mediada pelo trabalho de pesquisadores sergipanos e de outros estados&lt;br /&gt;do país. O Identidades constituía, desta forma, um fórum riquíssimo de debates entre&lt;br /&gt;intelectuais, população e alguns segmentos de poder no Estado. Em 2004, Severo&lt;br /&gt;D'Acelino coordenou o projeto “João Mulungu vai às Escolas", com auxílio da Lei 10.639,&lt;br /&gt;destinado a discutir nas escolas públicas a inserção do afro -descendente na sociedade&lt;br /&gt;sergipana, através do exercício da cidadania de uma comunidade, que busca uma&lt;br /&gt;articulação de cultura negra fundamentada na discussão da questão étnico -racial, como&lt;br /&gt;prioritária no que entendemos como cultura afro -brasileira. Atualmente Severo se dedica a escrever o seu segundo livro de poemas chamado Quelóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas pesquisas realizadas em arquivos, através de levantamento de fontes&lt;br /&gt;bibliográficas, entrevistas, leituras, empreitadas em bibliotecas, livrarias e principalmente&lt;br /&gt;discussões em torno da questão da formação de identidades do afro -descendente em&lt;br /&gt;Sergipe, tenho convicção de que só podemos nos referir a uma produção literária,&lt;br /&gt;intelectual e cultural voltada para uma inserção e um diálogo com a formação da literatura&lt;br /&gt;afro-brasileira em Sergipe, a partir do trabalho realizado por Severo D'Acelino.&lt;br /&gt;No estudo realizado da historiografia da literat ura sergipana, escrita por Jackson&lt;br /&gt;da Silva Lima1, há registro de poetas que contribuíram literariamente apenas por usarem&lt;br /&gt;a temática do negro como um elemento de referência. Estes textos foram escritos no&lt;br /&gt;século XIX e a forma de abordagem do negro geralme nte se debruçava sobre o lamento,&lt;br /&gt;o pranto, a lamúria da escravidão, a escravidão como castigo, a saudade dos negros&lt;br /&gt;escravizados de sua terra natal, a exploração da sexualidade da negra escravizada, o&lt;br /&gt;ímpeto pela defesa da abolição, marcados à distância p ela observação de um olhar do&lt;br /&gt;poeta deste século praticamente externo a toda essa problemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores sergipanos citados por Jackson da Silva Lima são: Moniz de Souza,&lt;br /&gt;Constantino Gomes, Pedro Calasans, Bittencourt Sampaio, Oliveira Campos, Tobias&lt;br /&gt;Barreto, Silvio Romero, Severino Cardoso, Jason Valadão, Alves Machado, Antônio Diniz&lt;br /&gt;Barreto e Prado Sampaio. Os textos desses poetas ou estão compilados na História da&lt;br /&gt;Literatura Sergipana ou em Os Palmares Zumbi &amp; Outros textos sobre a escravidão . O&lt;br /&gt;primeiro publicado em dois volumes em 1986 e o segundo em 1995. A história da&lt;br /&gt;literatura sergipana não abrange textos contemporâneos. Ou seja, falta a esta história&lt;br /&gt;uma leitura mais significativa sobre o modo de representação do afro -descendente sob o&lt;br /&gt;ponto de vista de formação de uma identidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso falar em literatura afro-brasileira em Sergipe sem antes voltar a estes&lt;br /&gt;escritores para mostrar que não houve, ainda que superficialmente, uma continuidade de&lt;br /&gt;escrita historiográfica sobre um contex to de abordagem que envolva o negro/ o afro -&lt;br /&gt;descendente. Observo que existe um espaço vazio entre os textos desses escritores do&lt;br /&gt;século XIX e a literatura afro-brasileira que veio a fortalecer-se no século XX. Não&lt;br /&gt;considero que os textos dos autores citado s satisfaçam um estudo mais representativo da&lt;br /&gt;1 LIMA, 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"presença" do negro na literatura, como muitos críticos denominam. São escritos&lt;br /&gt;concentrados num contexto político, histórico, social e cultural totalmente de&lt;br /&gt;desvantagens à leitura do afro-descendente como parte de uma identidade nacional.&lt;br /&gt;Esses textos são fundamentais para a historiografia literária, mas não atendem&lt;br /&gt;a leitura de representações literárias voltadas para o estudo da literatura como produção&lt;br /&gt;cultural realizada em Sergipe, cuja abordagem esteja des tinada a discutir questões&lt;br /&gt;relativas à preservação da cultura negra no Estado e, ainda a levantar problemas sobre a&lt;br /&gt;participação mais direta do afro-descendente no processo sócio-cultural, político e&lt;br /&gt;econômico, de modo que as diferenças étnico -raciais sejam percebidas como&lt;br /&gt;necessárias ao reconhecimento de uma sociedade multicultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no século XX, identifiquei na literatura sergipana alguns poetas que&lt;br /&gt;continuaram a escrever sobre a temática do negro, a exemplo: João Silva Franco (o João&lt;br /&gt;Sapateiro) e Santo Souza. A produção literária deles, embora mais crítica e mais de&lt;br /&gt;acordo com os questionamentos sociais trazidos pelas representações contemporâneas&lt;br /&gt;de afro-descendentes, ainda não abarcam uma leitura que discuta as relações étnico -&lt;br /&gt;raciais dentro do processo de formulação da identidade afro-brasileira em Sergipe.&lt;br /&gt;Para falarmos de literatura afro-brasileira, de suas articulações de sentido com a&lt;br /&gt;literatura brasileira, da maneira como alguns conceitos e determinadas leituras foram&lt;br /&gt;ressignificadas neste universo de construções e desconstruções da imagem do afro -&lt;br /&gt;brasileiro na sociedade contemporânea, é necessário nomearmos as produções culturais&lt;br /&gt;e literárias que buscaram na própria polêmica sobre a existência de uma literatura negra&lt;br /&gt;dar visibilidade cultural e política a uma comunidade, até então, supostamente&lt;br /&gt;representada por alguns discursos legitimados socialmente. A forma como esses&lt;br /&gt;discursos eram “autorizados" pelo poder de uma hegemonia cultural branca, fixada em&lt;br /&gt;bases ocidentais, excluía toda e qualquer tentativa de manifestações culturais e literárias&lt;br /&gt;que tendessem a buscar na nossa herança africana elementos da história e da memória&lt;br /&gt;de afro-descendentes ou ainda a trabalhar a própria representação do negro a partir de&lt;br /&gt;um contexto de valorização de suas contribuições à nação brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da década de 70 do século XX para cá, com a abertura da democracia no Brasil&lt;br /&gt;e conseqüentemente com os olhos voltados para um contexto político e cultural mais&lt;br /&gt;suscetível a questionamentos, os intelectuais afro -brasileiros buscam no país um espaço&lt;br /&gt;de expressão voltado para uma representação de valorização da cultura negra nas&lt;br /&gt;discussões sobre cultura, expressões artísticas, comunicação e formação de identidades.&lt;br /&gt;A dinâmica das trocas culturais2 baseadas na negociação dos contatos culturais entre&lt;br /&gt;negros, brancos e índios, traduziriam alterações significativas no processo civilizatório&lt;br /&gt;ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta da intelectualidade negra era de pensar a articulação da cultura&lt;br /&gt;negra, na sua forma de comunicação com a literatur a, a partir da revisão historiográfica&lt;br /&gt;do ser negro no Brasil. Estabelecer uma problematização mais intensa da participação do&lt;br /&gt;afro-descendente na sociedade brasileira dependia da releitura e da desconstrução das&lt;br /&gt;antigas representações destes sujeitos soci ais, construídas sob uma forma de poder&lt;br /&gt;hegemônico, que sempre excluiu as expressões minoritárias inviabilizando o&lt;br /&gt;reconhecimento social, político e cultural da diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao assumir a condição de um "enunciador", o escritor afro -descendente&lt;br /&gt;desestabilizou as bases da tradição literária brasileira, acostumada a ver o negro num&lt;br /&gt;lugar marcado pela condição inferior, subalterna a ele atribuída. A condição de negro no&lt;br /&gt;discurso da enunciação, fez com que o escritor afro -descendente trouxesse para o&lt;br /&gt;campo de análise teórica um discurso que problematiza os anseios e angústias de uma&lt;br /&gt;coletividade. E que leva o sentimento coletivo a reconhecer a sua total e plena condição&lt;br /&gt;de assumir papéis sociais mais definidores do ser negro na sociedade contemporânea,&lt;br /&gt;completamente diferente daqueles "naturalizados" pelo discurso colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi possível abrir, através da proposta diferenciada dos estudos sobre cultura,&lt;br /&gt;mais especificamente a dos Estudos Culturais, um espaço de diálogo entre o que já&lt;br /&gt;consideramos literatura afro-brasileira e as produções culturais levantadas mais&lt;br /&gt;contemporaneamente em estados distintos do Brasil. Isso reforça a idéia de que a cultura&lt;br /&gt;pode e deve ser entendida a partir das tensões criadas pelo conhecimento, nas suas&lt;br /&gt;múltiplas influências ideológicas com o saber cultural em processo, como afirma&lt;br /&gt;Florentina da Silva Souza:&lt;br /&gt;Efetivam-se trânsitos e intercâmbios entre os conceitos construídos&lt;br /&gt;pelos escritores negros (na verdade pelos movimentos negros) e&lt;br /&gt;aqueles gerados pelos estudos e reflexões acadêmicas . Trocas&lt;br /&gt;marcadas pelo fato de, mais intensamente a partir dos fins da década&lt;br /&gt;de oitenta, crescer o número de afro -descendentes que investem nas&lt;br /&gt;pesquisas e estudos sobre cultura, tradição e história afro -brasileira.&lt;br /&gt;Sem assumir qualquer posição essenciali sta, acredito que o fato de&lt;br /&gt;disputarmos posição de sujeitos e objetos dos estudos introduz uma&lt;br /&gt;outra perspectiva de análise da questão racial no universo acadêmico e&lt;br /&gt;enriquece a produção de reflexões e estudos sobre a questão racial no&lt;br /&gt;2 SANTIAGO, 1998, p. 16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil. Por outro lado, penso também que a proliferação de entidades e&lt;br /&gt;grupos negros no País nas últimas décadas evidentemente que aliada a&lt;br /&gt;outros fatores, muito contribuiu para a inserção do tema na agenda&lt;br /&gt;acadêmica e nas discussões políticas. 3&lt;br /&gt;Considero literatura afro-brasileira toda produção cultural voltada para a&lt;br /&gt;afirmação de uma identidade negra de inclusão, questionamentos políticos, auto -estima,&lt;br /&gt;em constante tensão com o legado cultural da literatura instituída sempre em busca de&lt;br /&gt;ampliação e renovação de seu campo d e saber através dos diálogos com escritores,&lt;br /&gt;intelectuais que pensam suas atividades culturais como forma constante de preservação&lt;br /&gt;cultural afro-brasileira e também de problematização das forças de poder que são&lt;br /&gt;exercidas na marcação de políticas que efeti vam a diferença. A releitura das&lt;br /&gt;manifestações populares brasileiras se torna fundamental para a revisão do conceito de&lt;br /&gt;literário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto que o trabalho do intelectual orgânico 4 Severo D'Acelino&lt;br /&gt;começa a ser desenvolvido em Sergipe com o propósit o, segundo ele, de dar visibilidade&lt;br /&gt;à cultura negra. Seu trabalho concentra ações diversificadas em torno da afro -&lt;br /&gt;descendência. Diferente de outros escritores de sua geração no Estado, Severo se&lt;br /&gt;projeta para um campo de saber que movimenta na contemporanei dade não só escritas&lt;br /&gt;sobre a temática do negro, mas, sobretudo a discussão pela participação direta no âmbito&lt;br /&gt;das políticas que inserem afro-descendentes no campo cultural, político e social&lt;br /&gt;brasileiro.&lt;br /&gt;Sergipe tem, de acordo com as informações do senso de 2003 realizado pelo&lt;br /&gt;IBGE5, um percentual de 68,6 % de afro-descendentes. O município brasileiro com o&lt;br /&gt;maior contingente populacional de afro -descendentes é Nossa Senhora das Dores com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 SOUZA, F. 2005, p. 97-98&lt;br /&gt;4Utilizo o conceito de intelectual orgânico proposto por Gramsci, ou seja, aquele que se coloca a serviço de classes ou&lt;br /&gt;empreendimentos para organizar interesses, disputar e obter expansão dos espaços de poder.&lt;br /&gt;5 Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), “os indicadores, elaborados principalmente a&lt;br /&gt;partir dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de D omicílios realizada em 2003, estão apresentados em tabelas e&lt;br /&gt;gráficos, para o Brasil, grandes regiões e unidades da federação e, para alguns aspectos, também para regiões&lt;br /&gt;metropolitanas. A publicação apresenta um glossário com termos e conceitos considerad os relevantes". Os percentuais de&lt;br /&gt;68,6% (pardos), 27,4% (branca), 3,8% (preta) e 0,2 (amarela ou indígena) foram retirados da tabela 11.1 - População total e&lt;br /&gt;sua respectiva distribuição percentual, por cor segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões&lt;br /&gt;Metropolitanas-2003. O percentual de pardos está sendo lido aqui como o de afro -descendentes. Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.ibge.gov.br/ . Acesso em: 08 de set. de 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;98,7%6, sob o ponto de vista proporcional. As cidades de Monte Alegre, 93,7%, Indiaroba,&lt;br /&gt;89,2% e Pinhão, 89,2% também reúnem uma população significativa neste sentido. No&lt;br /&gt;município de Porto da Folha a população "sarará" é interpretada como branca, mesmo&lt;br /&gt;apresentando características afro-brasileiras. Gilberto Gil na letra da música Sarará Miolo&lt;br /&gt;define o que vem a ser sarará: “como doença de branco, de querer cabelo liso, já tendo&lt;br /&gt;cabelo louro, cabelo duro é preciso, que é pra ser você crioulo". 7 O cabelo duro, na letra&lt;br /&gt;da música, é interpretado como uma das marcas identitárias do afro-brasileiro, ao passo&lt;br /&gt;que o cabelo liso seria a reprodução de uma marca que não é a sua e, sim aquela&lt;br /&gt;atribuída por um padrão estabelecido de leitura estética e social branca. Na verdade, pelo&lt;br /&gt;percentual total de afro-descendentes no estado de Sergipe, percebemos claramente que&lt;br /&gt;as cidades do interior influenciam na leitura da capital como predominantemente branca.&lt;br /&gt;Incoerente pensar que Aracaju seja uma capital branca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O percentual de brancos em Sergipe é de 27,4%, de pretos, 3,8% e de cor amarela ou indígena é de 0,2%. Se somarmos os números de pardos, considerados aqui afro -descendentes mais o percentual de pretos, já constatado pelo IBGE, teríamos um total geral de 71,4% de afro -descendentes. Portanto, não deveria haver motivos para que a população de afrodescendentes não seja percebida como um contingente populacional significativo na leitura de afro-descendência no Estado. Acho que a problemática sobre as relações raciais em Sergipe tem suas raízes plantadas principalmente nesta leitura mal feita . Os índices são claros e não deixam dúvidas sobre a caracterização da população quanto à cor. A política governamental do Estado não é uma política voltada para os indicadores&lt;br /&gt;sociais desta população. O discurso político em Sergipe fortalece uma identidad e branca,&lt;br /&gt;momentânea e que não contribui para que as diferenças raciais sejam seriamente&lt;br /&gt;pensadas.&lt;br /&gt;6 Este percentual está baseado em Estudos e Pesquisas/ Nota de Estudos 02/203 - Ranking dos cem (100) maiores&lt;br /&gt;municípios negros do Brasil.&lt;br /&gt;Fonte: Microdados da Amostra de 10% do Censo Demográfico de 2000. Programação: Luiz Marcelo Carvano. Disponível&lt;br /&gt;em: http://www.observatórioafrobrasileiro.org.br . Acesso em: 08 de set. de 2005.&lt;br /&gt;7 GIL, Gilberto. Sarará Miolo, Intérprete: Gilberto Gil. Realce. Warner Music, p. 1979. Faixa 7.&lt;br /&gt;Os versos da letra da música de Gilberto Gil ilustram uma definição de “sarará" que está diretamente relacionada com a&lt;br /&gt;crítica à rejeição de características que c irculam socialmente como definidoras de um padrão de beleza estética branco. O&lt;br /&gt;"sarará" já traz naturalmente a cor dos cabelos loura, o que se aproxima desta construção de padronização criada pela&lt;br /&gt;sociedade. Portanto, o "duro" seria enfatizar que o "louro -duro" é a diferença que existe entre o branco louro de cabelo liso&lt;br /&gt;e o branco louro de cabelo duro, diferença esta que quando assumida reforça muito mais a identidade afro -brasileira do&lt;br /&gt;que uma identidade branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O afro-descendente em Sergipe incorpora mais a idéia de ser branco do que a&lt;br /&gt;idéia de não-branco. Mesmo a população do interior do Estado é levada pelas condi ções&lt;br /&gt;de inferioridade racial, formação de estereótipos e invisibilidade à política de ações&lt;br /&gt;afirmativas, a pensar que um tom de pele mais claro, ou o cabelo forçosamente liso,&lt;br /&gt;embora com características fenotípicas negras, seja branca.&lt;br /&gt;O discurso da brancura é uma forma de esconder os problemas étnico -raciais,&lt;br /&gt;para que eles não venham à tona como uma problematização que possa repercutir no&lt;br /&gt;que entendemos como diversidade cultural e identidades múltiplas na formação étnica&lt;br /&gt;nacional. As pessoas são levadas a mascarar uma idéia de "branqueamento" para tentar&lt;br /&gt;com isso evitar a exclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso a identidade do afro-descendente em Sergipe como um conceito que&lt;br /&gt;opera, como afirma Stuart Hall 8, "sob rasura". A identidade cultural na&lt;br /&gt;contemporaneidade é estudada como identidades. A pluralidade retira do conceito a&lt;br /&gt;predominância de uma identidade única no reconhecimento da diferença. O sujeito se&lt;br /&gt;percebe socialmente pelo conjunto de identidades que possui e pela não fixidez da&lt;br /&gt;construção do conceito de identidade sob uma historicidade em processo.As identidades&lt;br /&gt;do afro-descendente na contemporaneidade não podem ser entendidas sem que haja&lt;br /&gt;recorrência ao seu passado histórico, como discute Stuart Hall:&lt;br /&gt;As identidades parecem invocar uma origem que residiria em passado hi stórico&lt;br /&gt;com o qual elas continuariam a manter uma certa correspondência. Elas têm a&lt;br /&gt;ver, entretanto, com a questão da utilização dos recursos da história, da&lt;br /&gt;linguagem e da cultura para a produção não daquilo que nós somos, mas daquilo&lt;br /&gt;no qual nos tornamos. Têm a ver não tanto com as questões "quem nós somos"&lt;br /&gt;ou "de onde viemos", mas muito mais com as questões “quem nós podemos nos&lt;br /&gt;tornar", "como nós temos sido representados" e "como essa representação afeta a&lt;br /&gt;forma como nós podemos representar a nós própri os."9&lt;br /&gt;Não se trata de atribuir culpas pela lentidão do debate racial em Sergipe,&lt;br /&gt;apenas pretendo dizer que a representação do afro -descendente deve ser reavaliada e&lt;br /&gt;que de uma forma muito clara e objetiva políticas devem ser implementadas para&lt;br /&gt;resgatar um pouco da auto-estima e da capacidade de intervenção social do afro -&lt;br /&gt;descendente como sujeito que se pensa como tal. Por isso, o nome de Severo D’Acelino&lt;br /&gt;e seu trabalho desenvolvido tornam-se importante para o Estado.&lt;br /&gt;8 HALL, 2005, p. 104&lt;br /&gt;9 HALL, op cit, p. 108-109&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severo D'Acelino é o intelectual em Se rgipe que contemporaneamente vem&lt;br /&gt;trabalhando com questões relacionadas com a formação de identidades, com o combate&lt;br /&gt;aos estereótipos, usados na caracterização da comunidade afro -descendente e&lt;br /&gt;denunciando textualmente, seja através de sua poesia ou de artig os, a necessidade de&lt;br /&gt;inclusão social desta população, com as atividades direcionadas a projetos de uma&lt;br /&gt;pedagogia de educação voltada para a reflexão e para o conhecimento de conteúdos&lt;br /&gt;específicos da cultura negra nos municípios.&lt;br /&gt;Os textos de Severo D'Acelino podem ser lidos como uma produção da literatura&lt;br /&gt;afro-brasileira porque seu conteúdo literário discute a problemática do ser negro no&lt;br /&gt;Brasil. O sujeito negro é colocado em primeiro plano. Neste sentido, falar do cotidiano&lt;br /&gt;desta comunidade acaba sendo o f io condutor que direciona a organização de sua&lt;br /&gt;escrita, objetivando uma expressão mais definida, do entender -se negro no nosso país.&lt;br /&gt;As experiências vivenciadas como negro estão traduzidas em cada linha de sua poesia.&lt;br /&gt;Experiências estas que no passado foram menosprezadas por uma literatura instituída&lt;br /&gt;que sempre buscou excluir o afro dos afro -brasileiros. Não estamos tratando aqui de uma&lt;br /&gt;temática, como já estamos cansados de ouvir. Estamos ampliando nossos&lt;br /&gt;conhecimentos, nossos saberes de uma maneira geral p ara tratar de uma literatura afrobrasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma forma de escrever que procura se despir dos moldes ortodoxos da&lt;br /&gt;nossa língua portuguesa. A qualidade literária da literatura afro -brasileira não está nas&lt;br /&gt;formas rebuscadas de escritas, nas classificações , conceituações e etc, ela está&lt;br /&gt;concentrada indiscutivelmente na experiência poética, artística, cultural e política de&lt;br /&gt;saberes que representam o qualificativo afro de afro -descendentes e de afrodescendência&lt;br /&gt;no Brasil.&lt;br /&gt;No início do livro Panáfrica África Iya N'la Severo D'Acelino cria uma certa&lt;br /&gt;expectativa em contar uma história de afro -descendência fragmentada pela dispersão de&lt;br /&gt;informações que remetam a construção de uma trajetória de ascendência africana.&lt;br /&gt;Mesmo sem a recorrência aos documentos, a históri a merece ser contada e remontada&lt;br /&gt;com base nos relatos e tradições da ancestralidade africana que vive, embora modificada&lt;br /&gt;na diáspora pela aproximação com a cultura ocidental, para que o passado possa ser&lt;br /&gt;reinventado no presente, através de uma representaçã o literária que assume a história da&lt;br /&gt;cultura afro-brasileira como um legado de informações que fortalece a identidade afro -&lt;br /&gt;brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte do livro, que corresponde ao primeiro manifesto, o sentido de&lt;br /&gt;“Panáfrica" é de resistência cultural e p olítica. A resistência da cultura afro -brasileira&lt;br /&gt;conseguiu manter as tradições africanas ressignificadas nos rituais do candomblé, nos&lt;br /&gt;enredos das escolas de samba e na forma de viver dos quilombolas. "Panáfrica"&lt;br /&gt;corresponde à preservação de uma memória p ronta a ser ativada na reconstrução do&lt;br /&gt;arquivo cultural e humano, no qual as expectativas do grupo étnico -racial sejam usadas a&lt;br /&gt;repercutir uma idéia de cultura voltada para a visibilidade à diferença.&lt;br /&gt;O poema que abre o primeiro manifesto é "Rito de abertu ra, saudação a Exu". O&lt;br /&gt;poeta escolhe iniciar suas escritas com este texto, talvez porque de acordo com a&lt;br /&gt;tradição do candomblé no Brasil o Orixá sempre convocado à abertura dos trabalhos é&lt;br /&gt;Exu. Metaforicamente, o Orixá tem a função de abrir toda reflexão d e "Panáfrica", e como&lt;br /&gt;mensageiro indicar o caminho que os textos poéticos irão percorrer na sua forma de&lt;br /&gt;abordagem da cultura afro-brasileira em Sergipe.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;O que sempre segue&lt;br /&gt;Na frente e quem primeiro&lt;br /&gt;É servido, Saravá&lt;br /&gt;Leva meus rogos e preces&lt;br /&gt;Ao meu Orixá.&lt;br /&gt;Minhas preces em cantos&lt;br /&gt;E prantos do meu povo&lt;br /&gt;Diasporizando, nesta revisitação&lt;br /&gt;A memória ancestral&lt;br /&gt;Para que nosso pranto e cantos&lt;br /&gt;Sejam a partir de agora&lt;br /&gt;Canções de regozijo pela revisitação&lt;br /&gt;Do meu axé10&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Recorrer à figura de Exu é comum aos es critores afro-brasileiros para explicar&lt;br /&gt;na tradição afro-brasileira a presença do Orixá como metáfora de atividade crítica da&lt;br /&gt;interpretação. Leda Maria Martins, em A Cena em Sombras, ao explicar o código da&lt;br /&gt;duplicidade que instaura o jogo da aparência e da representação, escolhe Exu como um&lt;br /&gt;"operador semântico de alteridade africana na sua interseção cultural nos Novos&lt;br /&gt;Mundos". Exu, na leitura de Leda, "é o princípio dinâmico de comunicação e interpretação&lt;br /&gt;que se configura como elemento mediador de sentido" .11&lt;br /&gt;10 D’ACELINO, 2002, p. 74&lt;br /&gt;11 MARTINS, 1995, p. 56-57&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Henry Louis Gates12 associa o Macaco Significador do discurso a Exu, figura&lt;br /&gt;segundo Gates, trapaceira na mitologia ioruba. As figuras trapaceiras são "mediadoras"&lt;br /&gt;na leitura do autor. Assim como para a maioria dos escritores afro -brasileiros Exu domina&lt;br /&gt;o campo das trapaças, das ambigüidades, da inversão, do jogo discursivo, sempre&lt;br /&gt;brincando com as palavras e criando imagens, muitas vezes, irônicas do que repete e&lt;br /&gt;inverte.&lt;br /&gt;"Aquele que segue na frente e em primeiro lugar", assim Exu é definido por&lt;br /&gt;D'Acelino. O que segue primeiro é, em consonância com o discurso dos autores citados,&lt;br /&gt;o dono da notícia, da comunicação direta do ato de comunicar na representação do&lt;br /&gt;significado de "Panáfrica".&lt;br /&gt;A poética de Severo D'Acelino é o esboço de uma literatura afro -brasileira&lt;br /&gt;escrita para ser conhecida como o início de uma “caligrafia" que pensa o afro -&lt;br /&gt;descendente em Sergipe num contexto histórico de representações que enfatizam a&lt;br /&gt;necessidade de reconhecimento e visibilidade deste grupo étnico -racial. Tradição&lt;br /&gt;africana, cultura popular brasileira, identidade, religiosidade, representações e diferenças&lt;br /&gt;étnicas, historicidade, intervenções culturais e políticas são alguns dos aspectos que&lt;br /&gt;podemos levantar através de sua abordagem literária como forma de problematizar a&lt;br /&gt;participação do sergipano, mais especificamente a do afro -sergipano na vida cultural e&lt;br /&gt;política de seu Estado.&lt;br /&gt;É neste contexto do debate político e étnico -racial contemporâneo que analiso a&lt;br /&gt;atuação direta do intelectual Severo D'Acelino em Sergipe. Destac o seu trabalho como&lt;br /&gt;fundamental para pensarmos o diálogo de sua produção cultural com a de artistas e&lt;br /&gt;outros intelectuais da literatura afro-brasileira. Acredito também que a diversidade do&lt;br /&gt;trabalho de Severo tenha impacto em todos os setores da opinião pu blica, gerando&lt;br /&gt;polêmica com o poder hegemônico sergipano. Na efetivação de seu discurso, ele se vale&lt;br /&gt;da condição e do papel de intelectual, para criar estratégias de intervenção na política&lt;br /&gt;12 GATES, 1992, p. 206-207&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cultural e, na estrutura educacional, buscando uma representação d o afro-descendente&lt;br /&gt;mais emancipatória, sob o ponto de vista da reconstrução da história e da memória do&lt;br /&gt;afro-descendente em Sergipe em consonância com as leituras da literatura&lt;br /&gt;contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;BHABHA, Homi. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, et al. Belo Horizonte: Editora&lt;br /&gt;UFMG, 2003.&lt;br /&gt;D’ACELINO, Severo. Panáfrica África Iya N’La. Aracaju: MemoriAfro, 2002.&lt;br /&gt;GATES Jr. Henry Louis. A escuridão do escuro: uma crítica do signo e o Macaco&lt;br /&gt;significador. In: HOLLAND, Heloísa Buarque. (Org.). Pós-modernismo e política. Rio de&lt;br /&gt;Janeiro: Rocco, 1992. p. 205-216.&lt;br /&gt;GILROY, Paul. 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Afro-descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU.&lt;br /&gt;Belo Horizonte: Autêntica, 2005.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-7543049350790448282?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/7543049350790448282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/severo-dacelino-e-producao-textual-afro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7543049350790448282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7543049350790448282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/severo-dacelino-e-producao-textual-afro.html' title='SEVERO D&apos;ACELINO E A PRODUÇÃO TEXTUAL AFRO - BRASILEIRA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuJmUjlvOeI/AAAAAAAAB_g/9_6F0LIWMUU/s72-c/severo_pefil_12_boa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-4317633106409571152</id><published>2009-10-22T17:27:00.001-07:00</published><updated>2009-10-22T17:28:49.537-07:00</updated><title type='text'>ORIXÁ N'LE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD4peSOwnI/AAAAAAAAB_A/TC0B_e3M-0U/s1600-h/clip_image013.gif"&gt;&lt;img style="display:block; 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margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 117px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuC-zi9YpWI/AAAAAAAAB-o/CGg2BpX3m8w/s400/TYUUIOP.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395522146356733282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES DO OLHAR EM TRANSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POEMAS TRANSCULTURAIS AFRO SERGIPANOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE  SEVERO D’ACELINO&lt;br /&gt;Versão preliminar para correção &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“visões trans culturais do olhar em transe “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta revisitação ancestral busco na leitura dos signos  da transculturalidade interpretar os ritus memoriais de meu povo, na perspectiva deste olhar transfigurado por vendas impostas pela dominação e desconstruida  pela insubordinação do panafricanismo que ousou rever a trajetória através do resgate refazendo  caminhos, numa pontuação  afastada, para descortinar um ângulo maior, a visão mais nítida;  buscando na perspectiva do algoz, a releitura de páginas da nossa história, camuflada pelo medo.&lt;br /&gt;O meu olhar revitaliza as minhas lembranças e desejos adormecidos pelo engessamento da cultura oficial que através da censura, até hoje nos nega as evidências desta construção, só alcançado por determinada elite que detém o conhecimento de nossa história, a chave da nossa filosofia e, através do eurocentrismo, exclui de nossa memória o patrimonial de nossa matriz, seus empréstimos, reimprestimos  e representação transcultural.&lt;br /&gt;Essas lembranças tocadas pelo desejo animado pelo transe, evocam o passado através dos versos livres, numa analogia  simplista  numa  divisão mítica em reverencia aos ancestrais e suas influências cosmológicas.&lt;br /&gt;nas diversas culturas que se materializam nos eventos .&lt;br /&gt;Essa materialização  mítica dos transportes e, recolhendo retalhos em cada expressão, nesta viagem de imagens, reciclando-as e unindo em colcha de retalho multicolorida, poli cromática e polifônica onde os ícones africanos  destacam nos caminhos que levam aos Ancestrais, expressões de sua filosofia, histórias, funções, ritus, representações e domínios.&lt;br /&gt;Esse transe semiconsciente, inconsciente e total,. Não procuro meus Ancestrais dentro de mim, porque sei que estou no interior deles. Visões do Olhar em Transe, poemas transculturais afro- sergipanos, numa ação continuada do Panafricanismo de Panáfrica África Iya N’La, do Culturalismo em Quelóde que se completa num triangulo temático. A trilogia do ritu.    &lt;br /&gt;Visões do Olhar em Transe  – nasceu espontaneamente numa noite inquietante de feliz coincidência onde o sonho interferiu na materialização de uma presença. É  uma reflexão e análise do meu pensamento.&lt;br /&gt;Não programei ou elaborei nenhum projeto ou roteiro de ação, os versos foram surgindo e se materializando no papel como registro memorial.&lt;br /&gt;Quis fazer versos temáticos de olhares, visões, sóis e estrelas na vastidão luminosa.&lt;br /&gt;Fiz versos tristes, inquietantes, denunciadores, ácidos e dramáticos impregnados de linguagem simples e repetitivas. São versos vivos de ilusão duradoura, cheios de símbolos sem malabarismos, falando sobre o amor e dor que há em mim como ícone de esperança.&lt;br /&gt;São versos livres que denunciam a elevação da minha imaginação e sentimentos na medida em que manifestam minha auto-estima, ora em alta ou baixa.&lt;br /&gt;São versos que expressam os meus encontros nos desencontros da emoção e  construção do meu pensamento sem nenhum rastro de racionalidade, e sim uma vasta gama de emoção, inquietude impertinente numa constante entrega.&lt;br /&gt;Neste particular fui sempre guiado pelo fluxo das visões e as registrava como um personagem possuído pelo autor, induzindo as ações sinalizadas, o meu fazer em transe hipnótico, materializando lembranças e símbolos.&lt;br /&gt;Em meus versos a eterna interrogação do ativismo da unidade racial. O que fazer com os negros que não são pretos (Pardos e Mulatos) e com pretos que querem ser brancos, se nenhum deles se reconhece como negros?&lt;br /&gt;A incógnita é uma variável no registro dos meus versos construídos dos sentimentos, vivenciando os momentos do olhar em transe, e os momentos passam, daí a dinâmica das relações.&lt;br /&gt;As composições foram. diria, psicografadas,  induzidas por forças iluminadas, incorporando totalmente o personagem que denuncia o autor e busca desesperadamente atores para interpretar o grande momento numa apoteose de impacto finito. Represei o olho d’agua e desviei o rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IN MEMORIAN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelino Severo dos Santos – Pai&lt;br /&gt;Eliza Martins dos Santos _ Mãe Eliza&lt;br /&gt;Odília Eliza da Conceição – Mãe Dila&lt;br /&gt;Maria Emilia dos Santos – Irmã&lt;br /&gt;Maria de Lourdes dos Santos – Irmã&lt;br /&gt;Maria Elizabete dos Santos – Irmã&lt;br /&gt;Vanderley Severo dos Santos – Irmão&lt;br /&gt;Edmê Severo dos Santos - Irmão&lt;br /&gt;Elizete Cardoso - a Divina&lt;br /&gt;Diná Menezes Oliveira – a Pensadora&lt;br /&gt;Núbia do Nascimento Marques _ a Guerreira&lt;br /&gt;José Antonio da Costa Melo -  Mestre&lt;br /&gt;Arivaldo José Reimão -  Força&lt;br /&gt;Divas negras e Arautos, do meu Universo Ancestral e Cosmológico&lt;br /&gt;Entidades do meu encontro, a quem mim revela.                                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMENAGENS:&lt;br /&gt;Maria José Porto Severo dos Santos&lt;br /&gt;Iyanzamé Severo D’Acelino e Porto&lt;br /&gt;Obanshe Severo D’Acelino e Porto&lt;br /&gt;Maria Helena dos Santos&lt;br /&gt;Neuza dos Santos&lt;br /&gt;Josefa Maria dos Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Á ação de Sobrinhos, Netos, Bisnetos, Tataranetos&lt;br /&gt;IRMÃS - Primos, Afilhados  e Amigos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiradores de minhas ações&lt;br /&gt;na Resistência Cultural&lt;br /&gt;na Resistência Negra fruto de minha&lt;br /&gt;Sergipanidade Africanizada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In memorian   Especial&lt;br /&gt;Milton Santos&lt;br /&gt;Mário Gusmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecimentos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos Mestres e Mestras que acentuaram nossa obra, contribuindo com sua leitura, a interpretação da diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Estado de Sergipe, na expressão de minha gente, meu mural A edição trabalho coletivo. Nosso aplausos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oxalá.  Obá  Mió&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KO SI OBÁ KAN AFI OLORUM&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três Negros  a quem  eu:    Severo D’Acelino,&lt;br /&gt;filho de Odília e neto de Eliza, da Casa de Aiyrá, &lt;br /&gt;Bato a Cabeça, além da memória do meu Pai;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Didi&lt;br /&gt;Haroldo Costa&lt;br /&gt;Abdias do Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“  A Verdade muda de cor conforme a luz da manhã, podendo ser mais clara que ontem.&lt;br /&gt;A Lembrança é uma seleção de imagens, algumas ilusórias, outras indeléveis na mente.&lt;br /&gt;Cada imagem é como um fio.&lt;br /&gt;Cada fio, tecido junto para fazer uma tapeçaria de textura intrincada.&lt;br /&gt;E a tapeçaria conta uma história, &lt;br /&gt;e a história, é o passado”&lt;br /&gt;Candice Colle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes homens Trindade de minha motivação, na trilha da Resistência Negra de Raízes Expostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobalé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÃO SOBRE AS VISÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Hélio de Almeida*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visões do Olhar em Transe de Severo D’Acelino é um trabalho poético que consta de 450 poemas, onde os mais diversos temas são abordados: autobiografia, negro, racismo, a natureza, rio São Francisco, mitologia, religiões, filosofia, amor, política, justiça etc.&lt;br /&gt;Sinto-me habilitado para comentar esse livro pelo conhecimento que tenho das atividades do autor. Trabalhei com Severo de dezembro de 2003 a janeiro de 2005 na Casa de Cultura Afro Sergipana (CCAS). Durante o convívio profissional com esse ilustre representante da intelectualidade sergipana, aprendi muito sobre o legado, cultura, religiosidade, história, sociologia, antropologia e geografia do negro em Sergipe.&lt;br /&gt;Participei no Projeto Educacional “João Mulungu vai às Escolas”. Projeto ligado às manifestações das tradições históricas das localidades sergipanas, tendo como eixo os indicadores culturais, enfatizando as etnias que mais contribuíram para esses indicadores e que se apresentam com mais visibilidade no conjunto da população. O projeto teve como tema central a influência do negro e do índio na cultura sergipana, buscando oferecer vínculo com a cultura e arquivo humano local, como estratégia pedagógica para tratar da exclusão desses elementos étnicos.&lt;br /&gt;Confeccionamos alguns cadernos pedagógicos e outros deixamos no prelo. Esse material fora desenvolvido de acordo com a pedagogia da educação inclusiva – algo já trabalhado pela CCAS antes mesmo de se tornar modismo disfarçado em “palavra de ordem” nos parâmetros da Educação Nacional.&lt;br /&gt;Praticamente um ano e meio após encerrarmos nossas atividades, tive o privilégio de receber desse “preto de Zambi” o convite para elaborar este artigo. O título do seu trabalho me chamou a atenção sobre que olhar e que transe seriam esses.&lt;br /&gt;Enquanto Severo comentava a respeito de sua proposta nesse livro, lembrei de um ditado popular que diz: “os olhos são o espelho da alma”. Suspeitei que “os olhares em transe” fossem um transe da alma ou as visões de uma alma em transe.&lt;br /&gt;Seria esse transe como o dos profetas, como o êxtase do santos, como o de Mohammad ouvindo o anjo Gabriel, como o das ialorixás? Como aquele do filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha – de um povo oprimido sob a tirania da corrupção moral e política? – ou ainda, um transe em que todos pudéssemos estar vivendo inconscientemente?&lt;br /&gt;Vislumbrei cada uma das 450 visões de Severo expressas nesse livro. No começo, me veio à mente um filme do cineasta espanhol Luís Buñuel, que começou com a célebre cena de um lindo olho feminino sendo rasgado por uma navalha. Ele queria, a meu ver, abrir abruptamente os olhos do povo para uma nova realidade. Essa mesma cena foi reutilizada por Salvador Dali em Un perro andaluz, filme deveras surreal. Será que Dali estaria mostrando o surrealismo àquele olho rasgado? Penso que Severo pretende o mesmo que Buñuel e Dali: “rasgar com navalha” nossos olhos, para que vejamos aquilo que está oculto à nossa visão objetiva.&lt;br /&gt;Quando fui à CCAS receber a cópia dos poemas, notei que havia na fachada um “banner” com o Olho de Hórus. Não um olhar qualquer, mas o do Onipresente, Onisciente e Onipotente Hórus. Deus negro do mundo dos vivos no antigo Egito faraônico. Sobreveio-me a recordação de uma estátua de bronze da divindade negra, da época saíta, atualmente exposta no Museu do Louvre em Paris. Nela, ele aparece em forma antropozoomórfica, com cabeça de falcão, as duas mãos estendidas, quase juntas, entre reto e côncavo, diante do peito, apontando para frente. Parece que o artista esculpiu o Deus-Falcão como querendo dizer alguma coisa, mostrar algo. E eu fitei a imagem, interroguei, sem perceber quase adorando. Hórus parecia dizer: “retidão”, “siga”, “olhe”, “receba”. A voz de Hórus ecoou confusa na minha mente.&lt;br /&gt;Seu olho no “banner” da CCAS ou no centro da pirâmide iluminista “tudo vê”. Ilumina as trevas da ignorância. Existe uma semelhança entre o Olho de Hórus e as Visões do Olhar em Transe: iluminar e dissipar a ignorância!&lt;br /&gt;Ressalto os olhos protuberantes das belíssimas cabeças de bronze nigerianas. Olhares sofridos, revoltados com o imperialismo europeu que com mão de ferro transformou o Continente numa colcha de retalhos etnocida.&lt;br /&gt;Acima de tudo, os olhos transmitem poder. O simbolismo do olhar está presente em todos os cantos do mundo, da África ao Japão.&lt;br /&gt;Orixás quase sempre dançam de olhos fechados. Dificilmente vemos uma representação iconográfica dos Deuses Africanos mostrando os olhos.&lt;br /&gt;Olhos transmitem poder, tanto para o bem quanto para o mal.&lt;br /&gt;O monge japonês Mikao Usui, desenvolveu uma terapia holística de cura chamada Reiki, onde são utilizados os “chacras” das mãos e os olhos para transmitir a poderosa energia de amor universal que tem o poder da cura.&lt;br /&gt;Já no imaginário popular, que convencionalmente chamamos de superstição, existe o “olho grosso”, “olho grande”, “olho gordo”, “olho ruim”, “olhado”, “olho de seca-pimenteira”, que matam animais recém-nascidos, que adoecem crianças, que “atrasam” a vida de qualquer um que não estiver devidamente protegido.&lt;br /&gt;O autor afirma que compôs olhares tristes, inquietantes, denunciadores, ácidos e dramáticos. Impregnados de linguagem simples e repetitiva. Versos vivos de ilusão duradoura, cheios de símbolos sem malabarismos, falando sobre o amor e a dor que há nele, como ícone de esperança.&lt;br /&gt;Além do que os literatos chamam de eu-lírico, notei em Severo o “eu-espiritual”. As Visões são orações, são rezas de todos os credos, rezas de benzedeira, são oriki, são músicas cantadas com o espírito, são prosas de fim de tarde em boteco do interior, são ebós despachados em encruzilhada, são batuques para os Deuses. Também muitas vezes são versos secos. Alguns de seus poemas fazem a gente sentir sede.&lt;br /&gt;Seu trabalho muitas vezes diz o que não se quer ouvir, o que se tem medo de encarar. É verdadeiro, e por conseqüência, incômodo.&lt;br /&gt;Incomoda pela quantidade de palavras em Ioruba, idioma de nossos tataravôs africanos. Talvez a única palavra que não caia no ridículo frente aos imbecis seja “axé”, por ter sido branqueada pela mídia, que acha ter descoberto o “exotismo” negro e ter vilipendiado em música alheia ao significado mesmo da palavra.&lt;br /&gt;As demais palavras do Ioruba são alvo de gracejo pelos alienados, que ao contrário, se admiram com arremedo de meia-palavra na língua do império que nos subjuga: o inglês. Não é de se estranhar, há quem goste de ser dominado. Analogamente, durante o Império Romano, povos conquistados, que tiveram suas plantações, casas, mulheres e filhas violadas e saqueadas, procuraram a todo custo obter a cidadania romana. A subserviência cultural, baixa auto-estima e complexo de inferioridade são sentimentos conservados desde longa data. Questiono se esses alienados – que prestam vassalagem a tudo que é “vomitado” pela grande mídia e a tudo que é empurrado “cérebro adentro” pelo Tio Sam – também não estariam vivendo um transe.&lt;br /&gt;Severo traz um poema-provérbio adequado para esses alienados: “quem são arrogantes / com os pequenos / são subservientes / com os grandes”. Se observarmos bem, todos que são vassalos de poderosos são arrogantes com os “pequenos”. Covardes. E é bom lembrar o ditado: “nos capachos é onde se pisa primeiro”!&lt;br /&gt;As Visões também são vozes. Vozes em kibundo, kicongo, ioruba. São gritos, mostrando que na África, a entonação da voz às vezes é tão importante quanto seu significado literal. Gritos históricos, por ser inolvidável no Sergipe silenciado e amordaçado pela elite nobiliárquica.&lt;br /&gt;Um ponto interessante é quando Severo d’Oxóssi cita Candice Colle: “A verdade muda de cor conforme a luz da manhã, podendo ser mais clara que ontem. A Lembrança é uma seleção de imagens, algumas ilusórias, outras indeléveis na mente. Cada imagem como um fio. Cada fio, tecido junto para fazer uma tapeçaria de textura intrincada. E a tapeçaria conta uma história, e a história, é o passado”.&lt;br /&gt;Se for correto que a verdade muda de cor conforme a luz da manhã, talvez seja ela dinâmica, abstrata e relativa. Analogamente, como ao passar da estação fria para estação quente as manhãs se tornam mais claras, assim o seja com a verdade. Nesse ponto, acredito que ainda estamos vivendo um grande inverno e o sol matutino ainda é uma esperança. Severo demonstra em seus versos a espera por esse sol.&lt;br /&gt;Quando Colle comenta que “a lembrança é uma seleção de imagens”, reafirma o que os psicólogos comentam sobre o caráter seletivo da memória. Selecionamos inconscientemente o que mais nos interessa, o que nos marca. Sendo assim, o que marca a memória de um Oni Odé Olubojutô do Ilê Axé Opô Airá, de Mãe Eliza? Quais as suas lembranças, suas nostalgias, seu banzo ancestral? O que ele escreveria num livro de poemas? O que ele vê quando olha o litoral e tenta ouvir a África do outro lado, a terra da Aruanda?&lt;br /&gt;Ainda de acordo com Colle, essas recordações são como fios tecidos juntos “para fazer uma tapeçaria de textura intrincada. E a tapeçaria conta uma história, e a história, é o passado”. Concordo com a afirmação de a história ser um todo intrincado de fios resgatados do lago de Mnemosine. História e memória relacionam-se intimamente. Quando nos referimos aos afro-brasileiros, essa idéia reforça-se ainda mais pelo fato de a tradição oral ser parte fundamental de seu legado. Suas tradições, costumes, lendas, vivências, mitos, falares, culinárias são transmitidos pela oralidade, que é por si, uma expressão da memória.&lt;br /&gt;É de conformidade com minha formação de historiador que realizo tal reflexão. Em meu trabalho de conclusão de curso preocupei-me em reconstituir as idéias, a visão e a ação da violência atrelada ao senso de honra em Carira, lugarejo do interior sergipano, representando uma espécie de herança não material que figurou (ou ainda figura) naquela cidade. Teci alguns fios, tentei montar uma tapeçaria, como diria Colle. Acredito que em “visões do olhar em transe”, Severo tece fios de sua memória, de sua vivência, de seu cotidiano, de sua ancestralidade, da territorialidade sergipana, das politiquices que destroem o conceito literal de democracia, de moral, de república.&lt;br /&gt;Dentro dessas considerações sobre o excerto de Colle atrelado ao trabalho de Severo, creio que seja interessante abrir aqui um parêntese para comentar um pouco mais sobre meu trabalho monográfico.&lt;br /&gt;Nele utilizei a metodologia do Paradigma Indiciário de Carlo Ginzburg, pelo sentido de decifração de enigma, agindo numa atitude dedutiva, movida pela suspeita de um acontecimento singular, à margem dos acontecimentos históricos.&lt;br /&gt;Estudei o assassinato de um certo Brazilino Dionizio de Menezes, suplente de subdelegado de polícia em Carira. Esse crime foi citado apenas nos dois trabalhos do memorialista Olímpio Rabêlo, mas sem a grande ênfase dada pela memória popular carirense. Nesse ponto, me vali do Paradigma Indiciário. Segundo a historiadora Sandra Jatahy Pesavento, esse paradigma consiste em: “Ir além daquilo que é dito, ver além daquilo que é mostrado (...) exercitar o seu olhar para os traços secundários, para os detalhes, para os elementos que, sob um olhar menos arguto e perspicaz, passariam desapercebidos”. Dentro dessa perspectiva, procurei entender por que mataram o citado suplente de subdelegado, buscando a constância dos detalhes, agindo de modo detetivesco, analisando cada elemento em relação ao conjunto.&lt;br /&gt;O método acima descrito pode ser chamado de “método da grelha” ou “grade de cruzamento”. Nesse método, os cacos da História – a dispersão dos documentos – tomados na sua rede de correspondência, apresentam-se como sintomas de uma época. Então, esse método consiste em selecionar, cruzar, combinar, compor, montar, mostrar detalhes, destacar o que está em segundo plano.&lt;br /&gt;Fechado o parêntese, e tentando relacionar a observação quanto à minha monografia ao trabalho de Severo, retomo o excerto de Colle, “Cada fio, tecido junto para fazer uma tapeçaria de textura intrincada. E a tapeçaria conta uma história (...)”. Tecer fios de uma tapeçaria, e essa tapeçaria conta uma História. Ora, isso é basicamente, o “método da grelha”, da “grade de cruzamento”. É o Paradigma Indiciário.&lt;br /&gt;Carlo Ginzburg no artigo Sinais, Raízes de um Paradigma Indiciário, diz que poderíamos comparar os fios que compõem uma pesquisa realizada com o método ora descrito aos fios de um tapete. Chegados a este ponto, vemo-los comporem-se numa trama densa e homogênea. A coerência do desenho é verificável percorrendo o tapete com os olhos em várias direções.&lt;br /&gt;O resgate da memória dos esquecidos, a “tecitura dos fios” de Colle, representam a analogia que estabeleço entre meu TCC e as Visões do olhar em transe. Assim como busquei um nome praticamente apagado da história carirense, Severo resgata o grito de um povo sofrido, de um rio quase-morto – o São Francisco – de uma natureza, Gaia, Nanã, que morrem aos poucos, vitimadas pelo capitalismo consumista, pela politiquice assassina.&lt;br /&gt;Em Visões do olhar em transe, Severo vai além daquilo que é dito, vê além daquilo que é mostrado, tal qual os historiadores que utilizam o Paradigma Indiciário. Quando o autor escreve sobre o negro, a natureza, o rio São Francisco, está, como diria Pesavento, exercitando o olhar para os traços secundários, para os detalhes, para os elementos que, sob um olhar menos arguto e perspicaz, passariam desapercebidos.&lt;br /&gt;Não percebi, em nenhum momento, demonstração de medo ou cautela desnecessária nas expressões dos olhares de Severo. Ele critica com honestidade. Não elabora crítica odiosa, rancorosa, ao contrário, empreende uma verdadeira elocução de sua vivência. Quantas vezes várias pessoas, sedentas de justiça, não quiseram lançar um manifesto como esse e não tiveram coragem, para manter a “política da boa vizinhança”. Severo demonstra não precisar disso. Ele mesmo me confidenciou certa vez – e eu acredito nisso – que “vive para a causa negra e não da causa negra”.&lt;br /&gt;Severo é o arquétipo máximo de identidade da negritude sergipana. Em Visões 242 ele diz: “assumindo a identidade ancestral / luto contra os dominadores”. Acredito que de vez em quando alguém diz timidamente: “concordo com você, mas não tenho coragem de assumir”. Deveria dizer mais francamente: “sou impotente, covarde, subserviente”.&lt;br /&gt;Quantos não pensam a mesma coisa que ele e sentem medo de desabafar! Temor de seus padrinhos, dos mandarins que Núbia Marques tanto acusava. Sergipe ainda é uma província – digo isso no sentido do atraso de seus costumes políticos e da maioria das instituições.&lt;br /&gt;Observo uma sintonia das Visões com o novo olhar da História, a Micro-história italiana, perceptível quando ele comenta da busca no memorial dos ancestrais: “Meus são os momentos que viverei / não os que já vivi / busco no memorial do tempo / o tempo dos meus avós / cujo sangue corre em / minhas veias abertas para / visão de sonhos pensados / como uma casa sobre a ponte / por sobre o abismo que deixou / refletir a luz nas encostas”. Severo fala de uma herança, de uma herança imaterial, como bem afirma o micro-historiador Giovanni Levi em A Herança Imaterial.&lt;br /&gt;Suas visões são como jangadeiros que passeiam pelo São Francisco, morada de Oxum Apará, Opará dos índios, Velho Chico, rio da integração nacional, assassinado dia-a-dia pela voragem destruidora de uma política malfadada em interesses outros que não ao que realmente deveria se propor.&lt;br /&gt;Esse passeio poético pelo Opará não é como as excursões turísticas. É um cortejo fúnebre sob canto de incelença, que olha para o passado e lê as crônicas dos navegantes portugueses que diziam no século XVI, que dezesseis quilômetros depois da foz ainda se pegava água doce. Em Visões 84 o autor declama: “o rio grita encurralado, represado / e o mar, invade para chegar / ao olho d’água e desviar o rio”. Além do mar que avança rio acima, literalmente, aqui podemos fazer uma analogia com a corrupção que avança pelas entranhas da política, que tenta chegar ao olho d’água da moral e dos bons costumes para depois desviar seu curso.&lt;br /&gt;Visões, também são as visões do próprio olho d’água, que tristemente espera sua morte, tal qual réu que aguarda sua sentença de morte. “O passado é um país estrangeiro. Lá eles fazem as coisas de maneira diferente”, assim começa o romance O mensageiro de L. P. Hartley. É interessante essa citação para contrastar com o que fazem hoje com o nosso Velho Chico. No passado era utilizado com respeito, hoje é aviltado, humilhado.&lt;br /&gt;Quisera novamente que Odé Erinlé, que na África Ocidental transformou-se num rio, se transformasse novamente aqui no Nordeste, para ser tributário do São Francisco e ajudá-lo nessa longa jornada cheia de bancos de areia até a foz. Quisera que Ísis que com seu choro pela morte do marido-irmão Osíris, viesse chorar um pouco aqui no sertão para encher o São Francisco.&lt;br /&gt;Seus poemas ecológicos não devem ser rotulados como ecologia hipócrita de falar de verde o tempo todo, sem promover ações. Ele denuncia o anti-ecologismo governamental do consumismo capitalista desenfreado que num pensamento imediatista não mede as conseqüências do amanhã.&lt;br /&gt;Severo não pára de cantar a agonia dos rios. Como nas casas de Angola, reverencia o ancestral da terra, o caboclo. O São Francisco é o pai Chico, caboclo d’água morto pela poluição. Lembra os versos de Vital Farias na música “Saga da Amazônia”, quando ele diz que as caiporas não vigiam mais a Floresta Amazônica.&lt;br /&gt;O São Francisco pode um dia chegar a parecer com o rio seco por onde caminha a família do retirante Fabiano em Vidas Secas de Graciliano Ramos. Pelo gosto dos assassinos do Brasil, talvez um dia ele esteja assim, e esses mesmos hipócritas farão campanhas para ressuscitar o rio! Tal como os EUA fizeram no Afeganistão: jogaram bombas, para depois jogar farinha. Como diz o ditado: “o cachorro se parece com o dono”.&lt;br /&gt;Severo denuncia o racismo. Esse racismo que cresceu após a Lei Áurea. Crime praticado, porém negado.&lt;br /&gt;É contra a polêmica política de cotas para o negro nas universidades. Acredita ele que essa política existe para legitimar o racismo estatal que classifica o negro como inferior ao branco. Uma chance para os inferiores, na ideologia da Política Nacional. O decreto de impotência do Estado, ante a problemática da educação no país.&lt;br /&gt;O autor percebe o racismo onde ele mais se esconde e se escamoteia. Percebe-o na mídia televisiva. Telenovelas com as empregadas domésticas sendo quase todas negras, quase todas promíscuas, “da cor do pecado”.&lt;br /&gt;No Visões é usado constantemente o trocadilho da expressão “nego” por “negro”. Não “nego” com som de “nêgo”, mas de “négo” mesmo, do verbo negar. Negro que nega, racialidade invertida, branqueado a pulso. Negro que não é preto e preto que quer ser branco. Em visões 226 lemos a seguinte lição de identidade racial: “O mais importante não é ser negro / mas reconhecer-se negro”.&lt;br /&gt;A expressão aro-descendência é condenada o tempo todo. Para o autor, afro-descendência é como se dissesse, “sou descendente de africano, porém não sou africano, não tenho culpa de ser descendente”. Um “sou, mas não sou”! O correto seria, segundo o Visões, afro-brasileiro, afro-sergipano, que quer dizer africano de Sergipe, africano do Brasil.&lt;br /&gt;Ele critica os negros quilombolas. Negros que só se afirmam para conseguirem as “benesses” dos poderosos, negros por conveniência, não por questão de identidade. Esses sim são afro-descendentes. Quilombolas de “araque”.&lt;br /&gt;Por outro lado cita o advogado e pastor Martim Luther King, como um negro “de verdade” que não foi um “nego”, mas foi sonhador, buscador e lutador pela utopia da igualdade. Baseado em alguns personagens a exemplo de King, monta o que parece um “negro arquetípico”, quiçá utópico.&lt;br /&gt;Um de seus poemas fala do “‘comerciante’ de Carne Negra, nosso maior pesadelo”. Lembra um trecho de uma música de Elza Soares: “A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Pior ainda é quando o açougueiro é um “nego”.&lt;br /&gt;Visões do Olhar em Transe vê o sangue negro no “sangue azul” sergipano, esquecido do porto de Estância, maior receptáculo de negros em Sergipe, dos hauçás em Laranjeiras, que se revoltaram, inspirados no herói negro Toussaint de Louverture, líder da maior revolta escrava do mundo, no Haiti.&lt;br /&gt;Vislumbrei no Visões, o pensamento mítico do ser humano diante da natureza. Vários deuses, semideuses e seres mitológicos desfilam nesse magnífico livro. Exu, Loki, Hermes, Mercúrio e Jesus andam juntos no pensamento do autor. Encontramos sereias, negro d’água, caboclos, passeando pelo sertão e pela beira do Opará.&lt;br /&gt;Vários mitos vagueiam pelo livro. Exu é personagem constante. Orixá temido pelos desinformados ou alienados, que acreditam ser ele é o próprio Diabo. Essa divindade outrora exercia o patronato sobre a fertilidade e carregava como símbolo o ogó, espécie de bastão fálico. Aqui no Brasil teve que perder essa função, afinal, não seria mais interessante um Deus patrocinar a fertilidade negra no Brasil. Fertilidade aqui seria aumentar o número de escravos para os cristãos. Talvez não se saiba que os atributos de Exu são praticamente os mesmos do Hermes grego e do Mercúrio romano. Mas para alguns, falar de Hermes é falar de um belo Deus da Grécia Antiga, de uma civilização desenvolvida. Desconfio que isso acontece simplesmente por ele ser branco e Exu ser negro. Olhar para o negro é ver o quanto de racismo se institucionalizou e que seguimos: tudo que é de negro é diabólico, sua religião é demonizada. Mas cuidado, o Diabo pertence ao panteão cristão, é algo pertinente ao cristianismo. Se o negro trazido da África, algum momento acreditou na existência do Diabo, se alguma religião de matriz africana, ou ameríndia sincretizou Exu com o Diabo, deve-se à ação do Cristianismo, principalmente o “Catolicismo terrorista” dos Capuchinhos no período da escravidão, ou o Jesuítico. Os cristãos apresentaram o Diabo ao negro.&lt;br /&gt;O autor vai aos poucos saudando cada Orixá. No poema Visões 91, Exu matou o pássaro ontem com a pedra que só hoje atirou, “Quem não aceita o passado / não terá futuro”. O pássaro de ontem é o passado, a pedra de hoje é o presente. Assim construímos o tempo mítico e também o tempo “real”.&lt;br /&gt;Lendo as visões, vou também conversando com cada orixá no decurso dessas páginas. Vejo o barro de nanã, o oxé de Xangô, a espada de Ogum, os raios de Iansã...&lt;br /&gt;Falando em mitologia, o autor cita a violação do Gênesis com a escravidão de Cã, analisada na divisão tripartite do mundo.&lt;br /&gt;Observamos Pandora inserida nos três poderes, com sua caixa ainda aberta espalhando maldade pelo mundo. Mas numa forma de esperança, os poemas revelam uma visão mística do mal que retorna a quem o faz, na chamada lei da ação e reação. Repudiam a inveja, a traição, a mentira.&lt;br /&gt;Em Visões 78 critica o Poder Judiciário: “a justiça se diz cega / mas ouve o que convém / enxerga nas entrelinhas”. A socióloga Maria Sílvia de Carvalho Franco no livro Homens livres na Ordem Escravocrata, no capítulo sobre o Código do Sertão, comenta que os homens livres e pobres no final do século XIX não eram muito afeitos a colaborar com o Poder Judiciário em suas atribuições. Isso por causa das suas interpretações legais. No sertão, as leis morais estão vinculadas ao costume. O Poder Judiciário vem para manter o monopólio da violência, o monopólio da força física. Atualmente, a visão é outra. Os ouvidos da Justiça estão superando sua cegueira.&lt;br /&gt;A justiça prega a igualdade. Ou melhor, a mentira da igualdade. O Visões 325 critica a justiça incestuosa: “Relação incestuosa da justiça / com falta de autoridade / do juiz manipulado por sombras / que lhes arrogam o poder”. Quantas sombras! É só observar o panorama político, judicial, policial  que ficaremos com a vista turva de tantas sombras. As Visões do Olhar em Transe tentam iluminar essas trevas. Tal como no “Mito da Caverna” de Platão, precisamos sair da caverna, parar de olhar essas sombras que se projetam na parede e encarar a realidade.&lt;br /&gt;Quanto à intelectualidade, Visões adverte que muitas vezes nossa mente se apresenta como a de colonizados, acostumados com a colonização intelectual. Denuncia os intelectuais repetitivos que constroem teses alienadas e amarradas em improdutivas metodologias para provar o óbvio. Vaidosos intelectuais de aluguel, às vezes “comprados” para legitimar injustiças, inverdades, corrupção... “Universiotários”... Como dizia Fernando Pessoa, “Há metafísica bastante em não pensar em nada”, com certeza, é melhor pensar em nada, do que em teses óbvias, mentirosas ou tolas. Ao tempo que critica esses intelectuais, elogia os intelectuais da rua, do copo de cachaça, dos simples, dos peripatéticos das praças. Às vezes, se valoriza mais um intelectual pela sua cor, pela sua roupa, do que pelo seu conhecimento. Em O Pequeno Príncipe, Saint Exupéry comenta no início que certa vez, numa conferência, um astrônomo turco defendeu e provou uma série de idéias astronômicas. Mesmo seus ouvintes sabendo que ele tinha razão, ninguém lhe deu atenção porque ele se vestia como um turco!&lt;br /&gt;Esse livro é também de certa forma uma autobiografia. Em certos momentos chega a parecer um diário, em outros, chega a parecer psicografia. Quem bem conhece Severo sabe que muitos desses poemas contam sua trajetória, suas vivências, seus pensamentos, seus desejos, sua solidão, sua intelectualidade livre de prisões metodológicas tal qual ela se apresenta à mente, onde seu pensamento num nível holístico atua em igualdade com sua alma e seus sentimentos. Conta de seus parentes que viraram estrela na constelação do Orum, que foram para a terra de Aruanda. Alguns poemas seguem as etapas de sua vida, algumas que eu conheci bem enquanto trabalhamos juntos. Confirmando meu comentário, ele mesmo diz em Visões 223: “escrevo para dialogar / cansado do monólogo”. Ele declara que conversa com o leitor.&lt;br /&gt;Lá pelo final do livro, em Visões 440, o autor aponta uma salvação para as mazelas que tanto criticou: “A educação é que nos vai tirar da Senzala / uma educação democrática, sem vícios”. Em poucas palavras, uma solução difícil de se colocar em prática. Difícil por ser democrática e sem vícios. Uma educação assim, seria a ruína de muitos poderosos. E se nós saíssemos das senzalas! Se as Visões, nos abrir os olhos!&lt;br /&gt;Quando acabei de ler os poemas de Severo, pensei logo em alguns leitores dizendo “Severo é doido”. Ainda hoje eu ouço essa expressão quando falo desse preto. Logicamente é uma expressão covarde. Quem não consegue argumentar, xinga.&lt;br /&gt;Os olhares de Severo de Xangô são os olhares solitários de um manifestante, militante negro. Seu trabalho é um grito sufocado na escuridão do racismo que ele tanto combate. Mas que se torna um tanto pessimista em Visões 94 “sinto que não há mérito em / em combater o racismo / de tanto denunciar o racismo / sou cuspido pelos negros / e acusado de encrenqueiro / fazedor de caso e criador de problemas / e os negros torcem o nariz”.&lt;br /&gt;Considero o Visões leitura obrigatória a todos pessoas, alunos de todos os níveis e de todas as redes de ensino. É um almanaque, um “Lunário Perpétuo” anti-racista e conscientizador. Os negros de verdade saberão entender essas visões. Os verdadeiros cidadãos saberão respeitar seu conteúdo.&lt;br /&gt;Dobalé, Severo D’Acelino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COMENTÁRIOS ANALÍTICOS – PSICO (ANÁLISE) LITERÁRIA&lt;br /&gt;PROFESSOR RIVALDO SÁVIO DE JESUS LIMA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava certo, não me enganei. Quando vi (e ouvi) Severo pela primeira vez, e isto lá vai uns bons anos, vislumbrei através daquela voz de trovão, tal como um orixá, um homem doce e sensível, voltado para um ideal humanitário – a causa do negro brasileiro -, e isto acaba de se confirmar na materialização do seu último livro: “Visões do olhar em transe – poemas transculturais afrosergipano”.&lt;br /&gt; D’Acelino, este guerreiro D’Angola ou talvez da Guiné, trata-se de fato e de direito de um negro assumidamente sergipano (ou seria ao contrário?), que pensa África mais fala Brasil.&lt;br /&gt; Outrossim, é um Educador no sentido mais profundo desta palavra, pois transmuta almas, indo no imo da sua essência. Busca na periferia de Aracaju, no interior do Estado, nos quilombos e nas comunidades carentes e marginalizadas, freqüentadas pelos políticos (brancos e negros) apenas em épocas de eleição, conscientizar esta população mulata, parda, negra de fato, da sua condição política, social e racial.&lt;br /&gt; Este professor politizado e de atitude, muitas vezes foi considerado rude, agressivo até. Porém, tem fleuma bastante para cativar as platéias, pois fala com seu coração, fala da sua experiência mostrando sua verdade e sua conseqüente indignação com o sistema social perverso e excludente e que remonta os primórdios da nossa colonização extrativista e preconceituosa, cheia de dogmas e interesses mesquinhos.&lt;br /&gt; Pois bem meus amigos, este ator, esta “figura carimbada”, por ser difícil de se encontrar na raça humana, me convidou (e me emocionou) para analisar a sua obra poética e biográfica. Trabalho árduo, e ao mesmo tempo prazeroso, que pretendo iniciar.&lt;br /&gt; Dessa forma, numa primeira leitura de seus versos, observa-se três facetas do poeta: uma de caráter público e cidadão, outra familiar e ancestral e, por fim, uma terceira emocional e psicológica. De certo a segunda e a terceira faceta me parecem mais associadas, pois remontam seus aspectos mais íntimos, enquanto que a primeira trabalha um homem mais social, e que, ao mesmo tempo, que se mostra para o mundo, se fecha em seus detalhes mais pessoais.&lt;br /&gt; Na primeira faceta o autor volta-se para o entendimento do negro brasileiro, para a questão do racismo e para a carência de políticas públicas educacionais. Aponta a necessidade de uma democracia social mais ampla e verdadeira ao invés de cotas universitárias discriminatórias ou de um apartheid social velado. Coloca, ainda, em seus versos ácidos, que o negro é capaz sem precisar de um “empurrão” dos brancos, mais sim que estes negros precisam ter seus direitos de cidadãos garantidos na íntegra, ou seja, igualdade com os brancos desde a maternidade, na pré-escola e em todas outras condições previstas na sociedade.&lt;br /&gt; Fala também, especialmente, da política sergipana e do seu desapareço por uma política educacional que questione a “história oficial”, levantando a verdadeira e marcante influência africana em nossa cultura, além de discutir nas escolas (de forma obrigatória e legal) a questão racial em Sergipe e no Brasil, conscientizando os jovens da sua condição e desenvolvendo com estes alternativas pró-ativas para estruturar uma verdadeira democracia racial e social.&lt;br /&gt; Na sua segunda faceta, remonta o autor sua família e sua ancestralidade africana, através dos arquétipos da natureza e da religiosidade. O próprio Severo afirma: “não procuro ancestrais dentro de min, porque sei que estou no interior deles”. Percebe-se nesta fala do poeta uma força telúrica e espiritual, representadas muitas vezes pelo Rio São Francisco e seus mitos, na floresta tropical e em seus índios, no mar e nos mistérios de Iemanjá. Mais também fala da energia solar que pode dar vida e ao mesmo tempo castigar, fustigar e ressecar o solo e a nossa alma. Este é o espírito de Severo: místico e ecológico, mágico e natural, Homem-Rio caudaloso e refrescante.&lt;br /&gt; Na terceira vertente, D’Acelino trabalha suas emoções e seu psiquismo. Seus versos “expressam os meus encontros nos desencontros da emoção e construção do meu pensamento sem nenhum rastro de racionalidade”. Desenvolve sua auto-estima e identidade psicológica, através de símbolos arquetípicos inconscientes, “prato cheio” para os Junguianos de plantão.&lt;br /&gt; Encontramos também um homem apaixonado, com seu olhar platônico preso pelo magnetismo do olhar de sua amada. Manifesta este amor romântico que me faz lembrar uma paixão adolescente, misto de pureza, doação afetiva e sensualidade.&lt;br /&gt; No entanto, encontramos também um homem maduro, calejado pelas intempéries do tempo, repleto de aprendizagens/ensinamentos. Um homem, às vezes triste, outras vibrante, inquietante. Que denuncia de forma dramática, porém realista, a sua condição de negro, preto, de cidadão brasileiro.&lt;br /&gt; Aponta em alguns momentos suas dúvidas quanto à intelectualidade, quanto à academia – locus do conhecimento -, que ao invés de se abrir e voltar-se para a cultura e o social, limita-se tão somente aos seus egos inflados, seus títulos do Olímpo, se elitizando cada vez mais e ficando longe deste povo moreno, pobre e ignorante.&lt;br /&gt; Enfim, falar deste livro era inexoravelmente falar deste homem que tanto admiro. Guerreiro, não da Guiné, do Quênia ou da África do Sul, mais sim das “savanas” sertanejas. Não do nativo do Vale do Rio Nilo ou do outrora escravo construtor das Pirâmides do Egito, mais do ribeirinho do Rio São Francisco ou munícipe da Serra de Itabaiana. Falar de Severo é falar dos vaqueiros, das rendeiras, dos cangaceiros e do sanfoneiro que anima o forró, ícones que tão bem traduzem a cultura deste povo nordestino miscigenado, e que estão na essência espiritual deste guerreiro brasileiro que já luta bravamente há 60 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* É professor do Departamento de Psicologia de UFS.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES DO OLHAR EM TRANSE&lt;br /&gt;Poesia de&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;(Olhares de Ilma Fontes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inicío, ele me disse: foram mais de mil poemas passados para o computador. Pensei, e ele quer que eu escreva sobre esses mais de mil poemas... Inevitavelmente eu teria que varar noites e madrugadas de leitura  em péssimas condições de cansaço físico e mental. Um trabalho que não estava agendado, portanto sem horário disponível, a não ser depois de tudo de cada dia. O tempo dado para a entrega dos meus comentários analíticos para o livro “Visões do olhar em transe”- poemas transculturais afro-sergipano-  de Severo D’acelino não fora regulamentado. Ele falou: Não se preocupe, leia isso no tempo que pude, mas eu preciso do seu texto neste livro. Impossível recusar.&lt;br /&gt;Até porque a convença pelo telefone não dava margens a explicações do que é o meu tempo, isso que não sobra hora alguma. &lt;br /&gt;O calhamaço dos originais enviados por Severo D’acelino, contendo 526 páginas, ficou ali na mesa de cabeceira me olhando e eu desviando a vista, por uma semana.&lt;br /&gt;Enfim, li a primeira página: o trabalho marca os 40 anos da Casa de Cultura Afro-Sergipana, entidade fundada por Severo, que também comemora seus 60 anos de vida. Aí parei. A coisa era mais seria do que eu supunha. &lt;br /&gt;Acompanhando a trajetória desse sergipano e sua luta étnica pela cultura negra desde sempre; estive presente na formalização da Casa de Cultura Afro-Sergipana, em outubro de 1968 – anos depois chamada, como jornalista e aliada cultural, a registrar o descaso de alguns governos para com a entidade, seu autor e seu reduto Dores flambadas no azeite da luta pela memória e tradições da cultura negra. Dores fermentadas e urdidas em gritos que se foram tornando poesia ao longo do caminho. Quando alguns amigos alçaram condições de poder, como o jornalista Luiz Antônio Barreto à frente da Secretaria Estadual de Educação, Severo mostrou serviço na área publica, palestrando e dando aulas em escolas da capital e do interior, levando um exemplo de cidadania e valores culturais em sua própria maneira de ser, andar, falar, vestir-se, recitar, atuar, criar, poetizar...&lt;br /&gt;Severo é um titã negro vendo o voraz processo de transformação social engolir valores fundamentais ao pensamento e identidade cultural de sua orgulhosa raça. Não um velho arquejante sob o peso da memória de África, mas um minotauro mimético, herético e revigorado pela consciência histórica da sua luta. Seus gládios: a caneta, o giz, o papel, o palco, a tela de cinema e TV, o computador, ferramentas de ampliação da sua voz, idéias e ideais. Do bem, notoriamente, um eguerrido guerreiro.&lt;br /&gt;E assim fomos  vendo Severo D’acelino fazendo e acontecendo, construindo a identidade afro-descendente de feição sergipana, resgatando a memória dos ancestrais e seus rastros culturais, religiosos, comportamentais e suas historias; formatando um novo horizonte para os negros na perspectiva de sergipanidade, em condições de igualdade escolar, universitária e profissional.&lt;br /&gt;Utopia? Que poeta não seria? Severo escreveu e publicou livros. Fez filmes. Ganhou fama e reconhecimento. Ganhou o respeito e a amizade de  intelectuais e artistas. Hoje configura os 12 pares do Conselho Estadual de Cultura, membro assíduo e pertinente como base popular. Aos 60 anos, nada mais justo que uma cadeira no Conselho de Cultura, para sua contribuição memorável. Até aí, tudo nos conformes cármicos de causa e efeito. Até que me chega aos olhos “ Visões de Olhar em Transe” e cresce em proporções gigantescas a minha admiração pelo autor de tão intensa e diamantina poesia.&lt;br /&gt;Água suspensa no mar desértico, não pode dizer da surpresa que foi constatar a evolução poética de Severo D’acelino. Do seu ultimo titulo lançado, pan’África , a este embrião de livro concebido em transe , como se numa viagem intergaláctica transportou-se  a alma do poeta para o âmago do seu DNÁfrica, agregando conhecimentos da filosofia “branca” e da mitologia grega, mesclando numa memória primitiva todas as raças para crescer e se progetar, ele mesmo, como metamorfose ambulante, pensante e um senhor poeta,  consumado em “Visões do Olhar em Transe” &lt;br /&gt;Excelente, é pouco, o livro está lindo; lindíssimo trabalho de alma que Severo D’acelino oferece com generosidade às mentes cultas e aos espíritos quebrados pelas dores e preconceitos que se encontra em toda parte, também no âmbito transcultural. Poesia de identidade negra, sergipana de raça. Mais que um resgate étnico, um deleite para os seres poéticos de todas as raças e tribos. Eu, portuguesa-espanhola-holandesa e tupinambá, sou da tribo de Severo, ainda que não tenha DNÁfrica na genética poética, mas a alma que anima o vôo do pensamento nas asas do sentimento e da emoção. Com muita razão recomendo a publicação deste livro para que um maior número de leitores possa sentir e conferir o salto quântico de Severo em “Visões do Olhar em transe”.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TITULOS DO VISÃO&lt;br /&gt;1. O  Medo de  Atravessar&lt;br /&gt;2. Vejo Meu Corpo Suado&lt;br /&gt;3. A  Mística dos Meus Sonhos&lt;br /&gt;4. Depende do Angulo que se Vê&lt;br /&gt;5. Os três Ps   Ainda Funcionam&lt;br /&gt;6. Vejo Água Suspensa no Ar.&lt;br /&gt;7. Consciência de Mim&lt;br /&gt;8. Mutação Sombria&lt;br /&gt;9. O Olhar Ganancioso de Epimeteu&lt;br /&gt;10. Casulo no Penhasco da Solidão&lt;br /&gt;11. Nego, Aborto Moral da Raça&lt;br /&gt;12. O Mar Revolto&lt;br /&gt;13. Mascaramento do Olhar Vazio&lt;br /&gt;14. Nego&lt;br /&gt;15. Não Tolero o Magistrado&lt;br /&gt;16. Vamos Emancipar Nossa Consciência&lt;br /&gt;17. Meu Pai&lt;br /&gt;18. A Exclusão Determina a Ação&lt;br /&gt;19. Mim Vi pelos Seus Olhos&lt;br /&gt;20. Mudando o Foco&lt;br /&gt;21. Da Negação&lt;br /&gt;22. Brutalizei o Meu Silencio&lt;br /&gt;23. A Verdade Sonhada&lt;br /&gt;24. Coloque a Mão Esquerda&lt;br /&gt;25. O sol Scaneou o Rio&lt;br /&gt;26. Busquei o Meu Lagdbá&lt;br /&gt;27. Na Tempestade, Plana ao Vento&lt;br /&gt;28. Lei Revogada, Direito Nulo&lt;br /&gt;29. Você Faz o Regulamento&lt;br /&gt;30. Rio Devastado&lt;br /&gt;31. Meu Poema é Biodegradável&lt;br /&gt;32. Busquei a Iluminaria&lt;br /&gt;33. Moro só em Casa Cheia&lt;br /&gt;34. No Apagar das Luzes&lt;br /&gt;35. Um Homem Amado Por Todos&lt;br /&gt;36. Meus Versos&lt;br /&gt;37. É Bom Ser Negro.&lt;br /&gt;38. Para Chegar ao Fundo da Verdade&lt;br /&gt;39. Reflexo do Sol&lt;br /&gt;40. Vê o Poeta Chorando&lt;br /&gt;41. Meu Isolamento&lt;br /&gt;42. Perdi Meu Sonho.&lt;br /&gt;43. Sagração do Choro Festejado&lt;br /&gt;44. A Tristeza é Senhora&lt;br /&gt;45. Deixe o Sol fazer sua Canção&lt;br /&gt;46. Intelectuais do Dia  e da Hora Seguinte&lt;br /&gt;47. Naveguei em Mar de Rosas&lt;br /&gt;48. Nú Frontal&lt;br /&gt;49. Busquei Jamais Deixar&lt;br /&gt;50. Nunca Dramatizei o Ponto.&lt;br /&gt;51. Você Veio do Meu Passado&lt;br /&gt;52. Visão Equivocada&lt;br /&gt;53. Visão Obscurantista&lt;br /&gt;54. Mim Chamaram Intelectual&lt;br /&gt;55. O Poeta Canta a Liberdade&lt;br /&gt;56. Minha Visão Periférica&lt;br /&gt;57. O Mosaico do Sol&lt;br /&gt;58. Nesta Manhã Iluminada&lt;br /&gt;59. Não sou Poeta, Ator.&lt;br /&gt;60. A Proclamação de Dor&lt;br /&gt;61. Meus Impulsos Irradiam&lt;br /&gt;62. Meu Coração é Todo Dúvidas&lt;br /&gt;63. No Ar&lt;br /&gt;64. Negro&lt;br /&gt;65. Busquei Meu Oráculo &lt;br /&gt;66. Vejo Desdém&lt;br /&gt;67. A Síndrome de Pedro&lt;br /&gt;68. Hamadríade&lt;br /&gt;69. Antares em Capricórnio&lt;br /&gt;70. Venha&lt;br /&gt;71. O Arqueiro Mudo&lt;br /&gt;72. Da Ilusão do Seu Olhar&lt;br /&gt;73. Scaneei Meu Pensamento&lt;br /&gt;74. O Silencio das Testemunhas&lt;br /&gt;75. Há Sempre Uma Noite&lt;br /&gt;76. Meu Segredo&lt;br /&gt;77. A Estética do Louvor&lt;br /&gt;78. Emoção Convulsa&lt;br /&gt;79. Nasci de Negro Livre&lt;br /&gt;80. Estado Laico&lt;br /&gt;81. Preto só Chega ao Poder&lt;br /&gt;82. No interesse da justiça&lt;br /&gt;83. A água evaporou do Rio&lt;br /&gt;84. O Mar potencializou a sua fúria&lt;br /&gt;85. Se em peito que ferve&lt;br /&gt;86. Hórus. Hórus&lt;br /&gt;87. Visão esquálida&lt;br /&gt;88. Pandora deixou a Caixa&lt;br /&gt;89. Abra as janelas dos seus olhos&lt;br /&gt;90. O que fazer&lt;br /&gt;91. Vivo a solidão do meu passado&lt;br /&gt;92. Minha resistência se esvai&lt;br /&gt;93. Racismo, fome, morte,guerra.&lt;br /&gt;94. Que faz a policia&lt;br /&gt;95. Vejo com olhos lassos&lt;br /&gt;96. Devo aproveitar o dia&lt;br /&gt;97. Caminhos sem sombras&lt;br /&gt;98. Seios Lacrimosos  &lt;br /&gt;99. A polinização do seu olhar&lt;br /&gt;100. Meus olhos turvaram&lt;br /&gt;101. Na noite de Lua Cheia&lt;br /&gt;102. A voragem do tempo&lt;br /&gt;103. A violação dos meus direitos&lt;br /&gt;104. Esse conjunto de normas&lt;br /&gt;105. A luz dos meus direitos&lt;br /&gt;106. Os piores negros&lt;br /&gt;107. Ainda hoje&lt;br /&gt;108. Esse brilho congelado da dor alheia  &lt;br /&gt;109. Ego ferido, comiseração&lt;br /&gt;110. Transmutei meu corpo profano&lt;br /&gt;111. A fantasia mim fez matar&lt;br /&gt;112. As Estrelas brilham&lt;br /&gt;113. Seu olho cumprido&lt;br /&gt;114. Oh! Meu Rei!&lt;br /&gt;115. Canonizei seus versos&lt;br /&gt;116. No asfalto deste Sertão&lt;br /&gt;117. Os efeitos da Lua&lt;br /&gt;118. Organizei minhas memórias&lt;br /&gt;119. O Homem Santo massacrado&lt;br /&gt;120. Realizei meu ensaio pornográfico  &lt;br /&gt;121. Espelho D’Água na Montanha  &lt;br /&gt;122. Olhar é viver intensamente&lt;br /&gt;123. Guardiã de minha áurea&lt;br /&gt;124. Choro lágrimas cristalizadas&lt;br /&gt;125. Quente noite, salão sufocante&lt;br /&gt;126. Nuvens Opacas&lt;br /&gt;127. Não busco a esperança no presente &lt;br /&gt;128. Oh Meu Pai! Filho!!!&lt;br /&gt;129. Esta noite tão fria&lt;br /&gt;130. Fantasma do Apocalipse &lt;br /&gt;131. A lúdica do pensamento teológico&lt;br /&gt;132. Nuvens Orográficas pairam&lt;br /&gt;133. Não Importa se Minha Aparência é Ruim&lt;br /&gt;134. Rios de Lágrimas Jorram&lt;br /&gt;135. Em Baixo do Baobá&lt;br /&gt;136. Negro na Minha Terra é Preto&lt;br /&gt;137. A Liberdade Sonhada&lt;br /&gt;138. Olhar Distante e Desconfiado&lt;br /&gt;139. Encontraram-me Andando a Deriva&lt;br /&gt;140. Na Ótica Racial,Tenho Orgulho de ser Negro.&lt;br /&gt;141. O Olhar Parcimonioso de Babet&lt;br /&gt;142. Seu Olhar Jorra Luz&lt;br /&gt;143. Olhar Rudimentar&lt;br /&gt;144. Olhei Dentro do seu Olhar&lt;br /&gt;145. Olhar Prescutador&lt;br /&gt;146. Olho de Lince&lt;br /&gt;147. A Devastação a Céu aberto&lt;br /&gt;148. É Muito Cruel&lt;br /&gt;149. Tristeza Iluminada&lt;br /&gt;150. O Dourado do Sol&lt;br /&gt;151. Não Haverá Barulho&lt;br /&gt;152. Foragido da Visão&lt;br /&gt;153. Em Visão Ajustada, Seus Olhos&lt;br /&gt;154. Porto Silencioso, Vento Frio&lt;br /&gt;155. Revistando as Flores Marinhas&lt;br /&gt;156. O Sol da Meia Noite&lt;br /&gt;157. Réstia de Luz No Mar&lt;br /&gt;158. Sobre O Meu Olhar&lt;br /&gt;159. Pânico Nepotista&lt;br /&gt;160. A Explosão No Céu&lt;br /&gt;161. Rompa O Silencio&lt;br /&gt;162. Você É Minha Narrativa&lt;br /&gt;163. Uma Visão Dantesca&lt;br /&gt;164. Em Sua Visão&lt;br /&gt;165. Seus Olhos&lt;br /&gt;166. Uma Visão Ferida&lt;br /&gt;167. Radicalizar A Denúncia&lt;br /&gt;168. A Lente Dos Seus Olhos&lt;br /&gt;169. A Miopia Do Seu Coração&lt;br /&gt;170. Nuvens De Cerração&lt;br /&gt;171. Seus Olhos Desmentem&lt;br /&gt;172. Na Panorâmica Do Desejo &lt;br /&gt;173. Suas Lágrimas&lt;br /&gt;174. A Visão Da Unidade&lt;br /&gt;175. A Luz Do Direito&lt;br /&gt;176. Se Vejo Meus Direitos&lt;br /&gt;177. A Luz Do Direito Natural&lt;br /&gt;178. Meu Olhar Transfigurado&lt;br /&gt;179. O Sol Não Ofuscou&lt;br /&gt;180. Esse Olhar Protagonista&lt;br /&gt;181. A Telecinésia&lt;br /&gt;182. Seu Olhar Compartilhado&lt;br /&gt;183. Esse Olhar Terrível&lt;br /&gt;184. Sua Visão Reflete O Mandarinato&lt;br /&gt;185. Olhar Disritimado&lt;br /&gt;186. Choro O Riso Do Coração Partido&lt;br /&gt;187. Em Frente Ao Mar&lt;br /&gt;188. Vejo A Paz E Desencanto&lt;br /&gt;189. No Espelho Eu Vos Saúdo&lt;br /&gt;190. A Luz Em Seus Olhos&lt;br /&gt;191. A Força Do Pensamento&lt;br /&gt;192. Anime Esses Olhos&lt;br /&gt;193. Laceração E Dor &lt;br /&gt;194. O Foco Dos Seus Olhos&lt;br /&gt;195. A Longevidade De Uma Estrela&lt;br /&gt;196. Anestesiado Pelo Seu Olhar &lt;br /&gt;197. Fantasma Do Arco-Íris&lt;br /&gt;198. Visão Dantesca De Corpos Ardentes&lt;br /&gt;199. A Luz Do Arco-Íris&lt;br /&gt;200. Olhar Ausente&lt;br /&gt;201. A Arvore Dos Enforcado&lt;br /&gt;202. Olho De Jabuticaba&lt;br /&gt;203. Mar Espelhado De Constelação&lt;br /&gt;204. Majestosa  Presença&lt;br /&gt;205. Meus Olhos Argonauta&lt;br /&gt;206. O Meu Navio Levantou Ancora&lt;br /&gt;207. Um Abraço Dado De Bom Coração&lt;br /&gt;208. O Olhar Planando O Espaço&lt;br /&gt;209. As Cinzas Dos Meus Sonhos&lt;br /&gt;210. O Sonho Adormecido&lt;br /&gt;211. Chama Cadente&lt;br /&gt;212. Visibilizando Um Corpo&lt;br /&gt;213. Olhar O Mar E Viver Na Terra&lt;br /&gt;214. Escrevi Uma Ode Do Ponto&lt;br /&gt;215. O Enigma Do Olhar&lt;br /&gt;216. O Olhar Emudeceu A Voz Vibrante&lt;br /&gt;217. O Impacto Do Meu Corpo&lt;br /&gt;218. Olhe S Sua Tristeza&lt;br /&gt;219. A Expressões Dos Meus Sentimentos&lt;br /&gt;220. Eu Vejo Na Minha Fé&lt;br /&gt;221. As    Faíscas  Empoeiradas&lt;br /&gt;222. Na Minha Critica&lt;br /&gt;223. Minha Marginalização&lt;br /&gt;224. Chamaram-Me Intelectual&lt;br /&gt;225. Em Minha Visão Embaçada&lt;br /&gt;226. O Importante  Não É  Ser Negro  &lt;br /&gt;227. O Olhar Que Bloqueia&lt;br /&gt;228. Erosão, Seca E Assoreamento Histórico&lt;br /&gt;229. Uma Visão Inquietante Que Machuca&lt;br /&gt;230. Seus Olhos Pensam Que Mim Conhece&lt;br /&gt;231. Descubra O Espelho&lt;br /&gt;232. Onde Está O Horizonte&lt;br /&gt;233. Neste Jogo De Espelho&lt;br /&gt;234. Olhos Verdes Da Traição&lt;br /&gt;235. No Encontro Da Luz Ofuscante&lt;br /&gt;236. Os Olhos Devassaram&lt;br /&gt;237. Seu Olhar Atravessou A Máscara&lt;br /&gt;238. Devastação Na Queimada De Cima&lt;br /&gt;239. Embriagues Dos Seus Olhos&lt;br /&gt;240. Explosão De Luzes&lt;br /&gt;241. Tive Uma Visão Noturna&lt;br /&gt;242. Escarifiquei Meu Corpo&lt;br /&gt;243. Nós Os Negros Distribalizados&lt;br /&gt;244. Oh! Essa Menina ! &lt;br /&gt;245. Cantei Uma Canção Incestuosa&lt;br /&gt;246. Afro Descendência&lt;br /&gt;247. Nossas Imagens No Espelho&lt;br /&gt;248. O Amor É Terra Onde Se Come Brisa&lt;br /&gt;249. O Cordeiro Berrou&lt;br /&gt;250. Sonhos Esquecidos&lt;br /&gt;251. Como Um Semi-Deus&lt;br /&gt;252. O Espelho Rebate A Luz&lt;br /&gt;253. As Preces Do Angorossi&lt;br /&gt;254. Minha Visão De Longo Prazo&lt;br /&gt;255. Uma Visão Apocalíptica&lt;br /&gt;256. Efeitos Pirotécnicos&lt;br /&gt;257. Minha Estrela Sumiu&lt;br /&gt;258. A Luz Do Seu Olhar&lt;br /&gt;259. Prisioneiro Deste Amor Cruel&lt;br /&gt;260. Olhos Avermelhados Pela Luz Do Sol&lt;br /&gt;261. Minhas Cores Não Tem Primavera&lt;br /&gt;262. A Ironia Alucinada&lt;br /&gt;263. Minha Alma É De Deus&lt;br /&gt;264. A Noite Se Fez Dia&lt;br /&gt;265. A Inveja De Caim&lt;br /&gt;266. A Rosa Dos Ventos&lt;br /&gt;267. Seus Olhos São Tochas&lt;br /&gt;268. Transplantei Minha Visão&lt;br /&gt;269. Sua Visão Obstruiu&lt;br /&gt;270. Minha Visão Vestida De Luz&lt;br /&gt;271. Na Foz Do Meu Coração&lt;br /&gt;272. Pular A Montanha E Flutuar&lt;br /&gt;273. Caminhos Do  Inferno&lt;br /&gt;274. Minha Inspiração&lt;br /&gt;275. Transbordou O Rio De Lágrimas&lt;br /&gt;276. Abra A Janela Do Passado&lt;br /&gt;277. Vejo Na Chuva&lt;br /&gt;278. Este Corpo Diáfano&lt;br /&gt;279. O Trono Está Onde O Rei Sentar&lt;br /&gt;280. Nebulosidade Variável&lt;br /&gt;281. A  Teoria Dos Anjos&lt;br /&gt;282. Visão Nebulosa De Um Olhar Mórbido&lt;br /&gt;283. Os Sinais Das Estrelas&lt;br /&gt;284. Olhar Desconfortável&lt;br /&gt;285. O Ar Estava Tão Seco&lt;br /&gt;286. Clarão Das Águas Turvas&lt;br /&gt;287. Sua Luz Cegou Meus Olhos&lt;br /&gt;288. Elevo As Mãos Em Forma De Concha&lt;br /&gt;289.  Na Minha Visão Ressentida&lt;br /&gt;290. A Cada Passo &lt;br /&gt;291. Você Tocou&lt;br /&gt;292. Seu Olhar Invade Minha Privacidade&lt;br /&gt;293. Para Seu Prazer&lt;br /&gt;294. Meu Olhar Desespera&lt;br /&gt;295. Os Meus Olhos, Seu Viver&lt;br /&gt;296. Essa Visão Seletiva&lt;br /&gt;297. Olhar De Mandrágora&lt;br /&gt;298. Imagem Asfáltica&lt;br /&gt;299. Vejo Fagulhas De Luz&lt;br /&gt;300. A Visão Sepulta&lt;br /&gt;301. O Brilho Do Sol&lt;br /&gt;302. Este Olhar Trocista&lt;br /&gt;303. A Eternidade Tem Duração&lt;br /&gt;304. Olhos Que Correm &lt;br /&gt;305. Olhar Modifica&lt;br /&gt;306. O Calor Congelante&lt;br /&gt;307. O Olhar Acompanha A Fuligem&lt;br /&gt;308. Olhar Juvenil&lt;br /&gt;309. Potencializei A Policromia Do Seu Olhar&lt;br /&gt;310. Cheiro, Cor De Perfume&lt;br /&gt;311. Não Gosto De Inveja&lt;br /&gt;312. O Riso Dos Seus Olhos&lt;br /&gt;313. Dois Poços Infinitos&lt;br /&gt;314. A Rosa Resplandecia&lt;br /&gt;315. De Um Golpe De Vista&lt;br /&gt;316. Na Estrada, Névoa&lt;br /&gt;317. Seu Olhar Biônico&lt;br /&gt;318. Do Alto Onde Se Encontra&lt;br /&gt;319. Magia Da Solidão Em Tempo Frio&lt;br /&gt;320. Expressão Fria De Um Cálido Olhar&lt;br /&gt;321. Meu Pai, Tanta Luz&lt;br /&gt;322. Em Seu Olhar O Espelho Da Ambição&lt;br /&gt;323. Ícone Imagético&lt;br /&gt;324. Minha Generosidade É O Sentido&lt;br /&gt;325. Relação Incestuosa Da Justiça&lt;br /&gt;326. Olho Do Furação Em Turbulência&lt;br /&gt;327. O Tempo Parou&lt;br /&gt;328. Cotidiano Vazio&lt;br /&gt;329. Prelúdio De Uma Manhã Serena&lt;br /&gt;330. Espasmo Do Meu Sonambulismo&lt;br /&gt;331. Signos, Ritus De Contradição&lt;br /&gt;332. Buscando O Amor De Afrodite&lt;br /&gt;333. Gente De Alma Enrugada&lt;br /&gt;334. O Medo Mim Surpreendeu&lt;br /&gt;335. Neste Amargo Dissabor Alucinado&lt;br /&gt;336. O Remédio Que Cura&lt;br /&gt;337. O Retrato De Minha Memória Violada&lt;br /&gt;338. Tirei A Cruz De Ferro&lt;br /&gt;339. Cuias De Cabaças Flutuam&lt;br /&gt;340. Fogo, Devastação No Leito&lt;br /&gt;341. Eternizei A Noite De Lua Cheia&lt;br /&gt;342. Tridimencionalizei Minha Arte&lt;br /&gt;343. O Rio Sobe A Cachoeira&lt;br /&gt;344. O Rio Geme, Não É O Barco Que Afunda&lt;br /&gt;345. Olho No Horizonte De Minha Trajetória&lt;br /&gt;346. Congelei Sua Pergunta&lt;br /&gt;347. Do Lado Que Estou&lt;br /&gt;348. O Poeta Conta A Historia&lt;br /&gt;349. A Violação Do Preto&lt;br /&gt;350.  Três Luas Novas Sem Ver A Lua Cheia&lt;br /&gt;351. Opará, Rio Mítico De Minha Trajetória&lt;br /&gt;352. Ego Partido, Comiseração&lt;br /&gt;353. Despertar No Ganges&lt;br /&gt;354. Estrela Da Saudade Na Roda Da Fortuna&lt;br /&gt;355. Perdi Minha Humanidade&lt;br /&gt;356. As Lágrimas Do Sol&lt;br /&gt;357. Preto É Um Cidadão De Alto Risco&lt;br /&gt;358. Vou Pedi A Nossa Senhora&lt;br /&gt;359. Minha Voz Expressa O Que Falo&lt;br /&gt;360. Suíte Do Amor Desaforado&lt;br /&gt;361. Eu Caçador Do Mar&lt;br /&gt;362. Memorizei A Teoria Do Caos&lt;br /&gt;363. Brutalizei O Meu Passado&lt;br /&gt;364. Quero Inspiração Para Contar E Cantar&lt;br /&gt;365. A Emoção Que Sinto&lt;br /&gt;366. A Patologia Da Visão, Muda Na Gênesis&lt;br /&gt;367. Olhos As Estrelas&lt;br /&gt;368. Nos Os Negros, Construímos&lt;br /&gt;369. Oratório, Cantochão&lt;br /&gt;370. Sufoquei Meu Desejo&lt;br /&gt;371. Fiz Um Ensaio Religioso&lt;br /&gt;372. Nasci Negro, Mim Tornaram Branco&lt;br /&gt;373. Afro Descendência É Mais Uma Máscara&lt;br /&gt;374. Sou Africano Do Brasil&lt;br /&gt;375. Dancei Ao Som De Carmem De Bizet&lt;br /&gt;376. Numa Odisséia Do Herói Imolado&lt;br /&gt;377. O Por Do Sol&lt;br /&gt;378. A Presença Dominante Do Arco Do Caçador&lt;br /&gt;379. As Questões De Ser Negro&lt;br /&gt;380. Contenha Meu Grito&lt;br /&gt;381. Olho Os Olhos Que Descortinam&lt;br /&gt;382. Afro Descendência&lt;br /&gt;383. Ah! Mãe. Há Quanto Tempo!&lt;br /&gt;384. Meus Sentimentos Estão Sedados&lt;br /&gt;385. Choro Lágrimas Cristalizadas&lt;br /&gt;386. Rios De Fogos Profanos&lt;br /&gt;387. Afro Descendência É Coisa De Nego&lt;br /&gt;388. Afro Descendência É Escudo Modista&lt;br /&gt;389.  Moratória&lt;br /&gt;390. No Ar, Limalha De Ferro Em Suspensão&lt;br /&gt;391. A Depravação Do Anjo Transfigurado&lt;br /&gt;392. Revisitei Meu Amor Por Você&lt;br /&gt;393. O Perdão É Maior Que A Vingança&lt;br /&gt;394. A Ira Das Águas&lt;br /&gt;395. Oráculo  Do Sol&lt;br /&gt;396. Instisfação&lt;br /&gt;397. Equivocado, Iludido E Torturado &lt;br /&gt;398. Agucei Meu Sentimento&lt;br /&gt;399. Vejo A Chuva&lt;br /&gt;400. Nebulosidade Variável&lt;br /&gt;401. O Ritual Do Seu Olhar&lt;br /&gt;402. Visão Nebulosa&lt;br /&gt;403. Visão Anarquista&lt;br /&gt;404. O Olhar De Mandrágora&lt;br /&gt;405. Olhar Que Correm&lt;br /&gt;406. O Olhar Modifica Pela Fé&lt;br /&gt;407. Seus Olhos São Minhas Únicas Verdades&lt;br /&gt;408. Dancei Em Torno Do Nada&lt;br /&gt;409. Crede Porque Viste&lt;br /&gt;410. Negro Sou&lt;br /&gt;411. No Rio Do Amanhecer&lt;br /&gt;412. Chuva Prateada&lt;br /&gt;413. Meu Pai É Eterno&lt;br /&gt;414. No Retrato De Minha Visão Violada&lt;br /&gt;415. Testamento Dos Primeiros&lt;br /&gt;416. A Mutilação De Minha Identidade&lt;br /&gt;417. O Espasmo Do Meu Sonambulismo&lt;br /&gt;418. Prisioneiro De Uma Ideologia Recalcada&lt;br /&gt;419. Um Desembargador Preto&lt;br /&gt;420. Preto Neurotomizado&lt;br /&gt;421. Carranca Do Olhar Adormecido&lt;br /&gt;422. Crise De Vergonha E Identidade&lt;br /&gt;423. Guardo Ainda A Tristeza Em Meu Coração.&lt;br /&gt;424. Rio São Francisco E As Taparicas&lt;br /&gt;425. Rio Dos Currais&lt;br /&gt;426. A Tempestade De Areia.&lt;br /&gt;427. Há Certos Olhares&lt;br /&gt;428. Caetaniei  Gil&lt;br /&gt;429. Rios De Lamentações&lt;br /&gt;430. O Remédio Que Lhe Curou&lt;br /&gt;431. Meus Impulsos &lt;br /&gt;432. Insatisfação&lt;br /&gt;433. Declarei Moratória&lt;br /&gt;434. Sua Visão Ampliou&lt;br /&gt;435. Nos Meus Sonhos&lt;br /&gt;436. O Sol É Para Todos&lt;br /&gt;437. Visão De Coisa Qualquer&lt;br /&gt;438. Voam Borboletas&lt;br /&gt;439. Afrodescendencia É Confissão De Culpa&lt;br /&gt;440. A Educação É Que Vai Nos Tirar Da Senzala.&lt;br /&gt;441. Olhei Para O Espelho.&lt;br /&gt;442. Cotas Para Negros &lt;br /&gt;443. Nós Os Negros Criminalizados&lt;br /&gt;444. Me Chamam De Negro&lt;br /&gt;445. Muitos Negros Não São Pretos&lt;br /&gt;446. Negros Com DNA Da Casa Grande&lt;br /&gt;447. Olhando Pela Fresta Do Meu Futuro&lt;br /&gt;448. Branco de Marca E Origem&lt;br /&gt;449. Agentes dos Poderes&lt;br /&gt;450. Amanheceu Chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IYAZINHA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SENHORA DE DUAS AMÉRICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro é seu,&lt;br /&gt; memórias coletiva de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES DO OLHAR EM TRANSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -  1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo de atravessar&lt;br /&gt;atropelou o meu desejo,&lt;br /&gt;fiquei atolado no leito do Rio&lt;br /&gt;barcos encalhados e eu em crise.&lt;br /&gt;Meu olhar presente,ausente            &lt;br /&gt;de tudo, perscruta a planície&lt;br /&gt;encharcada de águas paradas&lt;br /&gt;na visão tórrida, alucinada&lt;br /&gt;com a desertização do rio&lt;br /&gt;brilhante,fantástico&lt;br /&gt;ao por do sol numa sinfonia&lt;br /&gt;inacabada da terra do  canto&lt;br /&gt;silenciado e mitos adormecidos.&lt;br /&gt;Terra d’água, deserto&lt;br /&gt;do São Francisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo meu corpo suado&lt;br /&gt;e com água corrente&lt;br /&gt;me Banho de Sangue na beira&lt;br /&gt;do Rio em fúria,lutando&lt;br /&gt;contra desertização.&lt;br /&gt;Queimei o Barco ontem&lt;br /&gt;com o fogo que somente hoje&lt;br /&gt;acendi, com os olhos marejados,&lt;br /&gt;alagando as várzeas e planícies&lt;br /&gt;por onde andava, em busca&lt;br /&gt;de solidão para ouvir&lt;br /&gt;as Estrelas e o canto do&lt;br /&gt;Vendaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mística dos meus sonhos&lt;br /&gt;iluminou a solidão&lt;br /&gt;do Caminho das Águas&lt;br /&gt;que correm da nascente&lt;br /&gt;do Rio Mar, muito antes&lt;br /&gt;navegado.&lt;br /&gt;Hoje ferido, envenenado, assoreado&lt;br /&gt;cheio de Mar, um braço&lt;br /&gt;sem Barcos, uma Várzea ressecada.&lt;br /&gt;Rio iluminado pelas Estrelas...&lt;br /&gt;O sol ardente, sem Vento que&lt;br /&gt;vem das matas, desolação&lt;br /&gt;desértica, Cachoeiras sem véu.&lt;br /&gt;A mística  do meu coração&lt;br /&gt;transborda na enchente do Rio&lt;br /&gt;vazante de Maré, lágrimas dos&lt;br /&gt;ribeirinhos que como Cobra&lt;br /&gt;acompanham promessas em procissão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do ângulo que se vê&lt;br /&gt;um Nego no poder&lt;br /&gt;massacrando multidões de negros&lt;br /&gt;descamisados, marginalizados&lt;br /&gt;sem referência ou identidade.&lt;br /&gt;Direitos violados, transformados em favores.&lt;br /&gt;Este Nego no poder quer ser branco,&lt;br /&gt;incorporando  Paxá.&lt;br /&gt;Nego que vendeu negros no tráfico&lt;br /&gt;colonial, o maior contrabandista, o mais rico&lt;br /&gt;“comerciante” de Carne Negra,&lt;br /&gt;nosso  maior pesadelo.&lt;br /&gt;É o nego bancão,&lt;br /&gt;maldade do Cedro, do Carvãozinho,&lt;br /&gt;imagem distorcida de Negro,&lt;br /&gt;Nego de negação,&lt;br /&gt;meu maior pesadelo&lt;br /&gt;até hoje é este nego bancão.&lt;br /&gt;O Nego de Casa Grande&lt;br /&gt;Feitor deste Rincão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três”P” ainda funcionam&lt;br /&gt;na ótica da dominação,&lt;br /&gt;onde só pobre, pretos e putas&lt;br /&gt;vão para a cadeia.&lt;br /&gt;Só os amigos do governador&lt;br /&gt;primeiras damas, são imunes&lt;br /&gt;a quaisquer citações.&lt;br /&gt;“ Quem você pensa que é!”&lt;br /&gt;“Sabe com quem esta falando?”&lt;br /&gt;Racista aqui não tem,&lt;br /&gt;porque em Sergipe não há negros&lt;br /&gt;não há racismo, somos nobres&lt;br /&gt;de sangue azul,&lt;br /&gt;eurodescendentes e em nossas&lt;br /&gt;veias correm os sangue dos&lt;br /&gt;nossos avós: portugueses,&lt;br /&gt;franceses, italianos, alemães,&lt;br /&gt;holandeses, espanhóis...&lt;br /&gt;não há negros.&lt;br /&gt;Somos um Estado modelo, &lt;br /&gt;idealizado pela pureza racial.&lt;br /&gt;Somos arianos na América do Sul, &lt;br /&gt;liderados pelo mandarinato de  marião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES -6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo Águas suspensas no Ar,&lt;br /&gt;rodopiando no chão,&lt;br /&gt;uma Tromba, furacão&lt;br /&gt;rompendo a Crosta Terrestre&lt;br /&gt;em convulsão.&lt;br /&gt;Poeiras fumegantes, sem Vulcão&lt;br /&gt;no sertão partido, pela erupção&lt;br /&gt;do tecido drenoso.&lt;br /&gt;No Olho D´agua, espelho do Mar&lt;br /&gt;em Chamas.&lt;br /&gt;Tempestades de Ventos granizadas,&lt;br /&gt;um Lago surge no Oceano bravio&lt;br /&gt;com ondas encapeladas de dejetos&lt;br /&gt;mutantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciência de mim&lt;br /&gt;consciência negra,&lt;br /&gt;meu norte minha caixa pecúlio&lt;br /&gt;é tudo que devo ter&lt;br /&gt;e debater, porque negro&lt;br /&gt;tem a consciência branca desperta&lt;br /&gt;e a negra adormecida.&lt;br /&gt;Consciência negra, saber, resistência&lt;br /&gt;identidade memorial.&lt;br /&gt;Africano, escravo, mulato, preto&lt;br /&gt;ingênuo, pardo, mestiço&lt;br /&gt;Alforriado, liberto, pardo&lt;br /&gt;cidadão, afro brasileiro,&lt;br /&gt;afrodescendente identidade idealizada&lt;br /&gt;perdida, duvidosa.&lt;br /&gt;Nego consciência  adormecida,&lt;br /&gt;conseqüência de uma identidade mascarada&lt;br /&gt;pelo massacre da negação, fugas, rejeições&lt;br /&gt;renega o direitos de ter e ser&lt;br /&gt;Negro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mutação sombria&lt;br /&gt;em brilho de inverno&lt;br /&gt;tardio, dourado.&lt;br /&gt;Andei procurando distante&lt;br /&gt;aquilo que sempre esteve&lt;br /&gt;aqui, do meu lado.&lt;br /&gt;Espanto as imagens de ilusões&lt;br /&gt;distorcidas e sinto que o &lt;br /&gt;pensamento feliz, nasceu agora&lt;br /&gt;trazido pelo Vento Norte,&lt;br /&gt;reflexo daquele brilho do passado&lt;br /&gt;que depende meu futuro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar ganancioso de Epimeteu&lt;br /&gt;em busca de segredos&lt;br /&gt;espalhou por toda terra&lt;br /&gt;os males contidos na Caixa&lt;br /&gt;enviada por Zeus, restando&lt;br /&gt;apenas esperança a bela Pandora&lt;br /&gt;Tempestades, Fúrias apocalíptica&lt;br /&gt;varreram todo espaço, nos passos&lt;br /&gt;de Pandora e na luz do olhar animado,&lt;br /&gt;visões medonha do extermínio:&lt;br /&gt;Fogo, Escuridão, Desespero, Guerras&lt;br /&gt;Fome, Dor e Morte na passagem dos&lt;br /&gt;Cavalheiros, e na Caixa, só a esperança&lt;br /&gt;do Triunfo na Paz.&lt;br /&gt;E Prometeu imobilizado, castigado&lt;br /&gt;por ter entregue aos homens o Fogo&lt;br /&gt;roubado do Olímpo.&lt;br /&gt;Na terra que João escreveu,&lt;br /&gt;os Cavaleiros do Apocalipse&lt;br /&gt;saídos da Caixa de Pandora&lt;br /&gt;enviada por Zeus.&lt;br /&gt;Presente de Grego, acorrentado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casulo  no Penhasco da solidão&lt;br /&gt;Templo do silêncio&lt;br /&gt;e dos silenciadores, guardiões&lt;br /&gt;da Casa da Torre, destruição.&lt;br /&gt;A Fênix curvou-se&lt;br /&gt;ante a Galinha D’angola&lt;br /&gt;que chora no rito do Olúwo&lt;br /&gt;na noite do lorogum&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nego, aborto moral da raça&lt;br /&gt;negação da natureza racial&lt;br /&gt;de poder para ter e ser&lt;br /&gt;branco.&lt;br /&gt;Nego nega raça, negação&lt;br /&gt;renega os seus em busca de situação&lt;br /&gt;traidor do pensamento e ação&lt;br /&gt;do negro resistente, sobrevivente&lt;br /&gt;nega,degenerado, pária&lt;br /&gt;nego, negão, figura patética,&lt;br /&gt;maldição de toda raça.&lt;br /&gt;Traição da sombra,&lt;br /&gt;imagem desfigurada da razão.&lt;br /&gt;peste expulsa de Pandora,&lt;br /&gt;maldição das horas mortas&lt;br /&gt;no quadrante da vida.&lt;br /&gt;Nego!!!.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 12&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mar revolto&lt;br /&gt;corre para o Rio&lt;br /&gt;em busca da Cachoeira&lt;br /&gt;devastando o litoral, cobrindo o sertão&lt;br /&gt;ocupando seu leito, ferido de dor.&lt;br /&gt;Era a piracema pororocando&lt;br /&gt;no vale deserto&lt;br /&gt;em ondas que se alevantam&lt;br /&gt;na embriaguez bíblica&lt;br /&gt;de Noé, na Barca do Dilúvio&lt;br /&gt;vociferando maldição a Cam&lt;br /&gt;chefe dos pretos a servidão aos seus irmãos&lt;br /&gt;instituindo o fundamento histórico&lt;br /&gt;do racismo sobre a égide da Maldição&lt;br /&gt;de Canaã.&lt;br /&gt;“Maldito seja Canaã, que seja o último &lt;br /&gt;dos escravos dos seus irmãos!&lt;br /&gt;Bendito seja  o Senhor Deus de Sem,&lt;br /&gt;e Canaã seja seu escravo!&lt;br /&gt; Que  Deus  dilate a Jafet&lt;br /&gt;e este habite nas tendas de Sem&lt;br /&gt;e Canaã seja seu escravo”&lt;br /&gt;Visão de uma embriagues genocida&lt;br /&gt;na Gênese  violada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mascaramento do olhar vazio&lt;br /&gt;na visão do anacronismo&lt;br /&gt;irreverente, do ponto&lt;br /&gt;de vista medieval dos dominantes&lt;br /&gt;meu ego marginal sufoca na solidão.&lt;br /&gt;Ostracismo anunciado, no ventre&lt;br /&gt;da minha Mãe que mim pariu&lt;br /&gt;para o mundo, resistência&lt;br /&gt;revolucionada, no seu olhar&lt;br /&gt;de Guerreira, mulher ativa,altiva&lt;br /&gt;mentalidade libertária,&lt;br /&gt;adiante do horizonte da opressão&lt;br /&gt;ironizando o dominador,&lt;br /&gt;na ameaça de que no espaço&lt;br /&gt;despedaça o que herdamos&lt;br /&gt;para  inculturar a conjunção&lt;br /&gt;de  marionetes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 14&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nego&lt;br /&gt;não gosta de&lt;br /&gt;negros&lt;br /&gt;porque o negro&lt;br /&gt;reflete nele  a marca do oprimido.&lt;br /&gt;O preto&lt;br /&gt;não gosta de pretos&lt;br /&gt;porque o branco lhe condena&lt;br /&gt;e lhe diz não,&lt;br /&gt;negos&lt;br /&gt;não votam&lt;br /&gt;em negros&lt;br /&gt;só votam, se os&lt;br /&gt;brancos mandarem,&lt;br /&gt;é a afirmação subserviente&lt;br /&gt;o medo da  alforria revogada,&lt;br /&gt;da mentalidade escravizada&lt;br /&gt;do pseudo cidadão de cor&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 15&lt;br /&gt;“&lt;br /&gt;Não tolero o magistrado&lt;br /&gt;que de brio descuidado,&lt;br /&gt;vende a lei, trai a justiça&lt;br /&gt;faz a todos injustiça&lt;br /&gt;com vigor deprime o pobre,&lt;br /&gt;presta abrigo ao rico, ao nobre,&lt;br /&gt;e só acha horrendo crime&lt;br /&gt;ao mendigo que deprime.&lt;br /&gt;Sou negro, eu sou bode,&lt;br /&gt;pouco importa.&lt;br /&gt;o que isso pode?&lt;br /&gt;Luiz Gama     1859&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos  emancipar nossa&lt;br /&gt;consciência negra, ampliando&lt;br /&gt;conhecimentos, potencializando&lt;br /&gt;ações e mobilizando o povo negro&lt;br /&gt;no debate das idéias,&lt;br /&gt;para materializar as oportunidades&lt;br /&gt;e desviar o foco das desigualdades.&lt;br /&gt;Vamos pensar por nós&lt;br /&gt;desasombradamente, com audácia&lt;br /&gt;dos desbravadores ancestrais,&lt;br /&gt;potencializar as ações emancipadora&lt;br /&gt;na formação intelectual.&lt;br /&gt;Reconstrução da identidade seqüestrada&lt;br /&gt;na luta contra a educação excludente.&lt;br /&gt;Vamos emancipar a nossa consciência&lt;br /&gt;da filosofia dos colonizadores,&lt;br /&gt;dos códigos, doutrinas, cânone e ritus.&lt;br /&gt;Vamos transcender as barreiras&lt;br /&gt;do silêncio, da loucura libertária,&lt;br /&gt;do livre arbítrio e pensar nossas questões&lt;br /&gt;nossas condições, tridimensionalmente.&lt;br /&gt;O que somos, de onde vimos,&lt;br /&gt;para onde vamos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 17&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Pai&lt;br /&gt;o Senhor é o filho&lt;br /&gt;que eu gostaria de ter.&lt;br /&gt;O filho que sempre quis,&lt;br /&gt;meu sonho é  sua alegria&lt;br /&gt;sua tristeza, pesadelo de mim,&lt;br /&gt;a nossa separação é uma ruptura, &lt;br /&gt;da jornada que começou em busca&lt;br /&gt;da causa do desequilíbrio ancestral.&lt;br /&gt;Lhe vejo, com os olhos da emoção&lt;br /&gt;na chegada esperada...&lt;br /&gt;olhando a estrada, sua imagem&lt;br /&gt;que se materializa e se  agiganta&lt;br /&gt;na visão mística do tempo congelado&lt;br /&gt;do tempo que não passou&lt;br /&gt;do tempo que não passará&lt;br /&gt;Meu pai, Senhor do tempo&lt;br /&gt;Portal da lembrada Visão Renascida&lt;br /&gt;pelos olhos de Hórus.&lt;br /&gt;Hórus..Hórus..Hórus&lt;br /&gt;Meu Pai.... Filho!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 18&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exclusão determina a ação&lt;br /&gt;contra a minoria discriminada&lt;br /&gt;sem ouvinte, sem voz e sem direito.&lt;br /&gt;A Lei é razão livre das paixão&lt;br /&gt;sem ela não há Direitos, oportunidades&lt;br /&gt;Justiça – Liberdade, livre arbítrio.&lt;br /&gt;O Direito Criminal é racista.&lt;br /&gt;Não há Direitos para  negros&lt;br /&gt;e sim, contra ele,&lt;br /&gt;que mesmo sendo Vítima&lt;br /&gt;é tratado como Réu,&lt;br /&gt;nas Delegacias, e, nos Tribunais&lt;br /&gt;seus supostos Direitos são suspensos,&lt;br /&gt;violados, revogados&lt;br /&gt;a bem da ordem pública,&lt;br /&gt;por ferir interesses da maioria,&lt;br /&gt;e o bom andamento da justiça.&lt;br /&gt;Dura Lex Sed Lex&lt;br /&gt;a Lei é dura mais é Lei&lt;br /&gt;e por ela se faz justiça&lt;br /&gt;baseada nos estatutos e  códigos&lt;br /&gt;reguladores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES  - 19&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mim vi pelos seus olhos.&lt;br /&gt;Meus olhos olharam e não viram você&lt;br /&gt;uma visão ofuscada&lt;br /&gt;pela ótica do reflexo utópico&lt;br /&gt;de uma simbiose fratricida&lt;br /&gt;antagônica, subversiva,&lt;br /&gt;diante de mim.&lt;br /&gt;Minha vida, tem quilômetros&lt;br /&gt;de solidão e silencio&lt;br /&gt;é afluente e manancial&lt;br /&gt;de um rio que não deságua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 20&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando o foco&lt;br /&gt;e olhando pela ótica&lt;br /&gt;do preto&lt;br /&gt;a discriminação não é de raça&lt;br /&gt;é de cor, estética,&lt;br /&gt;de grana, status&lt;br /&gt;e poder.&lt;br /&gt;Isso é cultural&lt;br /&gt;se não o fosse,&lt;br /&gt;os pretos não eram discriminados&lt;br /&gt;pelos pardos, mulatos,&lt;br /&gt;e pelos próprios pretos, que&lt;br /&gt;se acham e tem ódio dos seus iguais&lt;br /&gt;Seu olhar reagente&lt;br /&gt;revelador de um pensamento&lt;br /&gt;insólito, frio, distante e cruel.&lt;br /&gt;Expõem as veias abertas do racismo&lt;br /&gt;multifacetado pelas discriminações&lt;br /&gt;dos iguais.&lt;br /&gt;Ainda hoje, nós os negros alforriados&lt;br /&gt;e não emancipados, somos treinados&lt;br /&gt;a nível de educação, nas escolas &lt;br /&gt;coloniais brasileiras, desqualificados&lt;br /&gt;coisificado,  e agora cotizados&lt;br /&gt;para impedir os nossos direitos&lt;br /&gt;de  igualdades e  oportunidades&lt;br /&gt;na construção crescente de nossa&lt;br /&gt;identidade, é por isso que somos instados&lt;br /&gt;jogados uns contra os outros&lt;br /&gt;e inventaram a afrodescendencia &lt;br /&gt;para cristalizar o ódio racial. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da negação.&lt;br /&gt;Se o pardo não é negro&lt;br /&gt;discrimina o mulato e o preto&lt;br /&gt;lhes atribuído a  servidão&lt;br /&gt;o mulato se recusa e repassa&lt;br /&gt;ao preto, pela sua marca e cor&lt;br /&gt;e só ele é o negro, vítima de&lt;br /&gt;toda ilação.&lt;br /&gt;O preto se volta contra o preto&lt;br /&gt;e devolve com vigor da revolta&lt;br /&gt;e afastando, renegando e discriminando&lt;br /&gt;com o ódio da violência, se associa&lt;br /&gt;ao pardo e mulato em defesa do branco&lt;br /&gt;contra as denuncias do preto aviltado&lt;br /&gt;vitimado, violentado, revoltado e&lt;br /&gt;dizimado, que atravessou o Mar&lt;br /&gt;para morrer na Praia.&lt;br /&gt;Venceu  demandas nas Ruas e foi&lt;br /&gt;derrotado em sua própria Casa&lt;br /&gt;pelos seus, que se aliaram&lt;br /&gt;aos inimigos anunciados&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 22&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brutalizei o meu silêncio&lt;br /&gt;despertado da letargia,&lt;br /&gt;com gritos adormecidos&lt;br /&gt;na  cristalização&lt;br /&gt;do desejo violado.&lt;br /&gt;Escoriações dilaceradas&lt;br /&gt;na alma do Poeta&lt;br /&gt;escravizado pelo olhar&lt;br /&gt;de luz insana&lt;br /&gt;lenda de minha realidade caustica.&lt;br /&gt;Voz embargada  pelo medo,&lt;br /&gt;paralisei a  verdade de mim.&lt;br /&gt;Ás águas do Rio evaporou&lt;br /&gt;desviando o Leito&lt;br /&gt;rumo as Cascatas e Quedas d’aguas&lt;br /&gt;desertizando o Litoral&lt;br /&gt;transformando água em sal&lt;br /&gt;Montanhas  caídas, devastado&lt;br /&gt;os Céus.&lt;br /&gt;Congelou meu coração&lt;br /&gt;e explodiu em partículas&lt;br /&gt;cristalinas, rumo as Nascentes&lt;br /&gt;do Rio exaurido. Revoltado &lt;br /&gt;rompi o silencio secular.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 23&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade sonhada&lt;br /&gt;da dúvida esquecida&lt;br /&gt;no abatjour frutacor&lt;br /&gt;delineou seu perfil&lt;br /&gt;na sombra real&lt;br /&gt;do fogo que ainda queima.&lt;br /&gt;Portas entreabertas&lt;br /&gt;indicam a chegada,&lt;br /&gt;esperada de quem passou&lt;br /&gt;na saída da parodia fantástica&lt;br /&gt;de Severo D’ Acelino&lt;br /&gt;uma fusão de luz autoral&lt;br /&gt;constelação&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 24&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloque a mão esquerda&lt;br /&gt;por sobre a Bíblia&lt;br /&gt;levante a direita e jure&lt;br /&gt;dizer a verdade&lt;br /&gt;tão somente a verdade&lt;br /&gt;tendo Deus por testemunha.&lt;br /&gt;Jura  porra !!!&lt;br /&gt;Meus olhos medrosos&lt;br /&gt;miram o espelho d’agua&lt;br /&gt;estrelado ao reflexo do Sol&lt;br /&gt;piscando no suave movimento&lt;br /&gt;do fluxo e refluxo deste lençol &lt;br /&gt;caudaloso que brilha, para esconder&lt;br /&gt;a verdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol scaneou o Rio&lt;br /&gt;e deletou as água do&lt;br /&gt;seu leito de dor assoreado&lt;br /&gt;O Sol scaneou o Rio e deletou&lt;br /&gt;para o subterrâneo, ampliando&lt;br /&gt;as correntes do manancial&lt;br /&gt;elevando a outras plagas&lt;br /&gt;a tradição do Mar aberto&lt;br /&gt;em Foz represada,invadida&lt;br /&gt;na ribanceira litoral.&lt;br /&gt;O Sol scaneou o rio para memorizar&lt;br /&gt;para posterizar o abandono,&lt;br /&gt;para navegar nas lembranças&lt;br /&gt;do Opará.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 26&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busquei o meu Lagdba&lt;br /&gt;consagrado em rito aberto&lt;br /&gt;aos pés da árvore da vida&lt;br /&gt;Pegi do meu Orixá&lt;br /&gt;perto da Lama, no Charco&lt;br /&gt;corrente de forças&lt;br /&gt;trazida pelos Ventos.&lt;br /&gt;Ouvi o som dos guizos&lt;br /&gt;da iyabá que se banhava&lt;br /&gt;no Rio Opará. Maiongá&lt;br /&gt;de sagração –Vida no Charco&lt;br /&gt;a Vassoura de Nanã&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 27&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tempestade, plana ao Vento&lt;br /&gt;o Olho de Hórus, a combater&lt;br /&gt;os Olhos do mal.&lt;br /&gt;Na colina, o Vento&lt;br /&gt;é meu Oráculo&lt;br /&gt;quando ouço, escuto&lt;br /&gt;a sua voz.&lt;br /&gt;Visão religiosa da magia&lt;br /&gt;mística do equilíbrio&lt;br /&gt;renascido, das águas claras&lt;br /&gt;de Iyemanjá, o fluxo do rio&lt;br /&gt;em busca do mar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 28&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei revogada, Direito nulo&lt;br /&gt;Justiça adiada, sentença aberta.&lt;br /&gt;Lei  revogada&lt;br /&gt;Direito profanado&lt;br /&gt;pela violação&lt;br /&gt;Direitos aviltados&lt;br /&gt;garantias perdidas&lt;br /&gt;na Justiça engessada.&lt;br /&gt;Lei outorgada&lt;br /&gt;versão preliminar&lt;br /&gt;do Ad libitun&lt;br /&gt;da Justiça dependente&lt;br /&gt;liberdade condicionada&lt;br /&gt;a  julgamento cromático&lt;br /&gt;a Justiça dos brancos&lt;br /&gt;não favorece o negro&lt;br /&gt;suas Leis são parciais&lt;br /&gt;buscam consolidar interesses do clã.&lt;br /&gt;Seu Direito é contra o negro&lt;br /&gt;ataca desqualificando, injuriando a vítima&lt;br /&gt;mas não aceita ,que para&lt;br /&gt;se chegar a verdade,&lt;br /&gt;é necessário coloca-la em dúvida.&lt;br /&gt;Esse é o contraditório&lt;br /&gt;sem o qual não há Lei&lt;br /&gt;não há Direitos, não há Justiça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 29&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você faz o regulamento&lt;br /&gt;e vive regulado pelo dos outros.&lt;br /&gt;Isso é Lei.&lt;br /&gt;E pela minha Lei, você pecou&lt;br /&gt;tem o Direito de se defender&lt;br /&gt;para que se faça Justiça.&lt;br /&gt;Os princípios norteiam&lt;br /&gt;com os exemplo, modelos&lt;br /&gt;de atitudes e comportamentos&lt;br /&gt;e até que se prove o contrário&lt;br /&gt;a inocência é preservada&lt;br /&gt;o contraditório, assegurado&lt;br /&gt;para defesa da transgressão&lt;br /&gt;e preservar o sistema&lt;br /&gt;dos valores construídos&lt;br /&gt;dos valores naturais&lt;br /&gt;dos valores  esperados&lt;br /&gt;sem indulgência, ou privilégios,&lt;br /&gt;tutorial da impunidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio devastado&lt;br /&gt;realidade que determina&lt;br /&gt;a consciência coletiva.&lt;br /&gt;Nas trevas despenca&lt;br /&gt;um Temporal Galáctico&lt;br /&gt;no Vale do assoreamento.&lt;br /&gt;Eu acho que vou chorar&lt;br /&gt;e alimentar com o fogo&lt;br /&gt;da saudade o frio do meu coração&lt;br /&gt;surgido das cinzas&lt;br /&gt;de minha visão distorcida&lt;br /&gt;pela coloração do Rio Morto.&lt;br /&gt;Revitalizado no mural da&lt;br /&gt;esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -31&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu poema é biodegradável&lt;br /&gt;minha cabeça anda nas nuvens&lt;br /&gt;meus olhos buscam a Camada de Ozônio&lt;br /&gt;e não tem visibilidade, nula..&lt;br /&gt;Minhas mãos calejadas&lt;br /&gt;recolhem o lixos das marés&lt;br /&gt;e resíduos das  águas poluídas&lt;br /&gt;dos Rios assoreados&lt;br /&gt;pelos projetos agroindustriais&lt;br /&gt;do governos e megas empresários institucionais&lt;br /&gt;que sufocam minha voz&lt;br /&gt;com bombas de gás em Chuvas Tóxicas&lt;br /&gt;poluidora do Ar rarefeito&lt;br /&gt;e destruidora das Geleiras&lt;br /&gt;que transformam as Tempestades&lt;br /&gt;em Trombas d’águas&lt;br /&gt;Furacões e Tsunami.&lt;br /&gt;Emergem da  poluição política&lt;br /&gt;a dominação atmosférica&lt;br /&gt;no desequilíbrio dos mares.&lt;br /&gt;Ecológico verão, em Temporal&lt;br /&gt;no feio Choque Térmico das Estações,&lt;br /&gt;o fogo da terra devasta o Iceberg&lt;br /&gt;na Antártida, rompendo a Calota&lt;br /&gt;Polar, irrompendo a saga da giração&lt;br /&gt;na busca da Arca de Noé&lt;br /&gt;adernada pelos bordos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES- 32&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busquei a  iluminaria para&lt;br /&gt;incluir seu nome em meu delírio.&lt;br /&gt;Um memorial para irradiar&lt;br /&gt;a imortalidade na  expectação&lt;br /&gt;do mundo, da vida dos homens&lt;br /&gt;em busca de  um novo olhar&lt;br /&gt;para ver você&lt;br /&gt;Um novo falar para dizer&lt;br /&gt;na releitura da vida&lt;br /&gt;revisitada e ressurgir&lt;br /&gt;na iluminura.&lt;br /&gt;Gravei meu segredo&lt;br /&gt;de viver.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 33&lt;br /&gt;Moro só em casa cheia&lt;br /&gt;livre de solidão&lt;br /&gt;Acompanhava, os de passagens&lt;br /&gt;os que faziam paisagens&lt;br /&gt;em ranchos ou agregados&lt;br /&gt;em minha casa, companhia&lt;br /&gt;festa de labor em fausta alegria&lt;br /&gt;Vivo só, solitário, solidão&lt;br /&gt;labor sem presença,&lt;br /&gt;em companhia,&lt;br /&gt;embasa minha razão.&lt;br /&gt;Nos meus sonhos&lt;br /&gt;ouço trombetas anunciando&lt;br /&gt;cordeiro em oferenda&lt;br /&gt;ouço risos que festejam&lt;br /&gt;o Bode da expiação.&lt;br /&gt;De repente&lt;br /&gt;vejo o olhar Freudiano&lt;br /&gt;numa visão fratricida de&lt;br /&gt;ilusão libertária,&lt;br /&gt;mística de minha angústia&lt;br /&gt;imaginária, no ritual da utopia.&lt;br /&gt;Um pesadelo, grito sufocado&lt;br /&gt;grito silenciado pelo medo&lt;br /&gt;da solidão, do fracasso festejado&lt;br /&gt;frustração cristalizada&lt;br /&gt;de erros acumulados.&lt;br /&gt;Acorrentado como Prometeu&lt;br /&gt;pela profanação do Fogo&lt;br /&gt;e sacralização da amizade solidária&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No apagar das luzes&lt;br /&gt;do olhar etnocêntrico&lt;br /&gt;minha imagem será revelada&lt;br /&gt;e nela, meu passado ancestral&lt;br /&gt;origens e trajetórias&lt;br /&gt;sou visto pelo olhar&lt;br /&gt;do dominador, pela ótica da &lt;br /&gt;teocracia maniqueísta&lt;br /&gt;da Gênesis violada,&lt;br /&gt;se durmo, tenho pesadelos&lt;br /&gt;quero sonhar sem precisar&lt;br /&gt;dormir nem apagar as luzes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 35&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem amado por todos&lt;br /&gt;tem mais inimigos do que sabe&lt;br /&gt;odiado, sabe quem são seus amigos&lt;br /&gt;Meus olhos não procuram sentido&lt;br /&gt;para entender a força do olhar&lt;br /&gt;na visão do rio, olhos das&lt;br /&gt;águas montanhosas&lt;br /&gt;morrendo nas nascentes em erosão.&lt;br /&gt;Sabendo da luta, busquei motivação&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 36&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus versos&lt;br /&gt;são coágulos de sangue&lt;br /&gt;resíduos de partículas&lt;br /&gt;da anorexia cultural&lt;br /&gt;arruinada pela falta&lt;br /&gt;no meu delírio intelectual&lt;br /&gt;Nunca se importe&lt;br /&gt;com as aparências&lt;br /&gt;o verdadeiro valor&lt;br /&gt;está na essência,&lt;br /&gt;dentro de cada um de nós&lt;br /&gt;existe  universo particular&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 37 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom ser negro,&lt;br /&gt;em Sergipe negro é o preto&lt;br /&gt;que traz na marca os traços&lt;br /&gt;da raça.&lt;br /&gt;Os outros são brancos&lt;br /&gt;as mulheres sergipanas&lt;br /&gt;são as únicas que parem&lt;br /&gt;filhos pretos e brancos&lt;br /&gt;no mesmo útero negro.&lt;br /&gt;O direito do negro&lt;br /&gt;é favorável ao branco&lt;br /&gt;que são todos que não&lt;br /&gt;são preto.&lt;br /&gt;Os negros são identificados&lt;br /&gt;na justiça como grupo vulnerável&lt;br /&gt;tipo, idiota, criança e doente terminal&lt;br /&gt;O nosso racismo é ensinado em casa&lt;br /&gt;aperfeiçoado nas escolas&lt;br /&gt;e praticado socialmente ,&lt;br /&gt;sobre a proteção do governador&lt;br /&gt;Em Sergipe ser negro é&lt;br /&gt;macaco, ladrão, urubu&lt;br /&gt;macumbeiro fedorento, criminoso&lt;br /&gt;é burro de carga, capanga do doutor,&lt;br /&gt;carga sem validade.&lt;br /&gt;Pardo, mulato são libertos e brancos&lt;br /&gt;africanos, preto são escravos, e negros&lt;br /&gt;Coisa de negro, negrinhagem , são folclore&lt;br /&gt;cultura baixa e inferior,&lt;br /&gt;o negro tem que clarear&lt;br /&gt;os sabidos e ou ricos, são negros&lt;br /&gt;de almas brancas os demais...&lt;br /&gt;Só podia ser negro, isso é caso de policia&lt;br /&gt;tribufu, bicho, assombração, diabo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar ao fundo da verdade&lt;br /&gt;o fogo purifica a  alma&lt;br /&gt;e transforma o ferro em aço&lt;br /&gt;A água purifica o corpo&lt;br /&gt;e sua ação renovadora&lt;br /&gt;limpa e áurea&lt;br /&gt;Desce o Velho Chico&lt;br /&gt;a montanha em caminho do sol&lt;br /&gt;ciclo das águas&lt;br /&gt;suspensas, evaporadas, precipitadas&lt;br /&gt;qual Ícaro em busca do sonho&lt;br /&gt;chegar ao sol&lt;br /&gt;O Velho Chico busca o mar&lt;br /&gt;no caminho do sol nascente e sofre&lt;br /&gt;num mimetismo da evaporação cristalizada&lt;br /&gt;as veias abertas da desertização.&lt;br /&gt;Hamurabí e o Código de Talião&lt;br /&gt;a seca do Nilo, devastação alucinada&lt;br /&gt;nas águas do Chico ...&lt;br /&gt;ausência sentida do Negro d’água&lt;br /&gt;Carrancas, contra os políticos nas água&lt;br /&gt;do Amargedon.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflexo do sol&lt;br /&gt;sobre o espelho d’agua&lt;br /&gt;uma visão de pesadelo&lt;br /&gt;uma leitura de terror&lt;br /&gt;equilíbrio e Ari&lt;br /&gt;de um passado etnocida&lt;br /&gt;arrancando a vida&lt;br /&gt;inteligente do rio&lt;br /&gt;assoreando o força&lt;br /&gt;das mentes fértil&lt;br /&gt;esterilizando tradições&lt;br /&gt;numa linguagem transversal&lt;br /&gt;de interesses conflitantes&lt;br /&gt;em simbiose fratricida&lt;br /&gt;no leito da solidão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 40&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê o poeta chorando&lt;br /&gt;e uma estrela descer&lt;br /&gt;suas lágrima eram versos soltos&lt;br /&gt;que pintava seu reflexo&lt;br /&gt;iluminando como auto retrato&lt;br /&gt;lapso de clarão que brotava&lt;br /&gt;da terra em erupção.&lt;br /&gt;histórias de vidas&lt;br /&gt;na planície dos seus olhos&lt;br /&gt;refletindo a natureza&lt;br /&gt;margens coletiva, agonia de luz&lt;br /&gt;e lágrimas de vulnerabilidade&lt;br /&gt;uma visão hibrida de natureza&lt;br /&gt;perdida. numa psicose do medo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 41&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu isolamento&lt;br /&gt;não define minha solidão&lt;br /&gt;marca o recolhimento do sol&lt;br /&gt;mas acolhe o Luar&lt;br /&gt;e nesta passagem&lt;br /&gt;marca a crise do meu pânico&lt;br /&gt;impactante.&lt;br /&gt;Minha solidão&lt;br /&gt;elimina a passagem confusa&lt;br /&gt;do meu estado e visão alucinada&lt;br /&gt;que flui e materializa no ar&lt;br /&gt;mergulho apavorante&lt;br /&gt;no abismo iluminado ofuscação&lt;br /&gt;que cega meus olhos&lt;br /&gt;mas guia meus sentidos&lt;br /&gt;marcando a crise do&lt;br /&gt;pânico impactaste&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 42&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi meu sonho&lt;br /&gt;a cair no pesadelo&lt;br /&gt;sonho real de trajetória vivida&lt;br /&gt;sem a fantasia da rota&lt;br /&gt;que ergue barreiras e pontilha emoções&lt;br /&gt;mim vi na multidão em debandada&lt;br /&gt;e acordei pensando em revidar&lt;br /&gt;Fantasia paranóica&lt;br /&gt;perturbações delirantes&lt;br /&gt;sonho induzido !&lt;br /&gt;Respiram as minhas lembrança&lt;br /&gt;rastrearam meus pensamentos&lt;br /&gt;derrubaram minhas idéias&lt;br /&gt;e hoje, só reproduzo o caos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 43&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sagração do choro festejado&lt;br /&gt;cravado no compasso do meu pulso&lt;br /&gt;e agora como antes&lt;br /&gt;tremo de tantas emoções&lt;br /&gt;Lágrimas luminosas de um sorriso&lt;br /&gt;sangrado, abraço esvaziado&lt;br /&gt;na prece dolorida numa ação&lt;br /&gt;subterrânea.&lt;br /&gt;Sentir no toque o calor da vida&lt;br /&gt;uma leitura táctil do meu passado&lt;br /&gt;em sua  mãos, fortalecida em mim&lt;br /&gt;Louvo a coragem da ser filho&lt;br /&gt;de pais desconhecidos&lt;br /&gt;sem ter chance de escolher&lt;br /&gt;ato heróico da afirmação&lt;br /&gt;do saber que é sem recusa&lt;br /&gt;de querer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 44&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tristeza é senhora&lt;br /&gt;de minha alegria.&lt;br /&gt;O destino, faço eu de retalhos&lt;br /&gt;de retalhos cerzidos em linha fortes&lt;br /&gt;da tradição que perdi, tecidas&lt;br /&gt;nas minhas memórias,&lt;br /&gt;No útero da Ancestralidade cravada na terra&lt;br /&gt;ouço canto desafinado&lt;br /&gt;e canções adormecidas, flutuando&lt;br /&gt;na solidão construída de sonhos&lt;br /&gt;Minha tristeza naufragou&lt;br /&gt;em mar aberto&lt;br /&gt;A alegria vislumbra&lt;br /&gt;como céu  de Brigadeiro&lt;br /&gt;em  mar de calmaria, numa&lt;br /&gt;tempestade de estrelas&lt;br /&gt;que invade o litoral&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 45&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe o Sol fazer sua canção&lt;br /&gt;neste dia sem luz sobre as erupções&lt;br /&gt;de terra encravada no horizonte do mar&lt;br /&gt;Deixe o vento cantar&lt;br /&gt;sobre as ondas do mar que se alevanta&lt;br /&gt;de sua solidão crepitante e geme de&lt;br /&gt;fúria neste calmaria tempestuosa&lt;br /&gt;do canto doce e uivaste do vento&lt;br /&gt;quadrangular.&lt;br /&gt;Deixe a terra gemer&lt;br /&gt;estéril e desértica pela devastação&lt;br /&gt;do sol, do vento e do mar numa&lt;br /&gt;Rapsódia Severina ecos de lamentar&lt;br /&gt;alguém tem que chorar&lt;br /&gt;para em cachoeira, molhar a terra&lt;br /&gt;e rolar em ribanceira ao encontro&lt;br /&gt;do sertão&lt;br /&gt;Represar os Olhos D’aguas e desviar o Rio.&lt;br /&gt;Deixe o Sol cantar&lt;br /&gt;faça-se a Canção&lt;br /&gt;o Fogo Sagrado da Vida: Severina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 46&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intelectuais da hora e do dia seguinte&lt;br /&gt;sem obras editada ou leituras caras&lt;br /&gt;sua academia é a vida as ruas e os becos&lt;br /&gt;escorregadios e trôpegos das canções&lt;br /&gt;que anunciam violências&lt;br /&gt;do pensamento que dominam os intelectuais&lt;br /&gt;que não liberam a vida jamais,&lt;br /&gt;imagens dos cantos que&lt;br /&gt;ocupam os espaços do local&lt;br /&gt;que se vê, reconhecido por se&lt;br /&gt;reconhecer.&lt;br /&gt;Se não mim reconheço eu sou reconhecido&lt;br /&gt;como intelectual, logo, não sou&lt;br /&gt;porque a importância de ser não é ter&lt;br /&gt;mas, saber que é.&lt;br /&gt;Pretos não podem ser intelectual&lt;br /&gt;numa sociedade excludente&lt;br /&gt;de ideologia branca, onde pardos e mulatos&lt;br /&gt;se mascaram para se enquadrar no universo&lt;br /&gt;da cor do Madarinato burguês&lt;br /&gt;da Divina Comédia.&lt;br /&gt;Atrelados a interesses das classes&lt;br /&gt;dominantes, inventariando suas ações&lt;br /&gt;em Odes.&lt;br /&gt;Doutor. Intelectuais não nascem nas&lt;br /&gt;academias, vão para lá.&lt;br /&gt;eles nascem nos becos do mundo, nas vielas, feiras,&lt;br /&gt;botecos, nas cadeias, fome e embriagues&lt;br /&gt;nascem dos desaforos das lutas e das quebras&lt;br /&gt;e dos insultos.como os seus..&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 47&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naveguei em mar de rosas&lt;br /&gt;sobre  céu de brigadeiro&lt;br /&gt;e levitei em água suspensas&lt;br /&gt;na transfiguração do meu&lt;br /&gt;universo metafísico&lt;br /&gt;metaforizando a imagem&lt;br /&gt;que tenho de Deus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 48&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nu frontal&lt;br /&gt;masculino a obscenidade&lt;br /&gt;de minha arte em preto e branco&lt;br /&gt;leva meu delírio&lt;br /&gt;a excitada depravação&lt;br /&gt;sob a visão modeladora&lt;br /&gt;da moral perversa&lt;br /&gt;inibidora das expressões.&lt;br /&gt;Meu corpo nu sombreia&lt;br /&gt;o reflexo da luz indireta&lt;br /&gt;vindo do fundo; dando um&lt;br /&gt;perfil sacro; a nudez prometida&lt;br /&gt;a arte na escuridão&lt;br /&gt;silhueta da vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 49&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busquei jamais deixar&lt;br /&gt;meu passado impor o que sou&lt;br /&gt;mas não permitirei que ele&lt;br /&gt;fuja de mim&lt;br /&gt;Meus são os momentos que viverei&lt;br /&gt;não os que já vivi&lt;br /&gt;busco no memorial do tempo&lt;br /&gt;o tempo dos meus avós&lt;br /&gt;cujas sangue correm em&lt;br /&gt;minhas veias abertas para&lt;br /&gt;visão de sonhos pensados&lt;br /&gt;como uma casa sobre a ponte&lt;br /&gt;por sobre o abismo que deixou&lt;br /&gt;refletir a luz nas encostas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 50&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca dramatizei o ponto&lt;br /&gt;nem silenciei a interrogação&lt;br /&gt;dos ritmos nos passos&lt;br /&gt;que coreografia na reticência&lt;br /&gt;de minha paixão asparizada.&lt;br /&gt;Seu eco, mero experto&lt;br /&gt;do caminhar no desvio do riso&lt;br /&gt;enquadrado na moldura&lt;br /&gt;do close perdido pela invasão&lt;br /&gt;da luz e do som&lt;br /&gt;no episódio da versão&lt;br /&gt;de minha cena editada&lt;br /&gt;o personagem ataca o autor&lt;br /&gt;e deixa o público revoltado&lt;br /&gt;com o autor interpretado.&lt;br /&gt;É o silêncio que marca&lt;br /&gt;o ritmo de minha ação&lt;br /&gt;como Narciso, antes a luz&lt;br /&gt;que reflete sua imagem duplicada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 51&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você veio do meu passado&lt;br /&gt;para fazer cobranças de futuro.&lt;br /&gt;Acoito minha saudade&lt;br /&gt;com lembranças de amor&lt;br /&gt;a cada suspiro refogado.&lt;br /&gt;Não há memórias, só lembranças&lt;br /&gt;não há memória nem saudades&lt;br /&gt;na estética de minhas tradições&lt;br /&gt;fui  fantasiado com cores frias&lt;br /&gt;uma realidade que não é minha&lt;br /&gt;apagaram-se as evidências&lt;br /&gt;Tenho um abraço da nascente&lt;br /&gt;do amazonas a Foz do São Francisco&lt;br /&gt;na lembrança do Nilo e Ganges&lt;br /&gt;do sentimento adormecido,&lt;br /&gt;ao olhar mutilado&lt;br /&gt;que asfixia a visão do atlântico&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 52&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão equivocada&lt;br /&gt;do poder exercido&lt;br /&gt;Com o negão no poder&lt;br /&gt;negro não tem vez&lt;br /&gt;não há racismo nem discriminações&lt;br /&gt;não há Direitos só Deveres&lt;br /&gt;ele fortalece os poderosos&lt;br /&gt;para enfraquecer o povão&lt;br /&gt;O povo negro a maioria reprimida&lt;br /&gt;e rebaixar os rebeldes, desqualificando&lt;br /&gt;com seus próprios companheiros&lt;br /&gt;ávidos de poder&lt;br /&gt;Com o negão no poder&lt;br /&gt;o que conta é a traição&lt;br /&gt;joga uns contra outros&lt;br /&gt;para enfraquecer as ações&lt;br /&gt;dividir para reinar é seu lema&lt;br /&gt;Com o negão só há duas formas de agir&lt;br /&gt;o maniqueísmo doutrinário&lt;br /&gt;marginal e marginalizar&lt;br /&gt;quem não for marginal será marginalizado&lt;br /&gt;quem manda é o negão&lt;br /&gt;senhor de herdeira de engenhos&lt;br /&gt;fogo morto,e viva memória&lt;br /&gt;de escravizar com o negro&lt;br /&gt;do carvão em carvãozinho de São João&lt;br /&gt;Negro não tem vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 53&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão obscurantista&lt;br /&gt;na morte da luz ressurgida&lt;br /&gt;em gregoriano cânticos&lt;br /&gt;na batida do igexá de Oxalá&lt;br /&gt;Saúdo o Sol fonte próxima de mim&lt;br /&gt;num aguerê   batakotô alujá de saudação&lt;br /&gt;Samba agnóstico de estórias contadas&lt;br /&gt;em proferia numa abnosia visual&lt;br /&gt;transbordada de fantasia&lt;br /&gt;“Todo mal que desejas a mim&lt;br /&gt;é que vai lhe destruir”&lt;br /&gt;Até que mim façam justiça&lt;br /&gt;tudo que tiver vai desmoronar&lt;br /&gt;tudo que pensar em ter&lt;br /&gt;vai acabar&lt;br /&gt;Tudo que pensa e já mim fez&lt;br /&gt;voltará contra você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 54&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mim chamaram intelectual&lt;br /&gt;disseram que não, andar com&lt;br /&gt;intelectuais não qualifica ninguém&lt;br /&gt;Intelectual, não tem razão&lt;br /&gt;vive na lua para as estrelas&lt;br /&gt;sonhando com a eternidade&lt;br /&gt;no romantismo utópico&lt;br /&gt;quer mudar o mundo e luta&lt;br /&gt;pela exposição de idéias&lt;br /&gt;na projeção de ações inovadoras&lt;br /&gt;pensando e levitando em pleno&lt;br /&gt;vôo de Ícaro em busca do sol&lt;br /&gt;A ótica fantasiosa de deslumbrantes&lt;br /&gt;imagens, amplia sua visão na ilusão&lt;br /&gt;desta ótica refletida em seu olhar inquieto&lt;br /&gt;Intelectuais são os liberais&lt;br /&gt;os coronéis, os que sem cargos&lt;br /&gt;estão sempre no espaço de poder&lt;br /&gt;interpretando pensamentos  dominantes&lt;br /&gt;lendo Goethe, Marx ,Jung, Nietzsche&lt;br /&gt;anotando pensamentos para impactar&lt;br /&gt;os discursos e fortalecendo a ideologia&lt;br /&gt;do grupo liberal.&lt;br /&gt;Não freqüentam  marcados ou feiras livres&lt;br /&gt;nem a periferia, para não conhecer as&lt;br /&gt;jóias do pensamento feliz de paz eterna&lt;br /&gt;jorradas das bocas dos bêbados e descamisados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 55&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta canta a liberdade&lt;br /&gt;respira a sabedoria no canto coletivo&lt;br /&gt;chora o amor abortado pela opressão&lt;br /&gt;buscando a sagração da utopia&lt;br /&gt;no coro anônimo que passa&lt;br /&gt;que geme e luta para ser.&lt;br /&gt;E o poeta grita clamando por&lt;br /&gt;justiça, uma esfinge  de palha.&lt;br /&gt;Não há liberdade sem lei&lt;br /&gt;a proclamação do seu viver&lt;br /&gt;é a revogação de leis ineficientes&lt;br /&gt;de justiça Biviletina.&lt;br /&gt;que destoa a canção da vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 56&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha visão periférica&lt;br /&gt;vibrou no centro de sua Íris&lt;br /&gt;transformado em Mandala pessoal &lt;br /&gt;e uma clarividência explodiu&lt;br /&gt;com imagens nítidas do meu Sol&lt;br /&gt;De olhos abertos vi sua áurea&lt;br /&gt;e os fechei para ter uma visão&lt;br /&gt;de mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 57&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mosaico do Sol&lt;br /&gt;lampeja meu arco-íris&lt;br /&gt;emoldurado de preto&lt;br /&gt;a alegria do meu viver&lt;br /&gt;refletindo em dourado filigranas&lt;br /&gt;iluminando e Espelho D’agua&lt;br /&gt;na Gruta do Silêncio Gelado&lt;br /&gt;Mar subterrâneo que rompe&lt;br /&gt;e profaniza minha áurea&lt;br /&gt;refletida na nascente&lt;br /&gt;do Sol que se põe&lt;br /&gt;no Amanhecer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 58&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta manhã iluminadab&lt;br /&gt;abracei o sol, com intensidade&lt;br /&gt;desesperadamente como só se abraça&lt;br /&gt;a vida, num momento de angustia&lt;br /&gt;avassaladora a vista da morte&lt;br /&gt;Nesta manhã abracei o sol&lt;br /&gt;beijei o vento sofregadamente&lt;br /&gt;para sentir o sopro da vida&lt;br /&gt;e mim sentir enlaçando por ele&lt;br /&gt;É a vida que se impõem&lt;br /&gt;vitoriosa e consagrada&lt;br /&gt;numa sagração a expressão&lt;br /&gt;com que rasguei a placenta da terra&lt;br /&gt;e ressurgir para a vida&lt;br /&gt;rompendo barreiras do silêncio&lt;br /&gt;em festa de luz, nos braços&lt;br /&gt;de Iemanjá&lt;br /&gt;Abracei o sol&lt;br /&gt;beijei o vento&lt;br /&gt;rasguei  oi ventre da  terra&lt;br /&gt;sentir a água no regaço de Iyemanjá&lt;br /&gt;a expressar o calor do Fogo da Vida&lt;br /&gt;na morte de mim ( rio )&lt;br /&gt;numa revisitação ancestral&lt;br /&gt;no meio do caminho&lt;br /&gt;que repete o rio da terra.&lt;br /&gt;A beira mar.&lt;br /&gt;VISÕES  - 59&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou poeta, ator&lt;br /&gt;ou intelectual.&lt;br /&gt;Sou interprete primário&lt;br /&gt;dos meus pensamentos e enfrentamentos&lt;br /&gt;do dia-a-dia sem chegara imitação&lt;br /&gt;ou reprodução de atos e fatos&lt;br /&gt;Não tenho a finese da erudição&lt;br /&gt;minha metamorfose é irracional&lt;br /&gt;pela prioridade da emoção&lt;br /&gt;tenho o sentido da dramática&lt;br /&gt;e expresso intuitivamente o texto&lt;br /&gt;como o sinto.&lt;br /&gt;Não penso, ajo, meus instintos&lt;br /&gt;são emoções perceptivas&lt;br /&gt;e como Exu , mim jogo de corpo inteiro&lt;br /&gt;matando o pássaro hoje, com o dardo&lt;br /&gt;que somente amanhã arremessarei.&lt;br /&gt;Andar com intelectuais, não faz&lt;br /&gt;ninguém intelectual, pois a importância&lt;br /&gt;de ser intelectual não é ter amigos intelectuais&lt;br /&gt;mas saber  que é intelectual, guardadas as&lt;br /&gt;proporções da erudição, e do conhecer&lt;br /&gt;da flagelada mental, a manipulação&lt;br /&gt;dos engodos e fraudes acadêmicos&lt;br /&gt;em busca de “titularidade” em cima&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;da desfiguração e apropriação dos&lt;br /&gt;feitos alheios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES -  60 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proclamação de dor&lt;br /&gt;marca a minha agonia&lt;br /&gt;grito silencioso por asfixia&lt;br /&gt;nua trajetória de quedas&lt;br /&gt;busca a ascensão de liberdade&lt;br /&gt;O cromatismo delirante&lt;br /&gt;da ação comprometida&lt;br /&gt;com o corporativismo, da&lt;br /&gt;uma expressão de desânimo impactado&lt;br /&gt;pela emoção contida&lt;br /&gt;não há silêncio no grito do seu olhar&lt;br /&gt;Só réstia, confusão ótica&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 61&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus impulsos, irradiam&lt;br /&gt;a margem do sol poente&lt;br /&gt;o jogo das mutações, uma&lt;br /&gt;desmesurada solidão&lt;br /&gt;na foz do meu desespero&lt;br /&gt;serenado em águas turvas&lt;br /&gt;pelas lágrimas marginalizadas&lt;br /&gt;de um coração soçobrado.&lt;br /&gt;vive sobre cortejos&lt;br /&gt;de preconceitos e conflitos mutantes&lt;br /&gt;a paisagem mental do meu inconsciente&lt;br /&gt;rejeita a existência da solidão&lt;br /&gt;meu corpo em erosão&lt;br /&gt;abandonado na margem  assoreado&lt;br /&gt;deste Rio Moribundo&lt;br /&gt;cheio de bancos d’areia&lt;br /&gt;sem cardumes e piracema&lt;br /&gt;é fundo desta paisagem sombria&lt;br /&gt;do dia que se esvai&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  -  62&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração é todo dúvidas&lt;br /&gt;na minha irracionalidade&lt;br /&gt;conspiração de agonias.&lt;br /&gt;Emoções a contra gotas&lt;br /&gt;subverte a minha solidão coletiva&lt;br /&gt;no esquecimento da razão&lt;br /&gt;essa mutilação configura buscas&lt;br /&gt;transformações equivocadas&lt;br /&gt;fiquei no Roço do terreiro&lt;br /&gt;em busca de esperanças ameaçadas&lt;br /&gt;pela flagelada mental&lt;br /&gt;que mim ataca e some&lt;br /&gt;com minha história contada&lt;br /&gt;numa ambição desmedida&lt;br /&gt;insegurança espelhada&lt;br /&gt;tangida na linha divisória&lt;br /&gt;do intelecto atrofiado&lt;br /&gt;a irracionalidade conspira&lt;br /&gt;contra minha solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  -  63&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ar&lt;br /&gt;limalha de ferro em suspensão&lt;br /&gt;girando em torno do meu corpo&lt;br /&gt;sem anunciar sua presença&lt;br /&gt;que sinto e percebo os movimentos&lt;br /&gt;mim tirando do eixo&lt;br /&gt;e num ao abalado norte&lt;br /&gt;de minha bússola alterada&lt;br /&gt;que mim expõem  e deixa á deriva&lt;br /&gt;inerte antes a porta do destino&lt;br /&gt;sem que eu saia da janela&lt;br /&gt;ou deixa de mirar o sol&lt;br /&gt;que se esvaia atrais dos coqueirais&lt;br /&gt;ofuscado pelo redemoinho&lt;br /&gt;que levanta poeira e carrega&lt;br /&gt;tudo em suspensão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 64&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro&lt;br /&gt;criatura africano&lt;br /&gt;do Brasil sergipano&lt;br /&gt;não sou do Zaire&lt;br /&gt;nem de Kampala&lt;br /&gt;não sou de gana, Ruanda&lt;br /&gt;Guiné, Moçambique&lt;br /&gt;sou do Brasil, em Sergipe&lt;br /&gt;nascido, negro de nação, do&lt;br /&gt;eito, plantio, ingênuo&lt;br /&gt;alforriado, deportado, abolido&lt;br /&gt;marginalizado da escravidão&lt;br /&gt;negro aquilombado em luta&lt;br /&gt;pela cidadania e direitos&lt;br /&gt;sou negro da diáspora de&lt;br /&gt;ventre livre e mãe escrava&lt;br /&gt;nascido distante do continente&lt;br /&gt;perto do litoral. Banido e tangido&lt;br /&gt;como os nossos ancestrais, explorados&lt;br /&gt;seqüestrados, vendidos, divididos&lt;br /&gt;para a multiplicação dos bens colonial&lt;br /&gt;negro coisificado, construtor do&lt;br /&gt;mundo civilizado com mãos de obra escrava&lt;br /&gt;África Iya N’la, cultura civilizações&lt;br /&gt;e aqui perdemos o direito de ser e ter&lt;br /&gt;cristalizado na cultura opressora&lt;br /&gt;minha nossas línguas cortadas, banida das&lt;br /&gt;elo de tradição e continuidade&lt;br /&gt;Africano de Eritréia mulçumana&lt;br /&gt;iorubana, banta, gege&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES  - 65&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Busquei meu  Oráculo&lt;br /&gt;na casa divinatória&lt;br /&gt;do Olúwo Oxunnaré&lt;br /&gt;sobre a proteção da Cabala&lt;br /&gt;Olodumaré&lt;br /&gt;olhai os Búzios&lt;br /&gt;Opelé Iyfá do Babalawo&lt;br /&gt;viu os olhos  de Ewá&lt;br /&gt;na releitura do meu Axé&lt;br /&gt;no Oráculo da montanha&lt;br /&gt;previsão da Pitonisa&lt;br /&gt;do Tarot vermelho&lt;br /&gt;quando o galo cantou&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 66&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo desdém&lt;br /&gt;vejo horror&lt;br /&gt;nos seus olhos preconceituoso&lt;br /&gt;do poder  e dominador&lt;br /&gt;na repressão aos descamisados&lt;br /&gt;na distribuição das cestas&lt;br /&gt;em alusão aos pães multiplicados&lt;br /&gt;Vejo nojo e desprezo&lt;br /&gt;nos gestos humanitários&lt;br /&gt;dos filantropos, posando para posteridade&lt;br /&gt;vejo sobretudo do Pastor&lt;br /&gt;a sagração dos miseráveis&lt;br /&gt;para louvação dos oprimidos&lt;br /&gt;remidos pelo ódio da  esmola&lt;br /&gt;social que enobrece o dominante&lt;br /&gt;e enfraquece a dor de quem&lt;br /&gt;esmola.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 67&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A síndrome de Pedro&lt;br /&gt;persegue os negros&lt;br /&gt;de mente escravizada&lt;br /&gt;sem memória do rio mar.&lt;br /&gt;Mimemosine.&lt;br /&gt;O canto do galo exulta a ação&lt;br /&gt;repetida do traidor que se diz traído&lt;br /&gt;negro conseqüentes se dizem traídos&lt;br /&gt;por serem negros e filhos de quem são&lt;br /&gt;Não pediram para nascer negros&lt;br /&gt;pensam no que são, e no que poderia&lt;br /&gt;ter sido, se fossem de outra matriz.&lt;br /&gt;Não se reconhecem para&lt;br /&gt;não serem reconhecidos&lt;br /&gt;São os negros conseqüentes&lt;br /&gt;sem consciência e negativos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 68&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hamodríade&lt;br /&gt;árvores da minha vida&lt;br /&gt;existência do meu ser encarolado&lt;br /&gt;Ninfa do bosque do sol nascente&lt;br /&gt;nascente de seiva rediviva&lt;br /&gt;ofereço a ti minha oferenda de amor&lt;br /&gt;Maná do Baobá cobre o deserto&lt;br /&gt;de sombra e luz&lt;br /&gt;de  alimento da alma corporal&lt;br /&gt;dos súditos da terra que se projeta&lt;br /&gt;nos mares adormecidos  na minha memória&lt;br /&gt;Oxum Apondá sobre o lensol do rio&lt;br /&gt;liberta a força da terra, fertilizando&lt;br /&gt;o universo que chora sem &lt;br /&gt;lágrimas, a sombra do Baobá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 69&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antares em Capricórnio&lt;br /&gt;fuga da constelação&lt;br /&gt;em busca do fluxo do rio&lt;br /&gt;invadido o mar.&lt;br /&gt;Mudou de cor, embranqueceu&lt;br /&gt;sangrando de dor a dor do rio&lt;br /&gt;veia expostas, abertas do banimento&lt;br /&gt;devastação&lt;br /&gt;hoje Antares chora de volta&lt;br /&gt;a constelação e em lua nova&lt;br /&gt;volta a Capricórnio  numa&lt;br /&gt;apostasia do velho Chico&lt;br /&gt;vítima da ambliopia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 70&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha,&lt;br /&gt;vamos compartilhar&lt;br /&gt;uma visão que não seja&lt;br /&gt;aterradora, falsa ou duvidosa&lt;br /&gt;uma imagem&lt;br /&gt;conflito de identidade&lt;br /&gt;para o despertar da consciência&lt;br /&gt;da tradição cultural&lt;br /&gt;venha, as barreiras&lt;br /&gt;detem nas não aprisionam&lt;br /&gt;vamos celebrar o ócio&lt;br /&gt;fazer uma autopsia das nossas&lt;br /&gt;emoções.&lt;br /&gt;Vamos, estamos confinados&lt;br /&gt;pela solidão&lt;br /&gt;não suporta mais esta&lt;br /&gt;custodia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 71&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Arqueiro Mudo&lt;br /&gt;combate na multidão,&lt;br /&gt;solitário e vazio&lt;br /&gt;a dor perdida&lt;br /&gt;na sombra do delírio&lt;br /&gt;de ver o que não lhe foi&lt;br /&gt;revelado.&lt;br /&gt;O que não lhe foi mostrado&lt;br /&gt;numa critica a razão&lt;br /&gt;do sentido velado,&lt;br /&gt;na distorção do Arco&lt;br /&gt;partido pela emoção.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 72&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ilusão do seu olhar&lt;br /&gt;uma miragem em reflexo&lt;br /&gt;de imagens espalhadas&lt;br /&gt;cheia de luzes e estrelas&lt;br /&gt;festejar o fracasso dos outros&lt;br /&gt;é fácil&lt;br /&gt;o difícil é estender as mãos&lt;br /&gt;numa ação que se estende&lt;br /&gt;até o horizonte&lt;br /&gt;a lei é a razão livre da paixão, aristotélica&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 73&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scaneei meu pensamento&lt;br /&gt;adormecido e inerte&lt;br /&gt;e gravei imagens&lt;br /&gt;materializadas.&lt;br /&gt;Meus erros ortográficos&lt;br /&gt;não comprometem a minha&lt;br /&gt;caligrafia e as interpretações&lt;br /&gt;da leitura que faço da visão&lt;br /&gt;patriarcal&lt;br /&gt;Voltei a vida, de um sopro&lt;br /&gt;através  do ventre da casa da roda&lt;br /&gt;descobrir espelho e parei o Guarup&lt;br /&gt;e rituais de passagens do etnocídio&lt;br /&gt;que sofremos e somos vítimas&lt;br /&gt;Interrompi o Sará, Axéxê., Sirrum&lt;br /&gt;a missa de finado e,&lt;br /&gt;com o atabaque no telhado&lt;br /&gt;toquei eufórica o Alujá&lt;br /&gt;e saúdo a Senhora de Balé&lt;br /&gt;ouvindo o iylá da rasga mortalha&lt;br /&gt;toco o Aguerê , Opanijé&lt;br /&gt;e Adarrum para Ajuberô&lt;br /&gt;Voltei a luta, a vida e quero&lt;br /&gt;uma Babete para minha festa.&lt;br /&gt;O Ibiri não virou.&lt;br /&gt;Salubá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 74&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio das testemunhas&lt;br /&gt;ocular traiu meu grito&lt;br /&gt;e se fez eco e meu corpo&lt;br /&gt;despenca em pantomima morfoseante&lt;br /&gt;antes a negação  de minha dor&lt;br /&gt;o grito&lt;br /&gt;silenciosos é mais cruel&lt;br /&gt;é como um maremoto de onda alevantadas&lt;br /&gt;caindo no vazio no tempestade&lt;br /&gt;desabada.&lt;br /&gt;Olhares cruzados&lt;br /&gt;ferem a estética dos meus valores&lt;br /&gt;matam a trajetória de minhas&lt;br /&gt;experiências, desqualificando&lt;br /&gt;promessas e ações&lt;br /&gt;que revitalizam meus atos&lt;br /&gt;e seduz a jornada da&lt;br /&gt;revisitação para mim vê&lt;br /&gt;e aprender a olhar&lt;br /&gt;sem perecer. No cruzamento&lt;br /&gt;da estrada do mar encapelado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 75&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre uma noite&lt;br /&gt;mais longa em nossas vidas&lt;br /&gt;e um dia sem luz&lt;br /&gt;e ninguém é alguém para sempre&lt;br /&gt;a minha visão&lt;br /&gt;e a formalização da loucura&lt;br /&gt;materializada no pensamento&lt;br /&gt;fragilizado no silêncio&lt;br /&gt;da minha frenética solidão&lt;br /&gt;debruçado no corrimão do barco&lt;br /&gt;o silêncio ilumina meu rosto&lt;br /&gt;refletido no espelho&lt;br /&gt;do mar sem fim.&lt;br /&gt;aos brandos de gritos&lt;br /&gt;agonizantes que estremecem&lt;br /&gt;o barco adernando&lt;br /&gt;sobre as ondas adormecidas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 76&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu segredo&lt;br /&gt;não faz escravo&lt;br /&gt;vítima, refém do desejos&lt;br /&gt;corrompidos&lt;br /&gt;meu segredo, potencializa&lt;br /&gt;minha esperança e coragem&lt;br /&gt;para transpor o rio sem ponte&lt;br /&gt;é luz, norte&lt;br /&gt;marca o tempo no deserto&lt;br /&gt;que ilumina a minha solidão&lt;br /&gt;é um presságio da visão&lt;br /&gt;anunciada&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 77&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estética do louvor&lt;br /&gt;sufoca a verdade&lt;br /&gt;anulando a expressão&lt;br /&gt;desvalorizando o sim&lt;br /&gt;e banalizando o não.&lt;br /&gt;O belo, tem seu olhares&lt;br /&gt;não tem afirmação&lt;br /&gt;é cruel, inseguro, falso&lt;br /&gt;e volúvel como a verdade&lt;br /&gt;que se esconde em cada gesto&lt;br /&gt;a estética da louvação esconde as intenções&lt;br /&gt;numa vingança do ego negado&lt;br /&gt;ou dos pecados praticados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 78&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emoção convulsa&lt;br /&gt;desequilibra o meu pensar&lt;br /&gt;sentimento é verdadeiro&lt;br /&gt;espontâneo insustentável&lt;br /&gt;não dar para segurar&lt;br /&gt;o choro convulso, agudo&lt;br /&gt;lágrimas abertas&lt;br /&gt;em olhos marejados de sal&lt;br /&gt;uma entrecortada respiração&lt;br /&gt;taquicardia, um alivio&lt;br /&gt;respiração.&lt;br /&gt;Quem revela a verdade&lt;br /&gt;pode controla-la&lt;br /&gt;pela dúvida, a busca&lt;br /&gt;chega ao ponto.&lt;br /&gt;A lei é como o vento&lt;br /&gt;se move de modo estranho&lt;br /&gt;a justiça se diz cega&lt;br /&gt;mas ouve o que lhe convém&lt;br /&gt;e enxerga nas entrelinhas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -79&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci de negro livre&lt;br /&gt;ventre escravizado&lt;br /&gt;mão de obra dos engenho, canaviais&lt;br /&gt;canaviais. senzala e casa grande&lt;br /&gt;estupro no pelourinho&lt;br /&gt;símbolo de obediência torturada&lt;br /&gt;tempo virou&lt;br /&gt;mas nada mudou.&lt;br /&gt;Hoje o negro dividido&lt;br /&gt;mantem a escravidão&lt;br /&gt;terra paraíso dês pardos&lt;br /&gt;purgatório dos brancos&lt;br /&gt;inferno dos  pretos&lt;br /&gt;alijados pelo pardos&lt;br /&gt;e mulatos que reproduzem&lt;br /&gt;o cativeiro, vivendo os&lt;br /&gt;senhores, que juntos aos brancos&lt;br /&gt;destroem os pretos&lt;br /&gt;mantendo, ventre, pelourinho&lt;br /&gt;cativeiro, senzalas&lt;br /&gt;para o apogeu da casa grande&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 80&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estado Laico&lt;br /&gt;nação democrática&lt;br /&gt;plural independente&lt;br /&gt;e hegemônicos entre si.&lt;br /&gt;Jura dizer a verdade&lt;br /&gt;nada mais que a verdade&lt;br /&gt;tenho Deus por testemunha.?&lt;br /&gt;Jura porra !!!&lt;br /&gt;Com poderemos autônomo&lt;br /&gt;independente e livres&lt;br /&gt;numa hegemonia democrática&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 81&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preto só chega ao poder&lt;br /&gt;por concurso ou pelas mão dos brancos.&lt;br /&gt;Nunca dos negros.&lt;br /&gt;A justiça criminal&lt;br /&gt;faz do facínora um cordeiro&lt;br /&gt;da vítima, um criminoso&lt;br /&gt;desqualificando ao réu seu cliente&lt;br /&gt;o ator incorpora&lt;br /&gt;para não perder a imagem&lt;br /&gt;que dele se apodera&lt;br /&gt;e conduz o ato como um ditador&lt;br /&gt;que controla e destrói&lt;br /&gt;e chega ao fim&lt;br /&gt;com o personagem&lt;br /&gt;em busca de um ator&lt;br /&gt;fantoche&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 82&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interesse da justiça&lt;br /&gt;aos olhos do poder&lt;br /&gt;na preservação dos valores morais&lt;br /&gt;e das pessoas de bens.&lt;br /&gt;Não se praticam a lei&lt;br /&gt;se escondem atrais dela&lt;br /&gt;usando-a como escudo&lt;br /&gt;para proteger os privilégios&lt;br /&gt;dos dominantes e seus grupos&lt;br /&gt;de interesse contrariados&lt;br /&gt;altos e superiores.&lt;br /&gt;Não estão interessados em&lt;br /&gt;democratizar a justiça&lt;br /&gt;mesmo sem a produção de lei&lt;br /&gt;compensatória que protejam&lt;br /&gt;a minoria.&lt;br /&gt;Só querem ganhar para alimenta&lt;br /&gt;seus egos e suas contas bancárias&lt;br /&gt;status e bens&lt;br /&gt;a justiça é formatada&lt;br /&gt;para atender aos ricos e poderosos&lt;br /&gt;e controlar os negro e pobres&lt;br /&gt;o transito da justiça&lt;br /&gt;é um triangulo de&lt;br /&gt;cartas marcadas&lt;br /&gt;lei, direito,justiça.&lt;br /&gt;Leis para construção do direito&lt;br /&gt;direito para argumentação das leis&lt;br /&gt;e é tradição de que justiça não&lt;br /&gt;se discuti, cumpro-se.&lt;br /&gt;Mas há sempre as apelações&lt;br /&gt;propiciadas pelas leis e status&lt;br /&gt;do réu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 83&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água evaporou do Rio&lt;br /&gt;condensou e precipitou no&lt;br /&gt;deserto&lt;br /&gt;criando veredas&lt;br /&gt;e outros leitos&lt;br /&gt;outras várzeas cercada de ventos&lt;br /&gt;as águas do rio sumiram&lt;br /&gt;levadas pelos ventos&lt;br /&gt;suspensas no ar como redemoinho&lt;br /&gt;tempestade no deserto&lt;br /&gt;mudança de tempo&lt;br /&gt;mudança no mar&lt;br /&gt;as água do rio&lt;br /&gt;desertou.&lt;br /&gt;Negro não olha para o outro&lt;br /&gt;o negro é ofensivo a outro&lt;br /&gt;reage com violência&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 84&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar potencializou a sua fúria&lt;br /&gt;a sua fúria&lt;br /&gt;e invadiu o leito do rio&lt;br /&gt;sangrado.&lt;br /&gt;O mar desemboca no rio&lt;br /&gt;represado na foz em busca&lt;br /&gt;de sua nascente&lt;br /&gt;invade o rio pelas várzeas&lt;br /&gt;alongando seu leito de morte&lt;br /&gt;estendendo o lençol d’agua&lt;br /&gt;com fúria de maré cheia&lt;br /&gt;invadindo, alastrando, devastando&lt;br /&gt;as terras margeadas em erosão punitiva&lt;br /&gt;terras ribeirinhas e litorâneas&lt;br /&gt;o rio grita encurralado, represado&lt;br /&gt;e o mar, invada para chegar&lt;br /&gt;ao olho d’agua e desviar o rio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 85 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em peitos que ferve&lt;br /&gt;infâmias tremendas&lt;br /&gt;avultam comendas&lt;br /&gt;e prêmios de honor&lt;br /&gt;é que, com dinheiro,&lt;br /&gt;os rudes cambetas&lt;br /&gt;e mudam de cor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Gama 1859&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Gama, abolicionista negro preto,&lt;br /&gt;baiano de Itaparica 1830 – 1882&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISOES – 86&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hórus, Hórus&lt;br /&gt;olhos de Deus&lt;br /&gt;olhar da lua&lt;br /&gt;lágrimas de dor&lt;br /&gt;Hórus, Hórus&lt;br /&gt;filho vingador&lt;br /&gt;nascido pós morte&lt;br /&gt;Set, pai tio revivido&lt;br /&gt;olhar de sentinela&lt;br /&gt;visão de Falcão prescutador&lt;br /&gt;água suspensa no mar desértico&lt;br /&gt;sonho, pesadelo&lt;br /&gt;Oranian e os seios fartos de Iemanjá&lt;br /&gt;visão esquálida do universo&lt;br /&gt;em suspensão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 87&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão esquálida&lt;br /&gt;do universos em suspensão&lt;br /&gt;estou indo para longe&lt;br /&gt;bem longe, perto daqui&lt;br /&gt;senti o calor do sol&lt;br /&gt;que chora no sertão&lt;br /&gt;amparando pelo vento de visão&lt;br /&gt;eclipse da visão&lt;br /&gt;do olhar angustiado&lt;br /&gt;reflete o infinito das&lt;br /&gt;cores bizantinas&lt;br /&gt;acordei ouvindo&lt;br /&gt;minha própria  voz&lt;br /&gt;ouço vozes na solidão&lt;br /&gt;no meio da multidão&lt;br /&gt;silenciada&lt;br /&gt;e descubro que são&lt;br /&gt;minhas próprias vozes&lt;br /&gt;revistadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 88&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pandora deixou a Caixa&lt;br /&gt;na barca que sobe o Rio&lt;br /&gt;no encontro do Mar da Solidão&lt;br /&gt;Jafet com Sem vê o pai nu&lt;br /&gt;Cãn, olhos da inocência&lt;br /&gt;Noé, nu e embriagado&lt;br /&gt;em mares nunca dantes navegados&lt;br /&gt;por Tumbeiros navios negreiro&lt;br /&gt;amaldiçoa  Cãn o filho hilário,&lt;br /&gt;a servidão dos seus irmãos,&lt;br /&gt;abençoando Jafet a ser ungido&lt;br /&gt;pela servidão de Canaã.&lt;br /&gt;E o Mar correndo para o Rio&lt;br /&gt;invade as matas siliares&lt;br /&gt;desertizando sertão&lt;br /&gt;numa piracema do Gêneses&lt;br /&gt;a Barca de Noé&lt;br /&gt;visão angustiada da Besta&lt;br /&gt;na festa de Babete&lt;br /&gt;e Canaã seja seu escravo&lt;br /&gt;o ultimo dos escravos dos seus&lt;br /&gt;irmãos.&lt;br /&gt;Noé, Noé, Noé sua barca vem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 89&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abra as janelas dos seus olhos&lt;br /&gt;e mostre a visão que se fechou&lt;br /&gt;apagando imagens&lt;br /&gt;devastando memórias.&lt;br /&gt;A justiça é cega para quem não vê&lt;br /&gt;atua de forma dependente e imparcial&lt;br /&gt;emoção em degrad&lt;br /&gt;um suspiro de ébano&lt;br /&gt;cheio de sol&lt;br /&gt;nas ondas que perdi na areia&lt;br /&gt;nas areias do asfalto a&lt;br /&gt;da praia formosa&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 90&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer&lt;br /&gt;com negros&lt;br /&gt;que não são pretos&lt;br /&gt;e os pretos&lt;br /&gt;que não querem ser negros&lt;br /&gt;e os negros&lt;br /&gt;que querem ser brancos&lt;br /&gt;se nenhum deles se reconhecem&lt;br /&gt;como negros.&lt;br /&gt;Quem são arrogantes&lt;br /&gt;com os pequenos&lt;br /&gt;são subservientes&lt;br /&gt;com os grandes&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 91&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo a solidão do meu passado&lt;br /&gt;no presente repressivo, frio e violento&lt;br /&gt;revisito o passado para ver o futuro&lt;br /&gt;que gerou a dissidência do meu ego&lt;br /&gt;uma histórica, trajetória de vida&lt;br /&gt;em  grandes feitos,  esquecidos&lt;br /&gt;marginalizados pela prostituição&lt;br /&gt;dos agentes defendidos&lt;br /&gt;piratas, mariposas que vivem&lt;br /&gt;ao redor dos  que lhes pagam mais&lt;br /&gt;parasitas, alpinistas sociais&lt;br /&gt;em busca de calor do poder sem rosto&lt;br /&gt;mas  poder posto.&lt;br /&gt;Revistas, meu passado indo ao futuro&lt;br /&gt;para saber meu presente&lt;br /&gt;como Exu que transporta azeite numa peneira&lt;br /&gt;e matou o pássaro ontem, com a pedra&lt;br /&gt;que somente hoje atirou.&lt;br /&gt;Meu presente, é meu futuro do passado&lt;br /&gt;que verá.&lt;br /&gt;“Quem não aceita o passado&lt;br /&gt;não terá futuro”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 92&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha resistência se esvai&lt;br /&gt;cada vez nitidamente&lt;br /&gt;sem recursos de presenças&lt;br /&gt;a estrada se estreita e&lt;br /&gt;afasta transformando em&lt;br /&gt;paralelas e eu não sei&lt;br /&gt;identificar a real da natural&lt;br /&gt;o enfrentamento diário&lt;br /&gt;é uma tortura na luta para&lt;br /&gt;defender o negro e tenho&lt;br /&gt;que me defender dele&lt;br /&gt;o racismo entre nós&lt;br /&gt;tem a força infinita do silêncio&lt;br /&gt;e vive de interditar&lt;br /&gt;seu próprio nome&lt;br /&gt;e com o ataque do negro&lt;br /&gt;sinto que não há mérito&lt;br /&gt;em combater o racismo&lt;br /&gt;de tanto denunciar o racismo&lt;br /&gt;sou cuspido pelo negros&lt;br /&gt;e acusado de encrenqueiro&lt;br /&gt;fazedor de caso e criador de problemas&lt;br /&gt;e os negro torcem o nariz&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 93&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racismo, fome, morte e guerra&lt;br /&gt;são contendas apocalípticas&lt;br /&gt;da Caixa ‘de Pandora&lt;br /&gt;e só esperança restou&lt;br /&gt;como estimulo de luta&lt;br /&gt;no enfrentamento diário&lt;br /&gt;da Babel adormecida&lt;br /&gt;na Sodoma e Gamorrizada&lt;br /&gt;a vista da estátua de sal&lt;br /&gt;Mulher de Ló, em a virgem&lt;br /&gt;ultrajada pelo assédio&lt;br /&gt;dos homens poderosos&lt;br /&gt;prometeu acorrentado por Zeus&lt;br /&gt;paga pelo amor aos homens&lt;br /&gt;marcado pelo fogo que roubou&lt;br /&gt;do Olimpo que não impediu&lt;br /&gt;Epimeteu de violar a caixa&lt;br /&gt;da bela Pandora, filha de Zeus&lt;br /&gt;mulher esposada pela ambição&lt;br /&gt;do poder em ser o que jamais&lt;br /&gt;seria: Democracia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 94&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que faz da policia&lt;br /&gt;o braço armado do governador&lt;br /&gt;em defesa dos seus interesses&lt;br /&gt;e do seu grupo, cada vez mais&lt;br /&gt;fortalecido para transformar&lt;br /&gt;nossos direitos em favores&lt;br /&gt;da aristocracia governamental&lt;br /&gt;o oráculo urbano&lt;br /&gt;sobre a luz do segredo&lt;br /&gt;revelado na noite do rio&lt;br /&gt;descobriu meus olhos interpretando&lt;br /&gt;a sombra da eterna sabedoria&lt;br /&gt;do ancião na calçada do tempo&lt;br /&gt;sonhei, com a lua em Vênus&lt;br /&gt;onde a estrela do Arcano&lt;br /&gt;iluminou a terra de esperança&lt;br /&gt;dando expressão ao oráculo&lt;br /&gt;da casa ardente.&lt;br /&gt;Na visão do passado&lt;br /&gt;que sustenta&lt;br /&gt;a áurea de minha esperança&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 95&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo com olhos lassos&lt;br /&gt;a inteligência da resistência&lt;br /&gt;sufocada nos porões da democracia&lt;br /&gt;personalizada que matam nossa&lt;br /&gt;inteligência e alijam os intelectuais&lt;br /&gt;cristalizando os coronéis, intelectuais&lt;br /&gt;fabricados nas camarinhas do poder.&lt;br /&gt;Olho a tristeza de um amor pranteado&lt;br /&gt;violado no pensamento e castrado&lt;br /&gt;na expressão.&lt;br /&gt;A luz do silêncio festejado&lt;br /&gt;na avidez da consciência esquecida&lt;br /&gt;no gueto do poder atropelado&lt;br /&gt;no circulo triangulado.&lt;br /&gt;A visão do meu vilipendio&lt;br /&gt;na nave da saudade é minha lembrança&lt;br /&gt;adormecida pela força da tortura&lt;br /&gt;conspirando na eixo da linha dura, burra.&lt;br /&gt;alucinada pela notoriedade do&lt;br /&gt;poder absoluto da corrupção&lt;br /&gt;festejada&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 96&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo aproveitar o dia&lt;br /&gt;de hoje como se fosse o último&lt;br /&gt;porque talvez o amanhã&lt;br /&gt;nunca cheque e eu não&lt;br /&gt;seja o que luta para ser&lt;br /&gt;vejo estrelas nos meus sonhos&lt;br /&gt;de ser sem ter, mas sabendo&lt;br /&gt;que sou.&lt;br /&gt;Reconheço que sou negro&lt;br /&gt;e como negro sou reconhecido&lt;br /&gt;mais minha luta não é reconhecida&lt;br /&gt;nem, pelo negro que defendo&lt;br /&gt;e pior pela comunidade&lt;br /&gt;escravizada pela cor e mortalidade.&lt;br /&gt;Por isso, vivo intensamente&lt;br /&gt;como se não houvesse amanhã.&lt;br /&gt;sem a preocupação do reconhecimento.&lt;br /&gt;É meu ato de covardia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 97&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhos sem sombra&lt;br /&gt;no clarão do dia nublado&lt;br /&gt;sem sol.&lt;br /&gt;Caminhos cruzados&lt;br /&gt;na margem do rio contaminado&lt;br /&gt;de espumas e sal&lt;br /&gt;caminhos sem sombras&lt;br /&gt;barco vazio a deriva no estuário&lt;br /&gt;encalhado no leito de um lençol&lt;br /&gt;sem cor&lt;br /&gt;Ilha de tristeza&lt;br /&gt;sem luz e estrelas&lt;br /&gt;sem canto, rio morto&lt;br /&gt;desolação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 98&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe dos seios lacrimosos&lt;br /&gt;proteja o rio, Opará de Oxum&lt;br /&gt;traga fertilidade&lt;br /&gt;rainha  das água que vem&lt;br /&gt;de Olokum, traga água doce da mar&lt;br /&gt;para povoar essas margens&lt;br /&gt;manda Oxumaré que fica no céu&lt;br /&gt;controlando a chuva que cai na terra&lt;br /&gt;proteger o rio, destruir as barreiras&lt;br /&gt;com a força do vento que respira&lt;br /&gt;Iemanjá Apara que vive nas águas&lt;br /&gt;doce na confluência dos rios&lt;br /&gt;suplique a Oxum que não se ausente&lt;br /&gt;e purifique, revitalize o rio para&lt;br /&gt;sua gente que nas margens&lt;br /&gt;espero a volta das águas&lt;br /&gt;a vida, o despertar de Opará&lt;br /&gt;gritar a sua saudação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 99&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polinização  do seu olhar&lt;br /&gt;fecundou o rio cristalizado&lt;br /&gt;de luz que emana dos meus poros&lt;br /&gt;terra da confiança&lt;br /&gt;inicio da vida na gênese&lt;br /&gt;do olhar onde procuro&lt;br /&gt;a expressão do meu na&lt;br /&gt;peregrinação do passado&lt;br /&gt;do luar de amanhã&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 100&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos turvaram&lt;br /&gt;quando disseram&lt;br /&gt;apontando para mim&lt;br /&gt;que sou um negro de alma branca&lt;br /&gt;que apensar de ser negro&lt;br /&gt;sou inteligente.&lt;br /&gt;Visão travada do elogio&lt;br /&gt;marginal.&lt;br /&gt;Dizem que não sou negro&lt;br /&gt;sou moreno, negro não&lt;br /&gt;é falta de respeito&lt;br /&gt;chama  alguém de negro.&lt;br /&gt;Agora chamam-me&lt;br /&gt;afro descendente&lt;br /&gt;para me desqualificar&lt;br /&gt;sou negro preto, urubu&lt;br /&gt;macaco, fedorento, tribufu&lt;br /&gt;sou bicho, o cão&lt;br /&gt;macumbeiro, maconheiro&lt;br /&gt;bagunceiro , fazedor de caso&lt;br /&gt;luz ofuscada pelo brilho&lt;br /&gt;da inteligência superior&lt;br /&gt;quando dizem que negro é baixo&lt;br /&gt;e inferior&lt;br /&gt;e meus olhos a fitar  a noite,&lt;br /&gt;brilham como uma estrela cadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 101&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de lua cheia&lt;br /&gt;vi no céu todo estrelado&lt;br /&gt;o Açor-Íris iluminado&lt;br /&gt;transportando água do rio&lt;br /&gt;para o sertão.&lt;br /&gt;Meus olhos&lt;br /&gt;não paravam de acompanhar&lt;br /&gt;o fluxo d’agua que percorria&lt;br /&gt;os anéis fluorescentes&lt;br /&gt;na transposição&lt;br /&gt;do líquido espumante&lt;br /&gt;para o solo ardente do sertão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 102&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voragem do tempo&lt;br /&gt;troce uma miragens ardente&lt;br /&gt;de sois e estrelas que movimentam&lt;br /&gt;em imagens alucinantes&lt;br /&gt;Vejo no céu a visão&lt;br /&gt;do apocalipse do sol poente&lt;br /&gt;emigrando para torres de Babeis&lt;br /&gt;nos quadrantes do tempo,&lt;br /&gt;onde as águas flutuam em torrentes&lt;br /&gt;agigantadas no reflexo do mar a dentro&lt;br /&gt;Visões alucinadas de transporte&lt;br /&gt;em tromba d’agua vertendo no Arco-Íris&lt;br /&gt;transplantado.&lt;br /&gt;Visões em transe na orgia de&lt;br /&gt;Dantes no inferno de Bacantes&lt;br /&gt;cristalizada em gelos e estátuas mutantes&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 103&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violação dos meus direitos&lt;br /&gt;em plena luz do dia denuncia&lt;br /&gt;a violência institucionalizada&lt;br /&gt;onde os poderes associados&lt;br /&gt;se uniram para deixar de existir&lt;br /&gt;meus olhos buscam caminhos&lt;br /&gt;na solidão do desejo injustiçado&lt;br /&gt;pela negação de mim&lt;br /&gt;fantasma do dia, varando noite&lt;br /&gt;a dentro réstia de luz vítima&lt;br /&gt;da conspiração do poder contrariado&lt;br /&gt;que persegue fere e mata&lt;br /&gt;a ótica do poder que me tortura&lt;br /&gt;é a limitação de minha liberdade&lt;br /&gt;para sonhar liberdade sem privação&lt;br /&gt;com dignidade e oportunidades&lt;br /&gt;de interagir com direito de ser&lt;br /&gt;amado, com direito de ser&lt;br /&gt;feliz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 104&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conjunto de normas&lt;br /&gt;que invade meu campo de visão&lt;br /&gt;abstraída na luz dos desejos&lt;br /&gt;objetiva o direito de ser e ter&lt;br /&gt;na subjetividade da minha capacidade&lt;br /&gt;de agir conforme a lei natural&lt;br /&gt;onde as estrelas brilham conforme&lt;br /&gt;a transição da terra e do sol&lt;br /&gt;direito naturais emanado da força&lt;br /&gt;imperativa não da deferência&lt;br /&gt;do Estado que os transforma em favor&lt;br /&gt;contrariando os meus costumes&lt;br /&gt;tradicionais do imaginário&lt;br /&gt;coletivo na expressão dos&lt;br /&gt;direito positivos, inalienáveis&lt;br /&gt;e intransferível sobre a proteção&lt;br /&gt;do olhar vigilante da consciência&lt;br /&gt;iluminada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 105&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz dos meus direitos&lt;br /&gt;legítimos , legais e constitucionais&lt;br /&gt;sobre o ponto de vista do poder&lt;br /&gt;absoluto dos grupos de interesses&lt;br /&gt;que determinam a ideologia da dita&lt;br /&gt;democracia absoluta dos dominantes&lt;br /&gt;não há luz que resista ao brilho&lt;br /&gt;dos iluminados e este é o poder&lt;br /&gt;que pega, bate, arrebenta e mata&lt;br /&gt;fazendo, sancionando e aplicando&lt;br /&gt;segundo seus interesses imediatos&lt;br /&gt;e se contrariados, revoga-se&lt;br /&gt;oferecendo outra interpretação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 106&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os piores negros&lt;br /&gt;são aqueles que se calam&lt;br /&gt;antes o linchamento de outros&lt;br /&gt;tornando-se cúmplice do crime&lt;br /&gt;por omissão e covardia&lt;br /&gt;testemunhas mudas da morte anunciada&lt;br /&gt;os piores negros se realizar&lt;br /&gt;nestes atos praticados&lt;br /&gt;pelos brancos e em seus nome&lt;br /&gt;para se manter no poder e ou&lt;br /&gt;no grupo e serem por eles citados&lt;br /&gt;discriminam os negros que se insurgem&lt;br /&gt;e lutam por direito coletivos&lt;br /&gt;sem aceitar que os troquem por favores&lt;br /&gt;os piores negros, são os mais criminosos&lt;br /&gt;os piores dos cries&lt;br /&gt;são praticados por este negros&lt;br /&gt;omissos, covardes e sem moral&lt;br /&gt;negros sem consciência étnica, política&lt;br /&gt;ou psicológica.&lt;br /&gt;Esses negros safados de mentalidade&lt;br /&gt;escrava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 107&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje,&lt;br /&gt;a luz do dia , da lua&lt;br /&gt;e das estrelas&lt;br /&gt;da sabedoria rejeitada&lt;br /&gt;e dos holofotes. Inteligentes&lt;br /&gt;somos negros&lt;br /&gt;objetos de estudos&lt;br /&gt;da ciência e das elucubrações&lt;br /&gt;acadêmicistas de engodos dissertativos&lt;br /&gt;e tese alienadas&lt;br /&gt;para provar o óbvio,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 108&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse brilho flagelado da dor alheia&lt;br /&gt;exílio mental de corpos mutilados&lt;br /&gt;em asfalto  fragmentado de ondulações&lt;br /&gt;meu olhar dominante,barrou os seus&lt;br /&gt;e eclodiu na miragem escaldante&lt;br /&gt;de sua ação masoquista de intenções bizarra&lt;br /&gt;O contorno da luz sobre o asfalto&lt;br /&gt;traduz  a jornada na estrada, rumo ao norte&lt;br /&gt;de minha inspiração que acentua a&lt;br /&gt;presença degradê de uma ausência anunciada&lt;br /&gt;que brinda  a  chegada na partida&lt;br /&gt;numa saudação ao maniqueísmo&lt;br /&gt;dão caminho do escultor  mutilado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 109&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ego ferido, comiseração da&lt;br /&gt;auto estima em frangalho&lt;br /&gt;Ando despido na noite&lt;br /&gt;Como símbolo de proteção&lt;br /&gt;auto defesa, imunidade a morte súbita&lt;br /&gt;Um espectro humano desesperado&lt;br /&gt;numa refração do ego ferido&lt;br /&gt;Antes de Cristo já existia  amor&lt;br /&gt;entre os inimigos e o apelo ao perdão&lt;br /&gt;na preservação da vida.&lt;br /&gt;Sem a expressão da nudez e mãos levantadas&lt;br /&gt;e sim estendida num abraço fraterno&lt;br /&gt;do filho pródigo ao abraço do pai.&lt;br /&gt;A síndrome de Cain desperta&lt;br /&gt;ruptura  do primogênito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 110&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transmutei meu corpo profano&lt;br /&gt;e despertei a ira de Babel&lt;br /&gt;Busquei a minha mente como refugio&lt;br /&gt;e mim exilei em seus recônditos.&lt;br /&gt;Lapsos de memórias me levaram a exaustão&lt;br /&gt;pela hipnose refratária e debrucei&lt;br /&gt;na Teoria do Caos  lutando pelos meus&lt;br /&gt;contra a Esquizofrenia Racial&lt;br /&gt;que separa a emoção do pensamento&lt;br /&gt;levando ao suicídio cultural&lt;br /&gt;tal qual o vôo da borboleta capaz de&lt;br /&gt;causar um Tufão do outro lado do mundo&lt;br /&gt;uma ação nefasta em cascata&lt;br /&gt;a perda da memória ancestral&lt;br /&gt;numa hipotermia racial&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 111&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fantasia  mim fez matar&lt;br /&gt;o meu  sonho de liberdade&lt;br /&gt;numa energia parasita que dominou&lt;br /&gt;meu sonho de  subir a montanha&lt;br /&gt;e  deitar sob o esplendor das  quatro luas&lt;br /&gt;no clarão do sol nascente.&lt;br /&gt;este aquecimento, esfria o meu pensar&lt;br /&gt;e busco marcar os passos do meu coração&lt;br /&gt;acelerado, fragmentando minha visão&lt;br /&gt;animadora do ritu da andropausa precoce&lt;br /&gt;na torpeza da hipotermia , certo de que&lt;br /&gt;quem nunca teve azar, não teve sorte alguma&lt;br /&gt;e continuo sonhando, animando minha fantasia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 112&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estrelas brilham&lt;br /&gt;compondo a constelação de Divas&lt;br /&gt;guerreiras, animadas pelos olhos da canção&lt;br /&gt;Negras Divinas, Guerreiras,&lt;br /&gt;Guardiãs do Aramefá&lt;br /&gt;Elizete Cardoso, de Chuvas douradas&lt;br /&gt;na Poeira de Luz&lt;br /&gt;Diná Menezes, marcando a Canção&lt;br /&gt;do alvorecer entardecido nas Questões&lt;br /&gt;e Condições do Negro sergipano&lt;br /&gt;brilho da visão guerreira.&lt;br /&gt;Núbia Marques, no compasso da resistência.&lt;br /&gt;Um ser de luz.&lt;br /&gt;Cometa que passou no brilho do nosso olhar&lt;br /&gt;Emília, dona Bibi, guerreira  renascida nas&lt;br /&gt;lutas  desiguais acenando&lt;br /&gt;caminhos transculturais.&lt;br /&gt;Saudades nossas ,de olhos marejados&lt;br /&gt;festejando em recitais  mirando o céu&lt;br /&gt;estrelados, na noite das estrelas divinizadas&lt;br /&gt;Divas da Canção do Amor Maior&lt;br /&gt;A música está tocando para vocês agora&lt;br /&gt;e tocará para sempre, um repertório de Amor e Paz&lt;br /&gt;Ancestralidade em tom maior.&lt;br /&gt;Olukotun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 113&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olho cumprido&lt;br /&gt;viu meu ataque de pânico&lt;br /&gt;e apagou a luz de minha estrela&lt;br /&gt;deixando em plena solidão&lt;br /&gt;O sonho de luz&lt;br /&gt;ofuscou ás imagens&lt;br /&gt;de minha memória&lt;br /&gt;numa fusão do meu futuro no passado&lt;br /&gt;como um eclipse dourado&lt;br /&gt;envolto de cristais suspensos&lt;br /&gt;em milhas de mares congelado&lt;br /&gt;no mimetismo ótico&lt;br /&gt;desta miragem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 114&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! meu Rei!&lt;br /&gt;Olha, na minha terra, negro sofre,&lt;br /&gt;é vítima e agente do preconceito&lt;br /&gt;Negro, não sei porque&lt;br /&gt;não gosta de negros, principalmente o preto.&lt;br /&gt;Quando um passa   vê o outro&lt;br /&gt;fecha a cara, bota a cara para o outro lado&lt;br /&gt;faz gestuais obscenos, tipo coçar o saco&lt;br /&gt;cospir,  bater os pés, desconjurar e se benzer.&lt;br /&gt;Nós, os negros, se pardos ou mulatos&lt;br /&gt;buscamos o referencial branco&lt;br /&gt;porque assim nós entendemos&lt;br /&gt;que negros são os pretos.&lt;br /&gt;Os pretos se detestam e são mais&lt;br /&gt;cordiais com  os brancos e pardos&lt;br /&gt;com quem competem o espaço branco&lt;br /&gt;e discriminam os seus iguais&lt;br /&gt;principalmente no âmbito da religião.&lt;br /&gt;Os pretos evangélicos tratam os pretos&lt;br /&gt;do candomblé como diabo e estão sempre&lt;br /&gt;cuspindo e lhes desconjurando.&lt;br /&gt;E o pior é que no Candomblé, se reproduz&lt;br /&gt;todos os preconceito e estereotipos contra os pretos.&lt;br /&gt;Antes era a ponto de Irradiação e Resistência&lt;br /&gt;da Cultura Negra entre nós, agora é reduto&lt;br /&gt;de politicagens em favor de partidos e  status&lt;br /&gt;de adés – iabás, deslumbrados com  a magia  &lt;br /&gt;das conquistas e exibições  dos seus séqüitos &lt;br /&gt;Já se foi o tempo em  que as Iyabas, eram &lt;br /&gt;as Damas, Rainhas dos Candomblés entre nós.&lt;br /&gt;Hoje os Orixás padecem e os Axés violados,&lt;br /&gt;não tem mais forças para se defender.&lt;br /&gt;A maior afronta do preto, é outro preto,&lt;br /&gt;são os pardos e mulatos que se dizem brancos.&lt;br /&gt;Quando um preto enfrenta um branco&lt;br /&gt;tem contra si, outros pretos, os pardos e mulatos&lt;br /&gt;que reforçam o estigma de que preto&lt;br /&gt;é encrenqueiro e está querendo&lt;br /&gt;aparecer, e o culpado é ele.&lt;br /&gt;É por isso, meu Rei, que a justiça criminal é racista.&lt;br /&gt;Qualquer branco ganha do preto &lt;br /&gt;e do negro em geral porque suas&lt;br /&gt;testemunhas são os próprios negros.&lt;br /&gt;Parece, meu Rei, que vivemos no século  XVIII&lt;br /&gt;onde negro não podia  se defender do branco&lt;br /&gt;e  era proibido representar contra seu senhor.&lt;br /&gt;Sou contra as Cotas nas universidades&lt;br /&gt;porque entendo que a inteligência do negro&lt;br /&gt;não é menor que a do branco;  menores&lt;br /&gt;são as oportunidades de crescimentos, e isso é porque&lt;br /&gt;negro não faz nada, em beneficio do próprio negro.&lt;br /&gt;Sou contra a invenção partidária da afrodescendencia&lt;br /&gt;e da nossa Educação  Racista.&lt;br /&gt;Há  uma cristalização da Entropia&lt;br /&gt;na saúde da população negra  e educação.&lt;br /&gt;Só se interessa  em manter os brancos no poder&lt;br /&gt;e se tornar capacho deles.&lt;br /&gt;Em Sergipe os Três Poderes são&lt;br /&gt;majoritariamente brancos, &lt;br /&gt;sendo difícil ver um preto nos escalões.&lt;br /&gt;Pretos e negros aqui só servem para votar&lt;br /&gt;e ser cabos eleitorais, de resto são descartados.&lt;br /&gt;e  se por acaso, chegam ao poder,&lt;br /&gt;arrasam com os próprios negros.&lt;br /&gt;Lá eles são brancos.&lt;br /&gt;Meu Rei! Ser Negro no Brasil é uma barra&lt;br /&gt;e ser negro em Sergipe, pior ainda&lt;br /&gt;porque aqui clareou, virou branco&lt;br /&gt;e nossos irmãos de raça &lt;br /&gt;tem a mentalidade escrava &lt;br /&gt;e apesar da cor da pele , mentalmente&lt;br /&gt;são brancos, mas não deixam de ser escravos.&lt;br /&gt;Eu, meu Rei, sou Negro, sou Preto, vivo&lt;br /&gt;como escravo, mas sonho com a liberdade&lt;br /&gt;e por isso sou livre, mesmo discriminado.&lt;br /&gt;Sou filho de Oxosse, da Casa de Xangô Aiyrá&lt;br /&gt;não nego meu natural, minha etnia,&lt;br /&gt;meus Ancestrais,minha Nação.&lt;br /&gt;Xangô Obá Mió.&lt;br /&gt;Saudações meu Rei.&lt;br /&gt;Mú padá mó iro okourim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 115&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canonizei seus versos&lt;br /&gt;nome , voz , imagem e olhar.&lt;br /&gt;mumificando seu corpo&lt;br /&gt;sacralizei seu nome: Opará&lt;br /&gt;Fecundei dos quatros elementos&lt;br /&gt;e nasci de mim&lt;br /&gt;gerado no ventre da terra&lt;br /&gt;nutrido pelo fogo,&lt;br /&gt;criado pelo ar&lt;br /&gt;e amamentado pelo Rio&lt;br /&gt;Sou o Negro D’Agua&lt;br /&gt;ícone em mutação.&lt;br /&gt;da destruição anunciada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 116&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No asfalto deste sertão&lt;br /&gt;vejo as margens do São Francisco&lt;br /&gt;seu leito  cheio de bancos d”areia&lt;br /&gt;águas paradas de encontro ao mar&lt;br /&gt;barcos encalhados, casebres construídos&lt;br /&gt;e favelas de pau a pique, encantam turistas&lt;br /&gt;Vejo do asfalto, as margens do rio&lt;br /&gt;meninos em versos, pululam&lt;br /&gt;barreiras imaginárias imitando&lt;br /&gt;a piracema contada  por seus avós&lt;br /&gt;lendas, costumes, crenças e tradições&lt;br /&gt;no esplendor do por do sol&lt;br /&gt;e majestade da lua e o espelho d’agua&lt;br /&gt;na correnteza do rio que descia&lt;br /&gt;para o mar.&lt;br /&gt;Vi no asfalto, a nascente do rio&lt;br /&gt;devastada , cerrado incendiado&lt;br /&gt;e no baixo São Francisco, os meninos&lt;br /&gt;brindam suas felicidades seqüestradas&lt;br /&gt;e perto demais não conseguem ver&lt;br /&gt;seu presente sem futuro, se não olhar&lt;br /&gt;pela perspectiva do algoz&lt;br /&gt;e saberá que nem todas as lições&lt;br /&gt;podem ser ensinadas, têm que ser vividas&lt;br /&gt;para sentir e entender até que possa despertar.&lt;br /&gt;Organizar memórias e pensamentos&lt;br /&gt;numa visão  única, o registro detalhado&lt;br /&gt;desta trágica trajetória.&lt;br /&gt;Meninos, enquanto isso... navego no asfalto&lt;br /&gt;em busca das  águas do rio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -  117&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos da Lua&lt;br /&gt;não atinge mais o Rio&lt;br /&gt;suas fases, quadrantes e influências&lt;br /&gt;perduram no calendário lunar&lt;br /&gt;memorial das águas caudais.&lt;br /&gt;Sinto frio, calor e raiva&lt;br /&gt;meus olhos não lacrimejam mais&lt;br /&gt;a vis]ao entorpecida&lt;br /&gt;só enxerga na escuridão&lt;br /&gt;O ciclo da Lua não atinge mais o Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 118&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizei minhas memórias&lt;br /&gt;e pensamentos e joguei no Rio&lt;br /&gt;para purificar a dor e a solidão&lt;br /&gt;dentro de mi m, numa sagração do batismo&lt;br /&gt;Batista, João do Jordão&lt;br /&gt;Senhor da passagem, neste rito de amor&lt;br /&gt;desesperado, onde mim revelo a ti&lt;br /&gt;como o Profeta diante da Caaba,&lt;br /&gt;nu de corpo e olhos de pescador.&lt;br /&gt;Botaram um Torniquete, no Rio.&lt;br /&gt;gangrenaram suas pernas,&lt;br /&gt;já não anda mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 119&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem Santo  massacrado&lt;br /&gt;vilipendiado na multidão&lt;br /&gt;pela policia ultrajado&lt;br /&gt;pelo juiz sentenciado&lt;br /&gt;e na cadeia castigado, constrangido&lt;br /&gt;Profanizaram o Homem Santo&lt;br /&gt;vítima no banco dos réus,injuriado&lt;br /&gt;criminalizado barbaramente difamado&lt;br /&gt;O Homem Santo, negro centenário&lt;br /&gt;descalço e roto. Não mendigava&lt;br /&gt;oferecia suas preces e energia&lt;br /&gt;a uma criança caída de fome&lt;br /&gt;chorava a dor da humilhação&lt;br /&gt;O Homem Santo, chorou&lt;br /&gt;pelo desprezo, pela negação&lt;br /&gt;O Negro Velho chorou&lt;br /&gt;lágrimas de rezinas da cor do azeviche&lt;br /&gt;O Ancião, clamou por prudência&lt;br /&gt;e cadenciado se afastou, claudicando&lt;br /&gt;e o menino, só o menino. Chorou&lt;br /&gt;A Criança maltrapilha, é a chave&lt;br /&gt;da insurreição, o Anjo Negro&lt;br /&gt;e o Velho, Ancestral redivivo.&lt;br /&gt;O Homem Santo profanizado,&lt;br /&gt;meu Oluwo divinizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES-120&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizei meu ensaio pornográfico&lt;br /&gt;na Boca do rio, sobre os olhares&lt;br /&gt;de miragens – teoria de estrelas&lt;br /&gt;transparentes e frias&lt;br /&gt;Olhei o o espelho d’agua&lt;br /&gt;debaixo dos Lençóis&lt;br /&gt;sentado no Banco de Areia&lt;br /&gt;corpo rijo, suado de ventos&lt;br /&gt;vendo o Negro d’Agua a deriva&lt;br /&gt;sob o luar das  Estrelas cadentes&lt;br /&gt;em cântico litúrgico das almas&lt;br /&gt;em plena transposição estelar.&lt;br /&gt;Delirei na Foz em frente ao mar encapelado&lt;br /&gt;e mim exilei na ilha dos Ancestrais&lt;br /&gt;Farol de noites passadas&lt;br /&gt;e minhas fotos  saíram focadas&lt;br /&gt;na áurea do Rio Assoreado&lt;br /&gt;O murmúrio dos ventos do quadrante norte&lt;br /&gt;trazia  mensagens urgentes das vozes sonantes&lt;br /&gt;-  Suba a Canastra e mude o rumo do Rio&lt;br /&gt;para curar a miopia dos Olhos D’agua&lt;br /&gt;Meu passado aflora os sentidos&lt;br /&gt;e desperta minhas lembranças&lt;br /&gt;nas Visões do Olhar em Transe&lt;br /&gt;represei o Olho D’Agua e desviei o Rio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-121&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espelho d’água na montanha&lt;br /&gt;dos ventos nascentes&lt;br /&gt;córrego sibilante que desce a rampa&lt;br /&gt;em cachoeira, entre vales&lt;br /&gt;várzeas, rios ao mar.&lt;br /&gt;Água cristalizada do cimo dos montes&lt;br /&gt;cordilheiras em nuvens&lt;br /&gt;chuvas fugas&lt;br /&gt;água diluviana – purgação&lt;br /&gt;fuga do Mar Vermelho&lt;br /&gt;batismo no Rio Jordão&lt;br /&gt;Água Grande do “Iguaçu”&lt;br /&gt;sangue da terra seiva da vida eterna&lt;br /&gt;que não envelhece&lt;br /&gt;renovação da natureza viva&lt;br /&gt;devastação da morte inanimada&lt;br /&gt;água que jorra e passeia&lt;br /&gt;debaixo da terra&lt;br /&gt;Água que cura e fortalece a alma&lt;br /&gt;limpeza astral, do corpo inteiro&lt;br /&gt;acalma, relaxa corpo fortalece&lt;br /&gt;o espírito&lt;br /&gt;água doce, salgada, salobra&lt;br /&gt;seja de rio ou mar. Lagoa, poço&lt;br /&gt;fonte, riacho ou cachoeira&lt;br /&gt;água de curar, água de beber&lt;br /&gt;benzer, batizar, cozinhar&lt;br /&gt;de matar.&lt;br /&gt;água de colônia, marinha, estagnada&lt;br /&gt;aguardente. Energia reparadora&lt;br /&gt;água nascente, milagrosa&lt;br /&gt;fria, quente ou gelada, aguada&lt;br /&gt;de coco, de chuva, mineral&lt;br /&gt;natural, oxigenada, sulfurosa&lt;br /&gt;estou nas águas de Iemanjá&lt;br /&gt;Mãe D’água do rio fundo Opará&lt;br /&gt;água viva de cheiro do mar&lt;br /&gt;vertendo água, oxigenando o ar&lt;br /&gt;nas chuvas de verão.&lt;br /&gt;água para quem tem sede, na fonte da vida&lt;br /&gt;água para apagar o fogo sagrado&lt;br /&gt;na sala de som, ecos da verdade&lt;br /&gt;águas de março em lua cheia&lt;br /&gt;trazendo as Águas de Oxalá&lt;br /&gt;vamos maiongá  e saudar Oxumaré&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES-122&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar é viver intensamente&lt;br /&gt;vejo o futuro no passado&lt;br /&gt;numa linha transgressora&lt;br /&gt;futuro urgente de um passado tardio&lt;br /&gt;desertificação da esterilidade&lt;br /&gt;emocional.&lt;br /&gt;Vejo o futuro onde só há deserto&lt;br /&gt;um presente do passado flutuante&lt;br /&gt;da minha visão suspensa&lt;br /&gt;e continuo tentando&lt;br /&gt;pra poder recomeçar&lt;br /&gt;e acima da linha, vejo&lt;br /&gt;o lado sombrio da imagem&lt;br /&gt;refletida na minha mente&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-123&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardiã de minha áurea&lt;br /&gt;de mim espedaçado&lt;br /&gt;parte pelas vibrações do fogo&lt;br /&gt;no rito da sagração de Hórus&lt;br /&gt;do orô da iniciação&lt;br /&gt;nas águas de palma, vinho&lt;br /&gt;da seiva derretida que borbulha&lt;br /&gt;no vento e pinga no seio de&lt;br /&gt;madrugada que se despede&lt;br /&gt;ao raios do sol.&lt;br /&gt;Gotas de orvalho&lt;br /&gt;guardiã de minh’alma&lt;br /&gt;Reduto do meu pensar&lt;br /&gt;chapéu de cordeiro&lt;br /&gt;energia do meu espaço&lt;br /&gt;domínio de fé com fé&lt;br /&gt;cantando, chamo o vento&lt;br /&gt;para trazer minha emoção&lt;br /&gt;canto e chamo o vento&lt;br /&gt;para ditar minha razão&lt;br /&gt;Chamo o vento, para fortalecer&lt;br /&gt;a alma do tempo em volta&lt;br /&gt;de mim. Atravessei a cachoeira&lt;br /&gt;e sua cortina de prata. Para o túnel&lt;br /&gt;de luz no leito do rio das revelações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES -124&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro lágrimas cristalizadas&lt;br /&gt;sorrindo da minha história&lt;br /&gt;lavando a alma dolorida&lt;br /&gt;com rajadas tempestuosas&lt;br /&gt;de sangue, deste parto sem dor&lt;br /&gt;E vejo massa de ar em tempestades&lt;br /&gt;vulcânica, com lavras densas&lt;br /&gt;vindo em minha direção&lt;br /&gt;com imagens fantasmagóricas&lt;br /&gt;petrificando meu corpo&lt;br /&gt;com este olhar de Medusa&lt;br /&gt;refletindo enfileirados&lt;br /&gt;imagem refletida&lt;br /&gt;no encontro dos raios&lt;br /&gt;estátuas amontoadas nas encostas&lt;br /&gt;de minha visão iconoclasta&lt;br /&gt;Meu divino está profanado.&lt;br /&gt;minha inocência violada&lt;br /&gt;com o poder da fé&lt;br /&gt;e choro rios de lavras&lt;br /&gt;transformadas em areias&lt;br /&gt;que cantam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 125&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quente noite, salão sufocante&lt;br /&gt;infestado de putas e rufiões&lt;br /&gt;gente perdidas na noite vazia&lt;br /&gt;cheia de esplendor e gozos&lt;br /&gt;nas calçadas repletas de veados&lt;br /&gt;travestis que disputam os marinheiros&lt;br /&gt;sedentos de marajuana, aguardente&lt;br /&gt;bebidas suadas, secas, balançadas&lt;br /&gt;sangue de corpo que baila&lt;br /&gt;sangue no caturro do navio e ondas do&lt;br /&gt;mar aberto .&lt;br /&gt;A solidão ressacante e fria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -126&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuvens opacas&lt;br /&gt;se diluem lentamente&lt;br /&gt;e meus olhos recuperam&lt;br /&gt;a visão periférica descortinando&lt;br /&gt;a verdade que não quero ver&lt;br /&gt;Meu olho dominante, diz que vivo&lt;br /&gt;num mundo que se abre sobre si&lt;br /&gt;a ilusão da fantasia e inebria&lt;br /&gt;a alma empobrecida de expressão&lt;br /&gt;mostrando  minha verdade revelada&lt;br /&gt;no espelho que mostra minhas emoções&lt;br /&gt;refletindo meus segredos.&lt;br /&gt;A atuação do passado define  o futuro&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 127&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não busco a esperança no presente&lt;br /&gt;meu futuro é meu passado&lt;br /&gt;a grandeza de ser sem ter,&lt;br /&gt;mas sendo o que sou.&lt;br /&gt;meu presente é ficção&lt;br /&gt;de uma realidade perversa&lt;br /&gt;o passado é o futuro sonhado&lt;br /&gt;realismo fantástico do personagem&lt;br /&gt;que sou, ator, autor do destino&lt;br /&gt;na alegoria do prazer&lt;br /&gt;com a licença de Olodumaré&lt;br /&gt;a esperança de saber que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -128&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! Meu Pai. Filho.!&lt;br /&gt;Sonhos opacos de minha entidade&lt;br /&gt;que se replica constantemente&lt;br /&gt;no meu coração, sem razão, emoções&lt;br /&gt;E mim deixa e usa como oráculo&lt;br /&gt;na previsão, como profeta&lt;br /&gt;da emoção e canto de dor&lt;br /&gt;no circulo divinatório&lt;br /&gt;da mandala real no quadrante&lt;br /&gt;do circulo de areia em tempestade&lt;br /&gt;desértica em ventre fértil&lt;br /&gt;uma impctação premonitória&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 129&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite tão fria&lt;br /&gt;dilue minha visão&lt;br /&gt;e abafa o fogo que emerge&lt;br /&gt;do meu corpo, calor sufocante&lt;br /&gt;que enrijece meu pensar&lt;br /&gt;e a fila não anda&lt;br /&gt;Caminho em circulo&lt;br /&gt;e volto para o mesmo lugar&lt;br /&gt;um deserto de multidão fratricida&lt;br /&gt;enlouquecida e surpreendentemente&lt;br /&gt;solidária.&lt;br /&gt;A dor do meu riso&lt;br /&gt;marca o compasso do anjo adormecido&lt;br /&gt;no asfalto, protegido pelo espelho&lt;br /&gt;d’água murmurante que eleva em cachoeira&lt;br /&gt;de elevação do pastor que teima pregar&lt;br /&gt;para um casal antagônico de visão dispersa&lt;br /&gt;e crenças paralelas num ri tu ao corpo&lt;br /&gt;petrificado da mulher de Jó&lt;br /&gt;visão do falo de Iyangui&lt;br /&gt;montículo de terra&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 130&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasma do Apocalipse&lt;br /&gt;alucinam os meus sonhos&lt;br /&gt;com imagens de Pandora&lt;br /&gt;Vozes de fogo&lt;br /&gt;embarcam minha visão&lt;br /&gt;e ouço sussurros cinéticos&lt;br /&gt;gritos e gemidos hilariantes&lt;br /&gt;fazem cobranças do que não fiz&lt;br /&gt;e não vi por recusa do olhar&lt;br /&gt;e fujo da Caixa que se abre&lt;br /&gt;a visão fantasmagóricas da tragédia&lt;br /&gt;anunciada por Zeus, por João&lt;br /&gt;domínios de Oxum&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -131&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lúdica do pensamento teológico&lt;br /&gt;fragilizou minha identidade colonizada&lt;br /&gt;e impôs pecados na minha fé&lt;br /&gt;abalando a constituição do meu pensar laico&lt;br /&gt;e descolorindo a sacralização de minha áurea&lt;br /&gt;profana, na distancia dos meus orixás banalizados&lt;br /&gt;com a desconstrução das tradições do meu povo&lt;br /&gt;num terrorismo maniqueísta medieval.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -132&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuvens orográficas pairam&lt;br /&gt;sobre minha cabeça&lt;br /&gt;transformando sentidos desejados&lt;br /&gt;na flutuação atmosférica&lt;br /&gt;do meu olhar turvado&lt;br /&gt;em pigmentos de cúmulum nimbus&lt;br /&gt;anunciando temporal.&lt;br /&gt;Volto para partir no delírio&lt;br /&gt;da chegada numa despedida casual&lt;br /&gt;trazendo respostas de perguntas&lt;br /&gt;que não fiz ao filho que será meu pai&lt;br /&gt;na visão do passado que descortinou&lt;br /&gt;a ação deflagrada no desejo da noite&lt;br /&gt;de lua eclipsada com  arcos dependurados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -133&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa se minha aparência é ruim&lt;br /&gt;se mim sinto bem já vale apenas&lt;br /&gt;o status me impôs uma boa aparência&lt;br /&gt;para que mim sinta mal&lt;br /&gt;Chove torrencial a minha volta&lt;br /&gt;é muita chuva para pouca água&lt;br /&gt;numa  terra sedenta e estéril&lt;br /&gt;vítima de desertificação&lt;br /&gt;coberta de  asfalto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 134&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rios de lágrimas jorram&lt;br /&gt;de olhos sofridos e alma em suspensão&lt;br /&gt;ao ver as vestes litúrgica&lt;br /&gt;numa visão entrecortada de tristeza e dor&lt;br /&gt;corpo que se esvai da energia vital&lt;br /&gt;a dor do desespero e uma lágrima mítica&lt;br /&gt;caí, penetrante e fria aquece meu coração&lt;br /&gt;congelando minha visão do fim do mundo&lt;br /&gt;num despertar para a vida, renovado&lt;br /&gt;pelas lágrimas da Fênix que meus olhos&lt;br /&gt;não viram no ritual de passagem&lt;br /&gt;da revisitação ancestral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 135&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em baixo do Baobá&lt;br /&gt;sobre o sol escaldante&lt;br /&gt;o Cordeiro berrou num grito&lt;br /&gt;de revolta, libertando o cabrito&lt;br /&gt;que existi dentro dele&lt;br /&gt;é a Fênix renovada pelo fogo&lt;br /&gt;na releitura da expiação.&lt;br /&gt;Cabrito bom não berra&lt;br /&gt;Cordeiro berrou despertando&lt;br /&gt;no povo a indignação e revolta&lt;br /&gt;pelas liberdades na quebra do mito&lt;br /&gt;da sujeição subordinada&lt;br /&gt;o Cordeiro não pode ser Bode Expiatório&lt;br /&gt;a Nação dos  oprimidos se alevanta&lt;br /&gt;aos berros do Cordeiro que se  revoltou&lt;br /&gt;não para o sacrifício, mas para a sagração&lt;br /&gt;da liberdade.&lt;br /&gt;Ashe Kaô!!!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 136&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro, na minha terra é o preto&lt;br /&gt;pardo e mulatos são brancos&lt;br /&gt;não  consideram a marca ou origem&lt;br /&gt;fogem do padrão em busca da afirmação&lt;br /&gt;de suas matrizes branqueadoras&lt;br /&gt;não se reconhecem como negros&lt;br /&gt;Os negros são os pretos&lt;br /&gt;e dificilmente se unem, tem vergonha&lt;br /&gt;e nojo do outro não andam juntos&lt;br /&gt;não se agregam ou se cumprimentam&lt;br /&gt;esqueceram as lutas e histórias dos ancestrais&lt;br /&gt;querem clarear e assumem a Casa Grande&lt;br /&gt;se auto rejeitando para associar-se aos brancos&lt;br /&gt;Quando meus ancestrais foram trazidos para cá&lt;br /&gt;As Nações se juntaram para lutar por libertação&lt;br /&gt;mas muitos negros rejeitaram seu povo&lt;br /&gt;para ficar ao lado do dominador, supliciando&lt;br /&gt;sua gente, através de denuncias e  traições&lt;br /&gt;Fomos proibidos de se reunir, se o fizesse&lt;br /&gt;Era considerado crime- quilombo-fora da lei&lt;br /&gt;E lutamos aquilombados em todas as frentes.&lt;br /&gt;Veio a Republica e nos consideraram criminosos&lt;br /&gt;Classificando a nossa união como Motim e&lt;br /&gt;Crime de Vadiagem.&lt;br /&gt; Resistimos mais perdemos&lt;br /&gt;Muito de nós já estavam  viciados&lt;br /&gt; e o vírus do branqueamento&lt;br /&gt;Foi a nossa maior derrota&lt;br /&gt;eles definitivamente nos venceu&lt;br /&gt;Dividindo através da cor, &lt;br /&gt;acabando de vez com nossa raça&lt;br /&gt;Dizimou com nossa origem,&lt;br /&gt;culturas e tradições Um etnocidio.&lt;br /&gt;Quantas cores o negro tem &lt;br /&gt;e qual a  que nos reforça e vilipendia&lt;br /&gt;Na exclusão de estado  de governos &lt;br /&gt;e políticas públicas&lt;br /&gt;Como somos instigados a odiar &lt;br /&gt;os demais  e proteger os “brancos”&lt;br /&gt;Pela marca somos vilipendiados&lt;br /&gt; por todos,  discriminados  como &lt;br /&gt;Macacos, Urubus, Tribufus,Macumbeiros&lt;br /&gt;Maconheiros, Carvão e a Justiça &lt;br /&gt; dar razão aos réus e tipifica a&lt;br /&gt;Nossa união ou reunião como Quadrilha,&lt;br /&gt; antes foi Quilombo, depois Motim, &lt;br /&gt;agora é Quadrilha e os negros e os pretos&lt;br /&gt;cada vez mais se afastam e buscam &lt;br /&gt;as luzes da s Casas Grandes.&lt;br /&gt;E inventam modismo para não&lt;br /&gt; serem chamados de negros&lt;br /&gt;Agora importaram  o afro descendência &lt;br /&gt;para fugirem do estigma&lt;br /&gt;Negro e dizem que negro são os pretos,  &lt;br /&gt;eles são Morenos Pardos, mulatos etc&lt;br /&gt;.O que não é o caso de ser preto&lt;br /&gt;Preto são os negros eles são “brancos”&lt;br /&gt;porque tem a pele Clara ou clareada&lt;br /&gt;na direção eurocentrica, a África para eles&lt;br /&gt;É coisa de preto, de bárbaro, de atraso.&lt;br /&gt; E buscam nas religiões&lt;br /&gt;Européias a identidade e o status social,&lt;br /&gt;porque cultura Eles não tem. &lt;br /&gt;Cultura é coisa de preto.&lt;br /&gt;Os Negros de Marca e sangue.&lt;br /&gt;Que não negam seu natural,&lt;br /&gt;apesar das cores que tenham atitude.&lt;br /&gt;Na minha terra, negro é o preto,&lt;br /&gt;o excluído de tudo, desde o&lt;br /&gt;inicio da história com tantas&lt;br /&gt; estórias para contar&lt;br /&gt;Os nossos governantes seguem &lt;br /&gt;a linha do Presidente desta&lt;br /&gt;Província, quando editou um&lt;br /&gt;Decreto proibindo os pretos&lt;br /&gt;Escravos e africanos de freqüentarem&lt;br /&gt; a escola. Alguma coisa mudou!&lt;br /&gt;Acho que não. Onde estão os pretos &lt;br /&gt;nos espaços dos poderes!!!&lt;br /&gt;Para que ninguém seja discriminado&lt;br /&gt;É necessário que o Poder, &lt;br /&gt;detenha o próprio Poder..&lt;br /&gt;A Casa Grande não concorda com isso&lt;br /&gt;E a Justiça é cega mais escuta.&lt;br /&gt;E os negros de peles claras, &lt;br /&gt;os negões e afro descendentes&lt;br /&gt;Padecem de anicefalia racial e são&lt;br /&gt;culturalmente equivocados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 137&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade sonhada&lt;br /&gt;e a muito custo conquistada&lt;br /&gt;mostrou sua face, revelada pela&lt;br /&gt;pela luz da realidade no silêncio&lt;br /&gt;da solidão&lt;br /&gt;A liberdade é um exílio&lt;br /&gt;a felicidade é triste quando&lt;br /&gt;não se tem ninguém a compartilhar&lt;br /&gt;e se transforma em solidão&lt;br /&gt;ninguém perdoa quem é feliz&lt;br /&gt;ninguém perdoa vencedores&lt;br /&gt;ninguém perdoa quem se liberta&lt;br /&gt;A solidão é o preço da liberdade&lt;br /&gt;é o exílio do guerreiro&lt;br /&gt;é o preço do contestador.&lt;br /&gt;Ícone da revolução do pensamento&lt;br /&gt;A opinião e atitudes, navega na solidão&lt;br /&gt;em busca de liberdade&lt;br /&gt;delineia uma..reação  tempestuosa&lt;br /&gt;a consciência de ser livre&lt;br /&gt;é a eterna solidão&lt;br /&gt;liberdade para sonhar&lt;br /&gt;liberdade para falar&lt;br /&gt;Mas, discorde destas pessoas&lt;br /&gt;e você será o inimigo&lt;br /&gt;você será banido&lt;br /&gt;será aplaudido pelas mãos do destino&lt;br /&gt;e dos admiradores ocultos&lt;br /&gt;que se refugiam no anonimato&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 138&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar distante e desconfiado&lt;br /&gt;carregado de tristeza, expressa a solidão&lt;br /&gt;e a dor de ser amado sem poder amar&lt;br /&gt;por estar amando&lt;br /&gt;Angústia de viver é saber que tem&lt;br /&gt;sem ser porque é&lt;br /&gt;a melancolia do coração anima&lt;br /&gt;cristaliza o sentimento da alma&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –139&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram-me andando á deriva&lt;br /&gt;na encosta do morro frente ao mar&lt;br /&gt;olhar distante, desconfiado&lt;br /&gt;carregado de tristeza melancólico&lt;br /&gt;expressando a solidão a e dor&lt;br /&gt;de ser.&lt;br /&gt;Sentimento de ausência&lt;br /&gt;melancolia angustiante&lt;br /&gt;na alma de trovador dos ventos&lt;br /&gt;ao cântico festivo das sombras&lt;br /&gt;onde as nuvens esconde o sol&lt;br /&gt;sem ter&lt;br /&gt;Movimento e visão sibilante&lt;br /&gt;fujo da multidão, companhia&lt;br /&gt;sentimento forte de aversão&lt;br /&gt;medo de ficar em pânico&lt;br /&gt;ansiedade de chegar e saber o transtorno&lt;br /&gt;fobia&lt;br /&gt;quem sou&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 140&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ótica racial, tenho orgulho de ser Negro,&lt;br /&gt; amo minha Raça e minha cor  preta.&lt;br /&gt; Sou negro de  marca e de origem.&lt;br /&gt;Na visão política, tenho vergonha de ser Sergipano.&lt;br /&gt;Estado mais racista do Brasil,&lt;br /&gt;onde pardos e mulatos se dizem brancos&lt;br /&gt;e discriminam os pretos ,&lt;br /&gt;reforçando a ideologia do branqueamento&lt;br /&gt;e o ódio racial.&lt;br /&gt;Pretos em Sergipe, não fazem&lt;br /&gt;parte do espaço de poder.&lt;br /&gt;Os poderes são majoritariamente branco.&lt;br /&gt;Apartheih oficial de um Estado que não é laico&lt;br /&gt;E ainda tipifica a reunião de pretos como quadrilha.&lt;br /&gt;É por isso que os pretos se detestam,&lt;br /&gt;    não andam juntos muitos querem ser brancos&lt;br /&gt;Esses são os  inimigos mais temidos,&lt;br /&gt;com uma arma nas mãos eles nos mata,&lt;br /&gt;para ser simpáticos aos brancos.&lt;br /&gt;Numa batida policial,porque policial não&lt;br /&gt;tem raça ou cor, tem fardamento,&lt;br /&gt;dão sempre um jeito de criminalizar o preto,&lt;br /&gt;de repente ele passa a ser traficante,&lt;br /&gt;viciado, ladrão, assassino etc.,&lt;br /&gt;conforme o critério e humor dos policiais,&lt;br /&gt;principalmente dos policiais pretos.&lt;br /&gt;Aqui não existe justiça ou Direitos para pretos&lt;br /&gt;e sim contra os pretos.&lt;br /&gt;a educação é Eurocentrista.&lt;br /&gt;Racista e Fascista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 141&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar parcimonioso de Babet&lt;br /&gt;festeja o sonho realizado&lt;br /&gt;no repasto dos seus convidados.&lt;br /&gt;Um sonho dourado da utopia&lt;br /&gt;da auto sagração em reconhecimento&lt;br /&gt;próprio na expressão do paladar&lt;br /&gt;irradiado nas faces dos convivas&lt;br /&gt;Babete agradecida repete&lt;br /&gt;reproduzindo o sonho de viver&lt;br /&gt;servindo o néctar aos famintos&lt;br /&gt;há muito ressentido do calor&lt;br /&gt;da essência de ser, por não ter&lt;br /&gt;e Babete irradia memoriais&lt;br /&gt;de uma vida, que simplesmente,&lt;br /&gt;passou. Olubajé Ajé umbó&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 142&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar&lt;br /&gt;jorra luz diáfana&lt;br /&gt;refletindo o horizonte&lt;br /&gt;sempre nas luzes do entardecer&lt;br /&gt;como feixes de vento&lt;br /&gt;rodopiando por sobre a relva&lt;br /&gt;levantando as folhas&lt;br /&gt;úmidas da aurora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 143&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar rudimentar&lt;br /&gt;cheio de sofisticada visão&lt;br /&gt;capaz de cristalizar&lt;br /&gt;mágicos fluidos&lt;br /&gt;das areias desérticas&lt;br /&gt;de imagens urbanas&lt;br /&gt;Os ruídos do vento&lt;br /&gt;rompem as barreiras do reduto&lt;br /&gt;refletindo o movimento que vem&lt;br /&gt;na pisada das estrelas&lt;br /&gt;que ninguém  olhou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 144&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei dentro do seu olhar&lt;br /&gt;e vi seus sonhos congelados&lt;br /&gt;imagem fragmentada&lt;br /&gt;suspensa no ar&lt;br /&gt;Sonhei um sonho&lt;br /&gt;em preto e branco&lt;br /&gt;e colori em raios artificiais&lt;br /&gt;gotas de luz negra&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 145&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar prescutador&lt;br /&gt;rápidos movimentos&lt;br /&gt;com extrema independência&lt;br /&gt;velocidade excessiva no livre arbítrio&lt;br /&gt;clareia na escuridão silenciosa&lt;br /&gt;usando os espectros florescentes&lt;br /&gt;do espaço livre&lt;br /&gt;como ponte em suspensão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 146&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho de lince&lt;br /&gt;os predadores se espreitam&lt;br /&gt;na sombra, para atacar&lt;br /&gt;suas vitimas&lt;br /&gt;como se não houvesse reação&lt;br /&gt;como se não houvesse amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 147&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A devastação a céu aberto&lt;br /&gt;uma justificável arrogância&lt;br /&gt;de visão distorcida&lt;br /&gt;de quem transforma meus direitos em favores&lt;br /&gt;A natureza grita, reage, resiste&lt;br /&gt;transformando a cadeia de vida&lt;br /&gt;na troca de espaço.&lt;br /&gt;destruição a olhos vistos&lt;br /&gt;desencadeia a solidão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 148&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito cruel&lt;br /&gt;essa dispersão&lt;br /&gt;esse olhar desvairado&lt;br /&gt;que fita parado a imensidão&lt;br /&gt;do prado.&lt;br /&gt;Triste e fria em sol escaldante&lt;br /&gt;na manhã de uma noite&lt;br /&gt;que fez o dia mais longo&lt;br /&gt;de minha solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 149&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristeza iluminada&lt;br /&gt;de alegria fugaz&lt;br /&gt;faz de mim uma sombra&lt;br /&gt;de sol, banhada da noite&lt;br /&gt;Em eclipse argêntea&lt;br /&gt;seus olhos expressam&lt;br /&gt;uma ternura avassaladora&lt;br /&gt;presa manifesta&lt;br /&gt;Ecos de palavras ao vento&lt;br /&gt;emoções, tempestade de luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 150&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dourado do sol&lt;br /&gt;azulado sobre o mar&lt;br /&gt;prateado ao luar&lt;br /&gt;do imaginário dos seus olhos&lt;br /&gt;que brilham como&lt;br /&gt;pontos estrelares.&lt;br /&gt;São os brilhos das estrelas&lt;br /&gt;no verde do seu olhar&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 151&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haverá barulho&lt;br /&gt;neste mundo&lt;br /&gt;capaz de silenciar&lt;br /&gt;o meu grito de viver&lt;br /&gt;a noite traz a visão em sonho&lt;br /&gt;do dia que passei anoitecido&lt;br /&gt;seus olhos são meus sentidos&lt;br /&gt;e tudo que terei pensado evoluir&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 152&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foragido da visão&lt;br /&gt;esse olhar, busca na imensidão&lt;br /&gt;a realidade perfeita&lt;br /&gt;adormecido, ouve poesias&lt;br /&gt;soltas no ar ao sons dos&lt;br /&gt;pingos d’água cortados na caída&lt;br /&gt;balanço do vendaval.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 153&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em visão ajustada , seus olhos&lt;br /&gt;símbolo de conhecimentos&lt;br /&gt;dos antigos sábios, profetas e Griotts&lt;br /&gt;Estou na luz do seu olhar&lt;br /&gt;campo de visão refletida&lt;br /&gt;que transborda celebrações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 154&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto silencioso, vento frio&lt;br /&gt;vermelhidão de um mar incendiado&lt;br /&gt;com rajadas de ventos congelantes&lt;br /&gt;coração no céu.&lt;br /&gt;Meus olhos inquietos&lt;br /&gt;procuram a luz que irradia&lt;br /&gt;crepitantes, por cima das ondas&lt;br /&gt;silenciosas... e encontrou você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 155&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revistando as flores marinhas&lt;br /&gt;busquei a saudade em visão de ontem&lt;br /&gt;fixei na imaginação o cheiro de terra&lt;br /&gt;de sol estrelado, na chuva e verão.&lt;br /&gt;Encontrei a inspiração, de dedução&lt;br /&gt;fragmentada em mim como uma&lt;br /&gt;lágrima que cai a contra gotas&lt;br /&gt;e lembrei do Sol, da Chuva e&lt;br /&gt;no transporte me banhei na Cachoeira&lt;br /&gt;do destino e saudei a noiva do Vento&lt;br /&gt;com as flores do campo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 156&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol da meia noite&lt;br /&gt;veio invadir o silencio&lt;br /&gt;do meu quarto&lt;br /&gt;sonho antigo de merecida &lt;br /&gt;lembrança&lt;br /&gt;se manifesta nesta luz &lt;br /&gt;como raio de esperança&lt;br /&gt;do guerreiro alevantado&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES 157&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Réstia de luz no mar&lt;br /&gt;reflexo da luz e das estrelas&lt;br /&gt;que piscam no firmamento&lt;br /&gt;imagens de você.&lt;br /&gt;Procuro os astros, estrela guia&lt;br /&gt;Ursa Maior em busca do destino&lt;br /&gt;que traz a visão da primavera.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 158&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o meu olhar&lt;br /&gt;a minha realidade&lt;br /&gt;visão de minha história&lt;br /&gt;ótica de memora coletiva&lt;br /&gt;de minha gente,&lt;br /&gt;devastada pela visão do colonizador.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 159&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pânico nepotista&lt;br /&gt;de onde vejo o silêncio&lt;br /&gt;dos olhares cúmplices, de sombras&lt;br /&gt;anunciado no espaço reduzido.&lt;br /&gt;Olhar atávico de visão maniqueísta&lt;br /&gt;na academia do fausto alegórico&lt;br /&gt;de cores mortas.&lt;br /&gt;esta ótica universal do reduto&lt;br /&gt;vivo ,reflete a imagem cristalizada&lt;br /&gt;do tempo em suspensão.&lt;br /&gt;Fantasia de minha realidade&lt;br /&gt;do ser sem ter e sem saber&lt;br /&gt;se é.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 160 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explosão no céu&lt;br /&gt;clareou a noite&lt;br /&gt;apagando o brilho&lt;br /&gt;das estrela&lt;br /&gt;e a luz dos olhos seus,&lt;br /&gt;Segundos que tornou&lt;br /&gt;eternidade&lt;br /&gt;apagando a fantasia do pó&lt;br /&gt;da poeira das estrelas.&lt;br /&gt;constelação. e pontos de luzes&lt;br /&gt;cadentes, qual brinquedos&lt;br /&gt;de vaga-lumes e pirilampos&lt;br /&gt;formando arcos ao seu redor&lt;br /&gt;clareando após escuridão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 161&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rompa o silencio&lt;br /&gt;e viole a segurança oprimida,&lt;br /&gt;não seja escudo a blindar&lt;br /&gt;a traição.&lt;br /&gt;O sonho visionário&lt;br /&gt;abateu a evocação&lt;br /&gt;da luz do sol sobre&lt;br /&gt;a neve que tinge de vermelho&lt;br /&gt;o sol quebrado do&lt;br /&gt;sertão assolado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 162&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é minha narrativa&lt;br /&gt;estoque dramático de ficção&lt;br /&gt;realista.&lt;br /&gt;Meu romance fantástico,&lt;br /&gt;poesia livre ,de rimas curtas&lt;br /&gt;luz de uma liberdade poética&lt;br /&gt;vista do lado de direito&lt;br /&gt;de quem vem.&lt;br /&gt;Ótica translúcida de paz&lt;br /&gt;demoníaca na tragédia&lt;br /&gt;ainda não escrita&lt;br /&gt;lida no sarau que passou&lt;br /&gt;a luz de velas e lamparinas&lt;br /&gt;na festa furticor, de sua&lt;br /&gt;alforria literal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 163&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma visão dantesca&lt;br /&gt;que provoca calafrios&lt;br /&gt;nesta passagem de tempo&lt;br /&gt;meticulosamente refletido&lt;br /&gt;nos espelhos quebrados,&lt;br /&gt;visões convexas.&lt;br /&gt;Mares de estrelas prateadas&lt;br /&gt;que cintilam no abismo&lt;br /&gt;bloqueando a luz sentida&lt;br /&gt;olhos múltiplos, paralisantes&lt;br /&gt;como estatuas de sal&lt;br /&gt;imagens sodomisadas de Gamorra&lt;br /&gt;na expressão de &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 164&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua visão&lt;br /&gt;faíscas soltas no ar&lt;br /&gt;serpenteia na escuridão.&lt;br /&gt;As chamas de um vulcão&lt;br /&gt;que fere vaporizando&lt;br /&gt;o caminho que leva&lt;br /&gt;a casa do sol&lt;br /&gt;De tanto olhar e sofrer&lt;br /&gt;implantei uma lente de fantasia&lt;br /&gt;para não vê a sua tristeza.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 165&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos&lt;br /&gt;aprisionaram meus sentimentos&lt;br /&gt;minha paz e desejos&lt;br /&gt;adormecidos.&lt;br /&gt;violou a minha alma&lt;br /&gt;e roubou delírios.&lt;br /&gt;Na sua visão&lt;br /&gt;vi meu tormento&lt;br /&gt;que perpassa ecos da minha ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 166&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma visão ferida&lt;br /&gt;e olhos vagando pela solidão,&lt;br /&gt;vendo aves de rapinas,&lt;br /&gt;cabeças cortadas em&lt;br /&gt;rios de sangue, boiando&lt;br /&gt;no leito.&lt;br /&gt;Neste dia&lt;br /&gt;de noite eterna&lt;br /&gt;gritos rompem o silencio&lt;br /&gt;na escuridão iluminada&lt;br /&gt;de São Bartolomeu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 167&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Radicalizar a denúncia&lt;br /&gt;aos olhos do poder&lt;br /&gt;é um golpe.&lt;br /&gt;A visão distorcida&lt;br /&gt;dos dominantes&lt;br /&gt;cada vez mais se estreita&lt;br /&gt;transformando os nossos direitos&lt;br /&gt;em favores e cada vez mais&lt;br /&gt;fortalece seus grupos, a luz&lt;br /&gt;da ilegalidade, ofuscando o povo&lt;br /&gt;com brilhos de fantasia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 168&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lente dos seus olhos&lt;br /&gt;deslocou sua visão&lt;br /&gt;distorceu imagens&lt;br /&gt;aproximando emoções&lt;br /&gt;a lente iluminou estrelas&lt;br /&gt;revelou a ira do doce olhar&lt;br /&gt;escondido no poço&lt;br /&gt;o olhar fujão e arredio&lt;br /&gt;pela ótica do amor perfeito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 169&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miopia de seu coração&lt;br /&gt;alterou a conjuntivite contagiosa&lt;br /&gt;me deixando o fluxo sanguíneo&lt;br /&gt;do seu olhar, na retina.&lt;br /&gt;Sentimento e visão medieval&lt;br /&gt;estereotipo plural de luz&lt;br /&gt;o brilho dos seus olhos&lt;br /&gt;iluminam o espaço vazio&lt;br /&gt;que procuro ocupar&lt;br /&gt;na imagem refletida&lt;br /&gt;de sua visão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 170&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuvem de cerração&lt;br /&gt;tempestade anunciada,&lt;br /&gt;escuridão iluminada&lt;br /&gt;pelo facho do relâmpago.&lt;br /&gt;Chuva de trovoada na miopia&lt;br /&gt;do seu olhar tosco&lt;br /&gt;de visão larga que refaz&lt;br /&gt;a imagem deletada&lt;br /&gt;da chuva com o sol&lt;br /&gt;na luz colorida do arco-íris&lt;br /&gt;no entardecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 171&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos desmentem&lt;br /&gt;todas as minhas afirmações&lt;br /&gt;a mascara do seu rosto&lt;br /&gt;trai a intenção antecipando&lt;br /&gt;a imagem transfigurada&lt;br /&gt;com o brilho fosco.&lt;br /&gt;o farol dos seus olhos&lt;br /&gt;fere o brilho nos deixando&lt;br /&gt;na escuridão, guiados pelas&lt;br /&gt;estrelas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 172&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na panorâmica do desejo&lt;br /&gt;adormecido&lt;br /&gt;tracei a linha do sonho&lt;br /&gt;que sonhei quando lhe vi&lt;br /&gt;no alcance de minha mira&lt;br /&gt;lembrando o sonho que não&lt;br /&gt;sonh&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 173&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas lágrimas&lt;br /&gt;refletidas na luz&lt;br /&gt;cria uma visão de paz&lt;br /&gt;nas réstias que se espalham&lt;br /&gt;em torno da sombra&lt;br /&gt;areoladas do azul lilás&lt;br /&gt;poeira de areia brilhante&lt;br /&gt;refletem as estrelas&lt;br /&gt;em noite enluarada&lt;br /&gt;ampliando a visão de luzes&lt;br /&gt;em chuva colorida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 174&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão da unidade&lt;br /&gt;na diversidade explodira&lt;br /&gt;de luz quando nos os negros&lt;br /&gt;felizes ou infelizes&lt;br /&gt;tenhamos coragem para&lt;br /&gt;sermos negros&lt;br /&gt;a vergonha pelo que fazemos&lt;br /&gt;contra nossa raça em função&lt;br /&gt;de classes e cores&lt;br /&gt;pela falta de respeito aos&lt;br /&gt;nossos, pela negação e preconceito&lt;br /&gt;que praticamos dia-a-dia&lt;br /&gt;contra nossos irmãos&lt;br /&gt;só para preservar os valores&lt;br /&gt;dominantes, discriminando&lt;br /&gt;nós mesmo, numa suposta afirmação&lt;br /&gt;de sermos brancos e ou negros são os outros&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 175&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do direito&lt;br /&gt;aos olhos da lei&lt;br /&gt;sobre a ótica da justiça&lt;br /&gt;o poder domina a ação&lt;br /&gt;equilibrando a balança&lt;br /&gt;aos olhos da justiça que&lt;br /&gt;cega não vê as lagrimas&lt;br /&gt;dos injustiçados, mas enxerga&lt;br /&gt;os interesses da lei brilhantes&lt;br /&gt;franciscano “é dando que se recebe”&lt;br /&gt;onde a justiça é cega&lt;br /&gt;mas vê as regras do poder&lt;br /&gt;fascinada pelo brilho&lt;br /&gt;cãs pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 176&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vejo meus direitos&lt;br /&gt;serem reconhecidos como favores&lt;br /&gt;concedidos por ordens&lt;br /&gt;de coronéis, minha estrela&lt;br /&gt;fica ofuscada.&lt;br /&gt;Esta é uma visão condicionada&lt;br /&gt;sob a ótica do maniqueísmo&lt;br /&gt;engendrado para salvaguardar&lt;br /&gt;a elite enfaustulada nos&lt;br /&gt;brilhos do mandarinato&lt;br /&gt;do sepulto rei sol&lt;br /&gt;os maniqueus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 177&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do direito natural&lt;br /&gt;a justiça não faz jus&lt;br /&gt;a lei do homem que consagra&lt;br /&gt;a tradição, trai necessidades&lt;br /&gt;do povo pelos interesses&lt;br /&gt;de grupos controladores&lt;br /&gt;a insegurança dos donos do poder,&lt;br /&gt;corrompe a justiça que penaliza&lt;br /&gt;sem o contraditório&lt;br /&gt;A letra da lei, serve ao poder&lt;br /&gt;que lhe apea e sufoca&lt;br /&gt;manipulando seu olhar&lt;br /&gt;na visão do interesse&lt;br /&gt;contrariado é engendrada&lt;br /&gt;na dependência, na vassalagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 178&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olhar transfigurado&lt;br /&gt;mostra a cansaço de busca&lt;br /&gt;mãos calejadas de luta&lt;br /&gt;para ser o que eu sou&lt;br /&gt;a visão laica da liberdade&lt;br /&gt;insiste na farsa libertária&lt;br /&gt;do ponto de vista maniqueísta&lt;br /&gt;meu eu ofuscado&lt;br /&gt;estou há muito&lt;br /&gt;tentando ser alguém&lt;br /&gt;que sou.&lt;br /&gt;a aparência da lei é preservada&lt;br /&gt;principalmente quando é&lt;br /&gt;infligida&lt;br /&gt;o espaço de poder é um fosso&lt;br /&gt;onde a batalha é o instrumento&lt;br /&gt;da guerra travada no levante&lt;br /&gt;da maré&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 179&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol não ofuscou&lt;br /&gt;o brilho do seu olhar&lt;br /&gt;pingos d’água, pingos de fogo&lt;br /&gt;gotas brilhante, raios de ouro&lt;br /&gt;o fogo sagrado do seu coração&lt;br /&gt;e irradia feixes de luzes profanas&lt;br /&gt;pelo desejo sacralizado em gotas&lt;br /&gt;do sentimento renascido&lt;br /&gt;pela alucinação de sua visão&lt;br /&gt;em ascensão e vestígio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 180&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse olhar&lt;br /&gt;protagonista da ação&lt;br /&gt;movimenta as pálpebras decodificando&lt;br /&gt;imagens selecionadas pela retina&lt;br /&gt;ampliando objetiva numa alucinação&lt;br /&gt;mosaica refletindo os raios luminosos&lt;br /&gt;do pensamento em suspensão&lt;br /&gt;esse olhar bifocal, estrábico de visão&lt;br /&gt;táctil, toca o coração brindado.&lt;br /&gt;pelo riso do mandacaru esturricado&lt;br /&gt;no brejo do  sertão em fantasia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 181&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A telecinésia&lt;br /&gt;incendeia o espaço&lt;br /&gt;no raio sinistro&lt;br /&gt;dos seus olhos.&lt;br /&gt;A solidão se faz&lt;br /&gt;num grito estrondoso&lt;br /&gt;varando o vazio e fazendo eco&lt;br /&gt;na noite ensolarada&lt;br /&gt;numa trágica dança&lt;br /&gt;de multidão ferida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 182&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar compartilhando&lt;br /&gt;com minha visão  exprimi&lt;br /&gt;a magia do desejo sagrado&lt;br /&gt;nesta tarde de verão ternura&lt;br /&gt;de aragem e frescor aromatizado&lt;br /&gt;canção da terra no silencio&lt;br /&gt;que reflete desta luz brilhante&lt;br /&gt;que traz na visibilidade&lt;br /&gt;o perfume dos sonhos meus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 183&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse olhar terrível&lt;br /&gt;nos deixa com calafrios e tremor&lt;br /&gt;gela a alma e queima o sangue&lt;br /&gt;fazendo das cinzas, lama pantanosa&lt;br /&gt;olhar que suga minha luz&lt;br /&gt;atrai e me deixa em agonia.&lt;br /&gt;Esse olhar de visão sinistra&lt;br /&gt;emana a dor, tremor e solidão&lt;br /&gt;olhar da noite em trevas úmidas&lt;br /&gt;tétrica que escurece os dias de primavera&lt;br /&gt;olhar sem luz, tempestade em agonia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 184&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão reflete o mandarinato&lt;br /&gt;traz as cruzadas e feudo&lt;br /&gt;do rito vulnerável&lt;br /&gt;na sacralização do beijo&lt;br /&gt;visão bumerangue de um&lt;br /&gt;olhar tardio entristecido&lt;br /&gt;pela reflexão do próprio&lt;br /&gt;desejo nas retinas dos&lt;br /&gt;seus olhos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 185&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar disritmado&lt;br /&gt;distorcido pelo reflexo&lt;br /&gt;condicionado na ponte&lt;br /&gt;em suspensão.&lt;br /&gt;Busquei nas asas da borboleta&lt;br /&gt;a minha viagem adiada no tempo&lt;br /&gt;e construir a passagem, um portal&lt;br /&gt;e só vi focos de luzes incandescente&lt;br /&gt;que maltratou a minha obra reciclada&lt;br /&gt;pelo refluxo das ondas que não&lt;br /&gt;identifiquei de onde veio, mas que&lt;br /&gt;trouxe recordações não sentidas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 186&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chora o riso do coração partido&lt;br /&gt;num acalanto de emoções retorcidas&lt;br /&gt;sobre a luz do meu olhar&lt;br /&gt;Esse reflexo construído&lt;br /&gt;é imagem distorcida&lt;br /&gt;criada da imaginação confundida&lt;br /&gt;pela visão ressentida&lt;br /&gt;gerada dos prantos seu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 187&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente ao mar&lt;br /&gt;música fria em tarde quente&lt;br /&gt;tudo frio em seu olhar&lt;br /&gt;tarde desnecessariamente ambígua&lt;br /&gt;visão adormecida&lt;br /&gt;sonhos paradisíacos na madrugada de verão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 188&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a paz e desencanto&lt;br /&gt;em seu olhar, uma alegria&lt;br /&gt;rígida e fria numa viagem sonambulante&lt;br /&gt;em queda livre e vertiginosamente&lt;br /&gt;flutua na turbulência de um mar em calmaria.&lt;br /&gt;Fagulhas de risos tardios&lt;br /&gt;olhar de esquecimento na sombra&lt;br /&gt;do dia anoitecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 189&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho eu vos saúdo&lt;br /&gt;seus olhos firmes&lt;br /&gt;fogem de uma mirada&lt;br /&gt;buscando outros ângulos&lt;br /&gt;com expressões brejeiras&lt;br /&gt;compondo personagens e situações&lt;br /&gt;sobre focos de luzes,&lt;br /&gt;refletores.&lt;br /&gt;Sua visão povoa&lt;br /&gt;imagens utópicas&lt;br /&gt;sonhos fantásticos&lt;br /&gt;em fugas instantâneas do realismo&lt;br /&gt;ator em busca de personagens míticas&lt;br /&gt;na interpretação de lutas e ações de vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 190&lt;br /&gt;A luz em seus olhos&lt;br /&gt;brilha mais quando lhe vejo&lt;br /&gt;olho buscando na imaginação&lt;br /&gt;o seu sorriso irradiado&lt;br /&gt;que perambula na minha&lt;br /&gt;territorialidade espacial&lt;br /&gt;e na multidão&lt;br /&gt;só existe você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 191 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força do pensamento&lt;br /&gt;cristalizado perante a fonte&lt;br /&gt;da vida, se expressa como a luz&lt;br /&gt;do alvorecer.&lt;br /&gt;trazendo recordações&lt;br /&gt;que enruga o semblante,&lt;br /&gt;numa visão triste de se ver&lt;br /&gt;caixa de pandora, tragédia da vida&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 192&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anime esses&lt;br /&gt;olhos vazios e tristes&lt;br /&gt;com esperança.&lt;br /&gt;preencha de luz&lt;br /&gt;os espaços vazios e soltos&lt;br /&gt;para fortalecer o brilho&lt;br /&gt;refletido na sombra, como&lt;br /&gt;uma réstia de luz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 193&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laceração e dor&lt;br /&gt;nos olhos de multidões que vê&lt;br /&gt;os odores da noite sentindo a sombra&lt;br /&gt;na memória de um sonho apocalíptico&lt;br /&gt;uma visão dantesca no rito da palavra&lt;br /&gt;respirada, macula e negada&lt;br /&gt;luxuriante luz de trovoadas em raios&lt;br /&gt;coloridos como uma chuva de fogos&lt;br /&gt;em noite festiva de ano novo&lt;br /&gt;que abafam os gritos da multidão&lt;br /&gt;faminta em banqueteantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 194&lt;br /&gt;O foco dos seus olhos&lt;br /&gt;fere e mata carbonizado meu coração&lt;br /&gt;cristalizado pela visão gelada&lt;br /&gt;de desejo reprimido que alimenta&lt;br /&gt;sua ambição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 195&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A longevidade de uma estrela&lt;br /&gt;eleva o brilho do seu olhar&lt;br /&gt;a natureza de uma vida&lt;br /&gt;que busca o caminho da eternidade&lt;br /&gt;num abraço, toque de Midas.&lt;br /&gt;Busco a claridade em minha fantasia&lt;br /&gt;inebriada pela vontade de mina&lt;br /&gt;perpetuação em você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 196&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anestesiado pelo seu olhar&lt;br /&gt;não vive o momento de maior&lt;br /&gt;sentimento, a construção&lt;br /&gt;da minha identidade&lt;br /&gt;minha ambição se desfez&lt;br /&gt;pela presença de você&lt;br /&gt;meus sonhos visão do passado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 197&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fantasma do Arco-Íris&lt;br /&gt;atravessou o seu olhar&lt;br /&gt;estamos na avenida&lt;br /&gt;do esquecimento mimético&lt;br /&gt;da visão atrofiada&lt;br /&gt;rumando ao abismo de fundo falso&lt;br /&gt;pela explosão da luz&lt;br /&gt;que inebria e feri a retina&lt;br /&gt;legado de fantasia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 198&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão dantesca&lt;br /&gt;de corpos ardentes&lt;br /&gt;brilho de luzes candentes&lt;br /&gt;no túnel fantasmagórico.&lt;br /&gt;delírios e tempestades&lt;br /&gt;gotejam do seu olhar&lt;br /&gt;inquisidor e fatal&lt;br /&gt;que esmaga a sombra.&lt;br /&gt;a luz encandeou&lt;br /&gt;minha mente&lt;br /&gt;desmemoriando meu destino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 199&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do Arco-Íris&lt;br /&gt;fragmentou as nuvens&lt;br /&gt;e viu o colorido suspirar&lt;br /&gt;de tristeza.&lt;br /&gt;Mario Gusmão.&lt;br /&gt;intelectual do povo negro&lt;br /&gt;subiu como estrela cadente&lt;br /&gt;deixando um vácuo&lt;br /&gt;na terra ,Liberdade  &lt;br /&gt;todos os povos, santos, salvador&lt;br /&gt;meus olhos na penumbra deste olhar&lt;br /&gt;em primas Vera fez um pedido&lt;br /&gt;no rastro de sua luz, visão de passado&lt;br /&gt;reproduzido e ampliado,&lt;br /&gt;na lente do amor.&lt;br /&gt;guerreiro nas estrela do&lt;br /&gt;novembro negro, visão de liberdade&lt;br /&gt;Mario Zumbi, Gusmão da Bahia&lt;br /&gt;Visões do Meu Olhar em transe.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 200&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar ausente&lt;br /&gt;insulto constante&lt;br /&gt;a inteligência do sentinela&lt;br /&gt;que busca nos sinais&lt;br /&gt;apontar o caminho que busca&lt;br /&gt;olho através do espelho&lt;br /&gt;e vejo suas pegadas&lt;br /&gt;como espumas de torrentes&lt;br /&gt;sigo intuições e min&lt;br /&gt;perco no caminho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 201&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árvore dos Enforcados&lt;br /&gt;geme e sangra pela raiz&lt;br /&gt;o brilho do mal sucumbe a luz&lt;br /&gt;da terceira visão&lt;br /&gt;modificando a cor&lt;br /&gt;que irradia energia mágica&lt;br /&gt;vinda da luz do sol de inverno&lt;br /&gt;na primavera da vida que&lt;br /&gt;refloresce a arvore de luz&lt;br /&gt;e estrelas apagadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 202&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos de Jabuticaba&lt;br /&gt;mel de açúcar mascavo&lt;br /&gt;pequena luz de silencio&lt;br /&gt;no meio da poesia floral.&lt;br /&gt;Seu perfil de nevoa&lt;br /&gt;moldado no sal da terra&lt;br /&gt;em mensagem clara&lt;br /&gt;ouvia canção de ventos&lt;br /&gt;nos pingos de chuvas de verão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 203&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar espelhado de constelação&lt;br /&gt;estrelas matutinas&lt;br /&gt;que giram contra o vento&lt;br /&gt;a tocha acesa em cores&lt;br /&gt;ilumina o seu rosto&lt;br /&gt;em sagração espelhando o rio&lt;br /&gt;de águas paradas do mar&lt;br /&gt;tranqüilo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 204&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Majestosa presença&lt;br /&gt;que irradia luz&lt;br /&gt;provocando curtos&lt;br /&gt;e desconforto nos ímpios e invejosos&lt;br /&gt;presença que marca e fica&lt;br /&gt;na retina dos olhos&lt;br /&gt;que vêem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 205&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos,&lt;br /&gt;Argonauta do interior&lt;br /&gt;viajam pelo são Francisco&lt;br /&gt;que tudo vê e nada pode&lt;br /&gt;contra a devastação de suas várzeas&lt;br /&gt;lençóis invadidos&lt;br /&gt;leitos assoreados,&lt;br /&gt;espelho partido&lt;br /&gt;águas rasas invadidas do mar&lt;br /&gt;são Francisco desfolhado manaçais&lt;br /&gt;sem cores de viver o belo&lt;br /&gt;das coloridas fotos de óticas&lt;br /&gt;fantasiosas.&lt;br /&gt;parece sufocado pelas queimadas&lt;br /&gt;desbotado, cores pálidas&lt;br /&gt;do sol aquecido sem movimento&lt;br /&gt;das estrelas q despencam&lt;br /&gt;sem a leitura do viandante pescador.&lt;br /&gt;seus olhos vê&lt;br /&gt;maré cheia, rio morto&lt;br /&gt;em água viva, terra batida em espelhos d’água&lt;br /&gt;represa, transposição&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 206&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu navio levantou âncora&lt;br /&gt;com destino a outros mares&lt;br /&gt;portos desconhecidos mar a dentro&lt;br /&gt;o marinheiro é navegador das estrelas&lt;br /&gt;na nave de mares bravios&lt;br /&gt;o navio fundeou em frente&lt;br /&gt;da praia visão de restinga&lt;br /&gt;sem pescador.&lt;br /&gt;em cada canto uma estrela&lt;br /&gt;em cada porto um amor&lt;br /&gt;em cada amor uma saudade&lt;br /&gt;uma lembrança de rever&lt;br /&gt;um olhar de você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 207&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço dado, de bom coração&lt;br /&gt;faz milagres.&lt;br /&gt;é uma energia que brilha&lt;br /&gt;inundando o corpo da gente&lt;br /&gt;iluminando todo nosso ser&lt;br /&gt;Esse abraço é um olhar que vê&lt;br /&gt;cura alimentando a lama&lt;br /&gt;iluminando a noite escura&lt;br /&gt;a paz do meu viver.&lt;br /&gt;Seu abraço&lt;br /&gt;fortalece o brilho do meu olhar&lt;br /&gt;na sacralização do prazer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 208&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar planando o espaço&lt;br /&gt;reinventando a natureza&lt;br /&gt;com brilhos sonhadores&lt;br /&gt;dando asas a imaginação&lt;br /&gt;machucando o desejo liberado&lt;br /&gt;da placenta que rompe e projeta&lt;br /&gt;o reflexo da corporificação&lt;br /&gt;na sagração da primavera&lt;br /&gt;amplia a visão sistêmica&lt;br /&gt;do pensamento&lt;br /&gt;materializado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 209&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cinzas dos meus sonhos&lt;br /&gt;transformaram-se em Catedral&lt;br /&gt;nas areias, dunas de minhas ilusões&lt;br /&gt;sobre Sol escaldante&lt;br /&gt;levada pelo vendaval&lt;br /&gt;sal de Lua cheia no Mar alto&lt;br /&gt;de baixa estação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 210&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho adormecido&lt;br /&gt;raios de cristais&lt;br /&gt;flutuando no rio em busca&lt;br /&gt;da cachoeira de véu rasgado&lt;br /&gt;reflexo do arco-íris no entorno&lt;br /&gt;da lagoa encantada&lt;br /&gt;formada pelas pedras limadas&lt;br /&gt;canto de pássaro da noite&lt;br /&gt;vulto de mulher etérea&lt;br /&gt;no sopro vento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 211&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama cadente&lt;br /&gt;feixe de luz na poeira de estrelas&lt;br /&gt;no espaço ocular.&lt;br /&gt;você é meu cometa, estrela cadente&lt;br /&gt;no caminho do mar enveleirado&lt;br /&gt;Rios assoreados, cheios de Cavernas&lt;br /&gt;Igarapés, Paredões e Penhascos&lt;br /&gt;florestas devastadas.&lt;br /&gt;meu rio que vela por nós&lt;br /&gt;clareia, mostrando seu sexo&lt;br /&gt;degenerado em noites de lua&lt;br /&gt;minguante de chuvas que não&lt;br /&gt;cheia, imunda na barreira&lt;br /&gt;trazendo toda margem para&lt;br /&gt;a grande viagem que assorea.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 212&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visibilizando um corpo&lt;br /&gt;caído no asfalto frio&lt;br /&gt;desta terra escaldante.&lt;br /&gt;o corpo flutua na areia&lt;br /&gt;levado pelo vento em dunas&lt;br /&gt;Este olhar que busca o sentido&lt;br /&gt;é a reação do grito&lt;br /&gt;da multidão invisível&lt;br /&gt;sem voz e sem íris.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 213&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar o mar e viver na terra&lt;br /&gt;onde as raízes se aprofundam&lt;br /&gt;e fortalece.&lt;br /&gt;a força da terra é a liberdade&lt;br /&gt;no mar a felicidade de sonhar&lt;br /&gt;com as estrelas na imensidão&lt;br /&gt;do firmamento em canto&lt;br /&gt;de primavera na viração&lt;br /&gt;canção de amor das ninfas&lt;br /&gt;na abóbora de cores e luzes&lt;br /&gt;e deuses iluminados por&lt;br /&gt;cristais de gelo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 214&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi uma Ode do ponto&lt;br /&gt;de vista de meu personagem&lt;br /&gt;vitima de minha angustia&lt;br /&gt;sem ação regressiva,&lt;br /&gt;sem roteiro, sentimento&lt;br /&gt;ou expressão.&lt;br /&gt;celebrei a explosão&lt;br /&gt;de alegria estampada nos&lt;br /&gt;olhos da platéia delirante&lt;br /&gt;na colina do entardecer&lt;br /&gt;sobre a luz das tochas&lt;br /&gt;em constelação de silencio&lt;br /&gt;emudecido pela voz do autor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 215&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enigma do olhar&lt;br /&gt;no riso da monalisa&lt;br /&gt;seu olhar precede&lt;br /&gt;meus sentimentos antes&lt;br /&gt;de serem gerados em minha&lt;br /&gt;visão, que se inicia no&lt;br /&gt;espaço de aprendizados na&lt;br /&gt;linhas das estrelas a&lt;br /&gt;confirmação do sacerdócio&lt;br /&gt;da divindade que sustenta&lt;br /&gt;o ego divinatório, para&lt;br /&gt;decifra o seu olhar&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 216&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar emudeceu a voz vibrante&lt;br /&gt;secou o rio de risos brejeiros&lt;br /&gt;que irradiam de alegria as margens&lt;br /&gt;de tanto chorar.&lt;br /&gt;transpuseram suas águas&lt;br /&gt;apagando suas estórias&lt;br /&gt;lendas e tradições&lt;br /&gt;a visão política partidária&lt;br /&gt;provocou a erosão e desertizou&lt;br /&gt;seu lençol seu leito de dor&lt;br /&gt;gemida.&lt;br /&gt;olho maldito de luz pálida&lt;br /&gt;sem brilho.&lt;br /&gt;aragem de ar cáustico, sufocante&lt;br /&gt;queimada de mata sol na poeira&lt;br /&gt;de cachoeira bancaria na sexa&lt;br /&gt;do rio.&lt;br /&gt;sal esturricado na terra batida&lt;br /&gt;de maré seca;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 217&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impacto do meu corpo&lt;br /&gt;flutuante em espiral&lt;br /&gt;dilui a lembrança de você&lt;br /&gt;quando a explosão de luz&lt;br /&gt;cega meus olhos.&lt;br /&gt;esse seu olhar distorcido&lt;br /&gt;pela dor imaginaria&lt;br /&gt;causou a visão antecipada&lt;br /&gt;do meu sofrimento&lt;br /&gt;para esquecer o fluxo&lt;br /&gt;deste amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 218&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe a sua tristeza&lt;br /&gt;e sinta meu sofrimento&lt;br /&gt;nesta solidão tardia.&lt;br /&gt;traduza a esperança adormecida&lt;br /&gt;nos meus ais&lt;br /&gt;que teimam em resistir&lt;br /&gt;aos sentimentos de perdas&lt;br /&gt;na esperança de querer&lt;br /&gt;através do brilho da escuridão&lt;br /&gt;ter a alegria de lhe vê&lt;br /&gt;iluminada, sorrir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 219&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressões dos meus&lt;br /&gt;sentimentos nunca adormecidos&lt;br /&gt;emerge cada vez mais neste&lt;br /&gt;monastério, refugio&lt;br /&gt;de minha visão ampliada&lt;br /&gt;nesta planície.&lt;br /&gt;gotas que pingam na solidão&lt;br /&gt;transformam-se em chuvas&lt;br /&gt;refletindo memórias&lt;br /&gt;e indagações acidentadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 220&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo na minha fé&lt;br /&gt;sentimentos, satisfação&lt;br /&gt;na expressa vontade&lt;br /&gt;de lhe vê.&lt;br /&gt;Como água que corre&lt;br /&gt;no leito do rio dando vida&lt;br /&gt;no chapadão e cachoeiras&lt;br /&gt;que despenca com suas&lt;br /&gt;espumas quebrando o silencio&lt;br /&gt;da planície desértica&lt;br /&gt;revitalizando a força da terra&lt;br /&gt;do leito do rio de águas&lt;br /&gt;estreladas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 221&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As faíscas empoeiradas&lt;br /&gt;das estrelas que jorram&lt;br /&gt;de seu olhar&lt;br /&gt;são reflexos múltiplos&lt;br /&gt;de natureza e vidas&lt;br /&gt;que emanam de seu olhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 222&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha critica&lt;br /&gt;anoto no caderno de campo&lt;br /&gt;recados para revisão.&lt;br /&gt;visão estereotipada da minha&lt;br /&gt;intelectualidade atávica.&lt;br /&gt;meus escritos são pensamentos&lt;br /&gt;gerados do momento, são frutos&lt;br /&gt;da fantasia. investigações&lt;br /&gt;anotações dispersas, observações&lt;br /&gt;desejos, indignações.&lt;br /&gt;são viciados, pobres de expressões&lt;br /&gt;e de vocabulários.&lt;br /&gt;são poemas, nem curtos ou redondos&lt;br /&gt;inteiros ou quebrados.&lt;br /&gt;não se preocupa com rima,&lt;br /&gt;estilo, regras, disciplina&lt;br /&gt;ou princípios.&lt;br /&gt;meus versos elevam meu pensamento&lt;br /&gt;relaxa meu corpo estressado&lt;br /&gt;estimulando minha imaginação&lt;br /&gt;fixando imagens e clareando idéias&lt;br /&gt;são sonhos terápicos e apolologístico&lt;br /&gt;monologo do meu ego em delírio&lt;br /&gt;na busca do leitor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 223&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha marginalização&lt;br /&gt;vem do fato de construir&lt;br /&gt;meu pensamento pela emoção&lt;br /&gt;do momento e não pela luz da&lt;br /&gt;razão acadêmica.&lt;br /&gt;Minha divagação&lt;br /&gt;é minha realidade.&lt;br /&gt;o sentir para mim&lt;br /&gt;é mais importante que o conteúdo&lt;br /&gt;da razão contextual, pontual&lt;br /&gt;nada elaborado&lt;br /&gt;Escrevo para viajar e tirar&lt;br /&gt;o peso de minha consciência&lt;br /&gt;escrevo para dialogar&lt;br /&gt;cansado do monologo&lt;br /&gt;e de olhar a natureza&lt;br /&gt;morta amontoada no canto&lt;br /&gt;ocupando espaços e fazendo&lt;br /&gt;sombras. quero a luz&lt;br /&gt;do debate coletivo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 224&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamaram-me intelectual&lt;br /&gt;disseram que não, andar com&lt;br /&gt;intelectuais não me qualifica&lt;br /&gt;como tal&lt;br /&gt;vive no mundo da luz para as estrelas&lt;br /&gt;sonhado com a eternidade&lt;br /&gt;num romantismo utópico&lt;br /&gt;quer mudar o mundo e luta&lt;br /&gt;pela exposição de idéias&lt;br /&gt;na projeção de ações inovadoras&lt;br /&gt;vivo num mundo que se fecha&lt;br /&gt;sobre si, como uma ostra&lt;br /&gt;de cimento e cal&lt;br /&gt;disse um amigo em boas eras.&lt;br /&gt;Um Souza Oliveira&lt;br /&gt;intelectual de primeira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 225&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha visão embaçada&lt;br /&gt;busquei o amor e mataram-me&lt;br /&gt;a alma num infanticídio cruel&lt;br /&gt;o etnocídio apagou a memória&lt;br /&gt;dos meus olhos urbanizados&lt;br /&gt;na civilização movediça&lt;br /&gt;que enterra a cada suspiro&lt;br /&gt;a memória das estrelas&lt;br /&gt;apagando seu ego.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 226&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante não é ser negro&lt;br /&gt;mas reconhecer –se     negro&lt;br /&gt;e ser reconhecido como negro&lt;br /&gt;aos olhos da lua a luz das&lt;br /&gt;estrelas e na força da terra&lt;br /&gt;que prende a raiz para o&lt;br /&gt;fluxo da ventania e torrencial&lt;br /&gt;das águas que controla o fogo&lt;br /&gt;da vida no calor do sol.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 227&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar que bloqueia&lt;br /&gt;minha vista&lt;br /&gt;vem de revisitado ancestral&lt;br /&gt;do fotocromatismo da minha&lt;br /&gt;visão erética sacralizada&lt;br /&gt;ao por do sol, queimando&lt;br /&gt;minha íris numa poeira&lt;br /&gt;de fogos artificiais&lt;br /&gt;flutuei no brilho&lt;br /&gt;de seu olhar&lt;br /&gt;neste eclipse cintilante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 228&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erosão, seca e assoreamentos históricos&lt;br /&gt;extinguiram meu rio.&lt;br /&gt;Pouco a pouco, suas várzeas diluídas&lt;br /&gt;evaporam e os bancos de areia se formam&lt;br /&gt;formando ilhas e represas naturais&lt;br /&gt;dividindo o rio em lagoas e estradas em seu leito&lt;br /&gt;No meio há um fosso, cuja água não reflete a luz&lt;br /&gt;onde habita o Leviatã  em seu lençol freático&lt;br /&gt;o mar subterrâneo fala e nos diz a sua história.&lt;br /&gt;O Rio... era aqui.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 229&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma visão inquietante que machuca&lt;br /&gt;e deprime meu coração torturado&lt;br /&gt;por depressões  de doloridos, encontros&lt;br /&gt;desencontrados na tarde do primeiro dia de sol&lt;br /&gt;em hora marcada.&lt;br /&gt;O personagem não reconheceu o seu autor&lt;br /&gt;imagens do meu inconsciente coletivo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -230&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos, pensam que me  conhece&lt;br /&gt;mas não sabe a extensão do meu sofrimento&lt;br /&gt;Nesta tutela antecipada&lt;br /&gt;a sua segurança em meu beneficio&lt;br /&gt;isolam meus pesares pensantes&lt;br /&gt;e sinto no ar a presença da solidão&lt;br /&gt;inerte na presença de você&lt;br /&gt;Vejo na chuva, pingo de sois  e estrelas&lt;br /&gt;imagens, sombras duvidosas&lt;br /&gt;no orvalho em tempestades&lt;br /&gt;olha na chuva canções de despedidas&lt;br /&gt;sonhos do passado&lt;br /&gt;saudades de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –231&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descubram o espelho&lt;br /&gt;voltei para a vida&lt;br /&gt;meus olhos aos poucos&lt;br /&gt;acostuma a luz do dia&lt;br /&gt;e se preparam para festejar&lt;br /&gt;a noite que se anuncia.&lt;br /&gt;Há muito cobrir o espelho&lt;br /&gt;para anunciar a morte&lt;br /&gt;de minha existência&lt;br /&gt;imagens e lembranças&lt;br /&gt;bloqueada na minha memória&lt;br /&gt;ressentida e desmotivada&lt;br /&gt;Hoje é dia de festa e a lua&lt;br /&gt;comemora a minha saudação&lt;br /&gt;com brilhos urgentes e chuva de cristais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –232&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está o horizonte&lt;br /&gt;da minha visão atropelada&lt;br /&gt;pela barreira de luz&lt;br /&gt;que ofusca meu brilho&lt;br /&gt;perde meu sentido&lt;br /&gt;meu amor e direção&lt;br /&gt;Visão variada cheia&lt;br /&gt;de matrizes e versões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 233&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste jogo de espelhos&lt;br /&gt;minha imagem multiplicada&lt;br /&gt;projeta indagações.&lt;br /&gt;Quem sou. E você&lt;br /&gt;nesta imensidão de luzes&lt;br /&gt;sem estrelas piscando&lt;br /&gt;Meus olhos no firmamento&lt;br /&gt;de seu olhar busca visão&lt;br /&gt;real as imagem verdadeira&lt;br /&gt;na ética da ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 234&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos verdes da ilusão&lt;br /&gt;encontro de paixões&lt;br /&gt;desencontradas na energia&lt;br /&gt;do universo, sentimento acidental&lt;br /&gt;no encontro das águas&lt;br /&gt;reflexo de encruzilhada&lt;br /&gt;no alto do mundo azul&lt;br /&gt;Do pico desta montanha tenho&lt;br /&gt;um sonho pálido transfigurado&lt;br /&gt;de veias estropiadas com sangue&lt;br /&gt;coagulado riscado de beijos&lt;br /&gt;avampirados na lua cheia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 235&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No encontro da luz ofuscante&lt;br /&gt;na embriagues solitária do seu olhar&lt;br /&gt;apontando anseios o espaço&lt;br /&gt;que cruzava o reflexo da visão&lt;br /&gt;confusa pela nevoa flutuante&lt;br /&gt;gotejada de águas suspensas&lt;br /&gt;focos de luz, congelante no brilho&lt;br /&gt;de cristais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 236&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos devassaram&lt;br /&gt;Todo expressão do meu corpo&lt;br /&gt;corpo nu em seu esplendor&lt;br /&gt;e natureza crescente&lt;br /&gt;numa harmoniosa maturação.&lt;br /&gt;Corpo rígido&lt;br /&gt;rosto orvalhado&lt;br /&gt;boca sensual&lt;br /&gt;riso brejeiro&lt;br /&gt;voz morna e infantil&lt;br /&gt;Essa infância maculada&lt;br /&gt;na  violação de sua inocência&lt;br /&gt;pueril e luminosa&lt;br /&gt;povoada de sonhos coloridos&lt;br /&gt;flor  ferida ainda em botão&lt;br /&gt;não desabrochado ,pela invasão&lt;br /&gt;dos sentidos feridos de morte&lt;br /&gt;viração corrompida da luxuria&lt;br /&gt;venenosa da mutação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –237&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar atravessou a mascara&lt;br /&gt;protetora de minha expressão&lt;br /&gt;dando brilho ao meu humor e ampliando&lt;br /&gt;minha visão subalterna do seu olhar&lt;br /&gt;que descobriu as lagrimas presas&lt;br /&gt;nos meus olhos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 238&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devastação na queimada de cima&lt;br /&gt;do alto, morro de baixo&lt;br /&gt;Eu vejo em seu olhar&lt;br /&gt;imagens nítidas da destruição&lt;br /&gt;fogueiras, fumaças, coração&lt;br /&gt;O céu está fechado deste lado&lt;br /&gt;de cá a espera de uma tempestade&lt;br /&gt;para limpar a ferida em seu coração&lt;br /&gt;atingindo pelas lágrimas caídas dos seus&lt;br /&gt;olhos em profusão&lt;br /&gt;transformado o rio em mar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –239&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A embriagues dos seus olhos&lt;br /&gt;amplia o reflexo da luz&lt;br /&gt;diminuindo o brilho da visão&lt;br /&gt;que aponta o infinito&lt;br /&gt;No horizonte que tarde traz&lt;br /&gt;de clarão que desce do rio&lt;br /&gt;iluminado as margens mostrando&lt;br /&gt;em seu reflexo o espelho&lt;br /&gt;da vida que se esvai&lt;br /&gt;no silêncio da invasão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –240&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explosões de luzes&lt;br /&gt;estrelas cadentes&lt;br /&gt;maremoto de plumagem barrena&lt;br /&gt;deságua no canavial da praia&lt;br /&gt;vermelha de lua cheia&lt;br /&gt;porto ligeiro de fixa.&lt;br /&gt;vejo na chuva que cai&lt;br /&gt;imagens, sombras duvidosas&lt;br /&gt;no orgulho em tempestade&lt;br /&gt;Olho na chuva&lt;br /&gt;canções de despedidas&lt;br /&gt;sonhos do futuro&lt;br /&gt;saudades de você&lt;br /&gt;Seus olhos&lt;br /&gt;pensam que me conhece&lt;br /&gt;mas você não sabe&lt;br /&gt;a extensão do meu sofrimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –241&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive uma visão noturna&lt;br /&gt;ao amanhecer do dia eterno&lt;br /&gt;Meu sonho flutuando&lt;br /&gt;como folha seca destino&lt;br /&gt;aprisionado ma montanha&lt;br /&gt;de ventos perdidos&lt;br /&gt;na luz do sol caído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 242&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escarifiquei meu corpo&lt;br /&gt;para poder ver minha alma&lt;br /&gt;minha áurea, meus ancestrais&lt;br /&gt;Catulei minha cabeça&lt;br /&gt;e deixei o crânio a mostra&lt;br /&gt;para sentir o vento passar&lt;br /&gt;em viagem aos quadrantes&lt;br /&gt;sem as Rosas em busca do norte.&lt;br /&gt;É o despertar do meu eu&lt;br /&gt;para o sopro de uma nova vida&lt;br /&gt;na ruptura das correntes da escravidão&lt;br /&gt;resistência contra a servidão e  subserviência&lt;br /&gt;faço a minha revolução&lt;br /&gt;Assumindo a identidade ancestral&lt;br /&gt;luto contra os dominadores&lt;br /&gt;encapsulados nos espaços de poder&lt;br /&gt;calando as vozes dos libertários negros&lt;br /&gt;e negando suas consciências num enquadramento&lt;br /&gt;etnocida de aculturamento&lt;br /&gt;tapando a perspectiva de minha visão&lt;br /&gt;sem ângulo e sem espaços.&lt;br /&gt;Hoje,é o dia do meu Orunkó&lt;br /&gt;Identidade. Nação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 243&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós os negros distribalizados,&lt;br /&gt; aculturados, desmemoriado, &lt;br /&gt;domesticados construímos nossa fobia &lt;br /&gt;e mecanismos de ocultamento &lt;br /&gt;do racismo, das questões e das&lt;br /&gt; condições em que nos encontramos &lt;br /&gt;principalmente  quando estamos&lt;br /&gt;nos espaços de Poder e ou  acompanhados&lt;br /&gt; e a serviços dos brancos,&lt;br /&gt; a quem defendemos contra nós mesmo &lt;br /&gt;na medida em que nos agredimos&lt;br /&gt; e nos repelimos em auto-rejeição racial.&lt;br /&gt;O racismo é banalizado pela mídia,&lt;br /&gt; que pertencem aos brancos,&lt;br /&gt; através do silêncio, ocultamento e negação&lt;br /&gt;a que nós covardemente reproduzimos&lt;br /&gt;e cortamos as cabeças daqueles &lt;br /&gt;que se rebelam reforçando  as pechas &lt;br /&gt;de nossas mentalidades escrava&lt;br /&gt;cristalizada pela ideologias, do recalque,&lt;br /&gt;branqueadora da Casa Grande eurocêntrica&lt;br /&gt;gueto de degredados e parias desta Nação violada&lt;br /&gt;de veias expostas da degradação de uma Raça.&lt;br /&gt;A minha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 244&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh essa menina!&lt;br /&gt;Quem é intelectual?&lt;br /&gt;É quem  fala erudito e detem&lt;br /&gt; uma grande  soma vocabular.&lt;br /&gt;É o que tem dinheiro e poder&lt;br /&gt;Os chamados “ doutores” que&lt;br /&gt;distribuem favoresinterferindo&lt;br /&gt; através dos tráficos de influencias&lt;br /&gt;até  na aquisição de títulos,&lt;br /&gt; cargos e  felicidades.&lt;br /&gt;Você está feliz com o”titulo”, &lt;br /&gt;fruto de Fraude Acadêmica&lt;br /&gt;após nos usar e depois vilipendiar,&lt;br /&gt;atribuindo como verdadeiros,&lt;br /&gt; fatos e pensamentos   que repudiamos,&lt;br /&gt;como sendo nosso e negando-nos o memorial&lt;br /&gt;para não ser questionada e agora &lt;br /&gt;desqualifica a nossa história.&lt;br /&gt;Ou será intelectual aquele que fala&lt;br /&gt; diversas línguas sem pensar no mínimo&lt;br /&gt; na cultura  e  filosofia  dos nativos.&lt;br /&gt;Talvez sejam os que lêem os clássicos &lt;br /&gt;e citam em latim as frases de efeito &lt;br /&gt;a titulo de pensamento a reduzida platéia&lt;br /&gt;sem se comunicar com ninguém&lt;br /&gt;Oh essa menina! &lt;br /&gt;Preto também tem cultura e que cultura.&lt;br /&gt;Por isso a intelectualidade dos pretos &lt;br /&gt;em particular e dos negros em geral, &lt;br /&gt;não pode ser mensurada pela visão vazia &lt;br /&gt;de universiotária em busca de títulos ou &lt;br /&gt;de brancos equivocados.&lt;br /&gt;Para quem não tem títulos  teóricos há&lt;br /&gt;o reconhecimento do  Notório Saber que &lt;br /&gt;abastece a grade do aprendizado acadêmico&lt;br /&gt; e enche as nossas medidas com” teses” e”&lt;br /&gt; dissertações” de idiotas que pensam &lt;br /&gt;num pedaço de papel  como a sagração&lt;br /&gt; do poder e da inteligência, sem saber &lt;br /&gt;que a importância de Ser não é Ter&lt;br /&gt; mas saber que É.&lt;br /&gt;Viu. Essa Menina!!!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-245&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantei uma canção incestuosa&lt;br /&gt;e dancei com as vestes do pudor.&lt;br /&gt;Meus olhos sorrindo&lt;br /&gt;faziam meu coração chorar&lt;br /&gt;gotejando lágrimas quentes&lt;br /&gt;que vibravam, congelando&lt;br /&gt;minhas pernas atrofiadas&lt;br /&gt;pela materialização do pensamento&lt;br /&gt;expressa na  melodia&lt;br /&gt;arritmada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-246&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afro descendencia&lt;br /&gt;é coisa de negro de alma branca&lt;br /&gt;que chama Portugal meu avozinho&lt;br /&gt;e tem vergonha de ser negro&lt;br /&gt;diferente dos negros de Carvãozinho&lt;br /&gt;que tem vergonha dos brancos&lt;br /&gt;e convivem  no gueto da periferia&lt;br /&gt;de Cedro de São João.&lt;br /&gt;Diferente dos negros de Mocambos&lt;br /&gt;que se negam e negam os seus&lt;br /&gt;para não serem identificados como tais.&lt;br /&gt;São quilombolas, remanescentes,&lt;br /&gt;herdeiros de resistentes, de ‘Zumbi”&lt;br /&gt;afros descendente, quilombolas, mas,&lt;br /&gt;negros, não. &lt;br /&gt;Sou índio, e lá é meu lugar&lt;br /&gt;aqui é dos meus pais que não são negro.&lt;br /&gt;São quilombolas. Aqui não tem pretos.&lt;br /&gt;Tudo aqui era dos índios.&lt;br /&gt;Sou quilombola afroindigena,&lt;br /&gt;Meus avôs, são portugueses.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-247&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas imagens no espelho&lt;br /&gt;refletem a multidão&lt;br /&gt;em volta dos nossos sonhos&lt;br /&gt;mudo em direção do arco.&lt;br /&gt;Os gritos silenciados dos negros&lt;br /&gt;se calam, porque ninguém quer ouvir&lt;br /&gt;E banalizam a Racismo nosso de cada dia&lt;br /&gt;porque os negros se calam antes o medo&lt;br /&gt;de se insurgir e recusam a gritar&lt;br /&gt;e recusam a  perceber que foram discriminados&lt;br /&gt;e se recusam a lutar por liberdade&lt;br /&gt;para não ser duplamente discriminado&lt;br /&gt;e tornar público a sua dor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-248&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é terra onde,  se come brisa&lt;br /&gt;e arrota fogo.&lt;br /&gt;Num papo de folhas secas&lt;br /&gt;ao vento rasteiro ,redemoinho é temporal&lt;br /&gt;E ninguém é bom Juiz em causa própria&lt;br /&gt;diz o povo,  que ferro que não se usa&lt;br /&gt;a ferrugem gasta.&lt;br /&gt;De tanto silenciar a nossa dor&lt;br /&gt;temos a discriminação como uma&lt;br /&gt;segunda natureza, mas as aparências&lt;br /&gt;nem sempre corresponde &lt;br /&gt;a natureza íntima das pessoas,&lt;br /&gt;acredito que os pequenos mananciais&lt;br /&gt;formam os grandes Rios &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-249&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cordeiro berrou&lt;br /&gt;libertando o Cabrito dentro dele&lt;br /&gt;É a Fênix renovada&lt;br /&gt;na releitura da expiação.&lt;br /&gt;O Cordeiro não pode ser&lt;br /&gt;Bode expiatório.&lt;br /&gt;A pele não faz o Lobo&lt;br /&gt;anterego do Cordeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES –250&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos esquecidos&lt;br /&gt;tênue lembranças na revisão&lt;br /&gt;presenteada no entorno&lt;br /&gt;das águas no leito repousado&lt;br /&gt;perdi os sentimentos&lt;br /&gt;sufocando desejos idealizados&lt;br /&gt;cheios de fluídicos incandescentes&lt;br /&gt;no universo das estrelas&lt;br /&gt;severamente punidas nos emaranhados&lt;br /&gt;refrões dos belos olhos de íris&lt;br /&gt;refletidos no ar .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –251&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um semi-deus&lt;br /&gt;apaixonei meu amor&lt;br /&gt;cristalizando na luz do&lt;br /&gt;desejo materializado em você&lt;br /&gt;que é meu sonho refletido B&lt;br /&gt;elaborado em videotape&lt;br /&gt;numa metafórica luz em&lt;br /&gt;fluorescência real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –252&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho rebate a luz&lt;br /&gt;devolvendo o brilho seu&lt;br /&gt;numa explosão incandescente&lt;br /&gt;salpicada de cristais&lt;br /&gt;poeira de sal tempestade&lt;br /&gt;no ar, chuvas de granizo&lt;br /&gt;Meus olhos cadente&lt;br /&gt;busca na visão a planície dos sonhos&lt;br /&gt;da noite eterna a vida no mar&lt;br /&gt;explodindo sobre a proteção de netuno&lt;br /&gt;que brilha com as estrelas&lt;br /&gt;e águas vivas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 253&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As preces do Angorossi&lt;br /&gt;ressoou pelo ar no quarto escuro,&lt;br /&gt;iluminado pelo meu sentimento irradiado&lt;br /&gt;que sente o misterioso sinal de sua presença&lt;br /&gt;dentro de mim&lt;br /&gt;E assim&lt;br /&gt;buscando lhe alcançar corro sem sair&lt;br /&gt;do lugar que tal Prometeu&lt;br /&gt;me encontro tentando nesta escuridão&lt;br /&gt;não sufocar com o brilho de seu olhar .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –254&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha visão de longo prazo&lt;br /&gt;não vi a transformação do seus olhos,&lt;br /&gt;seu rosto suas ações.&lt;br /&gt;passei a planejar o olhar&lt;br /&gt;em volta de minha visão&lt;br /&gt;que se espreitas ao brilho&lt;br /&gt;circulando pelo ar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –255&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma visão apocalíptica&lt;br /&gt;cristalizou o olhar&lt;br /&gt;na sombra d’água vaporizada&lt;br /&gt;O mar  em chuvas escureceu&lt;br /&gt;a praia deserta em tempestade&lt;br /&gt;de sangue do mar vermelho&lt;br /&gt;imagem da apoplexia do vento&lt;br /&gt;numa mensagem apostata&lt;br /&gt;Meus olhos fitou a estrela&lt;br /&gt;da manhã d’alva para ver o nascer&lt;br /&gt;do sol nas ondas que cobriam o mar .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 256&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efeitos pirotécnicos&lt;br /&gt;das luzes espaciais&lt;br /&gt;aproximaram sua imagem&lt;br /&gt;em close no detalhe de minha&lt;br /&gt;visão estreita&lt;br /&gt;Ar rarefeito  imagem distorcida&lt;br /&gt;convexa concavada dos espelhos&lt;br /&gt;quebrados, multiplicando&lt;br /&gt;meu ego ferido.&lt;br /&gt;O espelho não refletiu a&lt;br /&gt;minha imagem, mostrou a minha dor&lt;br /&gt;a ferida da alma e nos olhos, as lagrimas&lt;br /&gt;que não sentia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 257&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha estrela sumiu&lt;br /&gt;há uma desconfiança em seu olhar&lt;br /&gt;um desdém que incomoda&lt;br /&gt;e fere meu pensamento .&lt;br /&gt;sai visão se dilui e confunde&lt;br /&gt;meu espírito aventureiro, estreitando&lt;br /&gt;e meu fazer congelado meus instintos&lt;br /&gt;desmotivando meu prazer&lt;br /&gt;castração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –258&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do seu olhar&lt;br /&gt;reflete sobre meu passado&lt;br /&gt;mostrando o que não quero ver&lt;br /&gt;historias vividas a luz da angustia&lt;br /&gt;de querer ter seu ser&lt;br /&gt;Essa luz, busca  a visão&lt;br /&gt;do meu futuro no seu presente&lt;br /&gt;pelo poder das estrelas&lt;br /&gt;Essa gandula de prateando&lt;br /&gt;a me envolver como invisível&lt;br /&gt;a absorver sua luz nesta noite estrelada&lt;br /&gt;de novas luas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 259&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisioneiro deste amor cruel&lt;br /&gt;obsessivo e tão grande&lt;br /&gt;que reflete no brilho dos seus olhos&lt;br /&gt;que sinto falta do chão&lt;br /&gt;Este olhar que viola meus sentidos&lt;br /&gt;transforma meus desejos&lt;br /&gt;em fogo queimado minha áurea.&lt;br /&gt;É o símbolo do  sonho  desejado&lt;br /&gt;a espera de revelação  do encantamento&lt;br /&gt;no solo fértil de minha imaginação&lt;br /&gt;profanada pela  visão destes olhos&lt;br /&gt;Portal de minha solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –260&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos avermelhados pela luz do sol&lt;br /&gt;pelos prantos derramados&lt;br /&gt;Visões turvas, embasamento&lt;br /&gt;das lagrimas.&lt;br /&gt;chora, mais chore que a alegria existe.&lt;br /&gt;Não fuja, resista  que as manhãs terão&lt;br /&gt;todas as luzes deste pranto canção da chegada,&lt;br /&gt;verão em seus braços, meu inesquecível&lt;br /&gt;braços de mar, chuva, sol e arco-íris&lt;br /&gt;nos braços da paixão&lt;br /&gt;imagem de cantador.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 261&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas cores não tem   Primavera&lt;br /&gt;só Verão,  só Inverno, devastação&lt;br /&gt;aridez; desertização ....&lt;br /&gt;Minha cores não tem Outono&lt;br /&gt;só lamentos, temporais&lt;br /&gt;fome submissão,&lt;br /&gt;avalanches e cheias&lt;br /&gt;nos campos, sertão e litoral.&lt;br /&gt;Meu coração não tem forças&lt;br /&gt;para regrar a vida desta hipotermia&lt;br /&gt;do lamaçal&lt;br /&gt;Minhas cores não tem Estações&lt;br /&gt;treme os efeitos Carcarás e só vê&lt;br /&gt;enchentes, desabamentos,epidemias&lt;br /&gt;fome, morte , soterramentos ,devastação&lt;br /&gt;na tragédia anunciada.&lt;br /&gt;Minhas cores só vê desmatamentos,&lt;br /&gt;queimadas, secas, fome, destruição&lt;br /&gt;tragédias provocadas, poluição,&lt;br /&gt;represamento,submissão.&lt;br /&gt;Controle Social&lt;br /&gt;Ninguém  é mas poderoso&lt;br /&gt;que uma gente que nada tem&lt;br /&gt;por que viver.&lt;br /&gt;Meu coração diz que é preciso&lt;br /&gt;romper a barreias da solidão&lt;br /&gt;e sonhar ajuntado para ter&lt;br /&gt;por que viver.&lt;br /&gt;Minhas cores, quer Primavera,&lt;br /&gt;Inverno, Outono e Verão&lt;br /&gt;As quatro estações de cores&lt;br /&gt;o olhar do Arco-íris&lt;br /&gt;dos Olhos, da Vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –262&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia alucinada&lt;br /&gt;do seu olhar&lt;br /&gt;guarda uma visão noturna&lt;br /&gt;que espreita a distração&lt;br /&gt;do desejo anunciado&lt;br /&gt;Essa Mascara&lt;br /&gt;impede a sua visão merecida&lt;br /&gt;sem receio da exposição da luz&lt;br /&gt;do dia, holofote&lt;br /&gt;foco de luz, cara limpa&lt;br /&gt;a sentir visibilidade&lt;br /&gt;sem fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 263&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma é de Deus&lt;br /&gt;meu corpo é do mar.&lt;br /&gt;Joguem minhas cinzas&lt;br /&gt;no São Francisco a caminho do Ganges&lt;br /&gt;em direção a Oiyó&lt;br /&gt;saudando os Quadrantes&lt;br /&gt;aos Olhos dos Ancestrais&lt;br /&gt;na travessia do Atlântico.&lt;br /&gt;A Pelejança começou,&lt;br /&gt;ritual de Malembe e purificação&lt;br /&gt;folhas  no corpo que resfria, dando passagem&lt;br /&gt;liberando o Espírito aos  Ancestrais&lt;br /&gt;revisitados, no retorno a Terra Mater&lt;br /&gt;força e vida na hora da revelação&lt;br /&gt;ao centro do recomeço.&lt;br /&gt;Vida...Nação.&lt;br /&gt;Babá Egum Alapalá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 264&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite se fez dia&lt;br /&gt;Sobre a luz do seu olhar&lt;br /&gt;Os olhos de medusa estão&lt;br /&gt;em todos os lugares&lt;br /&gt;mantendo viva cabeças&lt;br /&gt;que rolam petrificando&lt;br /&gt;desejos contrariados&lt;br /&gt;e não resiste ao reflexo&lt;br /&gt;imagem refletida&lt;br /&gt;visão de olhar.&lt;br /&gt;A terceira visão nos&lt;br /&gt;sentidos, mística da&lt;br /&gt;sabedoria ancestral&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 265&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inveja de Caim&lt;br /&gt;matou Abel, na mais&lt;br /&gt;profusão de místicos desejos&lt;br /&gt;Judas traiu Jesus&lt;br /&gt;Zumbi foi traído por&lt;br /&gt;Antonio Soares, seu lugar tenente,&lt;br /&gt;João Mulungu, por Seberino.&lt;br /&gt;São tantas as visões&lt;br /&gt;de covardias e poucas&lt;br /&gt;as opções de felicidades&lt;br /&gt;Essa inveja, mãe de todas&lt;br /&gt;os crimes, nos mostra&lt;br /&gt;a raiz da humildade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 266&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rosa dos Ventos&lt;br /&gt;apontou a direção do vendaval&lt;br /&gt;no meu norte&lt;br /&gt;anunciado o caminho horizonte&lt;br /&gt;do rumo a tomar&lt;br /&gt;O raio me tirou do abismo&lt;br /&gt;pela luz,  visão do conjunto&lt;br /&gt;cardeal, na fixação da Estrela D’alva.&lt;br /&gt;Meu olhar para o nascente&lt;br /&gt;em tons dourados, percebeu&lt;br /&gt;calmaria na despedida do&lt;br /&gt;porto em rito de fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 267&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos&lt;br /&gt;são tochas de fogo&lt;br /&gt;a arder na escuridão fria&lt;br /&gt;Minha luz reflete a imagem&lt;br /&gt;solta no ar, confissões figuradas&lt;br /&gt;do transe da terra infida.&lt;br /&gt;Seu corpo flutua no firmamento&lt;br /&gt;esmagando ventos e estrelas&lt;br /&gt;vejo sua visão ardente dentro de mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 268&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transplantei minha&lt;br /&gt;visão, para sua retina&lt;br /&gt;sem alterar seus olhos&lt;br /&gt;Busquei nesta transferência&lt;br /&gt;animar seus sonhos&lt;br /&gt;mimetizar sua realidade&lt;br /&gt;com as cores de minha fantasia&lt;br /&gt;revertendo os reflexos&lt;br /&gt;desta luz interior&lt;br /&gt;para acalmar a turbulência deste olhar&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 269&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão obstruiu&lt;br /&gt;O meu olhar definitivo&lt;br /&gt;sobre a luz da manhã&lt;br /&gt;fitei o tempo&lt;br /&gt;pedindo tempo&lt;br /&gt;para ter tempo&lt;br /&gt;tempo de amor&lt;br /&gt;um tempo a mais, e,&lt;br /&gt;no entardecer, meu olhar&lt;br /&gt;livre da névoa e da dúvida.&lt;br /&gt;Em sua visão, me vi em você .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 270&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha visão vestida de luz&lt;br /&gt;desnudou o seu olhar e&lt;br /&gt;devassando o seu destino&lt;br /&gt;percebeu a esperança&lt;br /&gt;que acalenta na primavera&lt;br /&gt;do sonho .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 271&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na foz do meu coração&lt;br /&gt;tem uma ilha de luz&lt;br /&gt;fantasia de minha tristeza&lt;br /&gt;refugio de minha ilusão&lt;br /&gt;ponte de minhas viagens&lt;br /&gt;sideral em transe constante&lt;br /&gt;delírio de grandezas&lt;br /&gt;no drama do dia seguinte&lt;br /&gt;da concepção do caos&lt;br /&gt;que flutua em torno de mim&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  272&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pular  a montanha e flutuar&lt;br /&gt;é ter o desejo realizado&lt;br /&gt;na brisa quente que exalo&lt;br /&gt;do precipício do silencio&lt;br /&gt;A visão do meu mundo&lt;br /&gt;caiu sem romper as barreiras&lt;br /&gt;da encantamento dos seus olhos&lt;br /&gt;Sem desfigurar a imagem&lt;br /&gt;do meu sentimento e da ótica&lt;br /&gt;do destino anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES –273&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho do inferno&lt;br /&gt;Estrela da danação que a luz&lt;br /&gt;ilumina sobre seus olhos,&lt;br /&gt;iluminando uma floresta&lt;br /&gt;encantada pelas folhas&lt;br /&gt;de verão.&lt;br /&gt;As lagrimas sentidas&lt;br /&gt;apagam o clarão no rito&lt;br /&gt;de passagem , pelo caminho&lt;br /&gt;azul da redenção .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –274&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha inspiração&lt;br /&gt;é uma utopia terápica&lt;br /&gt;que alimenta a fantasia&lt;br /&gt;na construção de uma imagem&lt;br /&gt;inacabada.&lt;br /&gt;Sonho de olhos abertos&lt;br /&gt;e vejo sois, luas e estrelas&lt;br /&gt;no prisma que construir&lt;br /&gt;na ponte silenciosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –275&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transbordou o rio&lt;br /&gt;de lagrimas na solidão&lt;br /&gt;do barroco subterrâneo&lt;br /&gt;onde mora seu segredo&lt;br /&gt;A fresta de luz inundou&lt;br /&gt;o abismo que escondia&lt;br /&gt;a imagem de sua consciência&lt;br /&gt;adormecida&lt;br /&gt;A visão do seu pranto&lt;br /&gt;não escondia a agonia&lt;br /&gt;estampada no olhar&lt;br /&gt;surpreendido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –276&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abra a janela do passado&lt;br /&gt;e veja como  estou&lt;br /&gt;neste sonho fragmentado&lt;br /&gt;de amor sem paz, e sonhos&lt;br /&gt;agendados na escuridão&lt;br /&gt;do terraço suspenso no ar&lt;br /&gt;Olhos de amar devastados&lt;br /&gt;pelo olhar de ver e sentir  &lt;br /&gt;a visão do apogeu, no abismo&lt;br /&gt;da fatalidade esmagada pela&lt;br /&gt;luz fria da dor serena.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –277&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo na chuva&lt;br /&gt;Pingos de sois estrelados&lt;br /&gt;imagens, sombras duvidosas&lt;br /&gt;de orvalhos em tempestades&lt;br /&gt;Olho a chuva&lt;br /&gt;Canções de despedidas&lt;br /&gt;Sonhos do passado&lt;br /&gt;Saudades de você&lt;br /&gt;Seus olhos, pensam&lt;br /&gt;que me conhece&lt;br /&gt;Mas não sabe a extensão&lt;br /&gt;do meu sofrimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –278&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este corpo diáfano&lt;br /&gt;Banhado pela luz da aurora&lt;br /&gt;Emerge do nada em meus sonhos&lt;br /&gt;E vejo a manhã inundada&lt;br /&gt;São seis, estrelas flutuantes&lt;br /&gt;de alegria, perfume da inocência&lt;br /&gt;na minha imagem materializada&lt;br /&gt;Visão de destino fulgurante&lt;br /&gt;em véu transparente dos tecidos&lt;br /&gt;de brilhos.&lt;br /&gt;Eu vejo sem ser visto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 279&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trono está&lt;br /&gt;onde o rei sentar&lt;br /&gt;A realeza é itinerante&lt;br /&gt;não precisa de palácios&lt;br /&gt;ou serviçais&lt;br /&gt;O rei chegou, o salve o rei&lt;br /&gt;por gestos ou palavras&lt;br /&gt;olhares e sentimentos&lt;br /&gt;Nobreza que antecede&lt;br /&gt;Visão que enobrece&lt;br /&gt;Sem coroa ou aparatos&lt;br /&gt;Basta o olhar e atitude&lt;br /&gt;Salve o rei&lt;br /&gt;Salve você.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –280&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nebulosidade variável&lt;br /&gt;Na cerração do olhar jurisdicional&lt;br /&gt;A musa guerreira, guardiã&lt;br /&gt;dos sonhos meus, olha mais não vê.&lt;br /&gt;O choro da multidão injustiçada&lt;br /&gt;Visão patológica de miragem&lt;br /&gt;empaquetada no incesto da lei&lt;br /&gt;que brilha no pote dourado&lt;br /&gt;do arco-íris de cristal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 281&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Teoria dos Anjos&lt;br /&gt;passeia sobre a multidão&lt;br /&gt;jorrando poeiras de estrela&lt;br /&gt;que brilham na estrada.&lt;br /&gt;Multidão embriagada pela luz&lt;br /&gt;se perde na miragem celestial&lt;br /&gt;Os anjos e as estrelas&lt;br /&gt;no contraste mítico da fogueira&lt;br /&gt;que passeia no sonho que&lt;br /&gt;anuncia a hora de sonhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –282&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão nebulosa&lt;br /&gt;de olhar mórbido e triste&lt;br /&gt;Sem a luz da reflexão e claridade&lt;br /&gt;visível.&lt;br /&gt;Uma ventania vasta, ergueu barreira&lt;br /&gt;igual as muralhas de Jericó&lt;br /&gt;Uma China, Berlim, Israel.&lt;br /&gt;Ótica distorcida, espelho de babel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –283&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinais das estrelas&lt;br /&gt;Indicam ao navegador o porto&lt;br /&gt;distante, tão perto dos sentidos&lt;br /&gt;pela ótica se chegar aos braços&lt;br /&gt;iluminados do destino.&lt;br /&gt;Quando a lua nasce, o sol se esconde&lt;br /&gt;mas nem sempre, um dia se encontram&lt;br /&gt;guiados pelas estrelas&lt;br /&gt;Céu de verão em dia anoitecido&lt;br /&gt;pelos sinais das estrelas, na&lt;br /&gt;visão do sonhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –284&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar desconfortável&lt;br /&gt;e doentio, ensimesmado&lt;br /&gt;Visão telepática, acontecimento&lt;br /&gt;sombrio,&lt;br /&gt;Marca de dor e&lt;br /&gt;infinita nobreza&lt;br /&gt;maculada pela distância&lt;br /&gt;vazia e triste.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –285&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar estava tão seco&lt;br /&gt;que os pássaros não cantaram&lt;br /&gt;O vento não soprou e seus olhos&lt;br /&gt;ardentes, marejaram&lt;br /&gt;A visão tardia do meu sentimento&lt;br /&gt;flutuou exausta na miragem asfáltica&lt;br /&gt;deste  dia eterno que não passou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 286&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clarão das águas turvas&lt;br /&gt;Explode dentro de mim&lt;br /&gt;como uma bolha prensada&lt;br /&gt;na profunda distância do mar.&lt;br /&gt;Sufoco  na luz das estrelas cadente&lt;br /&gt;na constelação do mar ardente&lt;br /&gt;que mim solta em vácuo flutuante&lt;br /&gt;aproximado do clarão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 287&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua luz cegou meus olhos&lt;br /&gt;ofuscou o brilho de minha estrela&lt;br /&gt;visão sinistra, arrogante&lt;br /&gt;emudece e paralisa pensamentos&lt;br /&gt;bloqueando sonhos, caminhos&lt;br /&gt;e direção&lt;br /&gt;Essa insegurança&lt;br /&gt;fragiliza energias de vitimas&lt;br /&gt;transformadas.&lt;br /&gt;Vejo em seus sonhos, pesadelos&lt;br /&gt;vividos em visões atormentadas&lt;br /&gt;pelo ciúmes das estrelas&lt;br /&gt;a  luz de minha estrela&lt;br /&gt;esta no brilho do meu olhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 288&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elevo as mãos em forma de concha&lt;br /&gt;para prender a luz que se destaca&lt;br /&gt;nesta noite misteriosa de odores quente&lt;br /&gt;que exalam  dos pingos que caem.&lt;br /&gt;Arco-Iris na noite de lua cheia&lt;br /&gt;magia de esmeralda no circulo lunar&lt;br /&gt;enche meu coração de luz transbordante&lt;br /&gt;no circulo do giro desta miragem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –289&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha visão ressentida&lt;br /&gt;denuncia o olhar agradecido&lt;br /&gt;pela ação plena dos meus direitos&lt;br /&gt;liderados por favores de terceiros&lt;br /&gt;Essa ótica autoritária de olhares vesgos&lt;br /&gt;transforma nossos Direitos em Favores&lt;br /&gt;fortalecendo cada vez mais&lt;br /&gt;o poder de se perder.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 290&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo&lt;br /&gt;Sinto um peso sufocante&lt;br /&gt;em meu corpo aquebrantado que arde&lt;br /&gt;e esta sensação de cansaço&lt;br /&gt;vejo a fixação de um frio olhar .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 291&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tocou&lt;br /&gt;Não com os olhos&lt;br /&gt;Mas com o coração&lt;br /&gt;Seu toque  provocou uma catalepsia&lt;br /&gt;e meu corpo riso, amortecer&lt;br /&gt;Sua visão emotiva de luzes forte&lt;br /&gt;encadeou meus sentimentos, emoção&lt;br /&gt;Minhas lagrimas cristalizaram&lt;br /&gt;a sua expressão refletida no pensamento&lt;br /&gt;Não sorrir mas vi em sua visão&lt;br /&gt;Minha vida e, suspensão, passando&lt;br /&gt;o meu passado porta adentro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 292&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar&lt;br /&gt;invade minha privacidade&lt;br /&gt;devassando meu interior&lt;br /&gt;Desnudando meu corpo.&lt;br /&gt;Esse brilho luxuriante&lt;br /&gt;violenta os meus sentidos&lt;br /&gt;engessando os desejos pela&lt;br /&gt;sensação violenta, sombra&lt;br /&gt;na escuridão fria e sufocante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  293&lt;br /&gt;Para seu prazer&lt;br /&gt;fui vendido a luz do dia&lt;br /&gt;por você, na sombra da noite&lt;br /&gt;para sua satisfação .&lt;br /&gt;o sol é luz, não deixe&lt;br /&gt;ofuscar seu brilho pela visão&lt;br /&gt;mercantilista, gerada pelo egoísmo&lt;br /&gt;seu de sua imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 294&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olhar desespera&lt;br /&gt;e luta para sair ,&lt;br /&gt;da cidade perdida&lt;br /&gt;sem ótica e reflexão&lt;br /&gt;de brilho cuja luz&lt;br /&gt;se perdeu&lt;br /&gt;Busco na visão  adormecida&lt;br /&gt;Forças para refletir&lt;br /&gt;em pensamento a imagem congelada&lt;br /&gt;no tempo – Solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 295&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos&lt;br /&gt;seu viver em staccato&lt;br /&gt;visão fora de foco&lt;br /&gt;potencializa os sonhos&lt;br /&gt;tridimencionalizados  pela insistência&lt;br /&gt;de luz própria, para realimentação&lt;br /&gt;do vigor da constelação&lt;br /&gt;sufocada em seus olhar hermafrodita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  296&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa visão seletiva&lt;br /&gt;nos traz arrependimentos&lt;br /&gt;numa ótica vertiginosa&lt;br /&gt;Esqueço de mim&lt;br /&gt;Quando quero lembrar você&lt;br /&gt;Cerro, cerrado, cerração em mar revolto&lt;br /&gt;Volto e sinto sufoco&lt;br /&gt;pela presença de mim no alongamento&lt;br /&gt;desta visão focada em meu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES –  297&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar de Mandrágora&lt;br /&gt;Só  via a perfeita ebulição&lt;br /&gt;da fantasia .&lt;br /&gt;sua estrela nasceu&lt;br /&gt;na morte anunciada do amor&lt;br /&gt;petrificado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 298&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miragem asfáltica&lt;br /&gt;de olhar ausente&lt;br /&gt;lágrimas evaporadas&lt;br /&gt;dos olhos marejados.&lt;br /&gt;Sonhos angustiados, sensação fria&lt;br /&gt;de  Oásis distante do litoral&lt;br /&gt;do meu coração doado no ritu&lt;br /&gt;do Rio extinto, desertizado&lt;br /&gt;esqueleto de ferros retorcidos&lt;br /&gt;colunas de cimentos enegrecidas&lt;br /&gt;apontam a Torre  destruída.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 299&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a fagulha de luz&lt;br /&gt;No seu riso matinal&lt;br /&gt;Olho um olhar aquecido&lt;br /&gt;pelo esquecimento das sombra&lt;br /&gt;ameaçadora de dia anoitecido&lt;br /&gt;pela ausência das estrelas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 300&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão sepulta&lt;br /&gt;a Aurora Boreal&lt;br /&gt;com flores múltiplas&lt;br /&gt;no vazio do nada.&lt;br /&gt;Seu olhar passageiro&lt;br /&gt;pela ponte do silencio&lt;br /&gt;em noite cheia de contraste&lt;br /&gt;fantasmagóricos que povoam&lt;br /&gt;o deserto e conflitos&lt;br /&gt;do seu olhar .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 301&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilho do Sol&lt;br /&gt;chega a escuridão&lt;br /&gt;solitária dos meus olhos&lt;br /&gt;adormecidos com o sol de inverno&lt;br /&gt;em chuva de granizo.&lt;br /&gt;A luz bruxuleante da Lua&lt;br /&gt;encandeia a clareira trepidante&lt;br /&gt;das queimadas do  Sertão&lt;br /&gt;deserto de  natureza&lt;br /&gt;devasta a solidão do vento bravio&lt;br /&gt;aragem  de fogo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 302&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este olhar trocista&lt;br /&gt;visão colonial de linhas&lt;br /&gt;Medievais&lt;br /&gt;que traz no semblante&lt;br /&gt;duvidas e desgosto, lembranças&lt;br /&gt;que traz.&lt;br /&gt;Das torturas, segredos bizarros&lt;br /&gt;das inquietas inquisições&lt;br /&gt;em ritmos bizantinos, de telúricas&lt;br /&gt;magias, rituais medievais&lt;br /&gt;sombras geladas, na nascidas do&lt;br /&gt;sol caído em noite de lua cheia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 303&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eternidade tem duração&lt;br /&gt;do sentido da vida&lt;br /&gt;Caminhos percorridos pelo&lt;br /&gt;desejo de ver&lt;br /&gt;olhando ás margens dos rios&lt;br /&gt;as ondas do mar&lt;br /&gt;Vendo no reflexo dos seus olhos&lt;br /&gt;a refração da luz a imagem&lt;br /&gt;do meu olhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 304&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos que correm&lt;br /&gt;sem a pressa de fugir&lt;br /&gt;porque sabe não poder&lt;br /&gt;se esconder&lt;br /&gt;do brilho do meu olhar&lt;br /&gt;A minha visão flutua&lt;br /&gt;no centro de sua íris&lt;br /&gt;transformando infinito&lt;br /&gt;o mar etéreo de luz&lt;br /&gt;Que brilham no seu olhar .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 305&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar modifica&lt;br /&gt;pela fé a realidade&lt;br /&gt;quanto mais olha&lt;br /&gt;mais irreal aparece.&lt;br /&gt;Como uma visão distorcida&lt;br /&gt;de múltiplos espelhos&lt;br /&gt;que refletem a distorcem&lt;br /&gt;realidade e fantasia&lt;br /&gt;Pelo estrabismo daltônico .&lt;br /&gt;sua realidade não é minha&lt;br /&gt;sua luz não me encandeia&lt;br /&gt;nas distorce a visão&lt;br /&gt;o conjunto de paz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 306&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor congelante&lt;br /&gt;de raio em faísca de sua visão&lt;br /&gt;Assola o deserto do meu olhar&lt;br /&gt;vazio, curto e solitário&lt;br /&gt;Essa miopia alucinante&lt;br /&gt;recosta nas colunas de sua íris&lt;br /&gt;nimbustrata que se transforma&lt;br /&gt;em capoeira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 307&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar acompanha a fuligem&lt;br /&gt;flutuando no ar em chamas&lt;br /&gt;circulante de cor ocrisada&lt;br /&gt;e vermelha tenso sobre o verdejante&lt;br /&gt;campo em degradação&lt;br /&gt;antiga mata e seculares troncos&lt;br /&gt;e no circulo gotejante de crepitantes&lt;br /&gt;vegetação ao vento&lt;br /&gt;O riso delirante do pastos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 308&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar juvenil&lt;br /&gt;apagado no ar&lt;br /&gt;envelhecido pelo sol&lt;br /&gt;de inverno&lt;br /&gt;Nas trepidas mutações&lt;br /&gt;do tempo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 309&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Potencializei&lt;br /&gt;a policromia do meu olhar&lt;br /&gt;com lentes da sedução&lt;br /&gt;buscando alcançar o inacessível&lt;br /&gt;campo, que repousa sua visão.&lt;br /&gt;Sinto o calor do seu sorriso&lt;br /&gt;e o frescor do sonho que sonhei&lt;br /&gt;sonhando o sonho seu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 310&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro, cor de perfume&lt;br /&gt;Amarelado pelo tempo&lt;br /&gt;sem ritmo, polifonia&lt;br /&gt;dissonante.&lt;br /&gt;Meus olhos, lacrimejantes&lt;br /&gt;ardem ofuscados pela policromia&lt;br /&gt;castrofôbica de sua visão arrogante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 311&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de inveja&lt;br /&gt;fujo das traições&lt;br /&gt;A inveja é a mãe de todas&lt;br /&gt;as ações criminosas&lt;br /&gt;Os invejosos são capazes&lt;br /&gt;de tudo, os traidores&lt;br /&gt;matam tudo que ver, quer eu  toca&lt;br /&gt;O desejo da traição está nos&lt;br /&gt;olhos a inveja é a visão aterradora da traição&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 312&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso dos seus olhos&lt;br /&gt;Alegra meu coração&lt;br /&gt;Ilumina meu sol&lt;br /&gt;Irradiado pela visão&lt;br /&gt;de Eclipse, da minha solidão&lt;br /&gt;suspensa, pelo desejo retraído&lt;br /&gt;de lhe ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 313&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois poços infinitos&lt;br /&gt;Sem ar, sem brilho&lt;br /&gt;Abismo de mim&lt;br /&gt;Ausente de qualquer expressão&lt;br /&gt;Esse seu olhar, perdido&lt;br /&gt;Poço vazio,escuridão&lt;br /&gt;Labirinto frio que exala&lt;br /&gt;vapores de festas em túmulos&lt;br /&gt;de ecos sombrios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 314&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rosa  resplandecia&lt;br /&gt;no jarro, adornando o espaço&lt;br /&gt;de uma sala ao lado.&lt;br /&gt;Seu aroma inebriante,&lt;br /&gt;que envolvia a alegria de todos&lt;br /&gt;estranhamente mudou,&lt;br /&gt;murchou a Rosa vermelha, &lt;br /&gt;púrpura cor de sangue&lt;br /&gt;coagulado, vitima de um olhar&lt;br /&gt;devastador exalando energia&lt;br /&gt;fria, sem  luz, sem calor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 315&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um golpe de vista&lt;br /&gt;percebi toda inquietação&lt;br /&gt;que envolve o seu delírio&lt;br /&gt;sua visão crescente&lt;br /&gt;de lua cheia&lt;br /&gt;minguando a memória&lt;br /&gt;emotiva de sua visão&lt;br /&gt;derradeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 316&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estrada, nevoa&lt;br /&gt;No mar, a invisibilidade&lt;br /&gt;Faróis, sinos, apitos e luzes&lt;br /&gt;refletem a sinalização&lt;br /&gt;Pedindo passagem, socorro&lt;br /&gt;avisando os perigos  da visão&lt;br /&gt;embaçada, invisível, intermitente&lt;br /&gt;ao porto seguro&lt;br /&gt;sinalizando o movimento&lt;br /&gt;de chegada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 317&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar biônico&lt;br /&gt;Invadindo meu interior&lt;br /&gt;Devasta  a tranqüilidade&lt;br /&gt;do meu comodismo&lt;br /&gt;Afugenta meus sonhos&lt;br /&gt;Cristalizando a realidade&lt;br /&gt;Nua, sem sombra&lt;br /&gt;sem luz e,&lt;br /&gt;sem privacidade&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 318&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto onde se encontra&lt;br /&gt;a realidade tem outra&lt;br /&gt;perspectiva&lt;br /&gt;O ângulo de visão&lt;br /&gt;o ponto de vista&lt;br /&gt;atravessam a solidão&lt;br /&gt;transformando em fantasia&lt;br /&gt;meu delírio ótico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 319&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magia da solidão em tempo&lt;br /&gt;em tempo frio de pensar&lt;br /&gt;congela o pensamento&lt;br /&gt;de emoções renascidas&lt;br /&gt;do útero vazio&lt;br /&gt;fragilizado em corpos mumificado&lt;br /&gt;cristalizado pela sombra&lt;br /&gt;do sonhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 320&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expressão fria de um cálido olhar&lt;br /&gt;alimentar conceitos e valores&lt;br /&gt;do egoísmo: Nesta parada&lt;br /&gt;eu sou o sol nesta montanha&lt;br /&gt;fria.&lt;br /&gt;Cheia de demônios sacralizados&lt;br /&gt;cristalizados pela fé premonitória.&lt;br /&gt;na masmorra de orações&lt;br /&gt;testemunha muda de alucinações&lt;br /&gt;fantasias do meu passado e delírios&lt;br /&gt;Se pudesse provar o que acredito&lt;br /&gt;não seria, crença. Não teria fé.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –321&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai, tanta luz&lt;br /&gt;e nunca mim ofuscou&lt;br /&gt;sempre referenda o amor que somos&lt;br /&gt;nesta estrela que reluz&lt;br /&gt;o reflexo do Sol – Constelação&lt;br /&gt;Na casa das águas e dos ventos&lt;br /&gt;me indica a presença e seu olhar&lt;br /&gt;estrela das primeiras horas&lt;br /&gt;na constelação do seu olhar.&lt;br /&gt;pai , sem saudades, presente de mim&lt;br /&gt;Ah!meu pai, farol de minha&lt;br /&gt;enseada, meu banco de areia, ilha&lt;br /&gt;Oceania, praia de sol&lt;br /&gt;guia minha barca animada de saudades,&lt;br /&gt;cintilações espumantes&lt;br /&gt;no oceano da vida, que atravesso&lt;br /&gt;sem sonhar, na minha revisitação&lt;br /&gt;Ah! Meu pai, minha Mãe&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –   322&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu olhar&lt;br /&gt;o espelho da ambição&lt;br /&gt;enche de ódio o despertar&lt;br /&gt;incendiando de luxuria e cobiça&lt;br /&gt;tudo que vê em derredor.&lt;br /&gt;A medusa tem prazer, nos contorcer&lt;br /&gt;de suas  vitimas inanimadas&lt;br /&gt;Você, inveja do que viceja&lt;br /&gt;se alimenta com a desgraça, fracasso&lt;br /&gt;de quem, constrói&lt;br /&gt;olhar perdido da desesperança&lt;br /&gt;Olhar de maus olhos, olhos maus&lt;br /&gt;virótico, quebrantado, repugnante&lt;br /&gt;amaldiçoado, olho cumprido&lt;br /&gt;há de ser punido, olho por olho&lt;br /&gt;dente por dente e serás fechado&lt;br /&gt;para não deitar poeira, nos&lt;br /&gt;outros, olho, olho de boi.&lt;br /&gt;com três te botaram , com&lt;br /&gt;quatro eu te tiro.&lt;br /&gt;Berú ló.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 323&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ícone imagético&lt;br /&gt;sólida, da lembrança&lt;br /&gt;sombra, de futuro escamoteado&lt;br /&gt;pela luzerna enfraquecida&lt;br /&gt;no tombadilho da ilusão.&lt;br /&gt;Na minha inteligência natural&lt;br /&gt;do canto codificado, artificializei&lt;br /&gt;o ritmo do meu processador fragilizado&lt;br /&gt;por sentimentos constantes&lt;br /&gt;de alegria divinizadas, num transe&lt;br /&gt;consciente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 324&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha generosidade é o sentido&lt;br /&gt;deste amor desinteressado&lt;br /&gt;sem ambição, cristalizado&lt;br /&gt;O verdadeiro sentido da vida&lt;br /&gt;é meu amor que se entrelaça&lt;br /&gt;na cântico de amor você&lt;br /&gt;E buscando levo crença&lt;br /&gt;trazendo esperança de rever&lt;br /&gt;Singrando os sertões mares&lt;br /&gt;remotos nas asas de imaginação&lt;br /&gt;ligado nos continentes&lt;br /&gt;neste inverno na brisa de verão.&lt;br /&gt;Minha generosidade é o sentido&lt;br /&gt;deste amor cristalizado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 325&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relação incestuosa da justiça&lt;br /&gt;com falta de autoridade&lt;br /&gt;do juiz manipulado por sombras&lt;br /&gt;que lhes arrogam o poder&lt;br /&gt;No oráculo, Exu sentencia&lt;br /&gt;pelos Cauris, Oiyaku, confirmando&lt;br /&gt;em Alafiá a morte da horda.&lt;br /&gt;Há uma guerra de inteligência&lt;br /&gt;aqui dentro, destruída pela&lt;br /&gt;idiotas lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 326&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho do furacão  em  turbulência&lt;br /&gt;de calmaria plena&lt;br /&gt;no turbilhão de mar encapelado&lt;br /&gt;com vento de proa.&lt;br /&gt;Luzeiro vermelho, sinos intermitentes&lt;br /&gt;sinais de atenção.&lt;br /&gt;Tromba d’água no sertão&lt;br /&gt;areia do deserto, invade o mar&lt;br /&gt;e o vento ronda a nascente do rio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 327&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo parou&lt;br /&gt;multidão adormecidas&lt;br /&gt;corpo rijo de angustia&lt;br /&gt;pensamento congelado&lt;br /&gt;na noite ultima&lt;br /&gt;da consciência coletiva&lt;br /&gt;emparedada.&lt;br /&gt;A contemporaneidade&lt;br /&gt;do século vinte e hum&lt;br /&gt;nos remete ao dezoito&lt;br /&gt;transcendendo meu furor&lt;br /&gt;reanimado que rejeita&lt;br /&gt;a servidão.&lt;br /&gt;O tempo não para&lt;br /&gt;Parou na indecisão&lt;br /&gt;do labirinto d tempo&lt;br /&gt;chamas envoltas em temporal&lt;br /&gt;o tempo – não para.&lt;br /&gt;Zara tempo!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 328&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cotidiano vazio&lt;br /&gt;Suporte de trajetórias&lt;br /&gt;exauridas, pela frieza&lt;br /&gt;do realismo perverso&lt;br /&gt;da idade de ouro da primavera&lt;br /&gt;medieval destes tempos&lt;br /&gt;hodiernos de minha&lt;br /&gt;contemporaneidade confusa&lt;br /&gt;e invalida&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 329&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prelúdio de uma manhã serena&lt;br /&gt;uma onda gigantesca&lt;br /&gt;que emerge do fundo&lt;br /&gt;de minha dor&lt;br /&gt;imunda a imensidão&lt;br /&gt;do litoral em busca&lt;br /&gt;do sonho desfeito&lt;br /&gt;na solidão ansiada&lt;br /&gt;Estou triste, sem caminhos!&lt;br /&gt;Só se fica triste&lt;br /&gt;quando não existe, atalhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 330&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espasmo  do meu sonambulismo&lt;br /&gt;marca o lirismo do ardor&lt;br /&gt;das ações do meu duplo&lt;br /&gt;nascido de mim&lt;br /&gt;E hoje, hipnotizado&lt;br /&gt;pelo medo. corro de mim&lt;br /&gt;noite adentro, levitando&lt;br /&gt;em transe ascendente&lt;br /&gt;como uma sombra bruxuleante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 331&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signos, ritos de contradição&lt;br /&gt;conjuntura de espaços&lt;br /&gt;na expressão de minha melodia&lt;br /&gt;musica fugaz, sincopada de astros&lt;br /&gt;espelhos dourados, marcados&lt;br /&gt;de Deuses – Heróis heréticos&lt;br /&gt;na constelação dos meus guias&lt;br /&gt;expressão dos Arcanos oraculares&lt;br /&gt;na purificação do ritu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 332&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscando o amor de Afrodite&lt;br /&gt;mitiguei o oitavo trabalho&lt;br /&gt;a Hércules, na liberação de Perceu&lt;br /&gt;do Olimpo ao Ará pelo Sinai&lt;br /&gt;na sombra do Arco – Íris&lt;br /&gt;o fogo sagrado de Zeus, no Aguerê de Iansã&lt;br /&gt;em luta com Xangô, na busca do segredo&lt;br /&gt;contido no Fogo da sagração&lt;br /&gt;Raios, Trovões rasgão o ar&lt;br /&gt;na  luta de Oiyá, os ventos levantam&lt;br /&gt;as ondas do Niger&lt;br /&gt;Eparrei.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 333&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente de alma enrugada&lt;br /&gt;e olhar de peixe morto&lt;br /&gt;Ícone de lutas traicioneiras&lt;br /&gt;luz bruxuliante de farol quebrado&lt;br /&gt;no pontal dos olhos mortos&lt;br /&gt;em noite de lua minguante.&lt;br /&gt;Gente de alma enrugada e&lt;br /&gt;corpo cheio de lama&lt;br /&gt;identidade perdida&lt;br /&gt;fogo faceou delirante &lt;br /&gt;de sombras fracionadas&lt;br /&gt;lorogum de arerê.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 334&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo me surpreendeu&lt;br /&gt;na alegria de viver&lt;br /&gt;sobre os aplausos de ternura&lt;br /&gt;numa noite clara de emoções&lt;br /&gt;Na foz do rio, me perdi&lt;br /&gt;no banco de areia coberto&lt;br /&gt;pelo seu lençol em todo leito&lt;br /&gt;da bacia, num estuário prateado&lt;br /&gt;de luzes refletidas nervosamente&lt;br /&gt;no Espelho D’água do Sol Nascente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 335&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste amargo dissabor alucinado&lt;br /&gt;de sol frio e vento quente&lt;br /&gt;Somos forçamos a tomar caminhos&lt;br /&gt;que não escolhemos e não nos leva&lt;br /&gt;a lugar algum.&lt;br /&gt;O que fazemos não define o que somos&lt;br /&gt;o que nos define é como levantamos&lt;br /&gt;depois de uma queda.&lt;br /&gt;Meus olhos foram interceptados&lt;br /&gt;pela luz de um olhar fosso&lt;br /&gt;quedaram na sombra.&lt;br /&gt;Espectro de minha visão transfigurada&lt;br /&gt;do mistério que sonda meu caminho&lt;br /&gt;resistente do sol, numa metástase&lt;br /&gt;transcultural que não define&lt;br /&gt;minha identidade.&lt;br /&gt;Inquisição renascentista em Opus Dei&lt;br /&gt;revelou o segredo das águas suspensa&lt;br /&gt;nos olhos de Oxum Opará&lt;br /&gt;Iya mió. Olori Iya Mi Ajé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 336&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O remédio que lhe curou&lt;br /&gt;matou o fogo da paixão&lt;br /&gt;cruzei os oitos mares&lt;br /&gt;com as Rosas dos ventos&lt;br /&gt;potencializada rumo&lt;br /&gt;as galácticas do cruzador&lt;br /&gt;nas rotas das estrelas&lt;br /&gt;E rota no fim do itinerário&lt;br /&gt;atraquei na rotunda tosca&lt;br /&gt;do quarteirão rubento&lt;br /&gt;sem rumorejar o poder&lt;br /&gt;maior que a autoridade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 337&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrato da minha memória violada&lt;br /&gt;vejo imagens que nunca esqueci&lt;br /&gt;uma ação subversiva dos meus olhos ausentes&lt;br /&gt;olhares imaginários na madrugada quente&lt;br /&gt;de luz intensa.&lt;br /&gt;Ainda terei uma atoraquecia&lt;br /&gt;para ausentar as preocupações delirantes&lt;br /&gt;esquecer, como esquecem com facilidades&lt;br /&gt;de que somos, de onde vimos,&lt;br /&gt;para onde  vamos, porque somos&lt;br /&gt;vítimas de nós mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 338&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirei a Cruz de Ferro e troquei&lt;br /&gt;pela de Couro&lt;br /&gt;para acreditar na emancipação&lt;br /&gt;abjurando a abolição e alforria&lt;br /&gt;Lutei como se luta em consciência&lt;br /&gt;para buscar a liberdade de direitos&lt;br /&gt;adquiridos por conquistas dos Ancestrais&lt;br /&gt;Luto na Resistência para manter espaços&lt;br /&gt;e  provocar rupturas das regulações&lt;br /&gt;etnocêntricas que prejudicam&lt;br /&gt;a visão da consciência adormecida&lt;br /&gt;engessada pela opressão dos&lt;br /&gt;donatários que preservam a&lt;br /&gt;nossa escravidão.&lt;br /&gt;Troquei a Cruz de ferro&lt;br /&gt;pela de Couro para emancipar&lt;br /&gt;e abjurar  a abolição&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 339&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuias de cabaças  flutuam&lt;br /&gt;com velas acesas – iluminando&lt;br /&gt;a escuridão na noite tempestuosa&lt;br /&gt;reveladora de ritus ocultos&lt;br /&gt;em busca das almas e águas represadas&lt;br /&gt;no entorno do rio que se revolta&lt;br /&gt;diluído pelo mar.&lt;br /&gt;Este mar bravio, sentinela do seu furor&lt;br /&gt;nos embates constantes, ao encontro&lt;br /&gt;das águas torrenciais  alargando a foz.&lt;br /&gt;Hoje invade seu leito, sem a resistência&lt;br /&gt;da batalha, sem o ritus da conquista&lt;br /&gt;numa dor sufocada, e silenciosa&lt;br /&gt;na sombra da luz que se apaga&lt;br /&gt;flutuando no seu leito.&lt;br /&gt;Preces de dor sangrada&lt;br /&gt;Expressa as imagens do passado&lt;br /&gt;na saída de quem chega&lt;br /&gt;em busca dos que passaram e permanecem&lt;br /&gt;presente na sombra das luzes&lt;br /&gt;que flutuam constantemente&lt;br /&gt;sinalizando a sagração&lt;br /&gt;do rio profanado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 340&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo, devastação no leito&lt;br /&gt;do grande rio assoreado&lt;br /&gt;Ontem, bravo, forte,transformador&lt;br /&gt;Agora, metarfoseado, transfigurado&lt;br /&gt;metalizado num metamorfismo inquietante&lt;br /&gt;que amplia a metástase desenfreada&lt;br /&gt;que coroe seu corpo metaforseado.&lt;br /&gt;Rio cibernético de águas rasas e gelatinosa&lt;br /&gt;contra a evaporação de morte anunciada.&lt;br /&gt;Povoa antivírus coagulantes&lt;br /&gt;que garante a flutuação do grande olhar&lt;br /&gt;de visão metafísica, navegando&lt;br /&gt;o rio mar, da solidão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 341&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eternizei a noite de lua cheia&lt;br /&gt;na materialização do sonho fantasia&lt;br /&gt;e esqueci o amanhã.&lt;br /&gt;Acordo engessado.&lt;br /&gt;meu corpo enrijecido, busca no relaxar&lt;br /&gt;o sentido ritmado do sonho fantasiado&lt;br /&gt;e gotas de lágrimas no olhar depressivo&lt;br /&gt;Meu sentido, tem conecções  políticas&lt;br /&gt;sem o patrocínio partidário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 342&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tridimencionalizei minha arte &lt;br /&gt;e a visão caustrofobica do olhar&lt;br /&gt; hipnótico da lua minguante, &lt;br /&gt;na trajetória de Júpiter deletado&lt;br /&gt; pelo manifesto de seu equivoco&lt;br /&gt; Olhar evasivo  revela  minha intenção &lt;br /&gt;na iconografia descorada do meu presente &lt;br /&gt;e descubro agora , o passado no&lt;br /&gt; enfrentamento diário da celebração&lt;br /&gt; do acasalamento e fertilização da vida ,&lt;br /&gt; em seus elemento terra, fogo , água e ar&lt;br /&gt;na quadratura do circulo mutante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÃO – 343&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio  sobe a cachoeira&lt;br /&gt;derramando lágrimas de dor&lt;br /&gt;o baixo, sobe e para sem forças&lt;br /&gt;para continuar e morre no entorno&lt;br /&gt;sem forças para chegar a foz.&lt;br /&gt;Um ancião, banhado de lama&lt;br /&gt;sob o sol escaldante e aridez da terra&lt;br /&gt;o mar invade o rio, para o equilíbrio&lt;br /&gt;da natureza a terra e leva o rio a nascente&lt;br /&gt;na hibridez de seu leito analógico&lt;br /&gt;Meu corpo é o Oráculo da Casa das Águas&lt;br /&gt;Arco Íris dos cinco oceanos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 344&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio geme. Não é o barco que afunda&lt;br /&gt;nem a aparição da Cobra  D’água&lt;br /&gt;O Negro D’água  mudou pras cachoeiras&lt;br /&gt;as carrancas perderam os brilhos e encantamentos&lt;br /&gt;não protegem mais  as embarcações&lt;br /&gt;as gaiolas emudeceram e as canoas&lt;br /&gt;se arrastam nas várzeas.&lt;br /&gt;O rio gemeu três vezes&lt;br /&gt;três vezes o galo cantou&lt;br /&gt;ele geme e morre pouco a pouco&lt;br /&gt;se arrastando para o mar&lt;br /&gt;Seca o leito do Velho Chico&lt;br /&gt;retornando  ao refugio subterrâneo&lt;br /&gt;onde os barcos não navegam&lt;br /&gt;mas a Cobra e o Negro D”Água&lt;br /&gt;estão lá com Leviatã, povoando&lt;br /&gt;a solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 345&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho no horizonte de minha&lt;br /&gt;trajetória coletiva e não vejo&lt;br /&gt;o Ícone da Tradição, não reconheço&lt;br /&gt;o Griott, que não pensa a nossa maneira&lt;br /&gt;fala a fala do de fora, hoje no comando&lt;br /&gt;do de dentro e eu não entendo mas engulo&lt;br /&gt;e anorexia é a solução de continuidade&lt;br /&gt;histórica da tradição oral.&lt;br /&gt;Vou aproveitar este vazio&lt;br /&gt;e ver a possibilidade de ser feliz&lt;br /&gt;quebrar escadas e derrubar pontes&lt;br /&gt;e buscar novos caminhos&lt;br /&gt;novas formas de viver&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -  346&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Congelei sua pergunta&lt;br /&gt;e  estabilizei no ar.&lt;br /&gt;Ali parada, desviei seu pensamento&lt;br /&gt;e viajei em busca de respostas&lt;br /&gt;da pergunta que fazia  e debrucei na fantasia&lt;br /&gt;de minha banal filosofia,&lt;br /&gt;repensando o verbo da construção&lt;br /&gt;e voltei materializando no gestual&lt;br /&gt;a resposta da pergunta que mim fez.&lt;br /&gt;tirei do transe hipnótico e verbalizei&lt;br /&gt;o gestual no beijo da celebração&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 347&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado que estou&lt;br /&gt;não vejo o nascer do sol&lt;br /&gt;da minha janela.&lt;br /&gt;Construíram uma casa na ponte&lt;br /&gt;e ofusca minha visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 348&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta conta a história&lt;br /&gt;antes  que aconteça&lt;br /&gt;é o profeta dos atos,&lt;br /&gt;sentinela dos tempos&lt;br /&gt;Premonições em versos reveladores&lt;br /&gt;semânticas canções de amor&lt;br /&gt;na linguagem da gesta&lt;br /&gt;numa epopéia surda&lt;br /&gt;emudecida pela fantasia romântica&lt;br /&gt;em festa de Vestais oraculares&lt;br /&gt;predizendo através de sacrifícios.&lt;br /&gt;Nostalgia, fúrias, revelações memoriais&lt;br /&gt;uma viagem telúrica á realidade flutuante&lt;br /&gt;a liberdade é uma droga  que aguça&lt;br /&gt;os sentidos e fortalece a consciência&lt;br /&gt;basta uma dose para estimular a gula&lt;br /&gt;e uma overdose, estreita os caminhos&lt;br /&gt;levando a solidão, conflito e utopia&lt;br /&gt;abraçando a liberdade como&lt;br /&gt;um viajante chegando em casa.&lt;br /&gt;Não é resposta, só torna a pergunta&lt;br /&gt;Mais difícil – a realidade é triste&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 349&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violação do preto&lt;br /&gt;está na cultura da mentalidade escrava&lt;br /&gt;na ideologia recalcada do negro esbranquiçado&lt;br /&gt;O preto é a violência do negro&lt;br /&gt;na  viagem de revisitação dos Ancestrais&lt;br /&gt;em luta contra a opressão&lt;br /&gt;muitos lutaram contra a escravidão&lt;br /&gt;muitos lutaram contra nós&lt;br /&gt;em beneficio do senhor feudal colonialista&lt;br /&gt;contra os pretos revoltados&lt;br /&gt;contra a resistência negra&lt;br /&gt;contra a liberdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 350&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três luas novas, sem ver a lua cheia&lt;br /&gt;meus dias são noites mal dormidas&lt;br /&gt;no transe espacial do céu diurno&lt;br /&gt;Três luas adormecido no eclipse&lt;br /&gt;da lua crescente vivendo a mingua&lt;br /&gt;sonambulando na escuridão&lt;br /&gt;Encantamento de perdição no transe&lt;br /&gt;soturno da lua cheia desenhando o céu&lt;br /&gt;nas cincos luas de cristais navegando&lt;br /&gt;na poeira do vazio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 351&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opará,  Rio mítico de minha trajetória&lt;br /&gt;relembradas em busca de imagens&lt;br /&gt;das suas margens, lençóis atropelados&lt;br /&gt;águas suspensas em cachoeiras&lt;br /&gt;represas, a natureza da piracema&lt;br /&gt;morte na foz, soçobrada em bancos de areias&lt;br /&gt;já não suspira o Panteão da gloria no&lt;br /&gt;Panteão Cosmológico da cosmovisão terrena&lt;br /&gt;Oh! Deuses dos Oráculos, profanados&lt;br /&gt;predizei farturas a desolação e morte&lt;br /&gt;do rio da sagração ancestral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 352&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ego partido, comiseração&lt;br /&gt;auto-estima em frangalhos&lt;br /&gt;ando despido na noite&lt;br /&gt;como símbolo de proteção&lt;br /&gt;Imunidade a morte súbita&lt;br /&gt;um espectro humano&lt;br /&gt;numa refração do ego ferido.&lt;br /&gt;Antes de Cristo, já existia amor&lt;br /&gt;entre os inimigos e o apelo do perdão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 353&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertar no Ganges&lt;br /&gt;o muda de minha emoção  em Shiva&lt;br /&gt;terra da oração aos deuses&lt;br /&gt;nunca dantes esquecidos&lt;br /&gt;ponte de inspiração dos Profetas&lt;br /&gt;e adoradores.&lt;br /&gt;Meus orixá ressurge a cada oferenda&lt;br /&gt;e rituais de cremações nas margens&lt;br /&gt;do sagrado rio, aos cânticos e Orós&lt;br /&gt;uma ebulição de sagrados e sacralizados&lt;br /&gt;na profanação do Ganges, purificado&lt;br /&gt;pelo Sol, vento,chuva no despertar&lt;br /&gt;do meu corpo adormecido&lt;br /&gt;na Foz do Opará canonizado&lt;br /&gt;ao som de mantras solfejados&lt;br /&gt;a polinização do rio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 354&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrela da saudade na Roda da Fortuna&lt;br /&gt;supertição de Eremita que vaga e pensa&lt;br /&gt;marcando nas estradas a sua fantasmagórica&lt;br /&gt;presença de luz e o pensamento do dia.&lt;br /&gt;A roda gira, sem começo ou fim&lt;br /&gt;trazendo tristezas, ora alegrias&lt;br /&gt;A Estrela, marca o reflexo das andanças&lt;br /&gt;com disposição de ir em frente&lt;br /&gt;na prudência, com paciência e sabedoria&lt;br /&gt;Com seu bastão, a revelação do mistério&lt;br /&gt;em mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 355&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi minha humanidade&lt;br /&gt;Fabricando sonhos para os outros&lt;br /&gt;Oráculo aberto, a previsões antecipadas&lt;br /&gt;pela premonição de ritos e ungüentos&lt;br /&gt;aspergidos no altar&lt;br /&gt;Perdi minha humanidade&lt;br /&gt;em busca de respostas&lt;br /&gt;para as perguntas que não formulei&lt;br /&gt;sonambulismo de transe passageira&lt;br /&gt;buscando nas imagens a tradução&lt;br /&gt;do meu sonho flutuante&lt;br /&gt;povoados por fantasmas&lt;br /&gt;que se diluem ao meu olhar&lt;br /&gt;materializando emoções&lt;br /&gt;Tacsidamizei  a minha memória&lt;br /&gt;e amputei recordações da empalação&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 356&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lagrimas do sol,&lt;br /&gt;visão de pedra no deserto&lt;br /&gt;É o sertão tórrido, catingueiro&lt;br /&gt;É cascalhos e crostas adormecidos&lt;br /&gt;lágrimas tórridas trazidas pelo vento&lt;br /&gt;que muda de direção a cada ciclo dos sol&lt;br /&gt;da manhã sem nuvens&lt;br /&gt;e noites frias como a geleiras&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 357&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preto é um cidadão de alto risco&lt;br /&gt;mesmo que ele esteja bem trajado&lt;br /&gt;é visto com desconfiança pelos negros&lt;br /&gt;de Sergipe, que não gosta de pretos&lt;br /&gt;e o discrimina o criminalizado social&lt;br /&gt;É ladrão, o malfeitor,, viciado, assassino&lt;br /&gt;mal intencionado mesmo que nada faça&lt;br /&gt;o crime lhe é imputado, punido por atos&lt;br /&gt;não cometidos, sentenciado por veredictos&lt;br /&gt;estereotipados manipulados por negros&lt;br /&gt;embranquecidos.&lt;br /&gt;É macaco, tribufu, tizil, maconheiro, &lt;br /&gt;fedorento Urubu,diabo, carvão,pretume, &lt;br /&gt;tição de baraúna.&lt;br /&gt;Para o qual não há Lei, Direito&lt;br /&gt;ou Justiça a seu favor, só contra.&lt;br /&gt;É o bode a expiar os crime e &lt;br /&gt;roubos dos outros o alvo ambulante &lt;br /&gt;para deleite dos atiradores,policiais,&lt;br /&gt; delegados, todos negros, todos racistas,&lt;br /&gt; todos brancos no espaço de poder&lt;br /&gt; onde os pretos não tem vez, nem com pretos&lt;br /&gt;Aqui é o paraíso dos pardos e mulatos&lt;br /&gt;e o inferno dos pretos, uma sociedade &lt;br /&gt;maniqueísta reduto de negros  &lt;br /&gt;de mentalidade escrava cultores da Casa Grande&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 358&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou pedir  a Nossa  Senhora&lt;br /&gt;para  desatar os nós que me prendem&lt;br /&gt;e sufoca, anular  os olhares,, quebrantos.&lt;br /&gt;Vou pedir ao meu Orixá, através de Exu&lt;br /&gt;para anular os fluídos negativos que povoam&lt;br /&gt;meu espaço, quebrar as demandas, &lt;br /&gt;os feitiços os  olhados, as invejas,&lt;br /&gt;fechar meu corpo abrir meus caminhos &lt;br /&gt;fortalecer minhas defesas meu axé, &lt;br /&gt;para que meus inimigos tendo olhos&lt;br /&gt;não mim vejam, tendo boca,&lt;br /&gt;não falem comigo tendo pernas, &lt;br /&gt;não mim alcance, tendo mãos , &lt;br /&gt;não mim toque.&lt;br /&gt;O olhado, nasce da inveja e nem Cristo&lt;br /&gt;foi poupado Arruda com alho.&lt;br /&gt;Sarro de cachimbo pra seu talho&lt;br /&gt;Com três te botaram, com quatro eu te tiro&lt;br /&gt;Em nome de Deus e da Virgem Maria&lt;br /&gt;Olhado no meu viver, meu trabalho&lt;br /&gt;a minha disposição, meus projetos&lt;br /&gt;minha inteligência, beleza, alegria&lt;br /&gt;meu sucesso, saúde, vitalidade, bens.&lt;br /&gt;Afaste-se de mim e volte &lt;br /&gt;para quem mandaram.&lt;br /&gt;Vá para o fundo do Mar Sagrado&lt;br /&gt;O olhado, é o maior feitiço sobre a terra&lt;br /&gt;é fruto da  ambição, da traição, usura,&lt;br /&gt;covardia inveja e sobretudo&lt;br /&gt; incompetência dos miseráveis que &lt;br /&gt;crescem os olhos nas coisas dos outros&lt;br /&gt;Foi assim que Cristo foi traído &lt;br /&gt;Olho Grosso..&lt;br /&gt;Beruló.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 359&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha voz, expressa o que falo&lt;br /&gt;Mas não o que digo.&lt;br /&gt;O silêncio se faz na multidão&lt;br /&gt;E na dor quer dilacera e sufoca o gemido&lt;br /&gt;Que agoniza na expressão do meu riso&lt;br /&gt;Mas minha estrada é muito longa&lt;br /&gt;vou devagar que o tempo é infinito&lt;br /&gt;a montanha se moveu e a paz&lt;br /&gt;voltou ao meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 360&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suíte do amor desaforado&lt;br /&gt;danço em Igexá circulando em torno do cantor&lt;br /&gt;frente a orquestra  afinada e  ampla&lt;br /&gt;Minha lucidez flui no momento&lt;br /&gt;em staccato rodopiante como o vento rasteiro&lt;br /&gt;num parafuso que salta, alternando o andamento&lt;br /&gt;Passos transculturados, pensamento em Ioruba&lt;br /&gt;que desce em Zâmbia, Omorixa rebatizado&lt;br /&gt;Lorogum em  bantu, pisada de  Inkisse.&lt;br /&gt;Meu pensar negro africanizado&lt;br /&gt;Na diáspora do mundo eurocentrista&lt;br /&gt;sem identidade tribal, racial ,étnica&lt;br /&gt;na tradição culturalista transplantada&lt;br /&gt;neste lento passo, ao cântico do shirê&lt;br /&gt;Meu ritual no compasso de entrada ecoou&lt;br /&gt;Pausa, o silêncio do meu canto&lt;br /&gt;Vejo em transe , David  em transe dançando&lt;br /&gt;num ritual hierático aos olhos da multidão&lt;br /&gt;na sagração da  Caaba.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 361&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caçador do mar&lt;br /&gt;Pescador das matas&lt;br /&gt;Viajante dos ventos&lt;br /&gt;Passageiro da estrela  guia&lt;br /&gt;Ai de mim temporal&lt;br /&gt;Caçador de estrelas cadentes&lt;br /&gt;De mim que mergulho no tempo&lt;br /&gt;Buscando o tempo que o tempo faz&lt;br /&gt;Zará Tempo, Catendê –Ossain&lt;br /&gt;Kosi Obá Kosí ewe&lt;br /&gt;Okê  Ajuberô&lt;br /&gt;Camakam de Oro Looriki&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 362&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memorizei a Teoria do Caos&lt;br /&gt;para perceber que o vôo da borboleta&lt;br /&gt;causa um tufão no outro lado do mundo&lt;br /&gt;enquanto  busco a minha mente&lt;br /&gt;como refúgio e me  exílio em seus recônditos&lt;br /&gt;e esses lapsos de  memória mim levam&lt;br /&gt;a exaustão pela hipnose refratária&lt;br /&gt;na percepção da esquizofrenia racial&lt;br /&gt;nesta separação da emoção  e do pensamento&lt;br /&gt;levando ao suicídio cultural&lt;br /&gt;de minha gente que se perdeu&lt;br /&gt;no canto da sereia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 363&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brutalizei o meu passado&lt;br /&gt;e fiquei feliz na solidão.&lt;br /&gt;Minha sombra congelou na luz&lt;br /&gt;Petrificando a lágrima que guardei no coração.&lt;br /&gt;A visão adormecida acelera a respiração&lt;br /&gt;sufocada de pesadelos – lembranças&lt;br /&gt;acordadas de imagens cotidianas &lt;br /&gt;intermitentes ferindo minha retina cerebral&lt;br /&gt;mim deixando em choque  catatônico.&lt;br /&gt;E eu só, neste passado, presente&lt;br /&gt;descompensado em mim&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 364&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero inspiração para contar e cantar&lt;br /&gt;a minha dor e fantasias&lt;br /&gt;Quero solfejar  os versos que&lt;br /&gt;imprimirei no seu coração e matar&lt;br /&gt;a razão sufocada pelas emoções&lt;br /&gt;Quero sim, dos meus cantar a paz&lt;br /&gt;iluminando a imaginação do meu povo&lt;br /&gt;no manifesto da consciência de si&lt;br /&gt;Quero autonomia para gritar&lt;br /&gt;sem a represália dos analfabetos políticos&lt;br /&gt;e intelectuais de alugueis que se encontram&lt;br /&gt;no poder, numa apologia a vaidade arrogante&lt;br /&gt;Quero a abolição do pensamento litúrgico&lt;br /&gt;para emancipar a filosofia do oprimido&lt;br /&gt;e a liberação do meu canto , na perspectiva&lt;br /&gt;dos  libertários e visão do ancestrais.&lt;br /&gt;Na expressão tribal do universo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 365&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção que sinto&lt;br /&gt;foi maior que a coragem de finalizar&lt;br /&gt;minha história, na trajetória  desta passagem&lt;br /&gt;cheia de metamorfose e ambivalência.&lt;br /&gt;Não sucumbi ao linchamento físico, moral&lt;br /&gt;e psicológico da campanha desqualificada&lt;br /&gt;e meus olhos vagam a esmo, ando sem rumo&lt;br /&gt;num desencanto , na rota de colisão&lt;br /&gt;para  fugir do fogo que se cruza&lt;br /&gt;em torno de mim, para bater de frente&lt;br /&gt;no enfrentamento diário, anulando&lt;br /&gt;a traição dos anônimos anunciados&lt;br /&gt;que se dizem, amigos e sei que&lt;br /&gt;os loucos fazem os sã, agirem loucamente&lt;br /&gt;e busco o som, que é o eco da minha verdade&lt;br /&gt;onde as mãos do destino, aplaudirão&lt;br /&gt;numa reversão  do agravo e violação sofrido&lt;br /&gt;por sonhar liberdade nas ações dos meus dias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 366&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A patologia da visão, muda na gênesis&lt;br /&gt;do fogo factuo&lt;br /&gt;Seus olhos prescutou  meu corpo&lt;br /&gt;scaneando minhas emoções&lt;br /&gt;invadindo mina áurea, privacidade perene&lt;br /&gt;Busquei  barreiras para me proteger&lt;br /&gt;Rastreando suas intenções  e deletando&lt;br /&gt;Seus impulsos delirantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 367&lt;br /&gt;Olho as estrelas&lt;br /&gt;para  matar a saudade de você&lt;br /&gt;e na constelação, busco sua posição&lt;br /&gt;na áurea mais nova&lt;br /&gt;e na movimentação constante&lt;br /&gt;a sua presença materializada&lt;br /&gt;em círculos de poeira argêntea&lt;br /&gt;e choro num sorriso aberto&lt;br /&gt;peito arfando neste encontro&lt;br /&gt;revisitado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 368&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós os negros, construímos&lt;br /&gt;nossa própria fobia e mecanismo&lt;br /&gt;de ocultamento do racismo&lt;br /&gt;principalmente se estivermos&lt;br /&gt;nos espaços dos  poderes e ou&lt;br /&gt;acompanhados por brancos&lt;br /&gt;a quem defendemos contra nós mesmo&lt;br /&gt;na medida em que nos agredimos&lt;br /&gt;e nos repelimos numa auto-rejeição racial&lt;br /&gt;em defesa do branco e cristalizar&lt;br /&gt;os estereótipos no negro.&lt;br /&gt;O racismo é banalizado pela mídia&lt;br /&gt;através do nosso silêncio, ocultamento&lt;br /&gt;e negação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 369&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oratório, Cantochão&lt;br /&gt;É meu Angorossi, na louuvação&lt;br /&gt;ao Orixás, Inkissis e Voduns&lt;br /&gt;È o Oro de iniciação, onde vamos saravá&lt;br /&gt;Cânticos de louvor, numa oração votiva&lt;br /&gt;aos Ancestes da família, num recitativo de fé&lt;br /&gt;elevada aos  quatros cantos num &lt;br /&gt;encanto de agô vibração misteriosa&lt;br /&gt; na eloqüência  vitoriosa do &lt;br /&gt;transe coletivo dos omorixás.&lt;br /&gt;Akum bérê .Kê nã&lt;br /&gt;Azuelou&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  370&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufoquei meu desejo&lt;br /&gt;na fuga do sentimento com medo&lt;br /&gt;da transgressão Quizila,  tabu violado&lt;br /&gt;na ação do pecado, proibida na expiação&lt;br /&gt;punição profanada.&lt;br /&gt;Olodumaré daí-me uma estrela&lt;br /&gt;em ascensão  ebó de luzes e sonhos&lt;br /&gt;silenciosos no jogo de Iyfá&lt;br /&gt;Orunkó do Oriki revelado&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 371&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um ensaio religioso&lt;br /&gt;na Gruta do Milagreiro&lt;br /&gt;com o rosto clareado&lt;br /&gt;pelo reflexo do esplendor&lt;br /&gt;Não irradiei minha luz&lt;br /&gt;para incomodar o recinto&lt;br /&gt;com o disparo dos refletores&lt;br /&gt;A minha áurea, ante o espelho&lt;br /&gt;Irradiado de sois, ofuscada&lt;br /&gt;Pela imagem de mulher&lt;br /&gt;vestida de lama no imaculado&lt;br /&gt;recinto e a luz não  refletiu sobre&lt;br /&gt;o corpo na viagem&lt;br /&gt;sobre a proteção de Olodumaré&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 372&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci negro, me tornaram branco&lt;br /&gt;na metamorfose social&lt;br /&gt;cultura e tradições do meu saber&lt;br /&gt;colonizado em todos os níveis&lt;br /&gt;de minha educação&lt;br /&gt;geradora de minha formação&lt;br /&gt;Branco por não ser preto&lt;br /&gt;e ter a pele aclarada&lt;br /&gt;cabelos enrolados, clareado&lt;br /&gt;com oxigenação.&lt;br /&gt;Fui para escola, ser doutor&lt;br /&gt;e nunca parar na periferia&lt;br /&gt;Meu pai é preto, minha mãe loura&lt;br /&gt;diz sempre minha avó&lt;br /&gt;que não nasceu para ser avó de negro&lt;br /&gt;e que já basta a maldita abolição&lt;br /&gt;onde seus negros, pagaram a dívida&lt;br /&gt;de sua origens e se assombra de pretos&lt;br /&gt;nascer em sua família, estabelecida&lt;br /&gt;com nome construído e heranças&lt;br /&gt;esquecidas.&lt;br /&gt;Família de desembargador&lt;br /&gt;Nasci negro, de pai preto,&lt;br /&gt;Mãe loura, avô racista.&lt;br /&gt;Sou afro descendente&lt;br /&gt;Meu pai é negro&lt;br /&gt;Minha mãe branca.&lt;br /&gt;Sou a nova geração.&lt;br /&gt;Afroeurodescendente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 373&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afro descendência é mais uma mascara&lt;br /&gt;do  negro mutante, genérico que busca&lt;br /&gt;na fuga, um espaço de destaque  para&lt;br /&gt;esconder a sua  rejeição racial.&lt;br /&gt;È  uma expressão do recalque para excluir&lt;br /&gt;os estereótipos  de inferioridade&lt;br /&gt;marca profundamente a ideologia&lt;br /&gt;do branqueamento numa anorexia cromática&lt;br /&gt;É o negro de alma branca que se travesti&lt;br /&gt;de branco para  ocupar espaços&lt;br /&gt;tem preconceitos de ter preconceitos e foge.&lt;br /&gt;Afrodescendencia  é a negação do espelho&lt;br /&gt;na escada do poder equivocado de negros&lt;br /&gt;da Casa Grande em ruína que vivem&lt;br /&gt;a memória colonial dos herdeiros dos&lt;br /&gt;estupros senhoriais, nas senzalas violadas&lt;br /&gt;nas pernadas consentidas em violência do cio&lt;br /&gt;da  do pai desconhecido de ações incestuosas&lt;br /&gt;Eis o afrodescendente, que nega a mãe&lt;br /&gt;pela brancura do pai.&lt;br /&gt;Afros descendentes, são os filhos da tara&lt;br /&gt;do predador dominante.&lt;br /&gt;Eco do branqueamento da elite de  mutantes&lt;br /&gt;produto da anicefalia cultural reforçada&lt;br /&gt;de imagens cintilantes da burguesia&lt;br /&gt;eugênica que  se reproduz  e delira&lt;br /&gt;no insulto a inteligência e memória coletiva..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES- 374&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou africano do Brasil&lt;br /&gt;Sergipe meu natural,&lt;br /&gt;não sou do Zaire, Congo&lt;br /&gt;nem de Kampala, não sou de Gana&lt;br /&gt;ou Ruanda, Eritréia,Nigéria&lt;br /&gt;Sou de Sergipe, afro sergipano&lt;br /&gt;nascido, longe do continente&lt;br /&gt;longe dos ancestrais,perto do litoral&lt;br /&gt;banido das tradições tribais, memórias&lt;br /&gt;atrofiadas, sem rumo e sem norte&lt;br /&gt;Como meus ancestrais seqüestrados,&lt;br /&gt;explorado, manietado, tipificado&lt;br /&gt;e dividido para a diáspora espacial.&lt;br /&gt;Sou africano do Brasil, não da Costa&lt;br /&gt;do Marfim do Senegal, Angola, Egito,&lt;br /&gt;Etiópia, Namíbia das savanas, desertos,&lt;br /&gt; montanhas, matas e rios, das águas do  Nilo,&lt;br /&gt;CongoNiger ou Zambeze, &lt;br /&gt;minha visão do velho Chico&lt;br /&gt;Sergipe, Cotinguiba assoreados&lt;br /&gt;Não busco a fluidez das montanhas&lt;br /&gt;Quilimanjaro, Quênia ou Ruvenzori&lt;br /&gt;Ah! Minha África transcultural&lt;br /&gt;de ancestralidades divinizadas&lt;br /&gt;que  reforça meu natural e transporta&lt;br /&gt;meus sonhos pelo Atlântico&lt;br /&gt;na revisitação as raízes do Baobá.&lt;br /&gt;Eu sou afro brasileiro, dos cinco continentes,&lt;br /&gt;sergipano, da diáspora e trago a&lt;br /&gt;África  em mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -  375&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dancei ao som de Carmem de Bizet&lt;br /&gt;rodopiando  com sofreguidão&lt;br /&gt;a coreografia do vento.&lt;br /&gt;Efufu ,um Aguerê devasso que sacralizou&lt;br /&gt;a batida profana do bailado na fúria&lt;br /&gt;do rit   mo  quente e levitando&lt;br /&gt;busquei na taça de fel divinizada na luta&lt;br /&gt;do amor desesperado, o néctar do prazer&lt;br /&gt;sentido neste eco de miragens&lt;br /&gt;Dancei a dança dos deuses&lt;br /&gt;inspirado no som alucinante&lt;br /&gt;deste bailado sincopado do corpo&lt;br /&gt;ardente de luxúria e agonia&lt;br /&gt;que trepida a razão de ser&lt;br /&gt;pelo emoção do prazer&lt;br /&gt;de sentir meu Orixá&lt;br /&gt;seduzido pelo  encontro&lt;br /&gt;neste passo.&lt;br /&gt;Dancei ao som de Carmem&lt;br /&gt;para Iansã, um aguerê sincopado&lt;br /&gt;e fui buscar o alujá, incorporado&lt;br /&gt;no transe do olhar ardente.&lt;br /&gt;Kaô – Kabiesilê&lt;br /&gt;Eparrei  beloyia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 366&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa odisséia do herói imolado&lt;br /&gt;pela fúria, calúnia e difamações&lt;br /&gt;que lhe desqualifica e destrói&lt;br /&gt;Falo de línguas ejaculadas&lt;br /&gt;na sombra fragmentada&lt;br /&gt;em partículas distorcidas&lt;br /&gt;pelo reflexo da areia&lt;br /&gt;adormecida ao relento&lt;br /&gt;Água poluída viceja&lt;br /&gt;some no ar , diluída com sangue&lt;br /&gt;e suol da multidão cambaleante&lt;br /&gt;no deserto litorâneo&lt;br /&gt;e das regiões ribeirinhas&lt;br /&gt;Áurea seca de olhar iluminado&lt;br /&gt;O campo aprofunda o meu olhar&lt;br /&gt;Segui um objetivo&lt;br /&gt;Obedecer a razão&lt;br /&gt;Conter a emoção&lt;br /&gt;Sua visão entra em combustão espontânea&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 367&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O por do sol&lt;br /&gt;levou minha solidão.&lt;br /&gt;Pensamentos felizes invadiram&lt;br /&gt;meu silencio, povoando de sentimentos&lt;br /&gt;multiplicadores de visões nascentes&lt;br /&gt;Sombras da chuva&lt;br /&gt;reflete o arco no céu&lt;br /&gt;como barco que margeia o rio&lt;br /&gt;cheio de estrelas em direção&lt;br /&gt;do portal incandescente.&lt;br /&gt;O farol da liberdade&lt;br /&gt;sinaliza a baia indicando&lt;br /&gt;o canal para passagem e atracação&lt;br /&gt;Sinos repicam e holofotes varrem&lt;br /&gt;a noite anunciando a cerração.&lt;br /&gt;Perigo a vista.&lt;br /&gt;Homem ao mar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-378&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  presença dominante do Arco do caçador&lt;br /&gt;símbolo mítico de Oxosse o deus da caça&lt;br /&gt;no Aramefá do iylê aiyê&lt;br /&gt;eu lembro o vento alertando a caça&lt;br /&gt;e a presença do caçador negro&lt;br /&gt;na floresta encantada.&lt;br /&gt;reduto de exilados&lt;br /&gt;quilombo natural dos Inkisses&lt;br /&gt;terra dos Orixás divinizados&lt;br /&gt;pelas folhas de Ossasin&lt;br /&gt;no ritu de sagração de cura&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 379&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões de ser negro&lt;br /&gt;Só o preto sabe&lt;br /&gt;Só o preto sente.&lt;br /&gt;Nos postos médicos&lt;br /&gt;Nas delegacias, tribunais&lt;br /&gt;os olhares acusadores, frios,&lt;br /&gt;de desprezos, pouco caso, inquisidores,&lt;br /&gt;discriminadores que lhe são dirigidos&lt;br /&gt;pelos próprios negros, pretos, pardos&lt;br /&gt;e mulatos(no espaço de poder, todos são brancos)&lt;br /&gt;Ser negro é sentir-se negro, viver negro&lt;br /&gt;É preciso que se  encontre em atitudes&lt;br /&gt;a consciência de ser negro, para romper&lt;br /&gt;o silencio e transpor barreiras erguidas&lt;br /&gt;pela nossa animação subserviente&lt;br /&gt;pela nossa mentalidade  reticente&lt;br /&gt;pelo nosso medo de se insurgir&lt;br /&gt;pelo medo de ser feliz, vivemos&lt;br /&gt;pela mordaça&lt;br /&gt;É preciso que esta sombra materializada&lt;br /&gt;rompa a simbiose desta relação&lt;br /&gt;incestuosa de dominação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 380&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contenha meu grito&lt;br /&gt;reprima meu amor,sonhos e fantasia&lt;br /&gt;meu grito silencioso e lágrimas contidas&lt;br /&gt;não detem meus soluços.&lt;br /&gt;Ah! Lembranças que angustia&lt;br /&gt;e aumenta minha ausência&lt;br /&gt;estou flutuando no futuro  presente de você&lt;br /&gt;A força dos meus sonhos é muito forte&lt;br /&gt;deixa ressaca utopia visionária&lt;br /&gt;e caçador do horizonte&lt;br /&gt;esperança mítica do herói materializado&lt;br /&gt;no Anjo Negro, aculturado,&lt;br /&gt;renascido tantas vezes&lt;br /&gt;visto por mim na multidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 381&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho os olhares que descortinam&lt;br /&gt;as imagens em movimento e vejo&lt;br /&gt;olhares frios , furiosos,  que flecham,&lt;br /&gt;incendeiam, curiosos, trocistas, mortos&lt;br /&gt;Sinto esfaqueados e violados&lt;br /&gt;por estes olhares intimidatórios&lt;br /&gt;que dizem o passa na alma dos&lt;br /&gt;seus portadores.&lt;br /&gt;O olhar da traição, mutilado&lt;br /&gt;olhares assassinos, lassos, devassos,&lt;br /&gt;carentes, invejosos e cruéis.&lt;br /&gt;Olhares que prescutam  e marcam&lt;br /&gt;para roubar, olhos solitários&lt;br /&gt;que testemunham o tormento&lt;br /&gt;do mundo impregnado de terror&lt;br /&gt;e maldade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 382&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afro descendência&lt;br /&gt;Escudo modista acadêmicistas&lt;br /&gt;para o negro se esconder, fugir&lt;br /&gt;negar vê si mesmo , escamotear sua raça&lt;br /&gt;suas origens, marcas e maquiar sua vergonha&lt;br /&gt;de ser.&lt;br /&gt;Negro, africano, mulato, preto, pardo,crioulo&lt;br /&gt;e tantas outras tipificações, para agravar ou atenuar&lt;br /&gt;o homem negro que tem vergonha de assumir&lt;br /&gt;Negro é aquele que se aceita , identifica&lt;br /&gt;e é aceito e identificado por todos&lt;br /&gt;vai alem da cor da pele, é  atitude, não ter medo&lt;br /&gt;enfrentar os estereotipos e ir em frente.&lt;br /&gt;Afro descendência é uma mascara onde se refugia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 383&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh ! Mãe. Há quanto tempo.&lt;br /&gt;Tenho saudades e tristeza&lt;br /&gt;Não sei nem como começar&lt;br /&gt;mas aqui está tudo diferente, desde o dia&lt;br /&gt;da noite fatal que nos deixou, abandonada&lt;br /&gt;num leito frio do hospital&lt;br /&gt;Quem viu a sua partida.&lt;br /&gt;Quem fechou os seus olhos e velou sua passagem,&lt;br /&gt;para os nossos Ancestrais?&lt;br /&gt;A noticia foi traumática, enlouqueci e&lt;br /&gt;rastejei como alucinado. Minha amiga, meu&lt;br /&gt;xodó minha força  e luz.&lt;br /&gt;Sua partida ainda não  havia cicatrizado&lt;br /&gt;a ausência de Pai, foi muito difícil, lembro&lt;br /&gt;ainda sua imagem segurando Iyazinha, sua neta, sua &lt;br /&gt;disposição e entusiasmo nas danças &lt;br /&gt;dos Orixás aparamentada de branco&lt;br /&gt;Ah! Lembro tudo principalmente as nossas &lt;br /&gt;alegrias e piegas.&lt;br /&gt;Depois Mãe,  foi Edmê que nos deixou, logo&lt;br /&gt;Após, sua mulher e como não sei dizer,&lt;br /&gt;Betinha  se foi, numa  corrente de ar que nos&lt;br /&gt;deixou  sem fala, aí mim lembro da tragédia&lt;br /&gt;que vitimou seu neto Toinho e quase leva&lt;br /&gt;sua filha a mãe dele, foi trágico, o primeiro&lt;br /&gt;e espero, o último  a ser morto na família.&lt;br /&gt;Passamos dias terríveis e como todo mundo&lt;br /&gt;as dificuldades vão aos poucos sendo &lt;br /&gt;superadas mas deixa uma marca, mais &lt;br /&gt;visível que a marca de marcar bois.&lt;br /&gt;Minha depressão é constante com a perda de &lt;br /&gt;Bibi. Minha companheira, crítica, meu porto &lt;br /&gt;de chegada A única que  me gritava quando &lt;br /&gt;eu tinha que calar. Com a sua falta, me &lt;br /&gt;apeguei muito mais a ela Reproduzindo seus &lt;br /&gt;valores e ampliando a sua ação em torno da &lt;br /&gt;minha arte, já conhecida pela senhora, mas &lt;br /&gt;sobretudo era o meu equilíbrio e referência.&lt;br /&gt;Quem mim ensinou, inspirou e colocou para&lt;br /&gt;estudar e lutar na resistência negra.&lt;br /&gt;Foi e eu não cheguei em tempo,&lt;br /&gt;para responder a sua saudação.&lt;br /&gt;Chamou meu nome e se despediu de todos,&lt;br /&gt;dizendo o nome  de cada um.&lt;br /&gt;Oh. Mãe, eu estou só. Sinto falta dos gritos, &lt;br /&gt;da sensação de desconforto  nas suas críticas &lt;br /&gt;e descomposturas.&lt;br /&gt;Vivo em transe e sem vontades.&lt;br /&gt;Estou a deriva e, talvez não encontre &lt;br /&gt;motivações.&lt;br /&gt;Lourdinha, minha companheira de  luta&lt;br /&gt;a que mais mim animava e cuidava de mim&lt;br /&gt;se foi, durante o sono numa noite  de novembro&lt;br /&gt;e eu fiquei sem ela. Só saudades.&lt;br /&gt;Mas, tudo , depende de nós, para parar&lt;br /&gt;ou desviar ou mesmo seguir em frente.&lt;br /&gt;Meu abraço.&lt;br /&gt;Tome conta dos seus filhos que aí estão, já &lt;br /&gt;são dezoito, e nós quatro ficamos aqui&lt;br /&gt;sob as benção da Senhora e de Pai,&lt;br /&gt;sobre a proteção dos nossos Ancestrais,&lt;br /&gt;na  paz e na luz que emanam de vocês.&lt;br /&gt;Estou sempre, evocando seus nome e de pai.&lt;br /&gt;Cuidem de nós. Filhos, netos, bisnetos,&lt;br /&gt;tataranetos. Somos uma tribo,&lt;br /&gt;herdeiros da luta e da esperança.&lt;br /&gt;Que os deuses lhes cubram de luz.&lt;br /&gt;Minha mãe.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 384&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sentimentos estão sedados&lt;br /&gt;e entraram em coma induzido&lt;br /&gt;para não perder a sensibilidade&lt;br /&gt;e a capacidade de pensar&lt;br /&gt;A visão ampliada de minha razão&lt;br /&gt;sufocada de impedimentos morais,&lt;br /&gt;atropelam as interpretações&lt;br /&gt;da realidade que vivo,&lt;br /&gt;sem direitos de sentir&lt;br /&gt;que olho, sem direito de vê&lt;br /&gt;que falo, sem direito de dizer,&lt;br /&gt;afirmar denunciar.&lt;br /&gt;Estou engessado&lt;br /&gt;minhas ações, evasivas,&lt;br /&gt;escondem intenções de forte&lt;br /&gt;turbulências.&lt;br /&gt;Respondo e não digo&lt;br /&gt;e a pergunta mais importante&lt;br /&gt;não fiz.&lt;br /&gt;A resistência negra séria&lt;br /&gt;deixa de ser bonita&lt;br /&gt;quando vista de perto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 385&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro lágrimas cristalizadas&lt;br /&gt;sorrindo da minha história&lt;br /&gt;lavando a alma dolorida&lt;br /&gt;com rajadas tempestuosas&lt;br /&gt;de sangue, deste parto sem dor&lt;br /&gt;E vejo massa de ar em tempestades&lt;br /&gt;vulcânica, com lavras densas&lt;br /&gt;vindo em minha direção&lt;br /&gt;com imagens fantasmagóricas&lt;br /&gt;petrificando meu corpo&lt;br /&gt;com este olhar de Medusa&lt;br /&gt;refletindo enfileirados&lt;br /&gt;imagem refletida&lt;br /&gt;no encontro dos raios&lt;br /&gt;estátuas amontoadas nas encostas&lt;br /&gt;de minha visão iconoclasta&lt;br /&gt;Meu divino está profanado.&lt;br /&gt;minha inocência violada&lt;br /&gt;com o poder da fé&lt;br /&gt;e choro rios de lavras&lt;br /&gt;transformadas em areias&lt;br /&gt;que cantam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 386&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raios de fogo profanos&lt;br /&gt;interrompeu o grito&lt;br /&gt;do silencio violado&lt;br /&gt;espelhado em meus olhos&lt;br /&gt;perplexo e irado.&lt;br /&gt;A visão da democracia&lt;br /&gt;cujo ideário é a manutenção&lt;br /&gt;da casa grande  viola minha esperança&lt;br /&gt;de liberdades, o engessamento&lt;br /&gt;em pleno século de luz&lt;br /&gt;viver a escuridão, fere minha íris de morte&lt;br /&gt;na hipocrisia dos arautos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 387&lt;br /&gt;Afro descendencia,&lt;br /&gt;é coisa de nego de alma branca&lt;br /&gt;que chama Portugal, meu avozinho&lt;br /&gt;e esquece do seu tronco africano&lt;br /&gt;É negro agregado, adotivo&lt;br /&gt;que envergam o DNA da Casa Grande&lt;br /&gt;e tem vergonha de ser negro&lt;br /&gt;para não lembrar a Senzala&lt;br /&gt;e sua relação incestuosa&lt;br /&gt;São os descendentes dos  capatazes&lt;br /&gt;dos estupros  capangueiros. capitães do mato &lt;br /&gt;os famosos preadores de negros.&lt;br /&gt;Símbolos dos negros no espaço de poder&lt;br /&gt;vigiar, desqualificar, destruir&lt;br /&gt;Afro descendência, predadores&lt;br /&gt;de África Iya N’la.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 388&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afro descendências&lt;br /&gt;escudo modista acadêmicistas&lt;br /&gt;para o negro se esconder, fugir&lt;br /&gt;negar vê si mesmo , escamotear sua raça&lt;br /&gt;suas origens, marcas e maquiar sua vergonha &lt;br /&gt;de ser&lt;br /&gt;Negro, africano, mulato, preto, pardo,crioulo &lt;br /&gt;e tantas outras tipificações, para agravar ou &lt;br /&gt;atenuar o homem negro que tem vergonha &lt;br /&gt;de assumir&lt;br /&gt;Negro é aquele que se aceita , identifica&lt;br /&gt;e é aceito e identificado por todos&lt;br /&gt;vai alem da cor da pele, é  atitude,&lt;br /&gt;não ter medo enfrentar os esteriotipos &lt;br /&gt;e ir em frente.&lt;br /&gt;Afro descendência é uma mascara&lt;br /&gt;onde o NEGO se refugia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 389&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarei moratória numa&lt;br /&gt;numa manhã chuvosa&lt;br /&gt;como uma tradição a mim mesmo&lt;br /&gt;enfim de omitir a sua responsabilidade&lt;br /&gt;pelo crime cometido.&lt;br /&gt;Sou réu confesso&lt;br /&gt;de confessáveis memórias&lt;br /&gt;herói anônimo de testemunhas&lt;br /&gt;silenciosas.&lt;br /&gt;Por salvar um grupo, multidão&lt;br /&gt;pseudo íntimo de minha razão&lt;br /&gt;refém da emoção fragilizada&lt;br /&gt;e vulnerável sou transformado&lt;br /&gt;em bode da expiação&lt;br /&gt;numa customização Aqüífera&lt;br /&gt;e busco no Yom Kippur bloquear&lt;br /&gt;as experiências transformáticas&lt;br /&gt;do Jihad em Ramadam&lt;br /&gt;e na emoções a contra gotas&lt;br /&gt;conspiraram minha solidão coletiva&lt;br /&gt;no esquecimento da razão.&lt;br /&gt;“ Quem come da minha carne&lt;br /&gt;e bebe do meu sangue&lt;br /&gt;permanece em mim”&lt;br /&gt;No Olubajé revelo a expressão&lt;br /&gt;da quizila  rompida e solto o grito sufocado&lt;br /&gt;Eu não sou Cordeiro!&lt;br /&gt;Fui transformado em Bode&lt;br /&gt;para carregar as culpas dos outros.&lt;br /&gt;Sou  um Mané Gostoso...Saco de pancadas!&lt;br /&gt;E como Eremita,vagueio pelo deserto&lt;br /&gt;da diáspora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 390&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ar, limalhas de ferro em suspensão&lt;br /&gt;girando em torno do meu corpo&lt;br /&gt;sem anunciar sua presença&lt;br /&gt;que eu sinto e percebo seus&lt;br /&gt;movimentos mim tirando do eixo&lt;br /&gt;e rumo no abalo do norte&lt;br /&gt;de minha bússola alterada&lt;br /&gt;contraditória da Rosa das Ventos&lt;br /&gt;que mim expõem na do&lt;br /&gt;Destino na Roda afortunada&lt;br /&gt;equilibrando em si, as forças&lt;br /&gt;opostas, alternando minhas&lt;br /&gt;tristezas e alegrias, sem&lt;br /&gt;começo e sem fim.&lt;br /&gt;na troca inusitada&lt;br /&gt;a Mandala Azuelô&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 391&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A depravação do anjo transfigurado&lt;br /&gt;ofuscou a minha visão periférica&lt;br /&gt;pela confusa aureola camaleônica&lt;br /&gt;fotocromatizada.&lt;br /&gt;A tristeza anímica do seu sorriso&lt;br /&gt;exibe o tom coral do som marinho&lt;br /&gt;de águas turvas, espumantes&lt;br /&gt;Seu encantamento é perene&lt;br /&gt;como o nascer do sol&lt;br /&gt;sobre o leito do Rio Ganges&lt;br /&gt;sua imagem transfigurada&lt;br /&gt;cristaliza a visão múltipla&lt;br /&gt;do ser despudorado aos olhos seus.&lt;br /&gt;È o grito silencioso do olhar agnóstico&lt;br /&gt;antes a visão do outro no espelho&lt;br /&gt;concavado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  392&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revistei meu amor por você&lt;br /&gt;minha motivação requisitada&lt;br /&gt;fortalecida de fluxos potenciadas&lt;br /&gt;Essa paixão renascida&lt;br /&gt;no toque de amor adulto que se ama&lt;br /&gt;O rio transbordou&lt;br /&gt;com a nevasca do sertão , no fluxo e&lt;br /&gt;refluxo das promessas dos ribeirinhos&lt;br /&gt;encantamento de cânticos de luzes&lt;br /&gt;em oração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 393&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perdão é maior que a vingança&lt;br /&gt;O bloco de Cumulu nimbus dissipou&lt;br /&gt;e encheu o céu de dourado refletindo&lt;br /&gt;em meus olhos a luz cristalina do portal&lt;br /&gt;Na revitalização do meu passado&lt;br /&gt;Manasse e Efrain, filhos de José&lt;br /&gt;José de Jacob, José do Egito&lt;br /&gt;Babalawo Oluwo, ancestral&lt;br /&gt;Oxumaré, decifrador do oráculo&lt;br /&gt;sonhos de sonhos no ritu de Olodumare&lt;br /&gt;chuva que regra a terra seca cedente&lt;br /&gt;de água. Arôbo bo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 394&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ira das águas&lt;br /&gt;represadas no leito&lt;br /&gt;sufocando a natureza&lt;br /&gt;que transborda nas margens a sua&lt;br /&gt;dor.&lt;br /&gt;Rio São Francisco&lt;br /&gt;ampliando o seu sol&lt;br /&gt;no  leito de tristezas que se&lt;br /&gt;estreita em busca do mar&lt;br /&gt;num male de lagrimas já não habitou &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 395&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oráculo do sol&lt;br /&gt;no rio franciscano&lt;br /&gt;Olho das águas&lt;br /&gt;montanhosas.&lt;br /&gt;Morte da nascente&lt;br /&gt;em erosão.&lt;br /&gt;leito desviado das águas&lt;br /&gt;represadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 396 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insatisfação dos atos&lt;br /&gt;de minha humanidade&lt;br /&gt;meu fazer refeito&lt;br /&gt;minha utopia.sonho ditoso&lt;br /&gt;da inconsciência&lt;br /&gt;coletiva no resgate&lt;br /&gt;da minha cidadania.&lt;br /&gt;Sem a máscara de ferro&lt;br /&gt;com o Orixá da Resistência&lt;br /&gt;Patakouri Ogum, luto contra&lt;br /&gt;o genocídio social e truculência&lt;br /&gt;etno racial de minha gente.&lt;br /&gt;Minha insatisfação&lt;br /&gt;não satisfaz o presente&lt;br /&gt;do meu passado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 397&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equivocado iludido e torturado&lt;br /&gt;pela falta de solidariedade,&lt;br /&gt;dos meus iguais em diferentes&lt;br /&gt;situações e interesses&lt;br /&gt;Abracei a luta e lutei&lt;br /&gt;vencendo barreiras, abrindo&lt;br /&gt;caminhos e planei estradas.&lt;br /&gt;Busquei ajudas, respeito, coerência&lt;br /&gt;fui ultrapassado, negado, excluído&lt;br /&gt;e vilipendiado por todos&lt;br /&gt;ávidos de saber e poder&lt;br /&gt;manipularam os feitos e fiquei&lt;br /&gt;se referencia na luta que travei&lt;br /&gt;por espaços negados&lt;br /&gt;na luta que lutei, por direitos&lt;br /&gt;conquistados e, negado, excluídos&lt;br /&gt;sou um anônimo evitado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  398&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agucei meu sentimento&lt;br /&gt;minha percepção,&lt;br /&gt;e não acreditei&lt;br /&gt;naquilo que estava&lt;br /&gt;vendo.&lt;br /&gt;A duvida  me levou&lt;br /&gt;a expressão da verdade&lt;br /&gt;mostrando do meu ponto de vista&lt;br /&gt;a que olho cada vez mais&lt;br /&gt;distanciado, navegando por imagens&lt;br /&gt;de minha alucinada  perspectiva &lt;br /&gt;e  vejo o que  sugere&lt;br /&gt;a imaginação do autor&lt;br /&gt;reinterpretando leituras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –  399&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo na chuva&lt;br /&gt;Pingos de sois estrelados&lt;br /&gt;imagens, sombras duvidosas&lt;br /&gt;de orvalhos em tempestades&lt;br /&gt;Olho a chuva&lt;br /&gt;Canções de despedidas&lt;br /&gt;Sonhos do passado&lt;br /&gt;Saudades de você&lt;br /&gt;Seus olhos, pensam&lt;br /&gt;que me conhece&lt;br /&gt;Mas não sabe a extensão&lt;br /&gt;do meu sofrimento.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 400&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nebulosidade variável&lt;br /&gt;Na cerração do olhar jurisdicional&lt;br /&gt;A musa guerreira, guardiã&lt;br /&gt;dos sonhos meus, olha mais não vê.&lt;br /&gt;O choro da multidão injustiçada&lt;br /&gt;Visão patológica de miragem&lt;br /&gt;empaquetada no incesto da lei&lt;br /&gt;que brilha no pote dourado&lt;br /&gt;do arco-íris de cristal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 401&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritual do seu olhar&lt;br /&gt;Não vê a realidade&lt;br /&gt;que se mostra sem as cores&lt;br /&gt;da fantasia&lt;br /&gt;O olhar vingado  na segue&lt;br /&gt;e cada passo forçando&lt;br /&gt;a lembrança de minha consciência&lt;br /&gt;culpada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 402&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão nebulosa&lt;br /&gt;de olhar mórbido e triste&lt;br /&gt;Sem a luz da reflexão e claridade visível.&lt;br /&gt;Uma ventania vasta, ergueu barreira&lt;br /&gt;igual as muralhas de Jericó&lt;br /&gt;Uma China, Berlim, Israel.&lt;br /&gt;Ótica distorcida, espelho de Babel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 403&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visão anarquista&lt;br /&gt;de trombose hepática&lt;br /&gt;e ventre ferido&lt;br /&gt;coração angustiado&lt;br /&gt;Pelo olhar albino e môco&lt;br /&gt;Clareou, escureceu&lt;br /&gt;O vento parou de circular&lt;br /&gt;Ar sufocante queima meu coração&lt;br /&gt;Nesta visão epistemológica&lt;br /&gt;de realidade empírica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 404&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar de Mandrágora&lt;br /&gt;Só  via a perfeita ebulição&lt;br /&gt;da fantasia .&lt;br /&gt;Sua estrela nasceu&lt;br /&gt;na morte anunciada do amor&lt;br /&gt;magia da antropomorfia de suas raízes&lt;br /&gt;irradiando  no Portal, Transposição&lt;br /&gt;do Rio em torno da Lua que desce&lt;br /&gt;transbordando Mares e Rios&lt;br /&gt;abrindo fendas em Cachoeiras&lt;br /&gt;alagando o deserto sem Chuvas&lt;br /&gt;e com gente que chora de alegria&lt;br /&gt;e de tristeza num vai e vem  &lt;br /&gt;deste circulo que vicia e cristaliza o inconsciente&lt;br /&gt;A Magia da Esperança de chegar&lt;br /&gt;sem ter partido, buscando o Mundo&lt;br /&gt;na sala de espera, do filho que foi&lt;br /&gt;Mandrágora, folha e raiz do meu&lt;br /&gt;sonho atrofiado.&lt;br /&gt; .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 405&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos que correm&lt;br /&gt;sem a pressa de fugir&lt;br /&gt;porque sabe não poder&lt;br /&gt;se esconder&lt;br /&gt;do brilho do meu olhar&lt;br /&gt;A minha visão flutua&lt;br /&gt;no centro de sua íris&lt;br /&gt;transformando infinito&lt;br /&gt;o mar etéreo de luz&lt;br /&gt;Que brilham no seu olhar .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 406&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar modifica&lt;br /&gt;Pela fé a realidade&lt;br /&gt;quanto mais olha&lt;br /&gt;mais irreal aparece.&lt;br /&gt;Como uma visão distorcida&lt;br /&gt;de múltiplos espelhos&lt;br /&gt;que refletem a distorcem&lt;br /&gt;realidade e fantasia&lt;br /&gt;Pelo estrabismo daltônico .&lt;br /&gt;sua realidade não é minha&lt;br /&gt;sua luz não me encandeia&lt;br /&gt;nas distorce a visão&lt;br /&gt;o conjunto de paz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –407&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhos&lt;br /&gt;São minhas únicas verdades&lt;br /&gt;Estou no campo de sua visão    &lt;br /&gt;Como um elo que se cristaliza&lt;br /&gt;na corrente&lt;br /&gt;Aríete em rota de colisão&lt;br /&gt;você e meu potencial&lt;br /&gt;seus olhos meu farol&lt;br /&gt;iluminando a rota&lt;br /&gt;na revisitação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 408&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dancei em torno do nada&lt;br /&gt;no ritu dos seus votos de traição&lt;br /&gt;corrida e enriquecimento antes&lt;br /&gt;o espelho que traduz&lt;br /&gt;e reflete sua alma, revelando&lt;br /&gt;os segredos escondidos nos mais&lt;br /&gt;recônditos de sua corrompida&lt;br /&gt;Essa visão herética, define minha&lt;br /&gt;leitura estética de sua ansiedade&lt;br /&gt;profana de auto flagelação&lt;br /&gt;Dancei como dançou David e vi&lt;br /&gt;no olhar anorexo do pensamento&lt;br /&gt;cristã sobre a sexualidade do pastor&lt;br /&gt;do pastos atrofiado pela Lei Canônica&lt;br /&gt;lacaniana dos cânones em ruptura&lt;br /&gt;bíblica das traições tribais&lt;br /&gt;e progéticas da genealogia do poder.&lt;br /&gt;Seus votos instiga e a antiga&lt;br /&gt;várzea do rio sinuoso, estreitado&lt;br /&gt;e assoreado de paixões nervosas&lt;br /&gt;por barreiras e desvios&lt;br /&gt;Votos de castidade no ritu&lt;br /&gt;da traição do Mar Morto&lt;br /&gt;infestado de bancos d’areia, impedindo&lt;br /&gt;a  navegação de frutos da sagração,&lt;br /&gt;traição de ritus. Piracema&lt;br /&gt;na liturgia  da castração&lt;br /&gt;equivocada e infiel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –409&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crede porque viste&lt;br /&gt;a solidão de Thomé&lt;br /&gt;em busca da visão angustiada&lt;br /&gt;duvidou para acreditar&lt;br /&gt;transformando a esperança&lt;br /&gt;maior que o medo&lt;br /&gt;no enfrentamento da traição&lt;br /&gt;dos clérigos  intelectualizados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 410&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro, sou&lt;br /&gt;não nego meu natural&lt;br /&gt;Negro de marca, que marca&lt;br /&gt;a raça como mãe e não madrasta&lt;br /&gt;Afro descendente para negro&lt;br /&gt;se esconde e, fugir, negar a si mesmo&lt;br /&gt;escamotear sua raça, marca&lt;br /&gt;negar suas origens, maquiar sua&lt;br /&gt;vergonha de ser: Negro, Preto&lt;br /&gt;africano. Afro descendência&lt;br /&gt;refugo de pardos, mulatos e imbecis&lt;br /&gt;europeizados, esbranquiçados&lt;br /&gt;que não se assumem, tem vergonha&lt;br /&gt;de ser reconhecido e se reconhecer negro.&lt;br /&gt;Sou afro sergipano, irmão de afro americano, &lt;br /&gt;angolanos, nigeriano, senegalez, jamaicano&lt;br /&gt;cubano, haitiano, guianense,afros diásporisados.&lt;br /&gt;Sou afro brasileiro, sergipano&lt;br /&gt;irmão de afro americano de Missuri&lt;br /&gt;Afro  nigeriano de Lagos, meus&lt;br /&gt;mano dos afros angolanos de Luanda&lt;br /&gt;e tantos diasporizados. Afros germânicos&lt;br /&gt;Afros franceses, afros marroquinos&lt;br /&gt;Afros eritreios, euroafricanos.&lt;br /&gt;Afro descendência é uma mascara&lt;br /&gt;que  escondem os que tem vergonha de ser&lt;br /&gt;Uma máscara para esconder&lt;br /&gt;a mancha negra da família.&lt;br /&gt;São praticados pelos pardos, mulatos&lt;br /&gt;que se escondem  na cor, para fugir&lt;br /&gt;das discriminações e preconceitos&lt;br /&gt;e imputam ao preto a pecha de negro.&lt;br /&gt;afro descendência, invenção de negros&lt;br /&gt;idiotizados, elitisados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –411&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rio do amanhecer&lt;br /&gt;uma menina travessa&lt;br /&gt;alegre de  olhar soturno&lt;br /&gt;negava na margem&lt;br /&gt;em direção ao mar&lt;br /&gt;vendo as estrelas pelo espelho d’água&lt;br /&gt;olhando a voz em busca do nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 412&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuva prateada&lt;br /&gt;no reino de Oxalá&lt;br /&gt;m olhou a terra povoada&lt;br /&gt;de risos infantis, correndo&lt;br /&gt;a colher Os peixes, que do ar&lt;br /&gt;caiam no chão, fertilizado &lt;br /&gt;por Oxum.Onirê &lt;br /&gt;gritei saudação ao deus da terra&lt;br /&gt;e contemplei o Baobá ao longe,&lt;br /&gt;resistente e frondoso&lt;br /&gt;com proteção das águas,&lt;br /&gt;dos ventos que vem do mar,&lt;br /&gt;das montanhas ,para rever os rios&lt;br /&gt;onde plantei o meu axé.&lt;br /&gt;As águas de Oxalá, que correm&lt;br /&gt;do Rio de Oxum para saldar Iyemanjá&lt;br /&gt;Odô Iya Ogunté _ Rainha da águas&lt;br /&gt;que vem da casa de Olokum.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –413&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai é eterno&lt;br /&gt;minha esperança transformadora&lt;br /&gt;sem ausência de ternura&lt;br /&gt;colo seguro, ombro amigo&lt;br /&gt;berço dos meus soluços socorro&lt;br /&gt;de minha perdição&lt;br /&gt;Meu pai é a sombra&lt;br /&gt;do meu descanso&lt;br /&gt;alivio de minhas dores&lt;br /&gt;Meu pai&lt;br /&gt;Rosa dos ventos&lt;br /&gt;afortunados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –414&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrato da minha memória violada&lt;br /&gt;vejo imagens que nunca esqueci&lt;br /&gt;vejo  violações alucinadas de inocentes&lt;br /&gt;figuras do meu inconsciente coletivo&lt;br /&gt;da orla povoada de mestre e senhores&lt;br /&gt;ambientais.&lt;br /&gt;Na foto de minha imaginação&lt;br /&gt;refeita com retoques digitais, ampliou&lt;br /&gt;as possibilidades e mudou as cores&lt;br /&gt;que  policromou  a paisagem descolorindo&lt;br /&gt;o fogaréu que se alastrava e era a prova&lt;br /&gt;do crime ambiental&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 415&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testamento dos primeiros&lt;br /&gt;desejos dos prisioneiros&lt;br /&gt;da visão esquecida&lt;br /&gt;sortilégio  de amor&lt;br /&gt;na magia pessoal do seu olhar&lt;br /&gt;Canta o conto de amor&lt;br /&gt;em canções plangentes, uma saudação&lt;br /&gt;a Alá visão desértica da Mesquita&lt;br /&gt;em Meca do Profeta da submissão.&lt;br /&gt;Memorial de luta na conquista&lt;br /&gt;da visão compacta  do Mestre&lt;br /&gt;na ação do amanhecer,prostração&lt;br /&gt;sacralizada a peregrinarão&lt;br /&gt;ao Corão, visão de Maomé&lt;br /&gt;revelado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES -416&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mutilação de minha identidade&lt;br /&gt;é fruto de ação cristalizada da Igreja &lt;br /&gt;e do Estado, irmãos Siameses genocidas.&lt;br /&gt;Um Estado que se diz ” laico” como a&lt;br /&gt;justiça que se declara “cega”todas as vezes &lt;br /&gt;invade e nega nossos direitos, coletivos &lt;br /&gt;naturais, e constitucionais.&lt;br /&gt;Legais e Legítimos, conforme o Fórum&lt;br /&gt;e grupos de interesses e ideológicos&lt;br /&gt;na proteção de predadores encastelados&lt;br /&gt;nos espaços de poder, legais, tradicionais&lt;br /&gt;e herdados.&lt;br /&gt;Usurpadores da nossa liberdade sitiada&lt;br /&gt;pela proteção da Igreja apoteótica,&lt;br /&gt;que nos amordaça, mutila, &lt;br /&gt;num engessamento silencioso,&lt;br /&gt;fruto de conspirações do medo, &lt;br /&gt;enraizada na teologia ortodoxa,&lt;br /&gt;pseudo libertadora profanizada &lt;br /&gt;por alianças racistas, mantenedoras &lt;br /&gt;da Pedagogia da Corrupção Teocrática, &lt;br /&gt;de um Estado degenerado,&lt;br /&gt;apêndice do Santo Oficio,&lt;br /&gt;na Cruzada etnocida,.&lt;br /&gt;manoteista de ação maniqueísta.&lt;br /&gt;Victrix causa diis placult,sed victa Catoni.&lt;br /&gt;Os Deuses foram pelo vencedor,&lt;br /&gt;mas Catão pelo vencido&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 417&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espasmo do meu sonambulismo&lt;br /&gt;marca o lirismo do ardor&lt;br /&gt;das ações do meu duplo&lt;br /&gt;nascido de mim.&lt;br /&gt;E hoje, hipnotizado pelo medo,&lt;br /&gt;corro de mim noite adentro,&lt;br /&gt;levitando em transe ascendente&lt;br /&gt;como uma sombra bruxuleante &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 418&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisioneiro de uma ideologia recalcada&lt;br /&gt;minha liberdade, condicionada&lt;br /&gt;não permite o uso de minha identidade&lt;br /&gt;sitiada, sufocada pelos Curadores&lt;br /&gt;Ensaio revoluções e pratico a guerrilha&lt;br /&gt;no aporte das reações idealizadas&lt;br /&gt;na minha resistência etnocida&lt;br /&gt;Penso ancestral quando falo e escrevo&lt;br /&gt;no cotidiano da aculturação paternalista&lt;br /&gt;do domínio devassado.&lt;br /&gt;A minha filosofia é construída &lt;br /&gt;do pensamento libertário na mordaça&lt;br /&gt;do meu passado coletivo&lt;br /&gt;no âmago do opressor colonizado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 419&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Desembargador Preto&lt;br /&gt; será a redenção do governo sergipano &lt;br /&gt;que na Província, proibiu pretos, africano&lt;br /&gt; e leprosos, o ingresso nas escolas pública&lt;br /&gt; Hoje busca inclusão, com pré-vestibular Cotas,&lt;br /&gt; sem incluir conteúdos  da nossa história cultura,&lt;br /&gt; nas grades de nossa educação. &lt;br /&gt; tirou o mérito do ingresso, da formação&lt;br /&gt; para  quantificar, desqualificando o ato.&lt;br /&gt;Cotas para negros, só favorecem os brancos&lt;br /&gt;e exclui os pretos, não  promove mudanças&lt;br /&gt;de atitudes ou de comportamento,&lt;br /&gt;o negro continua sendo o alvo do preconceito, &lt;br /&gt;o preto discriminado, criminalizado &lt;br /&gt;na sociedade cromática, com escolas sem &lt;br /&gt;educação qualificada,  com professores,&lt;br /&gt;sem educadores com títulos, sem conhecimento &lt;br /&gt;sem espaços sem representação&lt;br /&gt;O preto inexistem nos espaços de poder&lt;br /&gt;que mantem a política do clareamento&lt;br /&gt;como indicador de expressão, para o mando&lt;br /&gt;preto não pode comandar, não fica bem&lt;br /&gt;os mais claros receber ordens de pretos.&lt;br /&gt;Um ato histórico de desagravo&lt;br /&gt;Desembargador, indicação  do mandatário&lt;br /&gt;sem pré requisitos,  a cota  do preto,&lt;br /&gt; do governador mesmo que, &lt;br /&gt;depois de empossado despreze&lt;br /&gt;os pretos como todos os  negros , &lt;br /&gt;pretos, pardos ou mulatos&lt;br /&gt;no espaço de poder.&lt;br /&gt;Clareou, virou branco&lt;br /&gt;Virou autoridade, é branco.&lt;br /&gt;Mas, mesmo assim, haveremos de ter,&lt;br /&gt; um Preto Desembargador&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES – 420&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preto neurotomizado &lt;br /&gt;pelas respostas históricas das &lt;br /&gt;tradições coloniais, continua apanhando &lt;br /&gt;e sufocando seu grito, chora sem sentir dor ,&lt;br /&gt; grito silenciado pela repressão a cada esquina,&lt;br /&gt; manifesto ação, a cada espaço.&lt;br /&gt;Tido e havido como subordinado, não pode&lt;br /&gt;se insubordinar na hierarquia cromática&lt;br /&gt;é o último a  ser servido e o primeiro a servir&lt;br /&gt;brancos, pardos, mulatos. &lt;br /&gt;O preto é tratado como subalterno, tem que &lt;br /&gt;falar baixo e olhar para o chão, sem encarar&lt;br /&gt;seu opressor.&lt;br /&gt;Essa agressão é um insulto a inteligência&lt;br /&gt;do preto que está sempre diante de um &lt;br /&gt;tribunal de exceção a lhe  negar direitos.&lt;br /&gt;Vive oprimido e pensa liberdade.&lt;br /&gt;suas possibilidades soçobraram sobre &lt;br /&gt;a ilusão de uma farta imaginação&lt;br /&gt;e  mantem aceso corações e mentes&lt;br /&gt;panfletário na sua neurotomização&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 421&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carranca do olhar adormecido&lt;br /&gt;pela sombra do Sol nos dias festivos&lt;br /&gt;do Rio Opará em longas eras&lt;br /&gt;devassando águas límpidas na Proa&lt;br /&gt;dos barcos assinalando proteção&lt;br /&gt;singrando caudalosos  Rio por sobre&lt;br /&gt;o leito em busca do mar.&lt;br /&gt;A viração terral estancou o Rio&lt;br /&gt;no paralelo do poder corrompido&lt;br /&gt;assoreando pelas margem, o leito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES-422&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crise de vergonha e de identidade &lt;br /&gt;do negro que se nega e afirma &lt;br /&gt;suas raízes indígenas:&lt;br /&gt;Sou Xocó, Tupi, Kiriri, Kaimbé&lt;br /&gt;tem preconceito de ter preconceito&lt;br /&gt;E se auto reconhecer reconhecer&lt;br /&gt;inventa tal afro descendência&lt;br /&gt;E esconde o natural&lt;br /&gt;Se é da Eritréia,Pérsia , Brasil, &lt;br /&gt;Zâmbia e Senegal&lt;br /&gt;É descendente e desconhece&lt;br /&gt;seus ancestrais africanos ,busca os&lt;br /&gt;europeus numa certeza de sua sabedoria, &lt;br /&gt;explicitada na árvore&lt;br /&gt;genealógica, o famoso Pedigree. &lt;br /&gt;Negro nega preto se mulatêia é de Pardo&lt;br /&gt;simula cores e branqueia geneticamente&lt;br /&gt;empenhados, pelos olhos e ouvidos das luzes&lt;br /&gt;do Genoma., onde só existe uma Raça,&lt;br /&gt;a Humana, mas nós somos Negros &lt;br /&gt;se na prática, limalha do Universo, na Teoria&lt;br /&gt;o Berço da Humanidade.&lt;br /&gt;Torna-se branco ou Afrodescendente&lt;br /&gt;nunca Negro, jamais  Preto.&lt;br /&gt;Negro acomodou ,hoje é Branco&lt;br /&gt;clareou,  seu inimigo é o preto&lt;br /&gt; vitima  dos estereótipos, mas não se levanta.&lt;br /&gt;tem vergonha de ser negro&lt;br /&gt;porque simplesmente,, não é Preto.&lt;br /&gt;Quanto mais perto se chega de Cezar&lt;br /&gt;maior é o medo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –423&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo ainda a tristeza em meu coração&lt;br /&gt;cauterizado na travessia do Rio, no Barco&lt;br /&gt;encalhado no Banco-Corôa  construída&lt;br /&gt;pelos depósitos sedimentados lançados&lt;br /&gt;das margens.&lt;br /&gt;Meu Barco encalhado no meio do Lençol&lt;br /&gt;cristalino, cintilante, calmo, espelhado &lt;br /&gt;a luz do Sol.&lt;br /&gt;Paisagem bela, desta natureza que morre&lt;br /&gt;que agoniza, no exato local, passagem &lt;br /&gt; outrora de navios de grandes calados.&lt;br /&gt;Hoje sua profundidade  de Chalanas e &lt;br /&gt;Caiques, encalha os  apaixonados que se&lt;br /&gt;encanta com a visão do olhar em transe&lt;br /&gt;das imagens memoriais.&lt;br /&gt;Eu regalado da Paisagem espelhada e que&lt;br /&gt;se anima no Leito deste Rio Bravio  que&lt;br /&gt;agoniza sufocado pelo assoreamento,&lt;br /&gt;sangra meu coração cauterizado e eu querendo ir,&lt;br /&gt;com vontade de ficar.&lt;br /&gt;Não sei se nado ou vou a pés&lt;br /&gt;não sou Moisés, mas o Rio me parece &lt;br /&gt;Vermelho e estancado pelo uivo e gemidos&lt;br /&gt;no ar pela passagem no Tabanga ...&lt;br /&gt;Transposição.&lt;br /&gt;“O Cão nasceu na Tabanga&lt;br /&gt;Criou-se na Sambambira&lt;br /&gt;Morou na Ponte Morfina&lt;br /&gt;Veio morrer nas Traíras.”&lt;br /&gt;Neste ritual metafísico do meu Coração&lt;br /&gt;quanto mais perto se chega de Cezar&lt;br /&gt;maior é o medo.&lt;br /&gt;E meus olhos singram de saudades&lt;br /&gt;vendo os Caetés e os Quilombolas&lt;br /&gt;saudando o Rio.&lt;br /&gt;Aroboboi Oxumarê. Mussura&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 424&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Francisco e as Taparicas, Chatas &lt;br /&gt;e Barcaças com seus Toldos e Carrancas&lt;br /&gt;singrando o leito agitado, lutando contra&lt;br /&gt;os perigos   deslizando suave e &lt;br /&gt;apreensivamente nas águas traiçoeiras&lt;br /&gt;do Tabanga.&lt;br /&gt;As Barcaças do São Francisco,&lt;br /&gt;vão para o Mar em festa e ritus na Foz, &lt;br /&gt;numa sagração ao Mar de Iyemanjá&lt;br /&gt; num Tributo a Oxum do Opará.&lt;br /&gt;De suas margens , centenas de velas&lt;br /&gt;cobrem seu leito, enfunadas pelos ventos, na ida&lt;br /&gt;e no regresso dos Barqueiros, aos Portos&lt;br /&gt;e Ilhas, voando como Borboletas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 425&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio dos Currais; Opará; Integração&lt;br /&gt;São Francisco Agô Velho Chico&lt;br /&gt;ribeirinhos ao lado de suas margens&lt;br /&gt;com lições vividas, choram no recordo&lt;br /&gt;das tradições e agonia de agora.&lt;br /&gt;E vem os Índios, Portugueses; Negros&lt;br /&gt;Holandeses e as águas passaram&lt;br /&gt;por seu leito, barrentas, sangrentas&lt;br /&gt;por labor e resistências, em busca&lt;br /&gt;do Mar que hoje lhe invade.&lt;br /&gt;A Magia de suas Carrancas aumenta&lt;br /&gt;o eco dos gemidos e gritos, o Carreiro&lt;br /&gt;ficou sepulto nas profundezas do seu leito&lt;br /&gt;com o Murundu  e as Carrancas Protetoras&lt;br /&gt;na busca do Negro e Cobra D’Agua que&lt;br /&gt;pereceram e não se falam mais.&lt;br /&gt;O gemido continua no ar, avisando&lt;br /&gt;a sua destruição anunciada&lt;br /&gt;em seu leito cresce os bancos, suas &lt;br /&gt;margens se estreitam e crescem&lt;br /&gt;o assoreamento ao  aterramento&lt;br /&gt;para plantio de canavial e passagem&lt;br /&gt;de gados da agroindústria do governo&lt;br /&gt;que exclui seu impacto ambiental&lt;br /&gt;das histórias  e estórias de nossa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES -  426&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tempestade de Areia&lt;br /&gt;migrou do Deserto para o Rio&lt;br /&gt;O Saara emudeceu coberto de Granizos&lt;br /&gt;inundando em toda sua extensão &lt;br /&gt;coberta de Mar, numa revisitação do seu &lt;br /&gt;passado, sem Dunas, Oásis, Tempestades.&lt;br /&gt;No Rio cresce as Dunas,devastando as Matas&lt;br /&gt;e Centros Urbanos no entorno.&lt;br /&gt;Fogo, devastação e um Oceano revolto&lt;br /&gt;povoado de Tufões, trazidos pelos Vento Oeste.&lt;br /&gt;As  Areias cobriram o leito do Rio &lt;br /&gt;assoreando as  áreas desertizadas  e transformaram&lt;br /&gt;Matas em Oásis, numa saudação ao homem&lt;br /&gt;citadino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 427 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certos olhares que nunca devemos dar&lt;br /&gt;e certas intenções, que não devemos ter.&lt;br /&gt;Nos envolvem transmitindo mensagens,&lt;br /&gt;desejos que não queremos cumprir,&lt;br /&gt; induzindo a falsas interpretações&lt;br /&gt;causando constrangimentos de uma &lt;br /&gt;verdade que temos medo de assumir.&lt;br /&gt;Meu corpo está machucado&lt;br /&gt;de  felicidades e frustrações.&lt;br /&gt;No meu olhar  o Sortilégio&lt;br /&gt;de desejos interrompidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 428&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetaniei Gilberto Gil&lt;br /&gt;na luz de Clara em Manhã de Carnaval&lt;br /&gt;ouvindo Ellis no Canto de Ossain&lt;br /&gt;canto a Iemanjá na claridade de Jobim&lt;br /&gt;saudando os Orixás, na bênçãos &lt;br /&gt; a Mestre Didi, Alapini.&lt;br /&gt;Alapalá do Alapinin, Aganju de Oiyó&lt;br /&gt;Caetaniei Gil na trilha de Chico a Morte&lt;br /&gt;e  Vida  Severina  do Cabral Melo Neto&lt;br /&gt;de omorixá. &lt;br /&gt;Caetaniei Gil, Senhor dos cantos e canções&lt;br /&gt;do povo, do nosso inconsciente coletivo&lt;br /&gt;Caetaniei Gil e transculturei emoções&lt;br /&gt;Meu povo nações, vozes, vozes, voz&lt;br /&gt;Abenção Antonio brasileiro Carlos Jobim&lt;br /&gt;benção Caetano, arauto dos ritus de iniciações&lt;br /&gt;guerreiro entrincheirado  de energia e inspiração&lt;br /&gt;na provocação de ações e quebra dos silêncios&lt;br /&gt;cristalizado do medo de  insurgir&lt;br /&gt;Abença   quem é de abença, abença minha benção.&lt;br /&gt;Caetaniei Gil, para  passar na Banda que não ficou&lt;br /&gt;E cantar a natureza na magia do refrão.&lt;br /&gt;saudar o povo negro, omorixá da Bahia&lt;br /&gt;terra de encantamento transbordado&lt;br /&gt;África transmutada de movimentos amplos&lt;br /&gt;mar aberto no abraço  longo, temporal de energias&lt;br /&gt;no compasso do riso feliz.&lt;br /&gt;Imagem de Gusmão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 429&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rios de lamentações&lt;br /&gt;corpo dolorido e alma em suspensão&lt;br /&gt;vestes litúrgicas, sacerdotais&lt;br /&gt;visões entrecortadas de dor e tristezas&lt;br /&gt;com pena do corpo cuja energia se esvai&lt;br /&gt;Choros e velas povoam o espaço&lt;br /&gt;sacralizado  pelo rito de dor e desespero.&lt;br /&gt;Uma lágrima cristalina, penetrante e &lt;br /&gt;fria dilacera aminha visão de fim do &lt;br /&gt;mundo em viagem austral e &lt;br /&gt;desperto para a vida renovado&lt;br /&gt;pela lágrima da Fênix, que meus&lt;br /&gt;olhos  viram e foram tocados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 430&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O remédio que lhe curou &lt;br /&gt;matou o fogo da paixão &lt;br /&gt;cruzei os oitos mares&lt;br /&gt;com as Rosas dos ventos &lt;br /&gt;potencializada rumo &lt;br /&gt;as galácticas do cruzador&lt;br /&gt;nas rotas das estrelas &lt;br /&gt;E rota no fim do itinerário&lt;br /&gt;atraquei na rotunda tosca &lt;br /&gt;do quarteirão rubento &lt;br /&gt;sem rumogear o poder &lt;br /&gt;maior que a autoridade&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 431&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus impulsos&lt;br /&gt;abrem uma clareira de sombra&lt;br /&gt;e luzes&lt;br /&gt;que emudecem o soluço&lt;br /&gt; silenciando meus grito&lt;br /&gt;já há muito silenciado.&lt;br /&gt;e vejo aquilo que jamais&lt;br /&gt;deveria ter visto:&lt;br /&gt;a minha liberdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES –432&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insatisfação&lt;br /&gt;dos nos atos&lt;br /&gt;minha humanidade&lt;br /&gt;meu faze,r feitos, &lt;br /&gt;minha utopia. &lt;br /&gt; sonho ditoso&lt;br /&gt;da inconsciência &lt;br /&gt;coletiva no resgate &lt;br /&gt;da minha cidadania &lt;br /&gt;sem a mascara de ferro&lt;br /&gt;com o orixá da resistência &lt;br /&gt;genocídio social e truculência&lt;br /&gt;etno radical&lt;br /&gt;Minha insatisfação &lt;br /&gt;não satisfaz o presente&lt;br /&gt;do meu passado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 433&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarei moratória numa&lt;br /&gt;numa manhã chuvosa&lt;br /&gt;como uma tradição a mim mesmo&lt;br /&gt;enfim de omitir a sua responsabilidade&lt;br /&gt;pelo crime cometido.&lt;br /&gt;Sou réu confesso&lt;br /&gt;de confessáveis memórias&lt;br /&gt;herói anônimo de testemunhas&lt;br /&gt;silenciosas.&lt;br /&gt;Por salvar um grupo, multidão&lt;br /&gt;pseudo íntimo de minha razão&lt;br /&gt;refém da emoção fragilizada&lt;br /&gt;e vulnerável sou transformado &lt;br /&gt;em bode da expiação&lt;br /&gt;numa customização Aqüífera&lt;br /&gt;e busco no Yom Kippur bloquear&lt;br /&gt;as experiências transformáticas&lt;br /&gt;do Jihad em Ramadam&lt;br /&gt;e na emoções a contra gotas&lt;br /&gt;conspiraram minha solidão coletiva&lt;br /&gt;no esquecimento da razão.&lt;br /&gt;“ Quem come da minha carne&lt;br /&gt;e bebe do meu sangue&lt;br /&gt;permanece em mim”&lt;br /&gt;No Olubajé revelo a expressão&lt;br /&gt;da quizila  rompida e solto o grito sufocado&lt;br /&gt;Eu não sou cordeiro!&lt;br /&gt;Fui transformado em bode &lt;br /&gt;para carregar as culpas dos outros.&lt;br /&gt;Sou  um mane gostoso...Saco de pancadas!&lt;br /&gt;E como Eremita,vagueio pelo deserto&lt;br /&gt;da diáspora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 434&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão ampliou&lt;br /&gt;o clarão dos meus olhos&lt;br /&gt;e vaticinou a expressão&lt;br /&gt;do desejo esquecido&lt;br /&gt;na suspensão do medo&lt;br /&gt;de querer ser feliz &lt;br /&gt;sem lhe perder.&lt;br /&gt;E esta visão cheia de luzes&lt;br /&gt;iluminou o sonho da noite&lt;br /&gt;solidão em festa de alegria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 435&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol é para todos&lt;br /&gt;mas não voltou naquele dia&lt;br /&gt;sussurros e agonias&lt;br /&gt;em restos transfigurados&lt;br /&gt;pela visão de tempestade &lt;br /&gt;no infinito azul&lt;br /&gt;o sol é para todos &lt;br /&gt;mas não voltou naquele dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 436&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus sonhos&lt;br /&gt;vejo um Oásis de miséria no &lt;br /&gt;deserto de fartura numa ilha subterrânea&lt;br /&gt;A visão estreita do meu olhar  &lt;br /&gt;reanima a miragem do temor terrorista &lt;br /&gt;na visão ambígua do Egito e José&lt;br /&gt;com suas vacas gordas em pastos áridos &lt;br /&gt;constelação ofuscada pela explosão&lt;br /&gt;de uma estrela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 437&lt;br /&gt;Visões de coisa qualquer &lt;br /&gt;no grito da noite&lt;br /&gt;solidão dos meus pesadelos&lt;br /&gt;povoados de pontos fantasmagóricos&lt;br /&gt;no peso da noite inacabada&lt;br /&gt;quedas em suspensões&lt;br /&gt;vôos aterradores&lt;br /&gt;explosões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 438&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voam as borboletas&lt;br /&gt;saudando as flores silvestres&lt;br /&gt;sobre o sol da manha, relva orvalhada&lt;br /&gt;na ponte do silencio não há solidão&lt;br /&gt;tudo é paz, harmonia com o esplendor&lt;br /&gt; das luzes refletidas no ar arco irisado&lt;br /&gt;Manhã de paz&lt;br /&gt;na plácida imagem flutuante&lt;br /&gt;do meu coração visionário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 439&lt;br /&gt;Afro descendência  é  confissão de culpa&lt;br /&gt;do preconceito racial&lt;br /&gt;da vergonha de ser negro  se assumir&lt;br /&gt;e ser reconhecido.&lt;br /&gt; É desculpa de negro que embranqueceu&lt;br /&gt; ou quer embranquecer&lt;br /&gt;Numa síndrome do Michael Jackson&lt;br /&gt;a Besta revelada.&lt;br /&gt;o Mulato, Pardo cheio de culpas.&lt;br /&gt;Afro descendência, vergonha de ser negro.&lt;br /&gt;Eu preto, negro de marca e origem.&lt;br /&gt;trago no corpo as imagens dos meus&lt;br /&gt;numa marca gravada&lt;br /&gt;na Alma o destino&lt;br /&gt;no Coração a paixão&lt;br /&gt;nos Pés o ritmo das caminhadas&lt;br /&gt;nos Olhos a visão e o sonho&lt;br /&gt;dos meus avos, gravado com fogo na íris&lt;br /&gt;e com sangue o sinal das lutas&lt;br /&gt;expressa no meu rosto roto.&lt;br /&gt;Afro descendência impede e incomoda&lt;br /&gt;o despertar da consciência psicológica&lt;br /&gt;política e cultural agregada de valores&lt;br /&gt;da filosofia ancestral, Pais dos meus  Avos&lt;br /&gt;que herdaram do Clã de nossa vasta&lt;br /&gt;e profunda raízes o direito de Sermos Negros,&lt;br /&gt;Nasceram escravos, mas só pensavam &lt;br /&gt;em Liberdade, não poderiam ser escravos&lt;br /&gt;e  pensarem em escravidão.&lt;br /&gt;Nasci Negro, falo brasileiro e penso africano&lt;br /&gt;pensar África, falando Brasil,&lt;br /&gt;sem negar seu natural.&lt;br /&gt;Como meus avos, não tenho mentalidade escrava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 440&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Educação é que nos vai tirar da Senzala&lt;br /&gt;uma educação democrática, sem vícios &lt;br /&gt;ou contaminação e independente de partidos&lt;br /&gt;com uma política voltada para a inclusão, &lt;br /&gt;participativa, que valorize o individuo&lt;br /&gt; muito mais além da fachada, incluindo&lt;br /&gt; e respeitando seus valores individuais&lt;br /&gt; e tradicionais, utilizando como instrumentos &lt;br /&gt;de sua formação intelectual.&lt;br /&gt;Uma Educação que nos distancie da colônia&lt;br /&gt;e  desconstrua  mitos, quebrando preconceitos&lt;br /&gt; e privilégios, onde o mérito seja&lt;br /&gt; o passaporte das oportunidades.&lt;br /&gt;Uma Educação que nos eleve e identifique&lt;br /&gt;proporcionando igualdades de oportunidade&lt;br /&gt;numa união na diversidade.&lt;br /&gt;Educação com educadores, &lt;br /&gt;os que tem o magistério como realização&lt;br /&gt; multiplicadora e não como  meio &lt;br /&gt;de vida ou falta de opção&lt;br /&gt;Educação com Educadores que inclua&lt;br /&gt;e não com professores que nos excluiram.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 441&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o Espelho e vi os desejos&lt;br /&gt;mais profundos de minhas fantasias&lt;br /&gt;confundi  a verdade com a realidade&lt;br /&gt;numa visão equivocada onde o fogo&lt;br /&gt;da vaidade provou o encantamento&lt;br /&gt;As minhas escolhas revelam o que sou&lt;br /&gt;mutação da máscara flutuante animada &lt;br /&gt;de  cintilações confusas povoando meu&lt;br /&gt;espaço cada vez mais reduzidos a reflexões.&lt;br /&gt;Parei no meio da Ponte para saudar o Vento&lt;br /&gt;e prantear a minha dor, &lt;br /&gt;uma memória rompida]da minha história recente, &lt;br /&gt;momentos de angústias gerando sentimentos&lt;br /&gt;cortantes, frios, desesperadores de visão&lt;br /&gt;aterradora que bom seria esquecê-la&lt;br /&gt;para aquecer minha ignorância dos fatos&lt;br /&gt;Olhei para o espelho e joguei por cima &lt;br /&gt;da Ponte e guardei o meu silencio&lt;br /&gt;para outra jornada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES - 442&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cotas  para Negros  e  introdução &lt;br /&gt;da Cultura Negra  nas Grades&lt;br /&gt;do Ensino Público.&lt;br /&gt;Uma visão alucinada da  Retratação&lt;br /&gt;tida como  politica reparadora&lt;br /&gt;a que mata o doente, para se livrar da doença.&lt;br /&gt;Vivemos  o século XVII em plena era &lt;br /&gt;da clonagem de células do escarro.&lt;br /&gt;Os filhos de barões e senhores de engenhos&lt;br /&gt;estudavam na europa, voltavam doutores&lt;br /&gt;para ocupar os espaços de poder político&lt;br /&gt;e judiciário ,na falta de títulos&lt;br /&gt;nobiliárquicos,  buscavam as academias,&lt;br /&gt;burlando os cursos preparatórios&lt;br /&gt;e admitindos nas faculdades pela força dos status&lt;br /&gt;numa fraude acadêmica do patronato político&lt;br /&gt;e econômico dos seus pais e padrinhos’&lt;br /&gt;que se utilizavam da educação&lt;br /&gt;como investimento político mantendo &lt;br /&gt;o curso primário como pífio e o normal&lt;br /&gt;para apologia da Grécia, Roma, Alemanha,Rússia &lt;br /&gt;num currículo aberto do faz de conta&lt;br /&gt;onde o grego, latim, italiano, alemão, russo, francês,inglês e esperanto, figuravam no faz de conta &lt;br /&gt;para apologia da Europa e desprezo do  Brasil e África,onde o Tupi-Guarani, Gê. e centenas de línguas,se falava nos mais recônditos do seu território&lt;br /&gt;O Swarili, ioruba, Congolês, Bantus alem de centenasde línguas amordaçadas pelo poder colonialprivou os negros e índios de serem, numa ação diretado etnocídio senhorial, pais dacorrupção e dos mais hediondos crimes.&lt;br /&gt;Estas línguas jamais se fizeram presente&lt;br /&gt;na grade curricular da educação dos brasileiro&lt;br /&gt;negros e índios que sem escolas e sem direito&lt;br /&gt;a freqüenta-la por Decreto, eram forçados a se&lt;br /&gt;tornarem civilizados para os Senhores e autoridades a sua cultura, chamada de bárbara, baixa e inferior foi excluída dos instrumentos de suas próprias educações,e, só muito depois os índios, preados e segregados pela Igreja, foram portadores dos seus valores aculturados&lt;br /&gt;como forma de aprendizagem ao mundo dos dominadores.&lt;br /&gt;Nós os negros, sem Escola, sem língua e sem religião sobrevivemos  na  clandestinidade da Resistência Cultural, reprimida pela policia,, braço de defesa dos  Senhores.&lt;br /&gt;Somos, uma multidão de analfabetos e desmemoriados sem direito a Voz e Voto, por falta de Cidadania dada na Lei e Revogada na prática, somos bois de Piranha&lt;br /&gt;nas Cotas de uma  educação desqualificada, racista que o s Senhores querem  se redimir, mantendo a ideologia do Recalque , negando a inclusão, nos empurra sem uma educação inclusiva básica, para os Campos&lt;br /&gt;das Universidades, servir de isca para ao engodo &lt;br /&gt;dos projetos de “igualdade racial”, repetindo a Abolição que lutamos, em busca de Emancipação que fomos excluídos.&lt;br /&gt;Universidade para Negros é uma apologia ao descaso ao apartheid social e político em pratica, uma  Universidade em crise de identidade e de baixa qualificação onde os negros serão apontados como responsáveis pelo ensino de baixa qualidades que se oferece&lt;br /&gt;assinalando que os Cotistas não tinham preparos&lt;br /&gt;para o mérito da  Universidade e que esta teve&lt;br /&gt;que descer pára se igualar aos negros, egressos de&lt;br /&gt;uma formação pífia. E os filhos dos Senhores&lt;br /&gt;vão estudar na Europa e América do Norte&lt;br /&gt;para continuar mantendo o poder e as rédias curtas.e a educação, desqualificada, eurocentrista&lt;br /&gt;sem África e sem Índios.&lt;br /&gt;Abenção Abdias , abenção Darci Ribeiro&lt;br /&gt;Abenção Florestan Fernandes&lt;br /&gt;A luta  é por dignidade&lt;br /&gt;A Resistência Negra não é Utopia.&lt;br /&gt;O Negro merece Respeito, seja  Preto, &lt;br /&gt;Pardo ou Mulato.Fizemos por merecer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES – 443&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós os Negros, criminalizados&lt;br /&gt;e estereotipados neste sociedade excludente&lt;br /&gt;sentimos na pele a violência cotidiana&lt;br /&gt;e  os Pretos, a marca do ferro em brasa &lt;br /&gt;a arder a cada passos que damos, somos&lt;br /&gt;discriminados e  violentados pela policia&lt;br /&gt;que nos  julgam, sentenciam e penalizam,&lt;br /&gt; sem nos dar o  beneficio  da dúvidas&lt;br /&gt; ou permitir o contraditório.&lt;br /&gt;Somos o que eles querem  que sejamos&lt;br /&gt;dizemos o que eles afirmam e nos faz assinar&lt;br /&gt;declarações documentais, urdidas pelas&lt;br /&gt;mentalidades criminosas  dos covardes&lt;br /&gt;que só existem enquanto policiais&lt;br /&gt;O Preto quando é preso&lt;br /&gt;Vira saco de pancadas&lt;br /&gt;O bode expiatório da Justiça Criminal&lt;br /&gt;que é a mais Racista, onde o Preto acusado,&lt;br /&gt; é sempre sentenciado, inocência é coisa de branco.&lt;br /&gt;Na falta de culpados, pegue um Preto, &lt;br /&gt;ele pode ser inocente mas sabe que é culpado,&lt;br /&gt; mesmo que  esteja no Ventre da Mãe.&lt;br /&gt;Na delegacia a ele é imputado&lt;br /&gt;todos os crimes ,sem direito de defesa&lt;br /&gt;e cada vez que é alegada sua inocência&lt;br /&gt; mais se estreita a espera suas possibilidades &lt;br /&gt; e  se afunda na movediça areia urdida pela&lt;br /&gt;policia que aplica a punição, com violência&lt;br /&gt;sistemática e faz dele o inimigo público, &lt;br /&gt;reafirmando  sua mentalidade assassina&lt;br /&gt;e a defensoria não faz nada, porque&lt;br /&gt; acompanha a promotoria que se alia aos&lt;br /&gt;delegados e delegada que induzem a&lt;br /&gt; todos da periculosidade do Preto e &lt;br /&gt;o Juiz autoriza a todas  ações da &lt;br /&gt;delegada em beneficio da  Justiça. &lt;br /&gt;Se foge um preso&lt;br /&gt;O preto é o culpado e violentado e punido&lt;br /&gt;Se alguém da delegacia se sente constrangido&lt;br /&gt;o preto é castigado a socos e ponta pés&lt;br /&gt;sua situação agravada, não pode denunciar&lt;br /&gt;os maus tratos, porque cai na porrada e&lt;br /&gt; é desacreditado, mesmo com marcas, &lt;br /&gt;os policiais e delegada dizem &lt;br /&gt;que foi briga entre presos. &lt;br /&gt;Fica sem visitas e outras ações básicas&lt;br /&gt;Antes do Juiz o preto é julgado,&lt;br /&gt;condenado e oprimido pela delegada&lt;br /&gt;e policiais,, que vilipendia sua família,&lt;br /&gt; num linchamento, moral e psicológico,&lt;br /&gt; com sistemático terror. Quem eram &lt;br /&gt;essas pessoas, antes de serem policiais,&lt;br /&gt; antes de terem o poder, para se sentir &lt;br /&gt;acima da Lei, influindo até nas ações &lt;br /&gt;de Advogados, Defensores,Promotores &lt;br /&gt;e Juizes.&lt;br /&gt; Será que esse pessoal são  reféns &lt;br /&gt;dos delegados e policiais.&lt;br /&gt;A delegada não acredita na inocência&lt;br /&gt; e que culpar o Preto mas ele for &lt;br /&gt;inocente do crime que lhe imputa,&lt;br /&gt; será  culpado por outros e &lt;br /&gt;para isso ficará preso até que o processo &lt;br /&gt;seja recheado e as alegações sejam diversas&lt;br /&gt;com a participação de vitimas &lt;br /&gt;dos diversos crimes ocorridos na área .&lt;br /&gt;Dificulta as ações dos advogados &lt;br /&gt;e instiga seus pessoal para  cair &lt;br /&gt;em cima do Preto provocando diversas&lt;br /&gt;ações para provar a sua culpa e periculosidade, &lt;br /&gt;induzem o preso a fugir, &lt;br /&gt;para persegui e matar e reafirma.&lt;br /&gt;Se denunciar, racismo ,preconceitos, maus tratos.&lt;br /&gt;será castigado.&lt;br /&gt;se arranjar advogado ou apelar para &lt;br /&gt;Associações de Direitos Humanos&lt;br /&gt;nunca mais ficará em paz&lt;br /&gt;principalmente se tiver família &lt;br /&gt;respeitável e  se for réu primário.&lt;br /&gt;A estratégia é humilhar&lt;br /&gt;desqualificar e constranger a família&lt;br /&gt; ou amigos dificultar as ações dos defensores&lt;br /&gt;amigos e Advogados&lt;br /&gt;e grupos de Direitos Humanos&lt;br /&gt;Não há Corregedoria, Defensoria ou&lt;br /&gt;Promotoria, para defender o Preto,&lt;br /&gt;vítima do assédio, sexual, racista,&lt;br /&gt;psicológico de Delegados e delegada&lt;br /&gt;arrogantes, masoquistas que para provar&lt;br /&gt;suas sanidades autoritárias, fazem de tudo &lt;br /&gt;para colocar o Preto na Penitenciária, &lt;br /&gt;conforme assegura aos amigos e equipe”&lt;br /&gt; Vou botar este Macaco na Penitenciaria&lt;br /&gt;Não há Justiça para o Negro, e sim&lt;br /&gt;contra  ele, a Criminal é  a mais Racista.&lt;br /&gt;Principalmente numa terra em que Defensor&lt;br /&gt;defende interesses de empresários contra&lt;br /&gt;Preto e  o Racismo não é tipificado nos &lt;br /&gt;processos movidos por negros. Racismo &lt;br /&gt;aqui tem o nome de Injúria.&lt;br /&gt;Dura Lex Sed Lex&lt;br /&gt;no cabelo, só Grumete.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES- 444&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chamam de Negro&lt;br /&gt;mas  não sou negro não.&lt;br /&gt;Negro tem a pele preta,&lt;br /&gt;a minha, é preta não.&lt;br /&gt;Minha Mãe, não discrimina&lt;br /&gt;meu Pai é dominante,&lt;br /&gt;minha Avó, não gosta de Pretos&lt;br /&gt;meu Avô, é Rei do Cacumbí.&lt;br /&gt;Meus Irmãos são doutores&lt;br /&gt;altos, mais claros que eu,&lt;br /&gt;Sou o mais escuro da família.&lt;br /&gt;Me chamam de Negro&lt;br /&gt;Mas eu, sou Negro não. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES 445&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos  negros que não são pretos&lt;br /&gt;e assumem a negritude&lt;br /&gt;por conveniência em determinado&lt;br /&gt;tempo e lugar, no espaço territorial&lt;br /&gt;onde o negro é  dominante e o termo&lt;br /&gt;está na moda.&lt;br /&gt;“Sou Negro, trago nas veias o sangue&lt;br /&gt;forte dos nossos avos em luta contra&lt;br /&gt;a  opressão na Resistência  infinda&lt;br /&gt;Sou negro que se reconhece&lt;br /&gt;sem nunca ser reconhecido&lt;br /&gt;não busco DNA para vislumbrar &lt;br /&gt;minhas brancas raízes”&lt;br /&gt;meus avos são pretos, minha mãe clara&lt;br /&gt;mais é negra.&lt;br /&gt;Ela sempre mostra os retratos de minha avó&lt;br /&gt;não sou Preto, mas sou Negro&lt;br /&gt;por conveniência e consciência&lt;br /&gt;Nós os Negros queremos sair&lt;br /&gt;do grupo marginal e participar do &lt;br /&gt;exercício da cidadania, com igualdades&lt;br /&gt;de oportunidades, sem discriminações&lt;br /&gt;estigmas ou preconceitos.&lt;br /&gt;Queremos respeito a nossa Diversidade&lt;br /&gt;Como símbolo natural do nosso patrimônio&lt;br /&gt;Negros com  consciência  branca, em busca &lt;br /&gt;da construção da Consciência Negra reprimida.&lt;br /&gt;Afirmação de Identidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES 446&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negros com DNA da Casa Grande&lt;br /&gt;estão diuturnamente de atalaia&lt;br /&gt;para impedir o avanço dos negros &lt;br /&gt;da Senzala, os Quilombolas, negros&lt;br /&gt;da Resistência, insurretos  da liberdade.&lt;br /&gt;Tem cargo no Poder, representação&lt;br /&gt;simbólica de democracia racial&lt;br /&gt;e assumem a branquitude  &lt;br /&gt;nas opiniões e atitudes numa realidade&lt;br /&gt;ofuscante da coloração epdérmica,&lt;br /&gt;esquizofrenia de erudição maniqueísta&lt;br /&gt;do ser sem ter.&lt;br /&gt;São os agregados do Poder dominante&lt;br /&gt;Colonial, Patriarcal, Escravista, onde os&lt;br /&gt;únicos escravos são eles Capitães do Mato,&lt;br /&gt;Capatazes ,Feitores, Manés Gostosos da Burguesia&lt;br /&gt;enganosa, cultuam a consciência branca&lt;br /&gt;Para massacrar os negros, na certeza de &lt;br /&gt;combater o mal, só que no Poder&lt;br /&gt;não se olham no espelho.&lt;br /&gt;São os bonecos da Eugenia, cobaias&lt;br /&gt;do Poder, posando de autoridades,&lt;br /&gt;sem ter , mas que exercem o &lt;br /&gt;autoritarismo compensatório&lt;br /&gt;das pequenas autoridades, deslumbradas&lt;br /&gt;pelo Poder e branqueamento.&lt;br /&gt;“Para que ninguém seja discriminado&lt;br /&gt;e tenha seus Direitos Violados&lt;br /&gt;É necessário que o Poder&lt;br /&gt;detenha o próprio Poder”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VISÕES 447&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando pela fresta do meu futuro&lt;br /&gt;vi o passado que não vivi,&lt;br /&gt;não marquei na lembrança,&lt;br /&gt;e quedei no silencio, &lt;br /&gt;pensamento infeliz da  neurose&lt;br /&gt;caustrofóbica  de minha aminésia&lt;br /&gt;percebida sanidade.&lt;br /&gt;Revisitei a Casa de Mãe, na carona&lt;br /&gt;de minha infância uterina&lt;br /&gt;e sentir frio e calmaria&lt;br /&gt;e vivi com meus avos, a juventude&lt;br /&gt;do ancião.&lt;br /&gt;Mas o passado que não vivi&lt;br /&gt;é uma incógnita... &lt;br /&gt;Desvios  e caminhos a ser percorrido&lt;br /&gt;na lembrança de minha estrada,&lt;br /&gt;retorno de emoções, na varredura &lt;br /&gt;do Olhar  da Águia  Visitante&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; VISÕES  -  448&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branço de Marca e Origem&lt;br /&gt;sou Negro, de Consciência e Cultura,&lt;br /&gt;nasci branco e vivo negro&lt;br /&gt;por adoção e opção.&lt;br /&gt;Não nego minha origem&lt;br /&gt;mas busco a minha ancestralidade&lt;br /&gt;negra, nos tambores que rufam&lt;br /&gt;anunciando as Divindades&lt;br /&gt;nos ritus de  sagração a que me dou&lt;br /&gt;com  espontânea  expressão&lt;br /&gt;cuidando do meu Orixá&lt;br /&gt;Lendo o passado do meu povo negro&lt;br /&gt;e relendo as histórias da Resistência&lt;br /&gt;a que  atuo, como seguidores que antes&lt;br /&gt;atuaram, ao lado dos meus irmãos negros,&lt;br /&gt;revejo a luta e reafirmo a minha identidade&lt;br /&gt; remanescente dos quilombos de outrora.&lt;br /&gt;E eu branco, no banco tamboretado,&lt;br /&gt;gingando, falando e pensando negro&lt;br /&gt;nas cores vivas da natureza de Iyemanjá&lt;br /&gt;e  colorido de Oxumaré.&lt;br /&gt;Branco sem ancestral  Negro anunciado&lt;br /&gt;Branco de ancestralidade negra, divinizado&lt;br /&gt;em  filhos dos filhos meus, numa  energia&lt;br /&gt;encapsulada que enche de brilho&lt;br /&gt;meu coração africanizado.&lt;br /&gt;Patakori Ogum. Onilê do Omorixá.&lt;br /&gt;Branco de negra raízes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; VISÕES – 449&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agentes dos Poderes, diante de pretos&lt;br /&gt;são todos autoritários, arrogante, juizes,&lt;br /&gt;superiores, sábios, inteligentes, &lt;br /&gt;senhores da razão, a quem o preto&lt;br /&gt;deve obediência cega, e responder&lt;br /&gt;sim, sim senhor –senhora&lt;br /&gt;mesmo que tenham  tido vidas em comum&lt;br /&gt;de parcerias,  e freqüentado as mesmas&lt;br /&gt;manifestações, comido nos mesmos pratos&lt;br /&gt;O importante é que  agora um é autoridade&lt;br /&gt;e isso faz a diferença e ergue barreiras&lt;br /&gt;um é superior e o outro não teve as mesmas&lt;br /&gt;oportunidades, amizades ou apadrinhamento&lt;br /&gt;O espaço de poder é o divisor, onde se conhece&lt;br /&gt;as pessoas, os amigos, os inimigos estão&lt;br /&gt;acastelados no poder, mesmo que seja efêmero&lt;br /&gt;é aí onde se vislumbra a  verdade, Senhora da Razão&lt;br /&gt;Os agentes do poder, a quem o preto&lt;br /&gt;deve obediência cega e responder&lt;br /&gt;olhando para os pés, se olhar nos olhos é insulto e o preto penalizado, pelo atrevimento se dirigir a autoridade como Doutor, &lt;br /&gt;Doutora, ( E como tem “doutores” em Sergipe)&lt;br /&gt;O preto deve, ser subserviente e submisso.&lt;br /&gt;diante de uma autoridade do Poder&lt;br /&gt;deve conhecer o seu lugar e agradecer&lt;br /&gt;ao seus algozes.&lt;br /&gt;Quando os pretos se destacam, são chamados&lt;br /&gt;de metidos, e toda forma de desqualificações&lt;br /&gt;são projetadas a eles maiores que as dificuldades&lt;br /&gt;de relações. É o alvo revelado aos francos&lt;br /&gt;atiradores. Racistas de Plantões.&lt;br /&gt;Os Negros e os pretos em particular&lt;br /&gt;não teem direito a educação&lt;br /&gt;são treinados  como servos do sistema&lt;br /&gt;e não  educados para a cidadania&lt;br /&gt;Abolição não é  Emancipação&lt;br /&gt;Antes a autoridade,  reconhecer sempre&lt;br /&gt;que está errado, mesmo calado, é  ofensivo&lt;br /&gt;sua presença, grosseira, e suas ações suspeitas&lt;br /&gt;Pretos no Poder são Brancos. &lt;br /&gt;Autoridades não tem cor,, tem poder&lt;br /&gt;Ideologia que se reproduz no âmbito&lt;br /&gt;das Relações Interpessoais , Grupais&lt;br /&gt;e Comunais.&lt;br /&gt;Manda quem tem mais poder, seja ele qual for é a Lei do mais forte, mesmo que não&lt;br /&gt;tenha Conhecimentos ou Resistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISÕES -  450&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu chovendo em meu coração&lt;br /&gt;meus olhos lacrimejaram&lt;br /&gt;na lembrança de uma saudade recente&lt;br /&gt;sentimento recente&lt;br /&gt;na visão desta imagem animada&lt;br /&gt;de minha Irmãe&lt;br /&gt;Partiu sem minha presença&lt;br /&gt;foi levada sem sua permissão&lt;br /&gt;foi , lutando para ficar&lt;br /&gt;muita coisa por fazer,&lt;br /&gt;muito que cuidar.&lt;br /&gt;Eu choro de tristeza e frustrações&lt;br /&gt;eu choro de remorso a ausência&lt;br /&gt;de sua presença, presente e constante&lt;br /&gt;Ouço sua voz vibrante&lt;br /&gt;Inteligente e com decisão&lt;br /&gt;foi sem querer ir, foi derrotada&lt;br /&gt;pela  falta de presença, apoio&lt;br /&gt;na luta que travou, numa derradeira&lt;br /&gt;contenda. Inerte revisitou sua estrada&lt;br /&gt;seu povo, casa, amigos e irmãos&lt;br /&gt;José, onde está você, nominou todos&lt;br /&gt;ausente de si, presentes na lembrança&lt;br /&gt;que ia se esvaindo, cadê José.&lt;br /&gt;Meu irmão, me acuda!!! Cadê você&lt;br /&gt;e eu lá não estava, só depois de sua passagem&lt;br /&gt;cheguei, certo de conversar alongadamente&lt;br /&gt;e  não percebi seu corpo inerte&lt;br /&gt;sem vida, mas com mensagem no olhar,&lt;br /&gt;fito, sereno  fixado em mim&lt;br /&gt;e chorei, como se chora  para se perder&lt;br /&gt;sentindo a dor e o horror de Moisés&lt;br /&gt;diante do corpo de sua Irmã amada.&lt;br /&gt;Ainda hoje velo seu corpo e sinto &lt;br /&gt;a presença do olhar.&lt;br /&gt;Minha filha, Irmãe querida&lt;br /&gt;Você é uma Estrela fulgurante&lt;br /&gt;na Constelação dos Ancestrais,&lt;br /&gt;nós nunca morremos, viramos Estrelas.&lt;br /&gt;Você nos deixou tristes silenciosos&lt;br /&gt;aos prantos, inconformados e  culpados&lt;br /&gt;e eu responsabilizado pelo desenlace&lt;br /&gt;na cama fria de um hospital hostil.&lt;br /&gt;Quando forcei a sua ida, e você calada&lt;br /&gt;se despediu, sabendo que não ia voltar.&lt;br /&gt;Nossos corações apertados, teimava por&lt;br /&gt;desmentir a sensação de terror da qual&lt;br /&gt;é difícil esquecer e eu não quero esquecer&lt;br /&gt;Chamou meu nome antes de partir&lt;br /&gt;e minha chegada  foi a sua partida&lt;br /&gt;no desencontro cruel que  feriu meu coração&lt;br /&gt;cicatrizado e seu  Olhar  parado,  expressa&lt;br /&gt;na perspectiva de minha Visão,  a resposta&lt;br /&gt;da pergunta que não foi  feita.&lt;br /&gt;Ou simplesmente,  a pergunta que não&lt;br /&gt;quer calar.Deus lhe abençoes por tudo&lt;br /&gt;Que  viveu. Sua Jornada não terminou aqui&lt;br /&gt;a Morte é um caminho que todos temos&lt;br /&gt;que passar, para seguir o estágio superior.       &lt;br /&gt;Todos os ritus para você. Do Te Deo&lt;br /&gt;Sara; Axéxê e Sirrum, em cântico Gregoriano&lt;br /&gt;na Teoria dos Anjos e nossos Ancestrais&lt;br /&gt;o Guarup dos nossos Ancestrais Indígenas&lt;br /&gt;Graças a Você -  Deo gractias&lt;br /&gt;Ê fufu dagã&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-5687579541144707379?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/5687579541144707379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/visoes-do-olhar-em-transe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5687579541144707379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5687579541144707379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/visoes-do-olhar-em-transe.html' title='VISÕES DO OLHAR EM TRANSE'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuC-zi9YpWI/AAAAAAAAB-o/CGg2BpX3m8w/s72-c/TYUUIOP.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-5263268859679964161</id><published>2009-10-22T11:48:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T12:15:55.981-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' ESSE NEGRO SEVERO'</title><content type='html'>ALCIDES DA COSTA SANTOS( ( Cica )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro Severo &lt;br /&gt;De todos os Santos&lt;br /&gt;Que nasceu D’acelino...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esse negro Moleque,                            &lt;br /&gt;Esse negro Menino&lt;br /&gt;De todas as pátrias   &lt;br /&gt;Que escreve a sua arte &lt;br /&gt;Malinando poesia&lt;br /&gt;De mistério e magia&lt;br /&gt;Vem no rastro da noite&lt;br /&gt;Como se fosse um açoite&lt;br /&gt;De lembranças doidas&lt;br /&gt;Que um dia marcaram&lt;br /&gt;Os caminhos do além-mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um negro guerreiro,&lt;br /&gt;Senhor das mestrias,&lt;br /&gt;Já nasceu desenhando&lt;br /&gt;Os caminhos que um dia&lt;br /&gt;Ainda vão inventar.&lt;br /&gt;Pelos campos sagrados&lt;br /&gt;Eddifica seu sonho&lt;br /&gt;Resuscita passado Para invadir o futuro&lt;br /&gt;Ao som dos atabaques&lt;br /&gt;Dos seus Orixás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro Severo&lt;br /&gt;De todas as terras&lt;br /&gt;Que nasceu D'Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro Herói. &lt;br /&gt;O senhor do destino&lt;br /&gt;Que4 carrega no sangue&lt;br /&gt;O furor da aventura&lt;br /&gt;Traz o brasão da história&lt;br /&gt;Cravado no peito&lt;br /&gt;No aço forjado de sua cultura&lt;br /&gt;É muito mais que um grito&lt;br /&gt;A clamar justiça.&lt;br /&gt;Mas que um sonho incontido&lt;br /&gt;Pelos céus a vagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro Severo&lt;br /&gt;De rodas as Áfricas&lt;br /&gt;Que viveu D'Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um negro tinhoso&lt;br /&gt;Voz de todos os cantos&lt;br /&gt;De esperança e de vida&lt;br /&gt;E do brado feroz&lt;br /&gt;Que não pode conter,&lt;br /&gt;Esse negrpo matreiro&lt;br /&gt;Que nasceu brasileiro&lt;br /&gt;Reinventa a verdade,&lt;br /&gt;Pois é bicho "inventeiro",&lt;br /&gt;Esse negro que um dia&lt;br /&gt;Vão imortalizar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro Severo&lt;br /&gt;De todos os Santos&lt;br /&gt;Que nasceu D'Acelino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                    &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-5263268859679964161?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/5263268859679964161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-esse-negro-severo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5263268859679964161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5263268859679964161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-esse-negro-severo.html' title='POESIA &apos; ESSE NEGRO SEVERO&apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-3645029499943209323</id><published>2009-10-22T11:35:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T11:42:28.781-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' PONTE  DO PASSADO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCnf1LFzoI/AAAAAAAAB-I/GSgGIwwkyek/s1600-h/ATgAAAAEbGhJZ4BTX7nr5V8CrB0o-CVZDfibHc46wlUXNHjtPsxi4JqO4WgSnTj2RdokIUo-JG_vG_oQUCw5QSN2SlaDAJtU9VDwtGAJapZ5iyQWjmFjdq9A6okPIg.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCnf1LFzoI/AAAAAAAAB-I/GSgGIwwkyek/s400/ATgAAAAEbGhJZ4BTX7nr5V8CrB0o-CVZDfibHc46wlUXNHjtPsxi4JqO4WgSnTj2RdokIUo-JG_vG_oQUCw5QSN2SlaDAJtU9VDwtGAJapZ5iyQWjmFjdq9A6okPIg.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395496518881234562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por baixo da ponte,&lt;br /&gt;não passa mais o rio,&lt;br /&gt;não há mais alvorada,&lt;br /&gt;e canto da escorredeira,&lt;br /&gt;são passados  de infância&lt;br /&gt;na adolescência tardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leito, viçoso e lépido&lt;br /&gt;vegetações altaneiras,&lt;br /&gt;da viola de peito&lt;br /&gt;nas vozes das lavadeiras&lt;br /&gt;infância coletiva,&lt;br /&gt;no leito do meu Rio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dos hoje encapuzados,&lt;br /&gt;secou na madrugada&lt;br /&gt;devastado na alvorada&lt;br /&gt;em fogo convertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A margem esquerda da vida&lt;br /&gt;soçobrou na avenida&lt;br /&gt;que hoje se transita&lt;br /&gt;não sem musica, se grita&lt;br /&gt;com passado de risos cantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por baixo da ponte, não passa mais o rio&lt;br /&gt;passa carros em alta velocidade&lt;br /&gt;não há saudades ou desafios&lt;br /&gt;neste viaduto, era a infância&lt;br /&gt;do meu Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-3645029499943209323?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/3645029499943209323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-ponte-do-passado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3645029499943209323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3645029499943209323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-ponte-do-passado.html' title='POESIA &apos; PONTE  DO PASSADO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCnf1LFzoI/AAAAAAAAB-I/GSgGIwwkyek/s72-c/ATgAAAAEbGhJZ4BTX7nr5V8CrB0o-CVZDfibHc46wlUXNHjtPsxi4JqO4WgSnTj2RdokIUo-JG_vG_oQUCw5QSN2SlaDAJtU9VDwtGAJapZ5iyQWjmFjdq9A6okPIg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-5300335497976912045</id><published>2009-10-22T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T11:34:51.160-07:00</updated><title type='text'>POESIA '  RONDA DOS ESPIRITOS '</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuClvK7iKtI/AAAAAAAAB-A/AdEBz-c148s/s1600-h/1T061TCAC3YICUCASY8WWKCAR6ZK4NCAN009QICAOVOBE1CA9XDGGPCAWHNUBGCAQXGOBMCAAA9K8NCALD6ENECACAGNHVCAMKUFX9CALCKK7SCAKZD31CCAN04V9HCAU6CSO5CA86AY4W.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 113px; height: 118px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuClvK7iKtI/AAAAAAAAB-A/AdEBz-c148s/s400/1T061TCAC3YICUCASY8WWKCAR6ZK4NCAN009QICAOVOBE1CA9XDGGPCAWHNUBGCAQXGOBMCAAA9K8NCALD6ENECACAGNHVCAMKUFX9CALCKK7SCAKZD31CCAN04V9HCAU6CSO5CA86AY4W.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395494583396346578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuClaOLkRTI/AAAAAAAAB94/gdtQ3lX2kX4/s1600-h/_ra.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 339px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuClaOLkRTI/AAAAAAAAB94/gdtQ3lX2kX4/s400/_ra.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395494223491646770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite de ronda dos espíritos,&lt;br /&gt;Padilha eleva seu potencial&lt;br /&gt;induzindo forças as mulheres&lt;br /&gt;e homens das ruas,&lt;br /&gt;para a luxuria do sexo total&lt;br /&gt;sem medo, sem receios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em torno do falo que se movimenta&lt;br /&gt;em circulo circunscrito,&lt;br /&gt;ejaculando desejos adormecidos&lt;br /&gt;desconstruindo o cio da besta,&lt;br /&gt;que foge da lua em fogo fátuo&lt;br /&gt;e se derrama na terra despertando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem emasculado &lt;br /&gt;que serve a sua ama,&lt;br /&gt;no gozo da danação&lt;br /&gt;excomungando o mundo&lt;br /&gt;para amaldiçoar a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conspiração de Fausto,&lt;br /&gt;para conquistar o mundo&lt;br /&gt;de mim, Só mim falto eu&lt;br /&gt;para esculpir a imagem&lt;br /&gt;do sonho Dantesco,&lt;br /&gt;neste drama soturno &lt;br /&gt;das noites de rondas,&lt;br /&gt;do  Cordeiro do sacrifício&lt;br /&gt;ao Bode expiatório, da luxúria coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conspiração do Mito&lt;br /&gt;busco na penumbra,&lt;br /&gt;os que buscam a mentira&lt;br /&gt;para falar a verdade.  &lt;br /&gt;Assinalar os que na mentira&lt;br /&gt;encobrem a verdade&lt;br /&gt;com mantos dourados&lt;br /&gt;do convencimento,&lt;br /&gt;trucidando no exílio&lt;br /&gt;a atenção dos atentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-5300335497976912045?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/5300335497976912045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-ronda-dos-espiritos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5300335497976912045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5300335497976912045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-ronda-dos-espiritos.html' title='POESIA &apos;  RONDA DOS ESPIRITOS &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuClvK7iKtI/AAAAAAAAB-A/AdEBz-c148s/s72-c/1T061TCAC3YICUCASY8WWKCAR6ZK4NCAN009QICAOVOBE1CA9XDGGPCAWHNUBGCAQXGOBMCAAA9K8NCALD6ENECACAGNHVCAMKUFX9CALCKK7SCAKZD31CCAN04V9HCAU6CSO5CA86AY4W.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-4828004992554535020</id><published>2009-10-22T11:20:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T11:25:57.332-07:00</updated><title type='text'>' POESIA ' POLARIZAÇÃO DO SONHO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCjoeeprOI/AAAAAAAAB9w/POnbURYADhM/s1600-h/112809_14-s.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCjoeeprOI/AAAAAAAAB9w/POnbURYADhM/s400/112809_14-s.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395492269361573090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polarização do sonho&lt;br /&gt;cristalizou a energia do plexo solar&lt;br /&gt;amarelado de sufoco animado&lt;br /&gt;de configuração distante&lt;br /&gt;para a fantasia em noites quentes&lt;br /&gt;de inverno tardio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento telúrico&lt;br /&gt;de ciranda vadia, e imagens fulgurantes&lt;br /&gt;da fogueira sacramentada em lúdica sombria&lt;br /&gt;no cume da pedra de ará&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-4828004992554535020?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/4828004992554535020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-polarizacao-do-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/4828004992554535020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/4828004992554535020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-polarizacao-do-sonho.html' title='&apos; POESIA &apos; POLARIZAÇÃO DO SONHO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCjoeeprOI/AAAAAAAAB9w/POnbURYADhM/s72-c/112809_14-s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-8701440522854392120</id><published>2009-10-22T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T11:19:36.700-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' RAZÃO CLONADA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCiGFGL7aI/AAAAAAAAB9o/M95e8YBcj7w/s1600-h/Ossain.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 343px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCiGFGL7aI/AAAAAAAAB9o/M95e8YBcj7w/s400/Ossain.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395490578920893858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scanearam meu pensamento&lt;br /&gt;e eu fiquei nu.&lt;br /&gt;Roubaram minhas idéias,&lt;br /&gt;já não posso pensar,sentir,desejar.&lt;br /&gt;Minha liberdade de expressão,&lt;br /&gt;não é mais a expressão de liberdade,&lt;br /&gt;Violaram os meus direitos naturais,&lt;br /&gt;sufocaram minha capacidade&lt;br /&gt;de interagir.&lt;br /&gt;Ampliaram as privações dos meus Direitos,&lt;br /&gt;legítimos, coletivos,constitucionais e de&lt;br /&gt;consciência,mim sufocando no exílio.&lt;br /&gt;Tirando minha capacidade de sonhar,&lt;br /&gt;Já não tenho desejos&lt;br /&gt;só  pesadelos e delírios.&lt;br /&gt;Minhas idéias foram clonadas,&lt;br /&gt;pensadas.&lt;br /&gt;Minhas energias não geram pensar,&lt;br /&gt;Estou num bloco suspenso,silenciado&lt;br /&gt;Numa retração minimalistica &lt;br /&gt;da concepção que se dilui no silencio&lt;br /&gt;cristalizado.&lt;br /&gt;Como  reanimar meu pensamento?&lt;br /&gt;Qual ponto ou perspectiva devo singrar?&lt;br /&gt;Na revitalização dos meus  verbos?&lt;br /&gt;Buscando na zona do silencio,&lt;br /&gt;Identificar uma área neutra,morta&lt;br /&gt;para erguer uma barreira de proteção&lt;br /&gt;e bloquear os sinais invasivos,&lt;br /&gt;salvar meus pensamentos,&lt;br /&gt;resguardando informações &lt;br /&gt;Identificar  sinais, congelar expressões&lt;br /&gt;e ficar livre de invasões&lt;br /&gt;de parasitas intelectuais.&lt;br /&gt;Preservar meu corpo marcado&lt;br /&gt;violado na construção do meu pensar.&lt;br /&gt;usarei uma máscara de plasma&lt;br /&gt;na emoção da razão clonada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-8701440522854392120?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/8701440522854392120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-razao-clonada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/8701440522854392120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/8701440522854392120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-razao-clonada.html' title='POESIA &apos; RAZÃO CLONADA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuCiGFGL7aI/AAAAAAAAB9o/M95e8YBcj7w/s72-c/Ossain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-8267448145344620084</id><published>2009-10-22T11:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T17:25:48.954-07:00</updated><title type='text'>ORIXÁ N'LE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD33pZBS5I/AAAAAAAAB-4/0rdUgmW-HLA/s1600-h/AL30MSCAUMJEVDCAG2DL60CACWI96BCA246ECNCAVQBEQECAIPCHSACAZHP1IYCAS0VV71CARNUN4ZCA8MU3DQCAEM02NACATT8JJYCAOEZEN4CAHDOIJCCAAUVNRFCAKCRZTFCABYXZIY.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 113px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD33pZBS5I/AAAAAAAAB-4/0rdUgmW-HLA/s400/AL30MSCAUMJEVDCAG2DL60CACWI96BCA246ECNCAVQBEQECAIPCHSACAZHP1IYCAS0VV71CARNUN4ZCA8MU3DQCAEM02NACATT8JJYCAOEZEN4CAHDOIJCCAAUVNRFCAKCRZTFCABYXZIY.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395584888965516178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD33rJj-5I/AAAAAAAAB-w/JbYvPaG029E/s1600-h/clip_image013.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 248px; height: 304px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD33rJj-5I/AAAAAAAAB-w/JbYvPaG029E/s400/clip_image013.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395584889437551506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-8267448145344620084?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/8267448145344620084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-polarizacao-do-sonho_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/8267448145344620084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/8267448145344620084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-polarizacao-do-sonho_22.html' title='ORIXÁ N&apos;LE'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SuD33pZBS5I/AAAAAAAAB-4/0rdUgmW-HLA/s72-c/AL30MSCAUMJEVDCAG2DL60CACWI96BCA246ECNCAVQBEQECAIPCHSACAZHP1IYCAS0VV71CARNUN4ZCA8MU3DQCAEM02NACATT8JJYCAOEZEN4CAHDOIJCCAAUVNRFCAKCRZTFCABYXZIY.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-663038818081108400</id><published>2009-10-15T10:06:00.001-07:00</published><updated>2009-10-15T10:12:35.913-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' - HERESIA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX9C0KI3I/AAAAAAAAB84/V3qVZSVCkio/s1600-h/14.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 361px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX9C0KI3I/AAAAAAAAB84/V3qVZSVCkio/s400/14.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392875785038734194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX89XI3II/AAAAAAAAB8w/FOjO2_wR1QA/s1600-h/LSLEPVCA8W15NVCAZPO3RSCAI1N59RCANGQ5CGCA22031KCAZ7IYHLCAG9Z2F0CA2F8TDBCAXCUYN5CAJVLNWCCAEQ0AFICA00X37WCAXY129VCACJHIL7CA6JDMAICATPX20VCAZYKZ8Z.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 90px; height: 102px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX89XI3II/AAAAAAAAB8w/FOjO2_wR1QA/s400/LSLEPVCA8W15NVCAZPO3RSCAI1N59RCANGQ5CGCA22031KCAZ7IYHLCAG9Z2F0CA2F8TDBCAXCUYN5CAJVLNWCCAEQ0AFICA00X37WCAXY129VCACJHIL7CA6JDMAICATPX20VCAZYKZ8Z.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392875783574838402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX8pQIvRI/AAAAAAAAB8o/OnaGeTerPlQ/s1600-h/3FD49ZCAHKVEXECAC69GU6CA7V7QAWCA6RSQ5OCA7GVJKNCA6IREWVCAZE60T6CAIYLDHUCAZN3BJICADF861GCAL21HQ8CA6G6THECA72MODPCAWGBY40CA35S0PTCAHS7UBSCA45RF56.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 90px; height: 120px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX8pQIvRI/AAAAAAAAB8o/OnaGeTerPlQ/s400/3FD49ZCAHKVEXECAC69GU6CA7V7QAWCA6RSQ5OCA7GVJKNCA6IREWVCAZE60T6CAIYLDHUCAZN3BJICADF861GCAL21HQ8CA6G6THECA72MODPCAWGBY40CA35S0PTCAHS7UBSCA45RF56.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392875778176761106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai! Guarda em ti,&lt;br /&gt;aqueles voam na imensidão&lt;br /&gt;infinita da vida.&lt;br /&gt;A heresia contestadora da extrema&lt;br /&gt;Inquisição, danação temporal &lt;br /&gt;da  intolerância templária.&lt;br /&gt;negativa da divindade do estado&lt;br /&gt;na sacralização canônica do clero.&lt;br /&gt;Violação do destino,&lt;br /&gt;reveladora das regulações&lt;br /&gt;que institui a luz dos debates&lt;br /&gt;satíricos da profecia  partidária,&lt;br /&gt;dogma elaborado pelo mago da ambição.&lt;br /&gt;O dialogo, censurado,&lt;br /&gt;Enclausuramento do dia, &lt;br /&gt;Na noite dos márteris da genética,&lt;br /&gt;Na abjuração de Galileu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-663038818081108400?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/663038818081108400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-heresia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/663038818081108400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/663038818081108400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-heresia.html' title='POESIA &apos; - HERESIA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdX9C0KI3I/AAAAAAAAB84/V3qVZSVCkio/s72-c/14.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-3479308478948143073</id><published>2009-10-15T10:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T10:05:53.548-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' TRANSFIGURAÇÃO DO MITO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdWYBcEoMI/AAAAAAAAB8g/MHlQoEeM8ec/s1600-h/7182f55e47.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdWYBcEoMI/AAAAAAAAB8g/MHlQoEeM8ec/s400/7182f55e47.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392874049502486722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdWXnqS4AI/AAAAAAAAB8Y/_diE03WwkRU/s1600-h/8TLLCOCAEGKITSCALKHCQUCA6RV38BCADOE164CAH8I9Z9CA8XJOQ3CA4UTHE0CA0QMDHHCAB8AKN5CA32D7PDCAL66TDICA20JU68CA2LG7Z5CAHTEFPVCA9W7BQLCAEY55MBCA02V0A8.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 117px; height: 114px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdWXnqS4AI/AAAAAAAAB8Y/_diE03WwkRU/s400/8TLLCOCAEGKITSCALKHCQUCA6RV38BCADOE164CAH8I9Z9CA8XJOQ3CA4UTHE0CA0QMDHHCAB8AKN5CA32D7PDCAL66TDICA20JU68CA2LG7Z5CAHTEFPVCA9W7BQLCAEY55MBCA02V0A8.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392874042582818818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insegurança e dúvidas paralisantes&lt;br /&gt;dentro de mim, sem que eu saiba&lt;br /&gt;uma visão problemática estapafúrdia,&lt;br /&gt;um parto dolorido de amor endêmico,&lt;br /&gt;transfiguração da imbecilidade fatal&lt;br /&gt;de um satanismo medíocre, forjado&lt;br /&gt;de segredos compartilhados por&lt;br /&gt;arqueólogos insanos que exploram,&lt;br /&gt;os vícios dos outros, para potencializar os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa aberração de natureza plástica,&lt;br /&gt;metamorfoseando o visual.&lt;br /&gt;ter Ícaro  de minha nação utópica&lt;br /&gt;na transfiguração do mito, é minha formação&lt;br /&gt;metafísica, para produzir a síntese.&lt;br /&gt;Meu desejo delirante,&lt;br /&gt;Caetano Buarque Gil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-3479308478948143073?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/3479308478948143073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-transfiguracao-do-mito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3479308478948143073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3479308478948143073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-transfiguracao-do-mito.html' title='POESIA &apos; TRANSFIGURAÇÃO DO MITO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdWYBcEoMI/AAAAAAAAB8g/MHlQoEeM8ec/s72-c/7182f55e47.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-2864601409108908308</id><published>2009-10-15T09:35:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T09:43:35.486-07:00</updated><title type='text'>CONTO  -   " O SOL NO EQUINÓCIO DE EXU "</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdRI91mncI/AAAAAAAAB8Q/wily3SD7lpg/s1600-h/nnnnmmmmmkl%C3%A7.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 114px; height: 121px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdRI91mncI/AAAAAAAAB8Q/wily3SD7lpg/s400/nnnnmmmmmkl%C3%A7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392868293279653314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdQV0al7eI/AAAAAAAAB8I/Pi6wPwFY2G4/s1600-h/dfrt.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 116px; height: 114px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdQV0al7eI/AAAAAAAAB8I/Pi6wPwFY2G4/s400/dfrt.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392867414577114594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;CONTO by :   SEVERO D’ACELINO&lt;br /&gt;Para Denise D’Ogum..&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SOL NO EQUINOCIO DE EXU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O alvorecer daquele dia, anunciava tranqüilidade e uma certa ilusão, não só pela expressão do mistério que circundava no ar, uma sensação sufocante de mistérios e eu ali, parado contando estrelas imaginárias no bico do meu sapato um tanto já desgastado e sem sola.&lt;br /&gt;O vento, na verdade, uma aragem quente, uma lufada arremessou meus pensamentos e mim deixou de repente, desconfiado. Ali, sozinho, sentir presenças estranhas e fiquei fora da realidade, em órbita, um calor sufocante, acreditei ser a passagem de umas nuvens, deixando projetar sobre mim, os raios do Sol, que se alevantava já naquela hora, como se fosse desértico ao meio dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eram mais de cinco horas da manhã que prometia ensolarada, prenunciando um dia sufocante. O Galo cantou e eu ali, sentia a intensidade do calor insuportável como se o Sol se aproximasse a cada instante, busquei proteção dentro de casa, mas sair incontinente, os olhos ardiam e instintivamente busquei o porrão para mergulhar minha cabeça já em brasa.&lt;br /&gt;De repente o clarão se intensificou e um vento frio amenizou o calor matinal que sentia. O pessoal desperto com o raiá do dia, mantinha seus afazeres sem nenhuma novidade, a mesma rotina e não demonstrava desconforto algum, era como se nada estivesse acontecendo e, eu somente eu, vivia uma situação surreal. Via o Sol em movimentos muito baixo, em circulo e cada vez mais aumentava sua velocidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma visão alucinada da transformação do Sol em tocha circulante, provocando aquela reação só em mim, um calor abrasante que só atingia a minha sensação, era delírio, visão assustadora, perdi a noção do tempo, de tudo e percebi que a mudança de humor e de temperatura não era real, busquei respostas nos jogos divinatórios e a resposta foi esclarecedora: o Sol no equinócio de Exu, anunciava mudanças, os axés estavam enfraquecidos e Exu se movimentava em círculos anunciando aos Orixás os fundamentos dos axés enfraquecidos pelo povo cansado de caminhar em circulo sem encontrar a estrada do caminho fechado, visível só para poucos que sabiam olhar .&lt;br /&gt;Minha visão potencializou e meu corpo enrijeceu, já não sentia nada, o transe levou meu corpo a rodopiar como folhas secas ao vento e ninguém se importava, ninguém se dava conta do que se passava comigo, o Sol se manifestava em círculos constantes e em torno dele e por mim passavam os Orixás acompanhando seu Arauto que de frente acompanhava o movimento do Sol.&lt;br /&gt;Percebi o sentido da mutação e fiquei ao léu, juntando as folhas secas  buscando perceber suas árvores que se desfolharam e se renovavam neste equinócio que Exu, apontava para a revitalização do ritu, que perecia, como um Rio assoreado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O desprezo e abandonos a que os Orixás se encontram por parte dos seus filhos e seguidores, as mudanças dos rituais e hábitos nas Roças, nos Terreiros e Comunidades, dispersam e fragilizam os Axés enfraquecendo as raízes, expostas no dia-a-dia da relação com os Deuses e Ancestrais no refluxo dos movimentos das relações com os rituais.&lt;br /&gt;O abandono dos territórios sagrados, profanados pelos silêncios dos maiores, os iniciados,descuido dos mais velhos, muitos indo para os ancestrais, ampliando o vazio da sabedoria nos rituais que transforma a cada movimento perdido na quebra de quizilas.&lt;br /&gt;Exu reclamava do desequilíbrio e da punição como força revitalizadora de uma nova estação para fortalecer o axé e promover uma mudança de comportamento alinhada à tradição da recriação ancestral no culto sagrado.&lt;br /&gt;Sem perceber, acompanhava os movimentos circulares do fluxo do equinócio e no refluxo dos ventos e vi os Charcos, Lagoas, Pantanais, Rios, Cachoeiras, Mares, Mangues, Marés, Matas e toda natureza que os Orixás apontavam, Planaltos , Montanhas e o barulho do Trovão.&lt;br /&gt;Vi as praias , maremotos, tempestades, enchentes dos Rios, inundando prados, cidades, ventanias derrubando montanhas de árvores, matas em fogaréus, bichos e pássaros morrendo, como as raízes do Baobá, vi o que quiseram que eu visse, para celebrar a trajetória dos  ancestrais na virada do Tempo quebrado na força da destruição. Kosi Obá! kosi Ewe, kosi Orixá Sem ás folhas não há Orixá, não há saúde, porque o remédio que cura e mata a doença vem de Orumilá. &lt;br /&gt;Todo encolhido, fui despertado pelo berro de bodes e ovelhas, percebi que estava sem roupas, meu corpo tremia de frio, mesmo com o dia posto. Estava não sei aonde e fui atendido por um bando de garotos que buscaram em suas casas roupas e panos para mim cobrir, ariado, não sabia o rumo a seguir e fui acolhido como indigente, por uma família moradora de uma casa de taipa na beira do Rio o rio da sabedoria nesta casa de anciões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como andarilho, visitei a região, conheci a devastação, a seca, a fome, queimadas e transgressões. Vi tempestades e inundações, pastos desérticos, terra rachadas e ar sufocante. Era o Sol no circulo de Exu, dando o mesmo tempo para os movimentos dos elementos da natureza, indicando caminhos de sustentação no espaço sacralizado, profanizado pelos infiéis.&lt;br /&gt;A Terra, Fogo,Água e o Ar, se voltam contra as expressões agressoras da vida promovendo mudanças para o equilíbrio do sistema orbital. O desequilíbrio do ecossistema, marca profundamente a fragilidade, desinteresse e fragilidade dos rituais, principalmente nas zonas urbanas, um culto rural, ecologicamente integrado na fauna e flora em processo de devastação crescente.&lt;br /&gt;O Sol no equinócio de Exu trava o circulo de alerta para a descaracterização dos ritus e fragilidade dos rituais, das transgressões de quizilas e a falta de sucessão e fortalecimento da herança sacramental.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As Queimadas, Temporais, Degelos, Desmatamentos, Imundações, Incêndios, Poluição, Deslizamentos, Aquecimentos,Enchentes, Sol causticante, Chuvas Torrenciais, Ventos Tempestuosos, devastador,marcam as reações dos Quatros Elementos, como os Cavaleiros do Apocalipse, a fúria dos Orixás pelos seus fundamentos expostos como veias, sangrando na superfície, perdendo seus axés,morrendo dia-a-pós dia, numa pandemia que se alastra no ar.&lt;br /&gt;As obrigações más feitas, as festas as vaidades, onde se preocupam com fantasias e luxos, esquecendo os fundamentos dos Orixás, os rituais, as quebras de quizilas, preceitos,mudanças de axés, casas, pais, mães devidos a cada ritual.Exu segue á frente do cortejo, revendo a fragilidade e acenando a luz da escuridão no brilho do Sol.&lt;br /&gt;O Equinócio de Exu, anuncia mudanças, morte pelo fogo,ar,terra e água buscando a vida, renascida pelo oráculo daquele que ontem comeu o ebó que só hoje foi ofertado, anunciando a visitação revisitada, renascido do pântano sobre as sombras do Baobá.Salubá&lt;br /&gt;Iya mió.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Peguei uns papeis que rodavam como folhas ao vento, um estava escrito assim: (*)“A palavra “Exu” significa, em ioruba, “esfera”, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu é o principio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio negativo do Universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é a célula mater da geração da vida, o que gera o infinito, infinita vezes.&lt;br /&gt;É considerado o primeiro, o primogênito; responsável e grande mestre dos caminhos; o que permite a passagem o início de tudo. Exu é a força  natural viva que fomenta o crescimento. É o primeiro passo em tudo. É o gerador do que existe, do que existiu e do que ainda vai existir.&lt;br /&gt;Exu está presente, mais que em tudo e todos, na concepção global da existência. É a capacidade dinâmica de tudo que tem vida. Principalmente dos seres humanos que carregam, em seu plexo, o elemento dinâmico denominado Exu.&lt;br /&gt;É  aquilo que no candomblé  chamamos de Bára, ou seja “no corpo”, preso a ele. É o que nos dá capacidade de agir, andar, refletir, idealizar. Sem  o elemento Bára, a vida sadia é impossível. Sem ele, o homem seria excepcional, retardado, impossível de coordenar e determinar suas próprias atitudes e caminhos de vida..&lt;br /&gt;Realmente, Exu está presente em tudo. E damos como  exemplo inicial a concepção da geração da vida. O membro ereto do macho tem a presença de Exu- aliás, em terras da África, o membro rijo é o símbolo da vida, o símbolo de Exu - ; a penetração na fêmea, tema a regência de Exu; a ejaculação é coordenada por Exu; o percurso do espermatozóide dentro da fêmea, é regido por Exu; também na fecundação do óvulo  Exu está presente. E quando a primeira célula da vida esta formada, a presença de Exu se faz necessária. Já na multiplicação da célula, a regência passa por Oxum, que vai reger o feto até o nascimento.&lt;br /&gt;Exu também está presente no calor, no fogo, na quentura. Presente se faz nos lugares poucos arejados, nos lugares onde existem multidões, nos ambientes fechados e cheios.&lt;br /&gt;Exu está na alteração do ânimo, na discussão, na divergência, no nervosismo. Está presente no medo, no pavor, na falta de controle do ser humano. Também está perto na gargalhada, no riso farto, na alegria incontida. Para nós brasileiros, amantes do futebol, Exu está presente no grito de “gol”, que soltamos de forma feliz e nervosa. É o desprendimento do nervosismo contido no peito.&lt;br /&gt;Exu é a velocidade, a rapidez do deslocamento. É a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de idéias que temos. É a invenção,  descoberta. Exu é  o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreada e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos básicos. Aquele que ludibria, engana, e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz dor e a felicidade.&lt;br /&gt;Para se ter uma noção do comportamento e da regência paradoxal de Exu, cito um de seus Oriki (versos sarados), que diz;&lt;br /&gt;“ Exu matou um pássaro ontem, com a pedra que jogou hoje”&lt;br /&gt; Assim, pode-se ter uma idéia exata de quem Exu é, como é, e como rege as coisas. Ele esta presente em tudo..... Em nada.&lt;br /&gt;Exu esta presente no consumo de substâncias tóxicas, no álcool, na droga, no fumo. Ele  é  o sólido, o liquido e o gasoso. Está nas conversas de esquinas, de bares, de restaurantes, de praças. Está na aceitação ou  recusa de qualquer coisa.&lt;br /&gt;Está presente também nas refeições, pois ele é quem rege o ato de mastigar e engolir. A gula é atributo de Exu. Está no coito, no prazer sexual, na preguiça; mas também está presente na disposição, na energia, sem querer com isso carregar peso, pois Exu não gosta de carregar peso. Outro Oriki fala claramente sobre esta sua particularidade:&lt;br /&gt;“ Xonxô obé, odara kolori erú”&lt;br /&gt; ”A lâmina (sobre a cabeça) é afiada; ele não tem cabeça para carregar fardos”&lt;br /&gt;Exu é tudo isso e mais. Fogo é o seu elemento, mas a Terra e o Ar são bem conhecidos de Exu. É a  presença constante!&lt;br /&gt;Exu é filho de Iemanjá e irmão de Ogum e Oxossi. Dos três é o mais agitado, capcioso, inteligente, inventivo, preguiçoso e alegre.É aquele que inventa historias, cria casos e o que tentou violar a própria mãe.&lt;br /&gt;Numa de suas muitas histórias, podemos entender exatamente suas capacidade inventiva, sua conduta maquiavélica e sua maneira pratica de resolver seus assuntos e saciar seus desejos.&lt;br /&gt;Conta-se que dois grandes amigos tinham, cada um deles,um pedaço de terra, dividido por uma cerca. Diariamente os dois iam trabalhar, capinando e revirando a terra, para  plantio.Exu, interessado nas terras, fez a proposta para adquiri-las, o que foi negado pelos agricultores. Aborrecido, mas determinado a possuir aqueles dois terrenos, Exu procurou agir. Colocou na cerca um boné. De um lado branco, de outro vermelho. Naquela manhã, os amigos lavradores chegaram cedo para trabalhar a terra e viram o boné na cerca. Um deles via o lado branco e outro o lado vermelho.&lt;br /&gt;Em dado momento, um dos amigos pergunto: -  “O que este boné branco faz em minha cerca?” Ao que o outro retrucou: - “Branco? Mas, o boné é vermelho!”&lt;br /&gt;- Não, não, amigo. O boné é branco, como algodão!&lt;br /&gt;- Não, não é mesmo! É vermelho como o sangue!&lt;br /&gt;- Não sei como você pode ver vermelho, se é branco, está louco?&lt;br /&gt;- Não, o louco é você, que vê branco, se a coisa é vermelha!&lt;br /&gt;Bem, daí desencadeou-se a maior discussão, até chegarem à luta corporal. E com as mesmas ferramentas de trabalho, mataram-se.&lt;br /&gt;Exu, que de longe assistiu a tudo, esperando o desfecho já imaginado por ele, aproximou-se e assumiu a posse das terras, não sem antes fazer um comentário, bem ao seu estilo:&lt;br /&gt;- Mas que gentes confusas, que não consegue solucionar problemas tão simples!&lt;br /&gt;Esse é o tipo de Exu!&lt;br /&gt;Não quero passar a impressão de que se trata de uma coisa ruim, má, mas Exu é  nosso próprio interior, é a nossa intimidade, o nosso poder de ser bom ou mau, de acordo, com nossa própria vontade. Exu é o ponto mais obscuro do ser humano e é, ao mesmo tempo, aquilo que existe de mais óbvio e claro.&lt;br /&gt;Assim é Exu, Senhor dos caminhos, pai da verdade e da mentira. O Deus da contradição, do calor, das estradas, do princípio ativo de vida. O mestre de tudo... e nada!                                                          &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O outro trazia esta,outras palavras:Ossain deus das ervas, dono das matas, orixá da medicina, da cura, da convalescença. Mestre do poder curativo das ervas, que proporciona o Axé das plantas , ou seja, a força vital, imprescindível à realização de qualquer ritual nos cultos africanos.&lt;br /&gt;Ossain é a mágica das folhas, tornando mágica, também, sua convivência com os seres humanos.&lt;br /&gt;Nos dias em que o homem agride a natureza, derrubando árvores, fazendo queimadas, numa atitude covarde e insensata, Ossain se levanta como defensor, pois ele é a própria Ecologia. Ossain é a folha,; a árvore; o vegetal; a mata; a floresta, a qual quanto mais densa, mas faz notar sua presença.&lt;br /&gt;Ossain, de um bilhão de formas, tamanhos, cheiros e essências. O segredo do poder de curar pela planta está com ele, é proporcionado por ele.&lt;br /&gt;Nos rituais do Candomblé o banho de ervas – Abo – é vital, imprescindível. Tudo é passa no Abô. Desde louças, travessa de barro, moedas, pulseiras, búzios, quartinhas, facas, colheres de pau, gamelas, até o próprio home, que vai se banhar e se purificar pelas ervas. O Abô  é algo que não pode faltar nos rituais, que vai dar o encanto, vai possibilitar a presença da força cósmica do Orixá. Mesmo nos sacrifícios animais, canta-se para Ossãe – mesmo que o sacrifício não seja para ele – pois dele dependerá o encantamento daquele ato sagrado. É Ossain que trará a calma, a paz, o encanto, para que o ritual transcorra bem.&lt;br /&gt;Realmente, Ossain é o encanto, a magia. E é por isso que quando se vai à mata buscar ervas leva-se fumo de rolo, mel e moedas, para dar o Senhor das matas e facilitar a busca da erva desejada, pois Ossain pode escondê-la de nós, criar uma ilusão de ótica e não permitir que a vejamos, mesmo que esteja à nossa frente, debaixo de nossos olhos.&lt;br /&gt;Ossain está presente nos momentos importantes da vida. Na salvação de uma vida, através da medicina; nos consultórios. Afinal, Ossain é o  alquimista, o  químico, o farmacêuticos, o Senhor das poções mágicas  e curativas. É o feiticeiro, o bruxo, o medico dos Orixás, conhecedor profundo do segredo de todas as ervas.&lt;br /&gt;É o pai da homeopatia; aquele que gera a capacidade de cura, pela ingestão ou aplicação de plantas medicinais. E está presente, também, no cotidiano, pois estamos sempre muito próximos do mundo vegetal. É por isso que não devemos arrancar folhas sem motivos justos; derrubar árvores ou fazer queimada, pois estaremos violando a natureza, ofendendo seriamente esta poderosa força natura que denominamos Ossain.&lt;br /&gt;Sentimos ainda mais sua presença quando estamos num horto, em meio às ervas. Ossain é a mágica da folha, a sombra que nos proporciona paz, tranqüilidade e harmonia. &lt;br /&gt;Ossain e filho de Nana, irmão de Obaluaê, Oxumarê e Ewá. Sempre foi muito circunspeto, introvertido, pensativo. Ainda jovem, partiu para floresta – que sempre  o atraiu – e lá estudo as plantas, as árvores e aprendeu o segredo das ervas, cuidando dos animais feridos e fazendo experiências.&lt;br /&gt;Deteve, assim, o domínio do poder das ervas. E sempre que algum outro Orixá precisava de uma planta, de uma erva, devia, em primeiro lugar, pedir autorização a Ossain, e o senhor do verde.&lt;br /&gt;Xangô, Rei de Oyó, achando que todos deveriam ter o conhecimento das ervas, pediu à Iansã, Senhora dos ventos, que convencesse Ossain a dividir com os demais Orixás os mistérios e os segredos do uso da planta. Ela, por sua vez partiu para a floresta, sacudiu sua saia e fez gerar uma forte ventania, espalhando as folhas por todo o reino de Oyó e outro como Ketu, Ifé, Oxogbô, Abeokutá, Numpé, etc.&lt;br /&gt;Ossain assistia a tudo de forma impassível. Via suas folhas indo em direção a todos os reinos, sem dizer uma palavra. No fundo, o alquimista sabia que estavam dividindo as plantas, as espécies e nada podiam fazer diante de tão forte ventania.&lt;br /&gt;Vitoriosa,  Iansã voltou ao reino de Xangô, certa do dever cumprido. Na floresta, Ossain lamentava o vento que espalhara suas folhas mas, intimamente, sorria de forma irônica e comentou consigo mesmo:&lt;br /&gt;- De que adianta as folhas, sem o segredo? De que adianta possuir a erva, sem o mistério? De que adianta possuir o ingrediente mágico, sem o poder de gera a magia?&lt;br /&gt;Assim, Ossain continuou como o mestre das ervas. Embora os outros  Orixás também tenham suas folhas, ficou com Ossain o segredo e a forma de encantá-la. De nada adiantou terem as folhas, se não sabiam usá-la ou aplicá-las. Para isso, continuaram a depender de Ossain que, sabendo perdoar, continuou a curar, a dar receitas para gerar o encantamento, pois nada podia ser feito sem as ervas. Nenhum ritual daria certo sem o encanto  das folhas, como até hoje.&lt;br /&gt;Por isso, o africano nos ensinou, através de um Oriki (verso sagrado) o que significo, exatamente, o poder de Ossain:&lt;br /&gt;“Sem folha não há orixá, não há o Axé”:.&lt;br /&gt;Kosi ewe, Kosi orisa.&lt;br /&gt;Anunciando compreensão da órbita do equinócio de exu, onde o Sol iluminou a escuridão, devassando a inércia do tempo e sua ação transformadora, exemplificada na reação dos elementos.A continuidade histórica da transferência sagrada da sabedoria dos Ancestrais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Kobá Laroiê&lt;br /&gt;O enfraquecimento do AXÉ esta na poluição dos Cincos Elementos&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;1-2)(*)http://dofonodelogum.sites.uol.com.br/exu.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-2864601409108908308?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/2864601409108908308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/conto-o-sol-no-equinocio-de-exu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2864601409108908308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2864601409108908308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/conto-o-sol-no-equinocio-de-exu.html' title='CONTO  -   &quot; O SOL NO EQUINÓCIO DE EXU &quot;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdRI91mncI/AAAAAAAAB8Q/wily3SD7lpg/s72-c/nnnnmmmmmkl%C3%A7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-2198966420747740699</id><published>2009-10-15T09:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T09:27:58.880-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' DESPACHO URBANO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdNfuB2sbI/AAAAAAAAB8A/4mlWNW6xntg/s1600-h/imagesCAN24L70.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; 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gruta do pensamento &lt;br /&gt;imundado de idéia grotesca.&lt;br /&gt;A encruzilhada do despacho, &lt;br /&gt;mudou a rota do costume,&lt;br /&gt;acabou a tradição urbana&lt;br /&gt;na saudação de exu, &lt;br /&gt;simbologia do fogo nas festas juninas,&lt;br /&gt;dos funerais,&lt;br /&gt;já não há materialidade,&lt;br /&gt; recordações do passado,&lt;br /&gt;continuidade dos ritos,&lt;br /&gt;fechadas as passagens.&lt;br /&gt;Ruralização dos despachos urbanos,&lt;br /&gt;banalização dos ritus materiais,&lt;br /&gt;reduzidos a sofisticações virtuais,&lt;br /&gt;portal eletrônico da industrialização&lt;br /&gt;dos ixes  em micros chips transformados.&lt;br /&gt;Despachos virtuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-2198966420747740699?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/2198966420747740699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-despacho-urbano_15.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2198966420747740699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2198966420747740699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-despacho-urbano_15.html' title='POESIA &apos; DESPACHO URBANO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StdNfuB2sbI/AAAAAAAAB8A/4mlWNW6xntg/s72-c/imagesCAN24L70.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-201891351681918339</id><published>2009-10-12T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:38:23.737-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' MIRADA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOTrjVE-dI/AAAAAAAAB7w/PSwTXr1x-LI/s1600-h/NNMK.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 73px; height: 118px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOTrjVE-dI/AAAAAAAAB7w/PSwTXr1x-LI/s400/NNMK.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391815555319921106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MIRADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei de olhar para você,&lt;br /&gt;mas não vi nada  alem,&lt;br /&gt;sem embargo de  expressão&lt;br /&gt;A razão de ser, não é ter&lt;br /&gt;mas saber que é.&lt;br /&gt;Minha visão acendeu&lt;br /&gt;as luzes do Farol da Ilha perdida,&lt;br /&gt;para não perder seu rumo.&lt;br /&gt;O olhar da minha visão&lt;br /&gt; Dilui&lt;br /&gt; no firmamento para afirmar&lt;br /&gt;que os filhos não precisam&lt;br /&gt; entender seus pais, &lt;br /&gt;só precisam, obedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-201891351681918339?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/201891351681918339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mirada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/201891351681918339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/201891351681918339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mirada.html' title='POESIA &apos; MIRADA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOTrjVE-dI/AAAAAAAAB7w/PSwTXr1x-LI/s72-c/NNMK.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-5781418282825717704</id><published>2009-10-12T13:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:32:37.623-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' CONFINAMENTO'</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOSTKbnGjI/AAAAAAAAB7o/tNTjLXyXvhM/s1600-h/Chuva.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 193px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOSTKbnGjI/AAAAAAAAB7o/tNTjLXyXvhM/s400/Chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391814036807948850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONFINAMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confinamento para revisitação&lt;br /&gt;aguçamento do memorial&lt;br /&gt;para matar a saudade.&lt;br /&gt;Exílio de Paz, na dor da solidão, &lt;br /&gt;uma depressão incomoda e triste.&lt;br /&gt;Confinamento solitário.&lt;br /&gt;Superação emocional&lt;br /&gt;de mim, para que eu materialize&lt;br /&gt;a imagem distorcida &lt;br /&gt;que se  reflete de minha solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-5781418282825717704?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/5781418282825717704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-confinamento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5781418282825717704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5781418282825717704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-confinamento.html' title='POESIA &apos; CONFINAMENTO&apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOSTKbnGjI/AAAAAAAAB7o/tNTjLXyXvhM/s72-c/Chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-3320286476834113385</id><published>2009-10-12T13:22:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:29:07.383-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' REVELAÇÃO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StORdmBAziI/AAAAAAAAB7g/wQYvQRkR_7A/s1600-h/K23YK0CAQP22T0CA75BKEECA5VNO5LCAI0I4MKCA8L141ZCA2GRTOVCAFC0C42CA1YZ7EHCATB8EVCCAQO7IF2CA2OR9NICAA6DM7UCA62OZU9CAZ4D7F6CA5HPORKCA6B83IZCA6TXRG3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 141px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StORdmBAziI/AAAAAAAAB7g/wQYvQRkR_7A/s400/K23YK0CAQP22T0CA75BKEECA5VNO5LCAI0I4MKCA8L141ZCA2GRTOVCAFC0C42CA1YZ7EHCATB8EVCCAQO7IF2CA2OR9NICAA6DM7UCA62OZU9CAZ4D7F6CA5HPORKCA6B83IZCA6TXRG3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391813116499643938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVELAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos versos que eu conto&lt;br /&gt;minhas histórias,&lt;br /&gt; emoções e sentimentos.&lt;br /&gt;Canto as esperanças&lt;br /&gt;e mágoas do meu coração.&lt;br /&gt;Sonhos partidos, interrompidos,&lt;br /&gt;delírios de saudades e frustrações. &lt;br /&gt;Incógnitas, em episódios fragmentados,&lt;br /&gt;de uma ação.&lt;br /&gt;Pesadelos somatizados de surtos.&lt;br /&gt;Melodias distonantes&lt;br /&gt;de voz embargada, entrecortada&lt;br /&gt;de emoção ritmada de pulsos&lt;br /&gt;silenciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-3320286476834113385?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/3320286476834113385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-revelacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3320286476834113385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3320286476834113385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-revelacao.html' title='POESIA &apos; REVELAÇÃO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StORdmBAziI/AAAAAAAAB7g/wQYvQRkR_7A/s72-c/K23YK0CAQP22T0CA75BKEECA5VNO5LCAI0I4MKCA8L141ZCA2GRTOVCAFC0C42CA1YZ7EHCATB8EVCCAQO7IF2CA2OR9NICAA6DM7UCA62OZU9CAZ4D7F6CA5HPORKCA6B83IZCA6TXRG3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-6113313290576023575</id><published>2009-10-12T13:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:20:29.985-07:00</updated><title type='text'>POESIA '  REAÇÃO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOPfnPQoPI/AAAAAAAAB7Y/PcGnOnawxOo/s1600-h/earthta9.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOPfnPQoPI/AAAAAAAAB7Y/PcGnOnawxOo/s400/earthta9.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391810952164319474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danço, mas não sei fazer&lt;br /&gt;teste para danças e danço.&lt;br /&gt;Minha interpretação magistral,&lt;br /&gt;natural, e emocional&lt;br /&gt;não se projeta nos testes&lt;br /&gt;que antecedem a classificação.&lt;br /&gt;Sou inteiro e dividido&lt;br /&gt;Incerto e sucumbo a testes.&lt;br /&gt;Sou preto e nos testes,&lt;br /&gt;dar um branco que acaba &lt;br /&gt;com minha expressão e memórias&lt;br /&gt;Não sou ator de testes,&lt;br /&gt; sou interprete em atuação.&lt;br /&gt;Interpreto o branco, o negro&lt;br /&gt;negociante, o rei e o barão&lt;br /&gt;Não sigo testes, meu norte&lt;br /&gt;é o roteiro, personagem e situação&lt;br /&gt;Sou ator intuitivo, emotivo e sigo&lt;br /&gt;o rastro da emoção.&lt;br /&gt;Nos testes danço, sem saber&lt;br /&gt;dançar.&lt;br /&gt;Não sou ator de testos para seleção&lt;br /&gt;Sou ator de convocação, &lt;br /&gt;ator escalado para interpretar,&lt;br /&gt;um personagem. &lt;br /&gt;Ator pronto para atuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-6113313290576023575?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/6113313290576023575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-reacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6113313290576023575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6113313290576023575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-reacao.html' title='POESIA &apos;  REAÇÃO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOPfnPQoPI/AAAAAAAAB7Y/PcGnOnawxOo/s72-c/earthta9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-6304510339249597615</id><published>2009-10-12T13:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:13:52.990-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' OFERENDA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StON7gWQuqI/AAAAAAAAB7Q/40jB6oXnlm8/s1600-h/LHUEWRCARDQRBFCAXBXA4ECAG5LUXFCAM1EU1SCAWC0U4WCAE6US81CA28UMRRCAF2BHXCCAYTNHC5CAFH2IBFCA9TOG4LCAVOHC90CAWY13HWCAILY498CAZEBAU4CA9EDD8LCA78P7TF.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 89px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StON7gWQuqI/AAAAAAAAB7Q/40jB6oXnlm8/s400/LHUEWRCARDQRBFCAXBXA4ECAG5LUXFCAM1EU1SCAWC0U4WCAE6US81CA28UMRRCAF2BHXCCAYTNHC5CAFH2IBFCA9TOG4LCAVOHC90CAWY13HWCAILY498CAZEBAU4CA9EDD8LCA78P7TF.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391809232327719586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OFERENDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundeei em alto mar, &lt;br /&gt;Na  boca da barra, para entregar&lt;br /&gt;Minha oferenda, as Iyabas&lt;br /&gt;Oxum e Iemanjá&lt;br /&gt;Um cardume de peixes brilhava &lt;br /&gt;Na trilha por onde a oferenda&lt;br /&gt;Iria passar.&lt;br /&gt;Saudei pescador e as&lt;br /&gt;Ondas brumadas&lt;br /&gt;Levaram todas e naveguei,&lt;br /&gt;Em calmaria, águas claras&lt;br /&gt;Das ondas do mar bravio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-6304510339249597615?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/6304510339249597615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-oferenda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6304510339249597615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6304510339249597615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-oferenda.html' title='POESIA &apos; OFERENDA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StON7gWQuqI/AAAAAAAAB7Q/40jB6oXnlm8/s72-c/LHUEWRCARDQRBFCAXBXA4ECAG5LUXFCAM1EU1SCAWC0U4WCAE6US81CA28UMRRCAF2BHXCCAYTNHC5CAFH2IBFCA9TOG4LCAVOHC90CAWY13HWCAILY498CAZEBAU4CA9EDD8LCA78P7TF.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-1104952205323262720</id><published>2009-10-12T13:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:07:46.150-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' FACHOS DE CINZAS'</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOMcTtTx1I/AAAAAAAAB7I/AY7Qmvz7MHU/s1600-h/pequenonk6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 284px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOMcTtTx1I/AAAAAAAAB7I/AY7Qmvz7MHU/s400/pequenonk6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391807596847155026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FACHOS DE CINZAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partir chegando para&lt;br /&gt;O calor do fogo&lt;br /&gt;Que não foi aceso e,&lt;br /&gt;mim queimei,&lt;br /&gt;chorei fachos de cinzas&lt;br /&gt;e vi a Fênix  revigorada.&lt;br /&gt;Renascida dos meus prantos&lt;br /&gt;Dores só flores e aromas.&lt;br /&gt;Fogo apagado, queimou&lt;br /&gt;A alma do herói solitário, solidário.&lt;br /&gt;O romântico da canção ouvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-1104952205323262720?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/1104952205323262720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-fachos-de-cinzas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/1104952205323262720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/1104952205323262720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-fachos-de-cinzas.html' title='POESIA &apos; FACHOS DE CINZAS&apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOMcTtTx1I/AAAAAAAAB7I/AY7Qmvz7MHU/s72-c/pequenonk6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-5321582902693885226</id><published>2009-10-12T12:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T13:02:02.329-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' RASTRO DE ESTRÊLA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOLE11BVGI/AAAAAAAAB7A/12ti18nEtBA/s1600-h/love+%26+romance+(132).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 346px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOLE11BVGI/AAAAAAAAB7A/12ti18nEtBA/s400/love+%26+romance+(132).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391806094177817698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RASTRO DE ESTRELAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sem Chão, para sentir a terra.&lt;br /&gt;Um lampejo &lt;br /&gt;de um raio luz, intermitente&lt;br /&gt;brilha apontando meu caminho&lt;br /&gt;como um Farol de noites calmas&lt;br /&gt;na tormenta da Lua Cheia.&lt;br /&gt;Brilha  intensamente&lt;br /&gt;numa sintonia  de sombras&lt;br /&gt;mostrando as ondas e as brumas&lt;br /&gt;do mar.&lt;br /&gt;rastro de Estrelas&lt;br /&gt;cruzeiro que se destaca&lt;br /&gt;apontando o norte, partida &lt;br /&gt;dBe minha chegada&lt;br /&gt;Canção de êxtase no meu exílio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-5321582902693885226?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/5321582902693885226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-rastro-de-estrela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5321582902693885226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/5321582902693885226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-rastro-de-estrela.html' title='POESIA &apos; RASTRO DE ESTRÊLA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOLE11BVGI/AAAAAAAAB7A/12ti18nEtBA/s72-c/love+%26+romance+(132).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-7696628841808821248</id><published>2009-10-12T12:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:57:43.550-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' MAR DO SERTÃO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOJYKCrYfI/AAAAAAAAB64/KnEFXNxggQM/s1600-h/NKEY5YCA6YBMQHCAKS5FFCCAEFNXQICAFUPHVBCAE01CP5CA74S4M8CATKHY65CA7SQXU2CAKN17HOCA1BZXO7CAZJKO3GCAK0O2YDCAO0DONOCAMJPXG5CADHPAKDCAUX3Q3FCAMGW1VV.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 123px; height: 83px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOJYKCrYfI/AAAAAAAAB64/KnEFXNxggQM/s400/NKEY5YCA6YBMQHCAKS5FFCCAEFNXQICAFUPHVBCAE01CP5CA74S4M8CATKHY65CA7SQXU2CAKN17HOCA1BZXO7CAZJKO3GCAK0O2YDCAO0DONOCAMJPXG5CADHPAKDCAUX3Q3FCAMGW1VV.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391804226998067698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAR DO SERTÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero voar e planar, &lt;br /&gt;sem sonho de Ícaro&lt;br /&gt;com os olhos da A cauã&lt;br /&gt;para ver o Velho Chico  passar&lt;br /&gt;da nascente a Foz&lt;br /&gt;ver Cachoeiras e Paredões&lt;br /&gt;sem Bancos de Areias., &lt;br /&gt;sem assoreamentos.&lt;br /&gt;e lá do alto saudar&lt;br /&gt;em toda sua extensão&lt;br /&gt;a primavera da  Sereia&lt;br /&gt;no Mar do meu sertão&lt;br /&gt;voar,voar como  Acauã&lt;br /&gt;e lá do alto bradar&lt;br /&gt;e o Velho Chico passar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-7696628841808821248?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/7696628841808821248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mar-do-sertao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7696628841808821248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7696628841808821248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mar-do-sertao.html' title='POESIA &apos; MAR DO SERTÃO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOJYKCrYfI/AAAAAAAAB64/KnEFXNxggQM/s72-c/NKEY5YCA6YBMQHCAKS5FFCCAEFNXQICAFUPHVBCAE01CP5CA74S4M8CATKHY65CA7SQXU2CAKN17HOCA1BZXO7CAZJKO3GCAK0O2YDCAO0DONOCAMJPXG5CADHPAKDCAUX3Q3FCAMGW1VV.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-1416723517810159605</id><published>2009-10-12T12:47:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:50:29.722-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' MARCAS '</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOIbOVWfGI/AAAAAAAAB6w/cUl76RQtWoM/s1600-h/1908.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOIbOVWfGI/AAAAAAAAB6w/cUl76RQtWoM/s400/1908.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391803180178111586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em defesa dos meus interesses&lt;br /&gt;mim aproximei de você&lt;br /&gt;seu corpo, meu aquecedor&lt;br /&gt;lirismo constante  de energias&lt;br /&gt;meus braços, seu travesseiro&lt;br /&gt;no abraço de nós, num fluxo &lt;br /&gt;de reflexão ao caminho de alfa&lt;br /&gt;no nível de encantos e encontros&lt;br /&gt;das marcas deixadas&lt;br /&gt;para a volta do seu  chegar.&lt;br /&gt;Minha Babel adormecida&lt;br /&gt;no despertar do dia&lt;br /&gt;na primavera Bureau&lt;br /&gt;cristaliza o aquecimento&lt;br /&gt;dos sentidos, sonhados&lt;br /&gt;das emoções racionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-1416723517810159605?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/1416723517810159605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-marcas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/1416723517810159605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/1416723517810159605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-marcas.html' title='POESIA &apos; MARCAS &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOIbOVWfGI/AAAAAAAAB6w/cUl76RQtWoM/s72-c/1908.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-3462584789639907652</id><published>2009-10-12T12:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:47:22.596-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' IMAGENS '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOHtryWTiI/AAAAAAAAB6o/wlYOiKCmlEU/s1600-h/errfss.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 292px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOHtryWTiI/AAAAAAAAB6o/wlYOiKCmlEU/s400/errfss.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391802397810380322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMAGENS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foragido da razão&lt;br /&gt;Não sonho,&lt;br /&gt;Sou só emoção e mais delírios&lt;br /&gt;Alucinadamente plana&lt;br /&gt;Em fantasia.&lt;br /&gt;Estou viajando nas asa da dor&lt;br /&gt;Imagens de mim.&lt;br /&gt;Quando eu transformava&lt;br /&gt;tudo em festa&lt;br /&gt;poço de alegrias e&lt;br /&gt;descontração&lt;br /&gt;dançando, cantando&lt;br /&gt;e rindo a toa&lt;br /&gt;uma energia receptora&lt;br /&gt;cheia de gente&lt;br /&gt;em torno de mim&lt;br /&gt;sorria e não era feliz&lt;br /&gt;meu  mundo era surreal&lt;br /&gt;Hoje realidade de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-3462584789639907652?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/3462584789639907652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-imagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3462584789639907652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/3462584789639907652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-imagens.html' title='POESIA &apos; IMAGENS &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOHtryWTiI/AAAAAAAAB6o/wlYOiKCmlEU/s72-c/errfss.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-4254079220380773693</id><published>2009-10-12T12:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:43:26.810-07:00</updated><title type='text'>POESIA '  REFLEXO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOG0TMGBQI/AAAAAAAAB6g/uSaFRs26Zj8/s1600-h/JVAKBQCAFSATSOCAGRR7QSCAB3RMZ0CA23C36ECA3WSOFKCA6BCC43CAH6R77XCAPKIHWXCAWF1SZ8CAXRE20ZCASAUJXOCABOCYDZCAU00OKHCACIOSU7CA6O8QYYCA9P275UCAZOXTFL.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 88px; height: 135px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOG0TMGBQI/AAAAAAAAB6g/uSaFRs26Zj8/s400/JVAKBQCAFSATSOCAGRR7QSCAB3RMZ0CA23C36ECA3WSOFKCA6BCC43CAH6R77XCAPKIHWXCAWF1SZ8CAXRE20ZCASAUJXOCABOCYDZCAU00OKHCACIOSU7CA6O8QYYCA9P275UCAZOXTFL.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391801411954935042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFLEXO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joguei a paciência fora&lt;br /&gt;e afoguei minha ternura&lt;br /&gt;no leito do rio que deságua&lt;br /&gt;na cachoeira e no estreito da lua&lt;br /&gt;Joguei minha paciência&lt;br /&gt;no mar de lama e sufoquei&lt;br /&gt;a saudade olhando o sol&lt;br /&gt;e neste reflexo&lt;br /&gt;não gostei da imagem&lt;br /&gt;que vi no espelho&lt;br /&gt;imagens fossilizadas&lt;br /&gt;de memórias perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-4254079220380773693?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/4254079220380773693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-reflexo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/4254079220380773693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/4254079220380773693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-reflexo.html' title='POESIA &apos;  REFLEXO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOG0TMGBQI/AAAAAAAAB6g/uSaFRs26Zj8/s72-c/JVAKBQCAFSATSOCAGRR7QSCAB3RMZ0CA23C36ECA3WSOFKCA6BCC43CAH6R77XCAPKIHWXCAWF1SZ8CAXRE20ZCASAUJXOCABOCYDZCAU00OKHCACIOSU7CA6O8QYYCA9P275UCAZOXTFL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-2219540024686164861</id><published>2009-10-12T12:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:39:43.444-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' FAROL DO ESQUERCIMENTO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOF8-dlP0I/AAAAAAAAB6Y/T44_YKUGiAc/s1600-h/APANS7CA933UD8CAO4YOBQCAEXM272CAPE0CGGCAQJKGD7CAC53THVCAP6Q55NCAG9Y2HFCAQVF0YVCAVH58NYCA87IPVUCAJ2NC8LCAR1NSBUCAYGJQ5TCA9DFN86CAXPM3S9CAYVXCQ3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 121px; height: 124px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOF8-dlP0I/AAAAAAAAB6Y/T44_YKUGiAc/s400/APANS7CA933UD8CAO4YOBQCAEXM272CAPE0CGGCAQJKGD7CAC53THVCAP6Q55NCAG9Y2HFCAQVF0YVCAVH58NYCA87IPVUCAJ2NC8LCAR1NSBUCAYGJQ5TCA9DFN86CAXPM3S9CAYVXCQ3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391800461498335042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FAROL DO ESQUERCIMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória vai singrando&lt;br /&gt;O céu da bem aventurança&lt;br /&gt;Em mares bravios&lt;br /&gt;Sobre a luz de uma estrela marginal&lt;br /&gt;Caída no mar em prantos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi o Farol do esquecimento&lt;br /&gt;Ativei a s lembranças deletadas&lt;br /&gt;Já não mim lembro mais&lt;br /&gt;Eu que me esqueci de lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não aprendi&lt;br /&gt;A ver, porque não sei olhar.&lt;br /&gt;Uma multidão de sons,&lt;br /&gt;Não sei ouvir, &lt;br /&gt;Por não saber escutar.&lt;br /&gt;Um paradigma &lt;br /&gt;da inconsciência coletiva&lt;br /&gt;empobrece meu cabedal,&lt;br /&gt;sem memória, sem olhos de ver, &lt;br /&gt;sem voz de ouvir&lt;br /&gt;falando sem dizer&lt;br /&gt;e nada a acrescentar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-2219540024686164861?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/2219540024686164861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-farol-do-esquercimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2219540024686164861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2219540024686164861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-farol-do-esquercimento.html' title='POESIA &apos; FAROL DO ESQUERCIMENTO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOF8-dlP0I/AAAAAAAAB6Y/T44_YKUGiAc/s72-c/APANS7CA933UD8CAO4YOBQCAEXM272CAPE0CGGCAQJKGD7CAC53THVCAP6Q55NCAG9Y2HFCAQVF0YVCAVH58NYCA87IPVUCAJ2NC8LCAR1NSBUCAYGJQ5TCA9DFN86CAXPM3S9CAYVXCQ3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-2490684851315556563</id><published>2009-10-12T12:32:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:36:07.681-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' VIOLAÇÃO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOFFveqm4I/AAAAAAAAB6Q/meun8ZoobYE/s1600-h/484ddf76c8fbb_edited.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOFFveqm4I/AAAAAAAAB6Q/meun8ZoobYE/s400/484ddf76c8fbb_edited.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391799512583543682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;VIOLAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei mais viver&lt;br /&gt;sem você&lt;br /&gt;é uma auto violação&lt;br /&gt;uma violência que se alastra&lt;br /&gt;em meu olhar&lt;br /&gt;sentimento de posse&lt;br /&gt;nos meus beijos&lt;br /&gt;e abraços que demarcando&lt;br /&gt;território&lt;br /&gt;sufocando o seu desejo&lt;br /&gt;e pensamento bloqueados&lt;br /&gt;renascidos mortos&lt;br /&gt;na voragem do tempo&lt;br /&gt;sem sol&lt;br /&gt;que violência é essa&lt;br /&gt;minha saudade&lt;br /&gt;essa fuga de mim&lt;br /&gt;esse complexo fechado&lt;br /&gt;na minha sombra aterradora&lt;br /&gt;que domina seus sonhos.&lt;br /&gt;Sinto delirante&lt;br /&gt;Privação dos meus sentidos&lt;br /&gt;A androgenia avassaladora&lt;br /&gt;do seu canto&lt;br /&gt;despertou o perfil de Afrodite&lt;br /&gt;no lago de Narciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-2490684851315556563?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/2490684851315556563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-violacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2490684851315556563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2490684851315556563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-violacao.html' title='POESIA &apos; VIOLAÇÃO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOFFveqm4I/AAAAAAAAB6Q/meun8ZoobYE/s72-c/484ddf76c8fbb_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-2664845986886143303</id><published>2009-10-12T12:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:32:53.316-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' MIRASA '</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOEVCrPMRI/AAAAAAAAB6I/bjQiWh6LxZg/s1600-h/4U4C0BCA2GC66JCAR3V0XZCARKE9CQCADVDK2ICABALTQ1CA45JZ2TCAYPBP88CAAHG6EICA4LY5WKCAHJ1UD1CAKUFLXJCA8V96B5CAXKNJULCAO8FK83CABG9JT0CAM8XW06CA91615E.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 122px; height: 93px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOEVCrPMRI/AAAAAAAAB6I/bjQiWh6LxZg/s400/4U4C0BCA2GC66JCAR3V0XZCARKE9CQCADVDK2ICABALTQ1CA45JZ2TCAYPBP88CAAHG6EICA4LY5WKCAHJ1UD1CAKUFLXJCA8V96B5CAXKNJULCAO8FK83CABG9JT0CAM8XW06CA91615E.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391798675922956562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MIRADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei de olhar para você,&lt;br /&gt;mas não vi nada  alem,&lt;br /&gt;sem embargo de  expressão&lt;br /&gt;A razão de ser, não é ter&lt;br /&gt;mas saber que é.&lt;br /&gt;Minha visão acendeu&lt;br /&gt;as luzes do Farol da Ilha perdida,&lt;br /&gt;para não perder seu rumo.&lt;br /&gt;O olhar da minha visão&lt;br /&gt;Dilui&lt;br /&gt;no firmamento para afirmar&lt;br /&gt;que os filhos não precisam&lt;br /&gt;entender seus pais, &lt;br /&gt;só precisam, obedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-2664845986886143303?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/2664845986886143303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mirasa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2664845986886143303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/2664845986886143303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-mirasa.html' title='POESIA &apos; MIRASA &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOEVCrPMRI/AAAAAAAAB6I/bjQiWh6LxZg/s72-c/4U4C0BCA2GC66JCAR3V0XZCARKE9CQCADVDK2ICABALTQ1CA45JZ2TCAYPBP88CAAHG6EICA4LY5WKCAHJ1UD1CAKUFLXJCA8V96B5CAXKNJULCAO8FK83CABG9JT0CAM8XW06CA91615E.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-6744813233275021984</id><published>2009-10-12T12:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:27:41.162-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' SUSPENSÃO'</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StODG_OT8WI/AAAAAAAAB6A/bi6Onxo5ZC8/s1600-h/015.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StODG_OT8WI/AAAAAAAAB6A/bi6Onxo5ZC8/s400/015.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391797334966530402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUSPENSÃO&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Perdi as falas do meu personagem,&lt;br /&gt;deu branco no esquecimento&lt;br /&gt;e troquei Fauno por Falo.&lt;br /&gt;ato engraçado, que esqueci&lt;br /&gt;de rir.&lt;br /&gt;Não sei como abrir o portal, &lt;br /&gt;para sair deste pesadelo&lt;br /&gt;e continuo a lutar,&lt;br /&gt;como uma bolha imaginária.&lt;br /&gt;Quero atropelar as dificuldades&lt;br /&gt;e segui em frente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-6744813233275021984?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/6744813233275021984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-suspensao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6744813233275021984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/6744813233275021984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-suspensao.html' title='POESIA &apos; SUSPENSÃO&apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StODG_OT8WI/AAAAAAAAB6A/bi6Onxo5ZC8/s72-c/015.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-7104348651991522078</id><published>2009-10-12T12:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:23:07.190-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' DELIRIOS '</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOB680msVI/AAAAAAAAB54/HIcVjeH95go/s1600-h/a_dor%5B1%5D.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOB680msVI/AAAAAAAAB54/HIcVjeH95go/s400/a_dor%5B1%5D.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391796028651778386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DELIRIOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espírito obsessor&lt;br /&gt;pra mim, pouco  se mim dar.&lt;br /&gt;O cavalo de prata marcha&lt;br /&gt;no  terreno, querendo alçar vôo&lt;br /&gt;e implica com a cadela lili,&lt;br /&gt; dando pinotes e patadas pro ar&lt;br /&gt;e a lili não sai de suas patas.&lt;br /&gt;A intenção é montá-lo e sair &lt;br /&gt;galopando o ginete a favor do vento.&lt;br /&gt;Ainda agora, ouço os latidos &lt;br /&gt;e relinchos, e não sei o que impede&lt;br /&gt;de ferir o portal do Arco –Iris &lt;br /&gt;deste meu alazão&lt;br /&gt;ante a insistência da cadela subindo &lt;br /&gt;na crina para lombo do cavalo  &lt;br /&gt;no horizonte de minha janela&lt;br /&gt;vendo lili, a cachorra narcotizada&lt;br /&gt;delirando no dorso do cavalo alado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-7104348651991522078?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/7104348651991522078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-delirios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7104348651991522078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7104348651991522078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-delirios.html' title='POESIA &apos; DELIRIOS &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StOB680msVI/AAAAAAAAB54/HIcVjeH95go/s72-c/a_dor%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5703423266294013314.post-7919385433374574128</id><published>2009-10-12T12:08:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:11:29.906-07:00</updated><title type='text'>POESIA ' FLUTUAÇÃO '</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StN_UeUwukI/AAAAAAAAB5w/trpgCgZhZ5o/s1600-h/7EGFPXCA81TC9ACA5KCJ1TCAIWHO8SCA5PAYCYCAPS0UMSCAZBZC7MCAYEK11ICAUIF61TCAKUFIL0CAJFOS9MCA4WTGZZCAFPWZHXCAXC2LJ4CAEZUA5ECAYJL05PCAJYOCH8CA85YAVG.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 132px; height: 132px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StN_UeUwukI/AAAAAAAAB5w/trpgCgZhZ5o/s400/7EGFPXCA81TC9ACA5KCJ1TCAIWHO8SCA5PAYCYCAPS0UMSCAZBZC7MCAYEK11ICAUIF61TCAKUFIL0CAJFOS9MCA4WTGZZCAFPWZHXCAXC2LJ4CAEZUA5ECAYJL05PCAJYOCH8CA85YAVG.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391793168606870082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;FLUTUAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria poder dormir&lt;br /&gt;porque estou sonhando &lt;br /&gt;acordado&lt;br /&gt;um pesadelo alado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas imagens são reais&lt;br /&gt;e eu fantasiei para colorir&lt;br /&gt;estou  exagerando&lt;br /&gt;e sentindo o drama&lt;br /&gt;quero olhar sem ver&lt;br /&gt;a comédia dos meus erros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5703423266294013314-7919385433374574128?l=literaturafrosergipana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/feeds/7919385433374574128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-flutuacao_12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7919385433374574128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5703423266294013314/posts/default/7919385433374574128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturafrosergipana.blogspot.com/2009/10/poesia-flutuacao_12.html' title='POESIA &apos; FLUTUAÇÃO &apos;'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/StN_UeUwukI/AAAAAAAAB5w/trpgCgZhZ5o/s72-c/7EGFPXCA81TC9ACA5KCJ1TCAIWHO8SCA5PAYCYCAPS0UMSCAZBZC7MCAYEK11ICAUIF61TCAKUFIL0CAJFOS9MCA4WTGZZCAFPWZHX
